Sentia-se só, e como consolo de si mesmo ficava parado em estaticidade silenciosa esperando que de algum modo aquele sentimento sumisse da mesma forma que tinha chegado, da forma efêmera que tinha em comunicar-se com os demais, mas não se trata de solidão, e esse assunto já me cansa por si próprio e já se fala tanto, como pressuposto de nossa existência desses dias em que o tempo é nosso inimigo e nossas relações tão rápidas quanto as mudanças que ocorrem diariamente todos fazendo parte de todo, unidos por informações que não correspondem necessariamente a todos, e da forma como somos mergulhados em uma perspectiva de outros, de umz empresa, de uma comunicação de massa, sem ao menos por si próprio julgar o que ocorre, - necessariamente ocorre? -, não gosto da forma passiva como são vistas as pessoas como se fossem vitimas de um mundo imutável e coadjuvantes de nós mesmos, deveria levantar, a rotina me cansa aqui no meio porque ainda não consegui encontrar nela beleza, tratando-a nesse meio tempo como uma bela arte que por minha experiência não a reconheça, e como nada se pára do nada porque não há beleza, como certos casamentos empurrados com o tempo e com a indisposição das vontades e do esquecimento do amor, me bate um desespero de não saber ao certo por onde se vai em humanos tão inertes desconhecidos da natureza bela e trágica que a qual mal conheço de mim mesmo porque a palidez me tomou conta enquanto eu tentava idealizar uma existência perfeita, sabendo lá dentro que nunca existiu e nunca existirá, por isso me recolho sobre mim mesmo e tento rir na hora em que a vida e os seres estão abertos para isso, até que a preocupação de fazer isto perfeitamente me toma a vida como direito dela em retirar o que é dos outros nem sendo dela, e não há pílula que diminua, e de treino estou farto porque estou parado em preocupações e arrasto minha vida sobre obrigações. Talvez ele seja eu, e eu seja alguém que entenda por empatia a complicação de nossa própria mente, não consigo pensar em ação alguma, então fico a ouvir o que os outros falam para que me inspire das histórias da personalidade deles, até que essa empatia se torne superidentificação e eu passe acreditar que eu seja quem fala.
Essa palavras me enchem a vida, a qual ainda não descobri por minhas pernas, assim ouço músicas de seres que nada mais sabem da vida a não ser vivê-las de seu próprio modo. Viver de meu próprio modo. Alguém me ensina? Medo de errar: alguém retira? Chega-se a um ponto em que a dúvida suplanta a ação, e tudo o que dela poderia por influencia em outros resultar. Essas preocupações tiram de mim a beleza existencial, e quase impossível é não remeter-me a minha infância - com o que haveria de me preocupar senão viver exatamente o que queria sobre repreensões de outros por vezes, nada mais há aqui, aqui jaz um morto que não pensa, que não vive, que definha trancado num quarto - odeio tanto tudo isso e a sociedade em que me encontro. Não adiantaria racionalizar tudo e por entendimento calar dentro o ódio que tenho de não viver meu verdadeiro eu, e tentar livrar-me da ferida que diz que sempre há alguém me observando ser perfeito, ser exato, ser constante, tenho medo de chegar mais tarde e ver que fui um projeção inexata de mim mesmo, e ver que vida nunca ouve eu, mas projeções e projeções por cima de projeções, sou um ser medroso em essência que tenta descobrir a vida por intuição e experimentalismo quando saio daqui - tudo por querer fazer outros satisfeitos.
- Eles nunca vão estar, não adianta o quanto se faz - nunca estarão - devotarás a tua alma pra esse objetivo e morrerás de estresse por nada mais ver de cor em tua própria vida, as pessoas querem a mesma complicações delas próprias e desculpa avisar-te - é foda.
- Não entendes o que eles significam pra mim, eu os amo a ponto de sacrificar-me por eles, e vejo tudo o que fazem e tento deixá-los confortáveis.
- Então eles são seres humanos excepcionais pra receberam tal tratamento.
- Não, não, eu queria que fossem, eles são tão desentendidos de si mesmo, tão desesperados pelos silêncios das emoções que nunca foram trabalhas pela consciência deles.
- E porque, então, te dispõe a tratá-los como se fossem merecedores de tanto belo tratamento?
- Porque vejo humanidade neles.
- Quando verás a tua?
- Talvez no dia em que eles morrem, Eu não sei ver o que sou, não consigo, entendo comigo mesmo que faço tudo isso pra ganhar um tanto de atenção deles, e disso sinto uma insatisfação enorme - será que vai a questão da minha existência - querer algo por mim mesmo - conversar durante anos em cima de algo que é tão cíclico?
- Um dia eu ouvi uma música que dizia que a vida te coloca em ciclos até que te rendas e largue do teu orgulho.
- Mas disso não entendo - eu calo meu orgulho pra vê-los bem. Eu calo-me pra vê-los orgulhosos.
- Não calas por ti mesmo, na verdade nem vês eles - vês tu - vês que estais sozinho e isso te desespera - passa, então, a chamar-lhes atenção pra que nunca ficas só de ti mesmo - e mesmo no silêncio do teu quarto não estais contigo - tás com eles dentro de ti, estais imaginando o que eles querem de ti para que possas dar. Lamento em te dizer - estais só, e a tua vida corre por entre tua existência, não a percebes passar por que nunca prestas atenção nela, isso está a ir rapidamente e quando finalmente - ainda estarás sozinho no teu último segundo, tu e tua estrutura neurológica, e nem tua sinapses vão poder captar algo que elimine ao todo essa sensação de quem estás só até que percebas que és pra ti o necessário de ti mesmo e que nada mais importa do que viveres o que podes pra ti mesmo, pra que sinta bem consigo mesmo pra ti mesmo, não para os outros - qualquer falsificação disso vai cansar a vida, e isto será pra ti um fardo. Não esperas por eles na tua existência - nunca haverá cura ali.