sábado, 29 de dezembro de 2007
Concentração adversativa
Destinadamente encontras-te nesse mundo, miúdo, calado para as vitórias, gritante para as derrotas; observas esse momento, extrai dele o melhor, escolhes as minúcias desse meio e pergunta-te: a veracidade é o que devo viver? As formas de viver são mesmo essas? Então decides: Não viverei uma vida especulada; procurarei montar o quebra-cabeça, eu mesmo, determinado em me promover, determinado a fazer-me crescer.
Inspiro-me na encantadora concentração dos que vivem pra vencer, observo seus gritos diante de seus desafios, admiro aqueles vencedores, busco a concentração deles, calo-me para ouvir o som vibrante de seus pensamentos.
Então a chuva chega, o trovão a acompanha; não me detenho aos meus medos, corro para aproveitar. Muitas chuvas marcaram o ano; muitos temidos a morrer, poucos decididos a plantar. Eu vejo: estão aí, as oportunidades se encontram lá, lá onde os destemidos arriscam, onde os seus desejos superam qualquer adversidade.
Busco exageradamente essas formas, esse modos, esses jeitos. Não me contenho com as velhas histórias, não me calo diante do sugestivo negativismo, não me deixo a mando desse mundo, nunca quis, não quero e não vou querer. Desisto das ultrapassadas idéias, me visto das novas pra vencer; visto-me de tranqüilidade, visto-me de calma.
Viva a inteligência do homem; Viva a sua capacidade dominatória.
Viva a vida.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
[cap. Extra]
A áurea circundante causava extrovertimento; as pessoas saiam ás ruas tratando aos próximos de modo apaziguador, afável. Era um tempo, um dos únicos do ano, em que as pessoas se desarmavam e compravam a idéia de que seriam melhores.
Então encontrava-se Nara, naquela labuta; vivendo passivamente, esperando pelo nada.
O ano transcorreu inusitadamente: seu pai foi-se por uma atitude impulsiva e inconseqüente sua; tinha quebrado o gelo da timidez de seu avassalado amor por Marcos. Digo que esperava pelo nada porque se omitia quando boas oportunidades apareciam a ela. Mas esse momento era diferente; era Natal.
Primeiro um feliz natal não existia para a família daquela menina; seus únicos parentes, seu pai e sua mãe, nunca cultivaram o clima natalino; seu pai um bêbado, sua mãe uma reclamona; agora não seria diferente, nem um pouco, tinha matado seu pai, e sua mãe... Onde estava sua mãe?
Então Nara atirou-se num natal desses aí, consideravelmente natalino.
A festa de Nara se passou na casa da Cicinha, e junto com essa anfitriã, a sua amiga inseparável,
Márcia. Delas falarei no próximo capítulo.
Como aquilo encantou Nara. Era magicamente aconchegante. Era lepidamente real. Foi um momento rico; enquanto ela se deliciava com a atitude de viver o máximo de sua solidariedade ela decidia lutar; enquanto observava os encantadores sorrisos das pessoas ela decidiu passar a amar; enquanto participava da conversa de histórias familiares engraçadas ela se perdoava. Enquanto era Natal ela se amava.
Segui-se a noite, permeada de benignidade, sem indiferença, sem desgraça.
A hipocrisia era a aula diária dessa sociedade, ensinavam veridicamente, debatiam eloqüentemente; viviam eficazmente a hipocrisia. Mas deixa pra lá.
É Natal.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Julgamento
O julgamento marcou o modo de socialização da civilização ocidental, desde as bases greco-romanas: Os espartanos se consideravam raça pura e por isso achavam-se merecedores da dominação de outras regiões por meio das guerras; os romanos por sua vez dominaram a Europa, parte da Ásia e África impondo o seu domínio cultural-político. Mas o que faz o ser humano acreditar que é capaz de julgar às interpretações da realidade dos demais?
O julgamento baseia-se na manipulação da verdade, tornando absolutas as verdades próprias e desconsiderando toda e qualquer opinião divergente. O mundo já sentiu demais as conseqüências dessa posição de arrogância como a idéia de seres superiores vista na propagação dos ideais nazistas, Hittle executou um dos maiores genocídios da história do mundo.
Não conhecendo a realidade e a especificidade do pensamento da pessoa alheia o indivíduo se coloca como juiz ignora e despreza as formas do reconhecimento circundante do julgado, como visto na colonização do Brasil por Portugal: os jesuítas olharam as práticas dos indígenas como satânicas e aniquilaram boa parte dessa etnia rica em sua cultura.
Julgar é desprezar o aperfeiçoamento individual; é não abrir a mente para novas idéias que em grande parte melhorariam o meio de socialização. A prova disso foi a ocupação dos Espanhóis na meso-américa, pois exterminando os silvícolas dessa região eles não notaram o excelente modo de organização social que tinham esses povos: como um "Estado" que redistribuía os bens excedidos e que tinha diversos representantes que informavam o governo central sobre as necessidades da base social.
O julgamento é acompanhado de segregação, mesmo que mínima, mas que atrasa e corrói as diversas possibilidades de melhoramento individual, social, cultural e político da humanidade desses tempos. Julgar é ignorar, é parar.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
O Espelho[cap.4]
Um momento sozinha pensando na vida em toda sua complexidade, Nara admirava cada detalhe de seu corpo.Depois de se conhecer um pouco mais ela percebia a singularidade dos elementos que reescreviam seu templo.A imaginação pontecialmente apontava para aquele que preenchia os obscuros vazios do coração despreparado de Nara, dele falarei um pouco à frente.
Os ingênuos pensamentos para o descobrimento de seu corpo começaram a desaparecer quando Nara encontrou-se na realidade social dela: ele sentiu algo diferente quando passou perto do Mateus algo como uma atração forte que empurrava sua imaginação para além da realidade tangível; também notou algo parecido com Junior que a fez manter o cheiro dele por alguns momentos a mais. Mais nada disso se compara com a gama de sensações e sentimentos que ela sentiu quando observou Marcos, ele sim, para ele Nara seria, Nara viveria, Nara amaria.
O coração daquela menina se prendeu em Marcos desde que esta o viu sorrindo. Deixe-me descreve-lô como ela se sentia: satisfeita de vê-lo sempre e admirá-lo por toda beleza que possuia; acostumada com a não reciprocidade daqueles sentimentos ; insatisfeita por não está com a cabeça em seu peito, mesmo que em silêncio, insatisfeita.
O desespero que aqueles sentimentos causavam afetavam a razão sóbria de Nara transponindo a lógica dos sentimentos.
E então Nara aproximou-se de Marcos e o olhou em seus olhos - ela não saberia explicar de onde veio toda aquela coragem- o observou por alguns segundos; logo após ele se aproximou dela - os dois sentiam a respiração um do outro - continuaram se admirando por mais alguns segundos - para Nara foram dias -, e então se retribuiram beijos calorosos e longos. Nara não se sentia satisfeita e desesperadamente aceitou as carícias de seu amado com forma de amor, continuando a aceitar as diversas maneiras em que ele a possuia. Foi inconsequente, Foi rápido.
Não preparada para qualquer eventualidade, Nara via naquilo uma forma de expressar a intensa paixão que sentia por ele,e então caíram, eles dois, no mundo sensitível dos toques ,da intensa troca de calores e da circulação interna exasperada. Nara só pensava na idéia de possuir Marcos a cada dia. Nara só pensava na sua vida iluminada pelo nimbo de seu amado.
A partir daí ela se veria diferente em frente o espelho: completa, lépida, fagueira. Mas o que Nara pensou quando se entregou para Marcos?Que ele seria seu companheiro da vida toda?
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
[cap.3]
Então estavamos tentando enteder o que levava uma pura menina a cair na desgraça sem ter ao menos recentimento. Tenho pena de informá-lo que ela sentia. Sentia da forma humana mais sutíl : subconcientimente.
O dia permanesceu normal: escola da mesma maneira agindo de forma sóbria, casa da mesma forma assistindo tv a tarde toda; o coração permanesceu normal: sem novas emoções mas desejando muitas delas.
O meu papel nessa história é deixar informações pessoais as quais ninguém obtém.Depois de todo esse tratamento aqui onde me encontro, darei detalhes cruciais e tenho certeza de que eles farão diferença. O tempo passa inorexavelmente e certamente não detalharei esses eventos para sempre.
Às seis da tarde ela começou a sentir calores, aqueles que sentiu fazia pouco tempo.Quem estaira com ela durantes aqueles momentos que se vivem á dois, se estava sozinha em casa?
E os graus de seu corpo continuavam subindo exponencialmente, respirações evitadas marcavam aquele momento peculiar.Descrevo aqui como ela sentia as consequências de todas as suas ações inconsequentes:
Sua mão percoreu o próprio corpo por exatamente 38 segundos e durante esse tempo sua imaginação tocava o mais perfeito e ideal tocável; seguindo de sucessivas descobertas, todas desejáveis e impressionantes, nenhuma despresível. As idéias seguiam, as sensações também. Ela não desejava que todas as descobertas voltassem, ela queria aquilo eternamente, ela queria aquilo mais profundo, ela almejava incessantemente, e quanto mais queria mais sentia, mais foi se tornando vivído, tão expressível que culminou em contrações musculares marcando o clímax.
Era o modo que ela encontrava de se desfazer de todas as suas artimanhas, mesmo que fosse secretamente, aquilo significava muito mais do que parece. Era um momento único, era momento de extravazar. Vejo essa ação desse jeito: a pobre menina imatura de seu coração, insatisfeita com suas emoções se expressava solitáriamente com sensações temporárias que significavam o mínimo que poderia ser vivido. Era o jeito que essa jovem tinha de viver, era o seu modo de agir, era seu subconsciente, era o seu ser.
sábado, 24 de novembro de 2007
Viúva Negra [cap. 2]
As 7 horas se encontrou com Pedro. Para Nara, Pedro era aquele tipo de garoto em que a única coisa a ser feita quando se está perto é olhar para os detalhes perfeitos dele, não que ele não tivesse uma boa conversa, mas era difícil para ela prestar atenção.As garotas entendiam o porquê.
Então depois das risadas e dos olhares desconcertantes, as trocas de palavra se cessaram dando lugar a extrema atração entre eles que unia as intenções dos adolescentes.
Nara beijava ele com tanta euforia, ele a retribua com fortes abraços, Nara lembrou das conversas que diziam o quanto ele beijava bem e a partir daquele momento ela começava a concordar.Apesar de habitar num ambiente cujo o clima é tropical quente-úmido, Nara nunca desejou tanto uma calor latente como aquele.Nunca pensou que seria daquele jeito, naquela hora, tão inesperadamente, tão inorexisavelmente, tão sem palavras, tão intenso. No meio do acontecimento para Nara, Pedro parou e simplesmente se jogou para o lado. Nara não quis falar nada, talvez porque aquilo tinha acontecido a pouco tempo e ainda era novo para ela, ou talvez porque sentimentos começaram a suscitar em seu coração, sentimentos de vergolha e humilhação - ela imaginava todo mundo falando do que que tinha acabado de acontecer. Então um ódio repentino surgiu causando uma fúria exorbitante a tal ponto que Nara subiu no corpo deitado de Pedro e o enforcou, tentando e conseguindo lutar contra ele e matá-lo.
A satisfação enchia seu coração, um excitamento pulsante encheu corpo nú de Nara, como era novo aquilo. Nara novamente não sentia culpa ou arrependimento ,então, não foi difícil deixar o corpo despido de Pedro na cama, e nem vê os lábios rosados do rapaz se tornarem pálidos, nem admirá-lo estático de olhos abertos.
Dúvidas? Perturbações? Nara não tinha mais nada disso a partir de então: ela já tinha certeza do que ela era, do que ela poderia ser e do que ela viria a ser.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Diálogo
"Hum.."
"Estou errado?"
"Não, não, você pode imaginar o que... eu... vi..vo"
"Reconsideração? Você se imagina reconsiderando tudo isso?"
"Não, não. Eu não me vejo. Eu quero dizer, como eu poderia reconsiderar?Eu me sinto coagido pelo ambiente que eu vivo.Parece que eu não posso escolher.Sabe... é o que você disse a pouco tempo."
"Você não pode culpar o 'destino' pelo que você vive.Você tem escolha."
"Hum.Eu posso até me ver diferente, mas eu não consigo me ver vivendo isso plenamente."
"Voce acha que a qualquer momento tudo o que voce conquistou pode desmonorar?
"Isso."
"Desacredite."
"Não."
"Eu simplesmente não possso fazer nada.Voce não quer se esforçar.Voce odeia a idéia de viver essa melancolia mas gosta de vivê-la"
"Eu odeio tudo o que eu vivo.Eu, honestamente, prefiro desaparecer do que ficar me batendo e humilhando pra conseguir uma coisa que, eu sei, vai acabar rápido."
"O que lhe faz acreditar que voce não vai conseguir viver essa realidade desejada?
"Por favor, olhe para mim e você tem a resposta. Eu sou muito fraco e desistente.Eu mudo rapidamente o que eu penso. Eu posso estar num momento muito feliz e derrepente por alguma coisinha eu entristeço. Olha vamos fazer o seguinte, isso tudo tá sendo perda de tempo e não vai a lugar nenhum. Eu sou um fu... , desculpa, eu não presto e vai continuar asssim."
"Vai ter uma hora que isso tudo vi se virar contra você e pode chegar a ser um suicídio."
"Não."
"Sim. Eu posso lhe garantir que é melhor mudar agora do que lhe internar como suicída."
"Ah, tá... Quer saber eu tô saindo daqui.Obrigado."
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Electra na água[cap.1]
A única dúvida que passava na cabeça de todos era como uma pessoa que vive num mundo conduzido pelo estress se mantinha daquele jeito?Uns diziam que era porque ela passava a maior parte do tempo observando os erros alheios; outros diziam que era a hereditariedade, seus pais sem dúvida eram calmos como carneiros. É penoso dizer que nada disso fazia sentido, pois suas atitudes não eram justificáveis desse modo.
E como toda manhã que traz novos problemas e novas decisões, essa seria a mais importante e esclarecedora. Depois de voltar cedo da escola, era período de provas, ela encontrou somente seu pai alcoólatra sem perspectiva de vida em casa, sua mãe trabalhava para sustentar a família, e então cenas da infância de Nara começaram a se repetir naquela hora.
"Vem pra cá! Vem pra cá agora!" dizia o pai dela com autoritarismo. Nara se aproximou, bem devagar para evitar reflexos da parte do pai, e enquanto ela fazia isso cenas da sua infância perturbavam seus pensamentos, ela lembrava quando o seu próprio pai passava a mão com extrema malícia no seu corpo infantil, ela sentindo-se morta, sem sentimentos pois não podia chorar, seu pai a proibia dizendo:" Se tu chorar ou contar pra alguém eu vou te bater até tu morrer, tu ta ouvindo? Não chora!" e continuava com estupro.
Então não foi difícil pra ela puxar uma faca que estava a seu lado e empurrá-la na barriga do seu pai diversas vezes. Não foi difícil não sentir remorso enquanto ela tentava tirar o corpo morto de seu pai de cima dela. Não foi difícil ver seu pai sangrar muito e produzir uma grande poça de sangue. Não foi difícil limpar tudo aquilo e ainda jogar o corpo dele num rio das redondezas.
Enquanto ela via o seu pai afundando nas águas barrentas do rio ela passou pela parte mais difícil: aceitar que ela tinha reagido impulsivamente pela primeira vez em dez anos, e como foi árduo para ela decidir aquilo - ela sabia o que queria ser - , mas em relação a suas atitudes psicopatas ela não tinha remorso algum - ela sabia do que era capaz.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Nascendo,crescendo e vivendo um sonho capitalista
