quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Lá fora

Um rumor.Surge exagerada do lado de fora, uma forte impressão mata as idéias organizadas. Queria sair ou talvez paz serena distendida entre os dedos de uma mão segura. Querendo, até a vontade se pôs em vozes altas nos corações sensíveis. Vêm ao fogo as idéias projetadas e mostre-as à realidade nua que é o fora e os rumores. Mostre-me as mãos sujas até porque , talvez, estejam sujas de vergonhas.

 As decepções. Nuas como corpo desnudo e peludo de um ser humano qualquer, e que detalhes sejam vistos por todos, há pêlos, pelos os orifícios circundam, e numa mancha que quer cada vez mais ficar preta, vejam as partes.

 Levanta-se o homem, que no meio do improvável prove que faz sua própria história e mostre, junto com a experiência, a vergonha lançada da covardia. E que levante no dia claro para que se veja e os olhos produzam em si reflexo inspiratório e  faça nos seres humanos reflexão do que querem e como querem.

Os colos são muitos e a qualquer hora lágrima corre dos globos que são inseguros, que seja longe a indagação da dúvida derrubadora feita nos corações errantes.

 Cobram-se, as expectativas que em vozes agudas falam do futuro e, em vozes graves, colocam o presente contra o tempo. Teu momento é outro, onde te pegas solto, não vejas o que passa no agora o qual estar a passar, o ver é belo, o trabalhar é gratificoso, tomas o que teu é e tomas-te como próprio ser que foste ontem e faz no hoje para o amanhã.

 

Os ventos sopram forte do lado de fora, alma canta em olhos vermelhos, minha calma foi porque os tempos agora mudaram? Cadê eu depois de tudo sonhado? Cadê eu depois do tudo vivido?

 Rebenta os tempos e a casa voa como folha no meio de uma tempestade. Desfazer-me em prantos de choros profundos? O interior dói na desesperança do desacredita-se. A quem correrei se o feito é construído por quem chora em vez de viver?

 O Tudo é difícil e nunca ninguém falou que seria pré-visto por um guru adivinhoso do amanhã disposto. M um star sempre haverá o que se passa em degraus que desacreditamos nosso, mas por proporção natural nos acerta como quem quer ensinar que o hoje deve ser levado a sério e evoluído no agora.

Alguns diriam como fatores que selecionam, mas mais serve os dias que são, por si só, resquício do ontem que não nos pode ensinar tudo, ou talvez a certeza que de indiferente e indisposto espera por alguém que a tenha como posse dos que apesar dos rumores e decepções ainda acreditam que viver é lutar no incerto e inseguro. 

sábado, 13 de dezembro de 2008

O medo de errar

O sucesso, como conquista que é conseguida com esforço necessário, particular de cada um, é um advento que enche-nos de alegria. Queremos tanto aquilo que desejamos, nos vemos outros em posse daquilo que sonhamos, chegamos a querer tanto que até sonhamos com o futuro. E, no decorrer de todo o processo, nos deparamos com o passado que parece não estar tão longe, e dos fracassos que dão a impressão de circundante presença. Estamos em um novo desafio, mas nos questionamos se novo este é. E, a partir daí, perdemos certezas, calamos as vitórias - ficamos com medo de errar.

O medo é uma sombra que persegue as ações iminentes, uma sombra escura que tenta confundir-nos do que realmente é a luz, a realidade que se apresenta serenamente. Algo que nos tira a razão desemocionada das coisas. Errar é algo humano e normal, com erros se aprende tanto, sabemos quais são nossas fraquezas e assim podemos mudá-las e fazer de nós mesmo seres maiores, mas superiores de que o de antes, o de ontem. Quando unimos essas duas componentes que nem ao menos tem semelhança ou natureza derivada, acabamos por fechar o que poderia ser a nossa vitória triunfante.

Mas o ano foi árduo, foram horas e horas destinadas a assimilação de conteúdos que são fáceis e facilmente cobrados - estamos diante da hora exata de fazer dos planos realidade viva da expectativa. Acreditamos. Sim. Nossos talentos e esforços, cada qual com seu, serão revelados num teste o qual nem ao menos mostra nosso total potencial. Estamos no momento crucial - naquele no qual questionamos quem somos, e o que conseguiremos ter.

Mas peço que o medo não seja o acompanhante nosso no dia da prova, que não deixemos que as incertezas sejam nossas verdades. Nossa mente cria tudo o que nos cerca, nossa mente certamente é a nossa maior auxiliadora, e é ela mesma que mostrará memória fora, que fará que cada detalhe necessário brote com fluente. Não podemos nos tolher e deixar que o medo de errar cerque-nos como se não tivéssemos escolha de colocar sentimentos negativos para longe.

Os dias continuam desafiosos, a vida continua um todo indefinível que nos predispomos diariamente. Viver é correr riscos, corremos o risco de amar e não sermos amados, de dar e não recebermos, de sorrir e não receber sorriso. Os desafios são nossos riscos, que fazem com que nos sintamos vivos, pulsantes para nossos objetivos. O sucesso é um prêmio que buscamos tão arduamente, riscos. É por isso que não é hora para deixar que o medo de errar tome conta de nós e sabote os nossos resultados. Deixemos os medos nas ilusões tortas e sem sentidos deles, que todos vão para o lugar longe das desmedidas escolhas e das desequilibradas atitudes, que, então, respiremos profundamente o ar limpo das idéias claras, e que flua como numa torrente exarcebada de um riacho cristalino na úmida manhã, barulhando contra as pedras, ressoando sobre a floresta silenciosa. Não é tempo para ter medo de errar nem se preocupar, mas deixar correr, fluir, levar.

sábado, 15 de novembro de 2008

Palavras a alguns

"Eu nem sei o que falar - porque parece que a predisposição cala-me, é como se as palavras já tivessem sido antes cantadas. Dos pressupostos tiro as minhas conclusões , e nem ao certo sei se dizem muito, mas uma parte grande já, em demonstração, alude: pessoas assim podem desaparecer, mudar de cidades, ir e não voltar avisadamente, mas fica aquela impressão que a presença delas fez tanta diferença na realidade que passamos a sentir saudade das vozes em forte som, dos riso histéricos a ponto de chegarmos ouvir na calada consciência, toda lembrança relacionada, cada som, cada imagem - tudo se converte numa saudade que aconchega por dentro num deleite fagueiro, se elas pudessem estar ali já faria toda a diferença, e que a felicidade persiga essa pessoas - que a alegria, então, te persiga."

"E tem sorriso mais sincero?É o sorriso da libedade de estar no mundo em que os limites são depostos com força do caracter e do esforço, um sorriso que transpassa,Não, era eu vendo, O sorriso pode dizer muito mais, ir até, profundamente deixar esperança de alguém que passa, corre, cai, levanta, anda ,continua, os sorrisos põe em mim essa impressão vasta do que é ir em frente e não parar, os sorriso vivos, alegremente sinceros como os teus."

"Tem tanto dentro de mim. Minhas lembrnaças estão todos os dias, meus sentidos mostram-se tão efetivamente , basta ver - um mundo se interpõe sobre minha racionalidade, e são pessoas as quais amo que vejo, e assim que o faço meus olhos enchem-se de lágrimas, são verdadeiras, são tuas. A falta bate-me, e por aqui teu sentir é outro - lembro-me das tardes calmas, das conversas boas, dos risos eternos, aquilo marcou-me em uma marca que nem o tempo tirará - amo-te com alegria de poder conhecer alguém assim na vida, amo-te como quem não sabe o que é amor mas sente um caloroso sentimento no peito, amo-te como quem tenta viver a vida e sabe que esta é feita de pessoas ímpares com tu!"

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O pedido

Na cidade os ares mudavam. Os dias estavam ficando mais frios, as noites tornando-se melhores bem dormidas em cobertores grossos, e o ano findando. Era a expectativa de pôr nesse período as expectativas daquilo que não se conseguiu durante o todo, um momento único, em que se pode deixar de perceber tanto e simplesmente receber ou dar. As cores enchem a cidade, as luzes amarelas piscam em euforia de trazer o aconchego e a excitação de se estar mais próximo, mais o vermelho, mais o dourado, mais o verde, mais os pinheiros. Os centros estão belos, os lixos se escondem no meio da multidão, ou talvez os focos que as luzes trazem as vistas façam, disfarçam, as sujeitas rotineiramente encontradas nas ruas. Músicas tocam, ainda no tom fagueiro, era hora de dar, é hora de receber, e como são bonitos os presentes que vejo daqui, queria aquele que carrinho verde que brilha quando anda, Aquela boneca da minha altura, que vou poder vestir com minhas roupas, ou até usar as roupas delas, A bicicleta está bem pintada, o vermelho, minha cor preferida, ela ta toda de vermelho, As casinhas estão cheias de coisinhas por dentro, a cozinha tem demais de panelas e comidinhas, nos quartos as camas, tem luzes, acende luzes por toda a casa.

Acendeu a luz da grande, grande árvore, todos correm para perto, é a primeira vez que se mostra a constantemente renovada arvore, esse ano ela está perfeitamente bem cheia de luzes, de vez em quando aparecem alguns enfeites que estão escondidos, apagaram a luz de tudo, só se ver o brilho esbranquiçado das luzes que piscam, os olhos estão cheios de esperança talvez, olha, o ano está terminando, nem sei ao certo se vou conseguir pagar as contas pra poder dar pro meu filho o brinquedo preferido dele, Os preços estão altos, a ceia vai ser muito cara, acho que esse ano não vou reunir na minha casa, nem quero ser mesmo palco daquela hipocrisia, queria mesmo era passar sozinho com meu filho, Minha filha quer tanto aquela boneca, acho que deixo de compra um celular novo pra dar pra ela, ela vai ficar tão feliz em recebê-la, os olhos vão brilhar, que vou ficar até emocionada. Ligaram-se as luzes, como num aviso que os acordavam para a vida, é hora de comprar, venha comprar, venha comprar.

Mas, enquanto todos dispersam, ali no meio fica uma menina, ela ainda não desgrudou os olhos da árvore, muitos vão partindo, liberando os espaços, outros ainda querem ver, e mais outros se desconcentram, as lojas estão cheia, e é hora de ir em frente a gastar o crédito que o cartão ainda pode dar. Mas ela ainda continua lá de olhos atentos, de coração puro, era bonito ver as luzes, era bonito ver a grandiosidade da árvore, talvez só no pólo norte que nasce esse tipo de arvore, porque aqui nunca vejo, não dá por aqui não. A mãe aparece ralhando, Bora menina, quase que te perco de vista, não faz mais isso, olha, Eu tava vendo a arvore, mãe. Bora pra casa, bora pra casa, Mas agente não vai comprar, Mas eu não sei o com o que, tens dinheiro, pensa que dinheiro nasce em arvore, arvore de natal, mal me dou conta das despesas de casa, a criança não disse nada, na saída do local, olhou pra trás com olhar esperançoso, como era bom estar ali e sentir o cheiro do novo, o cheiro de poder comprar, de estar mais perto de um lindo presente, e os olhos esperançosos foram relance do olhar da mãe, se gostaria de dar a filha o presente perfeito de natal ali mesmo ele se aguçou, e um corte que marcou o coração ainda que duro da mãe, parece que ela própria revivia a infância, Meus pais não deram a mínima pro que eu desejava, deixaram passar, mal conselhos eu recebei, só falavam pra não ser uma puta da vida, como se eu fosse resumida a desejos sexuais e que minha perspectiva de vida fosse casar, fui dar ouvidos a eles, to aqui, repetindo esse ciclo vergonhoso que é querer e não poder, agora tenho filha que deseja também e não posso dar nada , queria ter ,sim, filha, se pudesse te daria tudo o que pedisse , sem dor de gastar, Pede pra papai Noel, pede pra ele, talvez ele venha por aqui, mesmo que aqui cidade seja quente, e o mundo grande, talvez ele tenha tempo de passar por aqui.

Ela não sabia o que pedir, era tanto e em tanto de imaginação se pôs, e se seu pequeno quarto estivesse cheio dos brinquedos que mais sonhava? Aqueles em que poderia passar o ano inteiro , horas e horas, em brincadeiras. Eram tantos, São muitos papai Noel, aquela boneca tão fofinha, eu queria ter aquela, se pudesses me dar, e também outras mais, muitas e muitas bonecas, não , sei ainda não vou fazer meu pedido. Mas o quarto simples já dizia tudo o que queria ouvir da pequena garota, era uma cama quebrada, uma pentiadeirazinha que mal dava pra colocar coisinhas, nem um guarda roupa tinha, as roupas eram organizadas em montinhos no canto do quarto, as noites estavam frias, dormia com a mãe, era seguro, era o único quarto. Depois de pensar no que gostaria de receber olhando pro teto, foi à cozinha que era logo após a porta do quarto, servia de sala assim como servia de cozinha, encontrou a mãe sentada na mesa, a cara inchada, cheia de preocupação, estava calada, em olhar fixo e indiferente, O que foi mamãe, ela gostaria de ouvir um desapontamento da própria mão por não poder dar o que gostaria, Mamãe não tem nada pra dar hoje, filha, mamãe, não tem como te dar comida, ta, A criança não entendeu de começo, mas ao se afastar começou a ouvir soluços da mãe, e então pode sentir que algo de errado nisso, ficou com dó, foi pro quarto e na cama deitou, com o estômago reclamando deitou e adormeceu em pouco tempo.

Foi acordada pela mãe de manhã, Bora filha, a gente vai voltar lá, se encheu de esperança a menina, talvez a mãe agora poderia repensar e dar um brinquedinho que fosse, ela ficaria feliz, e cheia de expectativa começou a se arrumar, depois de banhos e preparos, roupa vestida saíram, foram andando, e enquanto chegavam perto do centro já se ouvia as musiquinhas, já se via o brilhar das luzinhas, e várias vitrines foram se aproximando, mais cheia de renovo a criança ficava, cheia de esperança ,Mamãe hoje vai me dar meu presente, ela vai comprar sim. Senhor, o senhor poderia me dar um trocado, eu estou sem emprego, tenho essa filhinha pequena, to sem comer, nem café eu ainda dei pra ela, se você puder me entender, sabe como é não ter o que dar pra minha filha comida, por favor, me ajude, viravam a cara, mas era natal, Senhor, o senhor poderia me dar um trocado, eu estou sem emprego..., os que paravam olhavam para a menina, os olhos eram esperançosos, outros de pena, uns riam pra ela, outros riam enquanto davam, outros passavam e nem olhavam, tratavam-nas como ser fossem um vazio transparente, ou um mosquito perturbador, outros cheios da verdade falavam ‘vai trabalhar sua vagabunda, fica usando a filha pra ganhar dinheiro’, e saíam andando, conseguiram um trocado, puderam entrar numa lanchonete simples e comprar um refrigerante com um pequeno salgado e matar a fome do inicio do dia, a mãe pegou o salgado partiu no meio, e foi comendo observando a filha comer com calma, parece que não reclamava e nada ,comia devagar e de vez em quando lançava um olhar e ria pra mãe, dividiram também o refrigerante, e saíram, foram andando e a mãe continuando a pedir algum trocado dos passeantes, a menina alternava em ver a cara da mãe de desgosto e desespero e a vitrine das lojas, ora a mãe atenuava a dor do desespero quando davam-na algum dinheiro, ora a vitrine parecia mais bonita.Voltaram ao local da grande arvore, a mãe deixou a filha e ficou andando pelo lugar, oferecendo-se para emprego em algum cargo, pediam um tal de ensino médio, mas mal tinha se alfabetizado, ai encrencavam, Não, não contrataremos que não tem ensino médio, mas a menina estava olhando a árvore, imaginando como trouxeram-na lá do pólo norte, talvez demoraram meses, Papai Noel, eu nem o que pedir papai Noel, Papai Noel, Papai Noel, Papai Noel, e ficou repetindo como se pudesse colocar toda a esperança, pediu, pediu.

A mãe voltou calada, estava triste e a menina percebia a melancolia da mãe, foram pra casa sem um trocado bom, não dava para comer nada de novo á noite, mal dava para o transporte, ninguém quis aceitá-la em lugar nenhum, mais tristeza enchia a mãe ao avançar em direção a casa e saber que lá não terá nada, a não ser os pequenos cômodos que mal dar pra se viver, e a menina ficou triste também em ver a mãe de mãos vazias, cadê meu presente perguntava pra si mesma. Chegou em casa, estava cansada, depois de se trocar, foi á cozinha a mãe estava de novo lá, se remoendo em choros, voltou ao quarto com fome, olhou para o teto, papai Noel, dá pra mamãe dinheiro pra que ela não chore mais, pra que ela não fique triste durante o dia, pra que ela não grite, dá dinheiro pra ela papai Noel, pra que ela possa ficar melhor, dá pra mamãe primeiro depois , ano que vem, dá um presente pra mim eu dou pra mamãe o meu presente, esquece o que eu disse, olha a mamãe como ela tá chorado lá na cozinha, toda a noite é assim ,e não quero ver mais minha mãe chorando, papai Noel. E foi adormecendo e adormecendo e adormecendo na noite fria, na cidade das luzes que piscam, das músicas que tocam.

domingo, 19 de outubro de 2008

Voando em tempo

Voei. Achado foi o tempo. Era hora de ver o que estava ao meu lado, as coisas na vida passam inconseqüentemente, parece que os dias correm e levam a consciência daqueles que se pões sobre o cargo pesado do destino, mas nesse vôo era já momento de enxergar - vê tua, vê logo como estas , novamente não te pões em tanto desafazer, levanta tua ordem no meio dessa guerra infindável, és mais um, e o provavelmente é maior naqueles que se deixam levar. Antes que as luzes sejam terminantemente apagadas e brilho algum não se veja mais, levanta e faz, do que refletes, uma luz que dói aos olhos negros, que expulsa a escuridão rodeante - as luzes ainda se esgotam, e se esgotaram aqui nesse meio de seres que vivem para completar ciclos de substâncias e átomos que vão e voltam.

Deitou-me de costas, depois de um tempo avistava o céu - eloqüência bem que te mostras num céu mesmo que escuro, as estrelas parecem que são nulas, queria mesmo é que fosses meu, assim como quero que os meus sejam teus e que de nossos esforços sejam formados na magnitude do que é viver e fazer do vazio um quadro negro de pontos brilhantes - levanto-me, teus planos foram anos e anos nesse estar.

Mais um nasce, e choro logo ouço enquanto converso contigo, porque não pára nada, mesmo que pudesse dar fim ao corrido, ali logo se formaria outro mostrar, não se pára , e parece que o tempo me pressiona, não há espaço para momentos pequenos, não há hora para enrolação - o próprio tempo me ensina que o ir é uma impressão que só pode ser lembrada e que o viver uma memória do que se pode fazer no ir passageiro. Às vezes me ponho numa cilada que eu mesmo invento, e choro pelos medos que cercam nessa armadilha brusca- -fecho os olhos, não consigo pensar - vem-me a consciência - medo e cilada que invento, criação torta que me faz desviver o ir.

Já era tempo de ver, ou seria atropelado pelas correntes da vida que transpassam sem dizer licença - meus dias, meu tempo acompanha a lembrança do ir, minha vida é mais uma impressão, meus momentos são mais uns que precisam ser vividos. Meu voar é mais uma luta que desfaço e faço no decorrer do ferir e ser ferido, no estar em ação e no viver em inação. Mais parece que a vida é uma impressão, num molde que crio para fazer da vivência uma forma provada de que não sou somente matéria que vai e volta.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Porque não sai comigo?

Tu pegas o que tu tens vivido no teu pensamento. 
Às vezes os humanos se enganam , 
inventam histórias, 
mascaram-se para não parecerem diferentes demais - 
mas no teu caso não há nada de diferente, 
há outras e mais outras libertas de si mesmas. 

Enconde-te por detrás do teu riso, 
tentas disfarçar a vestimenta por detrás do uniforme, 
mas um pedaço eu consigo enxergar daqui, 
e todos vêem. 
Renegam. 
Dói aos olhos e as mentes pensar que estais num mundo tão obscuro, 
tão solitário e perdido. 

Entraste no mundo cedo, 
eu bem sei, 
e  lá colocas tuas experiências passadas, 
podes viver aquilo o que não podes aqui. 

A sociedade é outra, 
estás presa aqui fora, 
estás perdida aqui. 

Não tiveste medo de ir lá, 
mas tens medo de sair com todas as tuas vivencias e nem te culpo - 
tu sabes viver sobre os pedidos de outros, 
sabes colher inferências das vozes, dos olhos, das ações, 
não te culpo porque tua responsabilidade com a sociedade é grande, 
não vives tua vida em parte, 
tentas fazê-la como querem e fazes bem, 
assim como tens entrado lá. 

Mas saiba de começo: 
caso queira fugir dali, sair de lá, 
talvez encontre-me como guardião de alguém que é novo. 
Aqui fora, nada soa tão bom, tão satisfatório, 
aqui querem tanto, 
chegam a te cobrar e te reprimir. 

Cuidado, 
não sai da lá só, 
aproveita enquanto estou aqui, 
na saída olhando, 
esperando que cada sombra seja tua,  
e os sons  já estão me perturbando, 
não espera a universidade, 
talvez nem ali possas viver o que queres. 

Tens medo, 
entendo, 
mas entendes também - 
o medo é um hábito, 
ele te impede de riscos,
 e quanto maiores forem as conquistas, 
maiores os são - 
não te priva, 
não te pára, 
assume teu risco, 
se não para toda a sociedade, 
mas para mim. 
Comigo não haverá problema.

sábado, 4 de outubro de 2008

A primeira

Num ato inconseqüente que fazia, numa imediatilidade que tinha, foi a quarto. Quartos obscuros de silêncios tontos, quarto de quatro, por dois, para dois. Eram cômodos calados, numa neblina própria que nascia nele, num vulto mecânico que era o momento. Nos quartos soltos sempre há, nos quartos calados sempre se ouve, e não como complementação de antonímia, não, sim, mas sim, nos de iguais medos, nos de iguais desejos.

E nos progressivos movimentos foram avançando, naquela inconseqüência, naquele imediatismo, mal tinham se conhecido, mal tinham se olhado, e do mundo corriam porque medos se afastavam, numa aceitação que serenava com os tempos, como as pessoas, como os pares, no quarto seguro, de lençóis seguros, de aconchegos calmos, de silêncios seguros.

Num vulto grande que era correr para fora, na minuciosidade deles, no momento deles, que só tinham para eles, porque o mundo fora tinha sido uma escolha, uma idéia, uma vaga impressão da realidade que buscavam, mas tinham deixado de lado – no momento que é dar, que é receber, no momento que é fazer.

No reflexo distorcido, como quem bebe álcool e vai desapercebendo, tentavam visualizarem-se, em toques rápidos, de vez em quando desacelerados. Foram na busca única que é procurar o orifício, numa luta que é estarem se descobrindo, mas como era jovem – juventude que não espera o tempo e que se põe na situação tão ocasionalmente, perdendo-se em poucos planos, em pequenas idéias, e essas voam, e se alguma tentou pousar, foi levada pelo vento do meio, mas aqui já estamos na situação, e de lamentações já bastam, de reflexões é o que sobra.

Deitaram-se juntos, mas antes, nos beijos, estavam em pé, tirando roupas dos corpos, preparando-se em calma dispersa, e olhavam se deitados, no escuro falado, no escuro sincero, eram olhos negros que cintilavam em reflexo da luz desconhecida, mas as esferas negras viam-se e beijos novamente se deram, porque momentos passam, desejos levam, lembranças ficam, e ainda sim podiam tocar as pontas dos dedos as orelhas, a face, a boca, e sem muita divagação achou-se o buraco - cozy, quente, despreparado -, e o do pouco que ficaram em um, pouco mesmo estavam, relaxaram depois, caíram depois.

E inocência da jovem, na inocência do olhar que pedia arrego, logo de início, agora pedia a paz de, depois de ter feito tudo, não sentir culpa, mas passa, o escuro passa, e logo estarão deitados lado a lado, abraçados, seguros em si mesmos, no conforto de ter pele sobre pele, sem roupas, sem medo, e nessa tranqüilidade aproveitarão até a hora que o mundo os chamar, mas por enquanto podem olhar um para o outro e falarem, Me promete que não me deixarás por nada, mesmo que eu esteja para baixo, me promete que eu ainda verei sol e isso vai ser contigo, me promete que teu abraço continuará forte e quente e teu beijo bom, me promete que não vai me deixar sozinha. Mas a pessoa olha com cara de arrogância para a menor e não retruca, fala para consigo mesmo como quem fala em triunfo no final de tudo, Acalma-te, mal sabes da efemeridade disso tudo e já vai criando muros, construindo alicerces, lançando expectativas, mas saberás o que é o tempo e o que é amor, e o que é isso que fizemos, no tempo distinguirás maturamente teu plano, ou a ausência dele, nesse romantismo que passa desapercebido tem lugar tomado pelo resto, saberás mais tarde, mesmo que o hoje seja o sofrimento de aceitação; e o dia levanta, a luz dança e sobe pelas frestas da janela, da cortina, pois já é hora de levantar.