domingo, 17 de agosto de 2008

Confuso.

Porque me desliguei de minha razão, sim eu estava na casa da amiga, não teria ido por nada, e de modo inconsciente fui adquirindo postura alienada que quem sai com amigos e não questiona o que eles te oferecem, nem tenta negação do que te presenteiam.

Eu passei o dia molestando-me com as lembranças do dia anterior, questionando-me posições, entendendo-me e no final ainda tinha feito certo, não tinha avançado, não tinha vivido, porque fim seria isso, de uma forma ou de outra, eu estaria numa sarjeta escura, sozinho, e cheiro de enxofre.

Não viria depois de tudo, não calaria minhas lembranças, não me tocaria em pele, não olharíamos de novo, ela. Era o que eu entendia e ainda fazia certo, fazia sem remorso de abandonar o barco que estava com um buraco insignificante que ora levaria esse lindo flutuador, desejado meu, aconchegante barco que riria ao fundo e ali estagnaria virando um fantasma que se perde em lembranças passadas, que se perde em habita de peixes inseguros. E eu deveria continuar navegando, procurando minha terra, já que ela não queira compartilhá-la comigo.

Ainda assim, eu tentei o dia inteiro me concentrar nos produtos, e a produtividade lutava com a lembrança, mas de luta me enchi, era hora de ir ao aniversário e tentar contatos com os terrestres meus amigos.

Fui sim,querendo deitar minha cabeça num peito, novamente, no peito de alguém para ouvir o coração bombeando, sentir fluxo contínuo que é a vida e nisso me inspirar, não conseguia me ouvir, não conseguia me sentir, supostamente o fim, mas ainda assim no certo.

E nada, o aniversário foi só comida, nem conversas proveitosas tinham, eu estava perdido em tanta comemoração e nem sei se parabenizava o amigo mais velho agora, e isso ninguém sabe, porque tive que sair e ir a casa da amiga outra, mais importada e importante, e lá encontrar arreio que vai no vento que leva o tempo. Porque ela estava com uma das amigas e as duas sabiam cozinhar, sabiam fazer de uns ingredientes uma receita que te deixa mais leve, que te faz um pouco menos ágil, e a fizeram. Comi com medo, e com dor no estômago que foi comer doces, pizza e bolo, mas nessa degustação calma e fingidamente em paz, não senti leveza nem o céu, porque precisava vê-la para isso. E fui atrás dela.

A encontrei indiferente e medonha, e eu dizendo que queria conversar, e nesse discorrer de procurar-achar passaram-se uma hora, e já estava na frente dela, com cara destemida e coragem para dizer “Quero te beijar, só vim pra isso.”, ela ao me olhar e me ver rindo e corajoso e perguntar “ O quê tu tem? O que tu fez no aniversário?”, e eu dizendo sorridente “Nada, eu não bebi nada.”, mentindo eu soprei meu hálito sem álcool para comprovar a negação. E eu ainda dizendo que queria mais, que precisava deitar abraçado de novo e sentir a pele macia dela, sentir-me seguro nos abraços jovens, merda que é se apaixonar, sorte que é amar, que precisava muito mais o que aquela meia-horazinha, que queria só um tantinho acabável com ela, e esta ainda me admirando de tanto pedido e atitude que tinha, e eu ria enquanto falava, estava corajoso e lá vai eu dizendo que ela puxa meu coração para fora e corta com uma faca e rindo se diverte de me por em testes que acabam comigo, porque ela tinha beijado minha barriga e amassando minha bunda por dentro a cueca e a tinha visto e calcinha? Porque não avancei? Porque previ, olha, eu re-pedi, que por favor, me desse um beijo, e xingando-a no meio disso, sem organização prévia, sem sistematizar palavrões, colocando os mais ofensivos no final para vê-la definhar em remorso, eu estava desconectado ainda mais para ouvi-la dizer “eu não vivo de prazeres carnais.” e eu me encher de raiva por considerá-la como importante, que merda que era pensar nela, que sorte que era tê-la por perto, e eu dizendo que tinha comido brigadeiro, e ela rindo , e eu completando, brigadeiro com maconha “Porque eu não vou dormir bem e tu vais.” E vê-la de boca aberta sem palavras, não havia sermão espiritual, e eu indo na rua gritando “Fucked asshole, fucked asshole.”, tentado transformar a raiva – que tinha dela - e o remorso – de ter usado maconha – num grito ofensivo.

E me bastou isso tudo porque depois que a leveza deu lugar ao pesado ser que tentou se livrar de si mesmo, eu fiquei no chão, agora errado, ações maduras teriam sido o melhor, e nem a quero mais, nem vê-la posso, porque merda que é usar maconha e vê-la rindo, sorte que é sentir-se leve e vê-la indo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

[cap. 16 ou 6]

Apertava-lhe por dentro. Sentimento que ia e vinha e, indescritíveis vezes, levava-a para mais longe. Longe do terreno fértil dos desejos reassimilados, no que gostaria que fosse prática, na prática adiantada. Não bastaram as perguntas sobre o peculiar estado do rapaz que tinha conhecido, nem as demais teorias desenvolvidas no tempo rápido; estava a sentir-se quente e só, sina da fase. Perguntando a si mesma quando chegaria, as sete teria sido a melhor escolha, mas pelo momento, ansiava às cinco, e, a partir dessa hora, não sabia desenvolver razão para o suposto atraso de Luis.

E imaginava os lábios soltos do rapaz, lábios rosados, tanto de tirar-lhe a curiosidade de perscrutar sobre as demais partes do garoto. Porque os lábios, estava certa disso, correria sobre a pele delam, e, na sensibilidade que tinha para finos lábios e suaves toques, contemplaria o que lhe faltava. Se quente estava faltava-lhe o frio, supostamente, mas não. Não, porque um corpo frio é sensualismo mórbido e desse tipo sensual Nara talvez não entendesse. Mas se o corpo frio não a completaria, a lei dos opostos - eles sempre se atraíam mesmo? - estaria inaplicável. A não ser, viva e exceção, que Luis chegasse calado e frio, não disposto para mais nada a não ser olhares cobiçadores que rodeavam Nara, seja nos raios-x que tentava fazer da pudendo da garota, seja possuída visão do glúteo dela. De desejos estavam cheios assim como o mundo estava.

E chegou Luis com a cara reservada aos capitalistas, com poucas palavras, pouca expressão e pouco vigor, era o cansaço. Nara o viu chegar e tentou ajudá-lo o máximo; pegou a maletas os sapatos tirados, a gravata e colocou nos lugares de hábito. Isso porque tinha passado parte da tarde descobrindo, ou vasculhando, cada parte da casa e designando as relações entre os espaços vazios e seus acampanhantes. Não encontrou muito, só camisinhas na cabeceira da cama, normal, pensou, cuecas que a despertou mais para o que seria o desenho mapeado do corpo dele, umas blusas, o perfume que ficou cheirando como se pudesse voltar ao momento que o encontrou primeiro, e pornografias dispersas e regulares, aliviando-a de teorias que assustavam-a sobre o estado do rapaz.

Depois de colocado as coisas foi à cozinha para vê-lo. Tomava água com preocupação, encostado num armário pequeno, violado pelo dia. Nara aproximou-se e, bem perto do rapaz, passou a mão pela testa dele, deslizou-a para a cabeleira e gadelhou-a para trás, com preocupação acatada ao vê-lo no estado. Rompeu barreiras?

Sim, mas ambos gostaram. Estava na hora de reaproximaram fisicamente, pois desconsideraram o selinho que deram, coisas modernas. Mas, porque não tinham ainda cãibra, sorriram um para o outro. E beijaram-se.

Porém bastaram os beijos, haveriam de ir a banho para colocar as ruínas e a sujeira do dia-a-dia.

Havia banheira, era de se esperar, Luis pois para encher, tirou a roupa, de longe Nara observava a parte nua posterior e só pode ver isso. Foi ao outro banheiro, já sem banheira, e tomou um banho gelado, necessário e no seu tempo.

Não quiseram sair, pediram pizza e assistiram tv. Rindo da alguma programação, olhavam-se por escapada. Desligaram a tv, cansados das repetições e deixaram-se inovar. Calaram pensamentos. Foram ao quarto calados, já poderiam dormir um do lado do outro, circunstâncias do momento, e na conversa divagada desenhavam-se fagueiramente, uma cama confortável, ouvindo vozes gostosas, compartilhando bobagens. Era o momento.

No divagamento passaram a dormir, primeiro Luis, por homem e ter levado o dia nas costas, e depois Nara ao perceber que falava história para as paredes, dormiram um ao lado do outro, sem abraços, sem cheiros.

Amanheceu. Na manhã mesclada de madrugada acordou Luis e foi ao banheiro, voltou de cueca com o pênis rijo, facilmente visto. Nara abriu os olhos e não o recebeu com riso, nem com grosseria, olhou-o nos olhos e da comunicação telepática pode-lhe avisar que estaria, em pouco tempo, aberta e disponível, para não dizer arreganhada. Então Luis tirou a cueca a avançou em direção a Nara, com o pênis indo à frente dele, como numa batalha espada vai um pouco mais adiante do guerreiro. Aquele era o momento em que Nara poderia relembrar todos os outros em que o desejou dentro dela, dentro e sem fôlego, todos os devaneio dele possuindo o seu seio, todos os suspiros dados tentando captar a essência fujona. Mas agora poderia cheirar o pescoço branco do rapaz, poder tocar-lhe a perna, ser prensada sob os músculos jovens e sentir presa e com falta de ar.

Nara viu o pênis rosa do garoto e aproximaram, deram-se beijos calmos e carinhosos, abraçaram-se, ela de roupa, ele desnudo, e tentou captar o máximo do momento o aproximando-o mais ainda agarrando os glúteos de Luis. E depois na calma que os sustentavam, Luis tirou a blusa, o sutiã, a bermuda, a calcinha e se reabraçaram nus, ao ponto de penetrá-la, mas Nara segurou-se.

Ele foi beijando o pescoço, mais um pouco abaixo, os ombros, o seio, os mamilos, a barriga, as coxas, os pés, e a vagina, com uma delicadeza, com um apreço, coisa que Marcos fez a corrida, sem notar a variação das texturas, e depois a levou a borda da cama, afastou as pernas e ,com objeção concentrada, pôs-lhe o pênis devagar, para vê-la mudar de expressão, e mais intensamente foi avançando, até que os gemidos foram tornados e pequenos gritinhos, daí gozaram juntos numa sincronia, num deleite afável, um sobre o outro, para eles, por eles.

E ali Nara pode calar-se para si mesma sobre as teorias a respeito de Luis, tinha vivido, tinha provas, tinha o nas mãos. Pobre ingenuidade de Nara.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Movimento, Mecanismo, Defesa.

Perturbação que é sentir o não gostaria, porque está cheio de desejos fortes que latejam na ferida exposta e que latejam em dor, assim como também em prazer, que se perdem em definições que não se pode dizer, mas sente com freqüência, senti quando pensa, nessa cadeia que é idealizar, sentir e agir, perdia-se por desejos e neles, como quem quer se livrar e entra numa prisão, como quem diz que tenta, mas repete ações. Repetidamente. Repetidamente.

Volta vai, ciclo rápido, ciclo fácil, um vazio que vai formando uma concavidade nula, que faz falta, que perturba, e na concavidade acumula-se desejos e mais deles se reproduzem, como se nesse espaço houvesse incubadora, e responde, com muita perturbação, responde incessante, indeciso, tremendo, medonho, concavidade nula que toma o dia.

A falta está dentro e conversa com a vontade, satisfaz-me, satisfaz-me, porque sanar-me é i teu nome, é o teu significado; a vontade, entretanto, espera dançante, olha com olhos pedintes de misericórdia para a decisão que impaciente incomoda a razão; a razão elabora, enquanto a intuição não pára de repetir “deixa comigo, deixa comigo”, mas a razão concentra, e a falta grita, começa a tumultuar, se rebate , convulsiona, a vontade reclama alto, pede atenção, chama, a decisão é abatida, e começa a cobrar, e lá vem a ameaça – “Me chamaram?” – a intuição olha com orgulho para a razão e repeti seguramente: “Deixa comigo.”

Formou-se o time. Atentem para a concavidade, atentem e uma cadeia que incessantemente trabalha, não para de proceder, enquanto a ameaça vai triste, nem encontrou o amigo medo, mas esperará, boas amizades nunca acabam, Bora, borá, movam, movam, gritava a vontade, movam,movam.

A falta se coloca de quatro, e suspira, suspira profundamente e sussurra baixinho, numa voz que confunde com algum gemido, a intuição já dera o comando e no comando havia a acasualidade, a intuição ainda no acaso, caso secreto que mal a razão sabe que se encontram, quando sai de casa, nessa omissão que é dar uma escapolida, a intuição se encontra com o acaso, encontro forte a apaixonado, livre e aberto.

A decisão e a vontade se chupam em beijos longos, de línguas confundidas, tardiamente tornaram doloridas, em beijos intensos, corre a mão da decisão sobre a vontade, nesse movimento que é a propagação a decisão comenta e apresenta novos modos de beijar, novos modos de amassar, a decisão agarra o peito da vontade e os aperta levemente entre as mãos quentes, passa para o glúteo e passa a apertar novamente, aperta com graça, percorre a linha que separa o par de músculos, com velocidade constante, em pressionamentos que intensificam, de cima a baixo, chegando a uma pressão forte lá em baixo, e recomeça o movimento, mas ah, a vontade aproveita e sente que em meio ás pernas algo molha-se e não deixa passar, não pára de acariciar, a decisão, em beijos enche o pescoço, molhados e salpicados, logo após lá está a vontade brincando com os mamilos da decisão, que ora aperta-os sem dor, entre os dentes, ora pincela-os com a língua, saudade que é a vontade com a decisão, e a decisão, quase numa ânsia de gozar no peito da vontade, se despede, lá para as tantas se masturbará pensando no momento, e, enquanto o melado não secar, que as lembranças venham logo.

Mas a vontade chega com a falta e a vê de quatro, aprecia, re-olha, suspira, suspira profundamente e sussurra baixinho, não confundido com um gemido, mas com uma voz que promete e a falta de quatro, por enquanto bastam as dedos que entra e saem numa concentração quase ardosa, num movimento que tenta ser satisfatória, mas que em pressa se defaz em afoitamento de meia solução, e a falta move os músculos, altera e puxa a mão da vontade para a genitália, a vontade enche a mão nisto, e aparando com concavidade necessária, agrega o material em apertos sucessivos e depois de um tempo passa a ser escorregadio e quase um desafio apertar sem deslizar bruscamente, e se aproximam, um de costa para o outro, e beijam-se, sendo que a falta desloca a cabeça para trás e a vontade tentando achar um modo correto de manipular, e já não consegue sentir a mão da falta, mas continuam, a intuição planejou bem, beijo que cansa, e lá está a falte se arrebitando, posicionando e oh, começaram o movimento, está devagar, mas acelera, e cadê o pé da falta, e mais intenso, mais intenso, forte, vindouro, não palpável, fugindo, fugacidade, ai, ai, fugacidade, está indo, os braços onde estão, ai, ai, indo, indo, pernas onde, vai, vai, vai, e vê aquele fio branco que voou no ar, não parado lá dentro, e cadê a falta. Desapareceu, mas pariu a satisfação, que já está rebocando a concavidade, hora ou outra fica plana, e faz um trabalho bem feito, a razão, vlta, encontra a intuição na cama, jogada está, Deve está cansada, pensa, e vê ao redor, bem diferente do começo, mas não sente apreço, deveria ter feito algo, nada sai tão bem quanto se quer quando se passa as tarefas, e pensa na perturbação, não, não eras tu não, eu que não percbi que eras filha da ansiedade, enviada por esta, e nem sei o que fizeram aqui, se evitaram a realidade, ou a excluíram, ou redefiniram-na, se inverteram-na, se passaram do interno para o externo, se dividiram-na, ou dela escaparam, fui inflexível, fui ineficiente.

sábado, 2 de agosto de 2008

Últimos da história!

Do mais-ou-menos ao...

Ô telefonezinho que toca quando quero o silêncio de uma paz que é inconstante só de existir, porque quando a anestesia queria perder o efeito tocou com toque perturbador e lá vai a adrenalina, e depois já estarei de anestesia que é ouvir tua voz, e só podia ser tu, porque outro telefonema não coloco, estava mendigando momento, dizendo que queria se encontrar que queria falar, e eu criando abuso, que precisava me encontrar em casa ,mas deixa, eu neguei, agora já, depois de tanto repensar , não queria mais vê-la, não queria estar a disposição e ela sabia da minha situação, não poderia se fazer mais de inocente que acreditava que eu não sentiria nada ao estar perto dela...

Porque o teste foi terrível, foi massacrador e para qualquer um que já passou por essa situação ou passará, sabe que risco correu ou correrá, e esse risco parecia que era a brincadeira sádica dela, que curtia com as emoções, e considerando o telefonema anterior, o que havia arrependimento e insatisfação, mas ainda cruel seria vê-la outra vez, portando os mesmos sorrisos, os mesmos de tudo o que me fez parar meu curto tempo para dá-la atenção de um coração que não deixa sentimento passar, e quanto mais eu negava, mais ela implorava por um momento a sós comigo, queria está sozinha comigo, quer fosse meu sacrifício, e eu negando, ora,isso é pergunta que se faça?

...Eu, na minha casa, com a minha cama, ela, na minha casa e também na minha cama, não, é tentação de mais para uma carne que mata vontades só em pensamentos, palavra final que dei a ela: "não", porque se fosse para ficar em casa a sós, diria não, lancei proposta de ser numa praça próxima de casa, mas não queria, só me encontraria se fosse em minha casa, mas não.

E ela disse que ficaria com raiva e o de sempre, eu nem liguei, era dela própria ficar fazendo ceninhas, eu fiquei normal, já bastava o teste, e fiquei em casa tentado fazer algo que tirasse imagem da minha cabeça, aquela imagem criada de inocência. E por intuição própria, depois de horas da ligação, desci as escadas de minha casa e fui ver a frente desta, sem intenção maior, ato inconseqüente que se faz todo o dia, e olhei, era tudo normal, era tudo sem acento, e ao lado de casa, na calçada, lá estava ela sentada no chão, com cara de insatisfação, virou o rosto para mim e me olhou por...

Cinco segundos, foram os cinco segundos mais ilógicos da minha ida, eu tinha acabado de conhecê-la, e estava na fase da coragem, em que se chega junto e sem medo começa uma conversa sem tanta enlevo, e foi ali, que lha faltou palavras, e só me olhou, pelos cincos segundo que deveriam ser aceitos como uma quebra de intimidade, eu jubilei só por ter aqueles cinco segundos só para mim, e fui á casa certo de que ela poderia ser mais que uma imagem na minha mente, um desejo solto, sem futuro. E nos olhos tinham chamas, e pela irradiação foi em cima de mim, foi, pois meu interior queimou rapidamente e calor foi tanto que minhas pernas foram obrigadas a se estabelecerem, foi num momento tão rápido, e tão desastroso, porque saí dali quase que certo, restaria para o teto o meu quarto me responder se era só loucura, ou mesmo um conselho amigo preocupado com as insanidades que crio.

... Pouco, mas agora foi pouco, ela desviou o olhar com insatisfação grande, e logo eu abri o portão e a chamei, ela não quis entrar, e eu estava sujo, tinha acordado fazia quatro horas e logo que acordo ela já vem com propostas de encontro, e mesmo negando ela estava ali, mendigando atenção, que houve? E fui ao lado dela e sentei, e pude a olhar mais um pouco, era o momento que ela falava mais do sentimentos dela.

- O que tu estais fazendo aqui?

- Eu falei que vinha.

- Mas eu desconsiderei, tu não irias fazer outra coisa lá e eu ainda disse que aqui em casa tu não virias.

- É mais eu disse que viria te ver.

- Isso não faz sentido! Porque tu estais com raiva?

- Por que eu sabia que isso ia acontecer, tu ia começar a me evitar, querer parar de conversar comigo, não querer mais me ver. Eu sabia disso, e eu vim aqui só pra dizer que pra mim não tem problema nenhum. - mas a cara dela negava, pois uma raiva corava-a e seus lábios faziam um biquinho que cólera.

- Para com isso, menina! - e passei meus braços em volta dela como...

No nosso terceiro encontro, em que, depois de tentar tirar palavra da boca dela, e não ter conseguido coisa alguma, eu me aproximava mais dela, o amigo Caio, antes, estava entre nós e fazia força para distanciá-la de mim, mas ela aproximou e passou o braço em volta de mim, e meu músculo do tamanho da minha mão fechada, ficou inquieto, muito inquieto, e ela me olhava nos olhos, com coragem e vontade de ver mais, de conhecer mais, aí não, não soube diferenciar, eu mais colocava sentimento por ela, e mal sabia que sofrimento que é fazer isso, porque quando ela tirou os braços em volta de mim, eu empurrava o meu antebraço contra o dela, e me aproximava, queria um toque inocente queria me aproveitar disso tudo, e ela passou de novo o braço em volta de mim, e de novo o músculo. Fui para casa acariciando meu próprio antebraço e relembrando constantemente os delicados toques do braço dela, eu realmente não sabia que sofrimento ocorreria mais tarde.

... Sinal de desculpa mais não adiantou, ela me olhou ainda em cólera e continuou:

- Eu odeio quem foge das situações, eu não gosto, olha que tu é maior do que eu, tem mais idade, e agora tá fugindo das situações, eu odeio quem faz isso.

- Não, tu sabes da minha situação, tu sabes que quanto mais tempo eu passo perto de ti mais eu posso gostar e mais o sentimento aumenta. - eu disse calmamente tentando fazê-la ver que não queria machucá-la com minha ação, ou inação.

- Não, sabe qual o teu problema? Tu queres fazer tudo sozinho, tu não dá o braço a torcer, não pede ajuda de ninguém, tu sabes que tu precisa de ajuda, esse sentimento não tá nos planos certos, tu queres fazer tudo sozinho. - eu calei, porque a verdade quando ouvida é aceita e não rebatida, eu calei porque precisava realmente de ajuda, e nessa humildade que me encheu respondi:

- Me desculpa, por favor, me perdoa. - pedi delicadamente e a cara dela se encheu de dúvida...

Dúvida era o que tinha na cara dela, depois de sairmos do riacho cristalino, nós estávamos no ônibus de volta, e a dúvida era o motorista da viagem, ela ria pelos cantos da boca, compreensiva demais com meus sentimentos, para não me constranger, mas confusa sobre como eles surgiram, e eu já tinha falado que tinha criado um quilo de coisa sobre ela, que tinha fantasiado mais ainda e tinha sido ufanista, mas não bastou, ela continuava na dúvida, e como aquela dúvida era charmosa, como era bonito vê-la pensando no profundo ser, e se questionado sobre a especificidade dela que fez apaixonar-me, era interessante, engraçado e bonito, mas ela olhou para mim com olhar de curiosidade e já atingido pela dúvida, aproximou a boca do meu ouvido e docemente, bem baixinho, perguntou "Porque eu?", e depois olhou-me nos olhos e com graça que fluía do momento e dela própria esperava a resposta, o clima mudou, pois eu senti o ar mais úmido, a temperatura regular, e a viagem parou, era um momento belo que me fez não pensar em resposta alguma, eu deixava de aproveitar a viagem.

...porque para ela, eu deveria ser mais infantil, pelo ao menos eu acho, desviou o olhar de novo, e repeti de novo:

- Desculpa, por favor, me desculpa, me entende - ainda docemente dizia. Ela foi mudando a expressão e passou a rir, com um riso de vergonha, talvez percebeu que a situação era demais de inusitada, - vamos à praça. - levantamos e fomos, achamos um banquinho e ficamos sentados lá.

- Aí, sabe? Depois de ontem, do teste, eu fiquei pensando, porque eu acho que eu deveria ter te beijado, sabe naquela hora faltava um pouquinho para eu alcançar tua boca, aí eu cheguei em casa e fiquei me questionado, eu deveria ter te beijado.

- Não, quando tu desviaste teu rosto de mim ontem, eu percebi o que tu queria, eu pude ver em quem teu foco tava.

- É verdade, quando tu disse naquela hora, "isso é pecado, não vamos sair espiritualmente arrebentados." aí eu recuei, e fazia um tempão que não ficava com ninguém.

- Pois é, mas tu me fez perceber de verdade o que quero, isso foi muito bom, parabéns. –eu disse triunfante, a cara dela era de espanto, mas desviou-a e logo perguntou:

- Teria algum problema se a gente dormisse abraçadinhos, seria maldade?....

Não, não seria maldade se eu fosse um boneco, porque se eu fosse menina, ainda poderia ser maldade, ou vai me dizer que lesbianismo não é tentação? Mas eu, pelos hormônios que engrossam minha voz, põem-me pêlos corpo, auxiliam na libido, e também as ereções noturnas, sim a maldade me encheria com força, e eu transaria sim com ela, pois ela, ou eu, acordaríamos um ao outro,no meio da noite, e logo estaríamos nos beijando, e não diferenciando o sonho da realidade, no quarto escuro, sim seria maldade,problema, pecado, desejado, mas pecado.

...hein?

- Acho que sim.

- O ônibus que eu pego passa por aqui. Seria maldade mesmo?

- Acho que sim, não sei, acho que te beijaria se dormíssemos juntos.

- Não, não haveria beijo nenhum.

- Acho que sim. – pausamos e ouvimos o transito.

- Bora logo, me leva na parada.

- Tá. - e fomos andando já sem tantas palavras, as perguntas eram difíceis e as respostas também, e chegamos na parada.

- Sabe? Eu tava lá em casa e eu percebi que gostava de ti, tu me fez ver além que uma simples paixão, teu coração bateu forte quando a minha boca chagava perto da tua e isso que importa...

Reação, reação? Não, nada. Eu realmente seria um babaca se acreditasse no que ela tinha falado, sim, porque no final quem estaria preso, em choros, em dores, em quero-quero-mais, seria e somente seria eu, a verdade já tinha clareado minha alma, eu estava certo disso, e nessa hora até que a dúvida quis manchá-la de novo, mas me contive, não, já bastava.

... Sabe?

- Nossos caminhos são diferentes, uma hora ou outra eu vou estar, ou tu vai estar em outro lugar, e aí não seremos mas o que seria o hoje, o amanhã continua incerto.

- Me dá um abraço?

- Hum?

- O ônibus tá vindo e não vai ter tempo de me despedir.

- Tá. - ela me abraçou com força, eu dei um abraço normal, de amigo para amigo, estava já certo mesmo. Depois do abraço, comentamos mais um pouco sobre tudo de novo, ela me perguntou se gostaria de dormir na casa dela, eu disse que seria um problema, mas ela insistia que não, que não. O ônibus apareceu e vinha devagar, dava para uma despedida. E de novo ela fez menção de abraçar-me e dei outro pobre abraço, ela foi mais tocante nesse, passou a mão pelas minhas costas, deslizou vagarosamente, apertou-me com carinho...

Esses foram nossos dois últimos abraços, e não digo só de um, porque foram concomitantes, um empurrou o outro, eu dei um abraço velho, e já no segundo ela foi mais aberta, e é só o que ela poderia ter, esses abraços foraa a última esperança que o céu pôde dá-la, só mesmo.

...carinho que teve que interromper, o ônibus se aproximara, era tempo de ir, e nem a vi entrar no ônibus, antes, toda vez que a deixava eu olhava para trás, tentando achar o rosto dela me olhando também, mas agora eu fui em direção à minha casa, não olhei para trás, e se ela finalmente me olhou, olhou na hora errada porque eu não a vi.

Sim.

Por que é tempo de deixar ir, é tempo de abandonar, deixar para trás o que tinha posto como foco. E tempo de deixar ir é um tempo de escolha madura, não é fácil para mim dizer a mim mesmo "vai" , mas aqui estou e aqui tenho que aprender a viver, ainda é tempo de escolha, tempo de olhar longe, e não se focar no chão ralo que tenho nos meus pés, e continuar acreditando, ainda posso ver o que quero , ainda quero o que desejo e isso me basta, de oportunidades somos cheios, oportunidade de vencer e perder, de ver êxito ou desprezo, de oportunidade a vida me enche e enche com bons olhos, com emoção de mãe que é ver o filho crescer sozinho, ainda lanças muito para que possa vê-te mais serenamente, e deixar ir a ansiedade e a raiva de se revoltar contra meu próprio mundo. Mas ô vida, eu te amo, no meu despreparo ainda te amo, eu encontrei em ti, e olha que não faço idéia se estava procurando, ou se era uma energia instável no universo, ou se era plano sublime, presente que é te ter, presente que é usar-te.

Eu escolhi a renuncia, que não vem em sabor agradável logo no início, mas que com o tempo vai mudando de amargo, passa para azedo, e adquiri vagarosamente o doce equilibrado, não chega a ser enjoativo, mas com dose necessária que é poder sentir-se fazendo o certo, renunciei por que vi, olha lá, eu vi, aquilo tudo que falava, planejava, era o plano para mim mesmo, era o que eu queria, e não era de solo, era de dupla, dois que pensavam de modo diferente, que viam de forma diferente, que agiam de forma diferente, e o respeito, respeito pela tradição, pelas idéias, estávamos indo em barcos que pela maresia encontravam-se juntos, mas momentos desses eles teriam que separar-se e ir a águas que sozinhos tinha que ir, e ainda nessa bacia grande que é viver, não poderia fazer e mapa, e nem calcular relevos, era a hora de ir e só. Era a obediência que tinha pelo o que acreditavam, uma solenidade pela fé, algo louco e sério, se a fé nos separou, a fé dispôs-se por nós, e como outro agente, ajudou-nos.

Porque ainda é tempo de deixar ir, e é tempo de ser grato, de senti o que alegria é, mas não reclamo, amei cada pedaço dessa história cada aperto no coração, cada olhar, cada sorriso, eu aproveitei o que era meu, e nos momentos não dei o exato valor foi porque ainda precisava de maturidade, e saí a compreender as situações, as buscas, os desejos, as derrotas, as renuncias, bem-aventurado sinto, posso olhar o algo a mais ali, naquela igreja que a encontrei e que ali esteja a paz que nos encherá enquanto passamos pelos corredores e vimo-nos, quando tivermo-nos que dá um aperto de mão irmão, quando a educação nos exigir mais, a paz eu encontrarei, porque estarei ali, e sempre, não por ela, não, por mim, que de fraco tenho que me fazer de forte, e de forte tenho que aprender, por mim mesmo que só via sentido material nisso tudo, que via nas carnes, tentação carnal, que via nas intenções satisfações de desejos, eu que tenho que estar para aprender a ser mas meta, físico seria se deitássemos juntos e calássemos as palavras e deixássemos as ações, mas não seria meta, para a frente que seguimos , lá, bem, lá no recanto próprio de ser, único caminho e solitária caminhada, cada uma lutando para o seu lugar, no após-tudo-aqui.

Porque eu renunciei, eu obedeci, eu sobrevivi, lutar não é fácil, e a dificuldade não é desculpa, porque depois da batalha o guerreiro sabe quem ele é e se satisfaz de conhecer-se mais, depois da luta, saber mais é o que se quer, e não há mais dores, nem problemas que afligem, e nada que faça calar a voz que diz "vê só o que tu és, não nascestes para a derrota, encarastes com perseverança, e olha , és vencedor que lutou bravamente!". E fico e pensar o que é vitória se lutas após virão e que venham - nisso tudo aqui, se o tempo não pára é por que as lutas também não.