quarta-feira, 28 de maio de 2008

Desencontro

A faísca não decidida ameaçava a longa mata que rodeava, um movimento brusco, às vezes involuntário, faria descer a destruição que correria sobre toda extensão circundante. Mas voltava, sempre insistente, faíscas que de algum lugar vinham, perturbadoras, marteladoras da paciência e sanidade, isso adentrava no profundo ser, desbaratava escudos, calava contra-argumentações, brigava com a vitória, estabelecendo-se no muro, não decidas, mas ameaçadoras.

E na janela via-se, ali, do outro lado da rua, e expressão de preocupação, as dúvidas que aniquilavam a calma da tarde, durante o pôr-do-sol, porque haviam desejos, quebrados pedidos, acumulando-se, empurrando-se para fora, se iria ou não entregar-se; o rogo vinha, de tempos em tempos, as negações em contra partida, de contra-argumentação em contra-argumentação, e a cada lembrança, doía-lhe.Poderia, a partir daí, estar ás custas da preocupação; se erros aconteceriam no decorrer, se desacerto era o decorrer, se problema seria o depois, sempre às custas da dúvida preocupante, estabelecida pelo tempo, pelas conversas, pelos conselhos, pelo visto.

Cecília ainda olhava o quadro natural desregulado da janela, não via, pois o fundo era desprezível para a peça dramática que se passava internamente, o sol que descia no fundo, era regida pelo o que de mais longa origem vinha, os atores eram, praticamente, vítimas, que falavam sobre o que os perturbavam, mas que não tinham coragem para jogar fora, era doloroso, mas necessário, pelo ao menos nos séculos passados; continuava pulsante, retornando para as bases o relacionamento entre eles.

Me diz o que eu vou fazer, me dá um idéia mais lógica para justificar, algo que o faça recuar e entender, Parece que tu não quer, porque despreza os desejos que tem dentro de ti, manera nos preceitos!, Porque não me responde com solução?, Porque te faço-as a muito tempo, desde que te encontravas, naquele dia, no banheiro, na água que percorria o teu corpo, escorregando sobre teu seio, obedecendo as linhas curvas do teu corpo, atravessando teu abdômen, chegando e acumulando no teu umbigo, descendo de novo, no meio das tuas pernas, lá te perguntei e lá recusou, Porque ainda volta? Ele continua perturbando, não ficarias aí se fosse tu, se tivesse o poder que tens, Tenho e o quero usar adequadamente, e só, não quero ser galhofa, papo de moleque que tem vento na cabeça, Mas não fostes tu que escolheste ele? Não vou responder essa pergunta suja, Justa, Desnecessária, Mas tua, e calou se para si mesma, não era bom quando discutiam se aconteceria ou não, porque, na verdade, era perda de tempo, cíclico, os mesmos argumentos repassados com algum detalhe cotidiano a mais acrescentado, mas, essencialmente, o mesmo.

Foi tomar banho, no úmido banheiro, ao som da água que caía e corria, acumulavam-se os pensamentos do momento atrás, retraíam ao entrar debaixo do chuveiro e concorriam com a sobriedade que a água fria trazia quando escorria pelo corpo, duas temperaturas que, por intermédio da natureza, natural ou humana, disputavam o mesmo corpo, ou ambiente; quente, pulsava dentro, na mesma ritmia do miocárdio, subia pelo pescoço, descia pela barriga, por entre as pernas, recuava para dentro, e, como tentáculo, saíam de novo, lutando contra o frio, lutando para sair, como se debatia, e seu dono, que poderia ajudar, ainda estava em indecisão. Mas as vozes perturbavam e diziam promessas, as melhores, que a colocariam no patamar do mundo real, vivido, e o ela ia com a mão que rodeara o seio, descia sem presa sobre a pele macia, colocou a mão sobre, tentou tirar, tentou sanar, lutou para colocar longe, e ritmamente, mas olhou pela pequena janela que tinha um pouco acima a cabeça, o sol se indo, mais longe do que antes, respirou e determinou que deveria ficar no escuro latente, mas latente e ainda escuro; bastava o sabonete esfregado contra o corpo ,que retirava os restos da pele, e a toalha, para os respingos de água.

Foi ao quarto a casa que estava vazia, pais estavam fora a trabalho, confiavam na filha, o seu quarto, onde escolheu a roupa, mais adequada para o início da noite, e foi ás ruas.

Perto da casa havia uma praça e numa das ladeiras, a de pouca declividade, descia ainda de cabelos molhados, recém-lavados, ainda querendo que, na água que o tinha lavado, tivessem sido expelidos todos aqueles pensamentos; ao som as das crianças que corriam na pequena rua, brincado de bola, pulando coras, desafiando elásticos, instigando adivinhações mais prováveis para esconderijos, e distava dois quarteirões da casa; fazia diferença ir lá, por um momento curto ou longo, na fresca praça. Caminhando tentava tirar paz da brisa que deslizava sobre sua face.

E chegou à praça arborizada, bem cuidada, calma, sem muita gente, sentou num banco, olhou para o horizonte possível para ver os últimos suspiros do dia e a voracidade seca da noite que ia se coroando sobre o céu. A noite se suas complicações, pensou Cecília atentando para a dança calma e não regulável das cores, não conseguia nomear-las no céu,se misturavam, a definição ia se desapercebendo, Espero que um dia a minha noite seja estabelecida assim, pensou mais um pouco e finalmente não podia ver mais sinal de claridade; focou os que estavam na praça e só observou casais que, ali e cá, aproveitavam-se, viu nitidamente quando, no mais longe, um sentiu o perfume da acompanhante da qual sorriso fluía e brilho enchia os olhos, e, um pouco mais próximo, o casal que analisava as texturas das peles da mãos que estavam dadas, que apreciavam um simples movimentos dos dedos sobre a mão do parceiro e da parceira, e, mais próximo ainda, a garota que colocara a cabeça nas coxas do acompanhante, olhando para o céu, perguntando sobre a infinidade do universo e da que via nos olhos dele, e Cecília riu-se daquelas situações, com um riso singelo, essencialmente jubiloso, que fez ver em seus olhos brilho.

Olhou a árvore, uma solitária, que balançava tranquilamente com a brisa, iluminada por um poste perto dela, de luzes alaranjadas que não revelava o todo, mas que também não a ofuscava; imaginou-se como esta, alimentada pela terra, vivendo somente do que vinha dela, e um poste que um dia foi colocado perto, quase que ocasionalmente, mas com um objetivo. Continuaria no balanço da brisa?, pensou, A tranqüilidade é bela, mas monótona , que a mantém ali, naquele mesmo lugar, percebida por uma luz que não mostra tudo o que ela é.

Sabia que te encontraria aqui, disse Teseu quebrando a cadeia de pensamento, Porque desligou o telefone? Liguei a tarde toda; a resposta quase foi entendida quando Cecília o olhou alegre e ao mesmo tempo confusa, não por ele estar lá ou por aparecer de surpresa, já se conheciam faziam seis meses e tentavam se ajustar num relacionamento, Nada, eu só queria um momento silencioso, respondeu, E que momento silencioso, foram o quê? Umas cinco horas?, perguntou Teseu, Por aí, vem cá, disse Cecília sinalizando para o namorado sentar-se perto dela, e depois de ter feito, ela o abraçou pela cintura e ficou ouvindo o barulho que saia da caixa torácica dele, suspirando o delicioso masculino perfume que o envolvia,É engraçado lá no colégio, a perturbação que é naquela sala, o professor se mata pra tentar acalmar a sala e no final nem tem aula, disse Teseu, Cecília ouvia, mas estava longe, discutindo planos que nem tinha idéia se aconteceriam, E lá em casa o papai vive falando o curso que eu tenho que fazer e repete, repete, repete, “Direito, Medicina, não vai fazer outro curso, quer passar fome?”,fica nessa, Cecília largou do abraço, olhou-os nos olhos, e, com o dedo indicador, parou o movimento dos lábios finos do namorado e o beijou delicadamente, depois deu pequenos e carinhosos ósculos nos lábios dele, tão calma e tranqüilamente quanto a brisa que tinha sentido, reolhou-o nos olhos tão profundamente , se reapaixonando pela ingenuidade e vontade de descobri a vida do namorado, apressiou o momento, observou os lindos olhos que tinha, ainda sentindo o cheiro dele, passou a mão no cabelo e na nuca de Teseu, o abraçou e o beijou novamente, ainda calmamente, ainda em preocupação - foi aí que ele pensou que fora jogado a corda, crédulo que era a resposta do labirinto - então Teseu encheu-se de si e abraçou-a fortemente, e no beijo que aprofundava, segurava a cintura dela como se fosse o possuinte.

Pararam de se beijar, levantaram e conduzidos por ela, começaram a fazer o percurso de volta para a casa , Me deixa lá em casa, tá?, disse Cecília, Mas agora, já vamos embora?, perguntou Teseu – e é para isso que serve o rolo de lã – , Sim, eu preciso ir, e voltaram, não mais aos gritos dos pequeninos, mas no baixo movimento da rua, subiram a declividade que Cecília tinha antes decido, parecia que tinha ido buscar lá embaixo, e agora as tinha, forças para ir a um lugar mais alto, e não havia mais brisa, só a umidade que preenchia a noite.

Ao chegarem à frente da casa de Cecília, deram mais um longo beijo, porém diferenciado pela maior intimidade muscular das bocas , deixaram de se beijar, Teseu virou de costas e foi andando, Cecília olhava com a expressão alegre mesclada com preocupação, e o viu indo triste, se perguntado o que tinha feito algo de errado, ou se tinha feito ou vindo na hora errada, ou se a namorada passava por problemas, e, nesse momento, ele retornou, agora mais seguro, mais questionador, e viu a namorada com aquela expressão que o fez ainda mais ousado, tão, a ponto de vir andando com mais força, abraçando-a com vigor de guerreiro estando frente a luta que irá dar a vitória , beijando-a tão intensamente até perder o fôlego e só poder restaurá-lo deitado sobre o seio dela.

Cecília deixava-se ser conduzida por esse momento, para ela, ainda incerto, e deslocava-se para dentro da casa, que deslizava contra a escada, que percorria o corredor, e, no final, estancava sobre o quarto dela, e, ali, ser vivido.

A única luz que pouco iluminava o quarto, neste momento, era de um poste longe dali, mal dava para ver os músculos do namorado, ou a cueca que ele vestia, as suas pernas, seu pênis, e bastava isso ,pois dava para sentir a ansiedade deles, a insegurança, e começaram a ser tiradas as roupas, primeiro ela, Teseu, com a mão por dentro da blusa, foi levantando-a lentamente, Não, eu não posso, interrompeu Cecília, Mas já não falamos sobre isso? calmamente disse Teseu, observando malmente a preocupação que brotava dos olhos da menina, Eu só tenho me..., Não, shiiiii..., disse abraçando-a delicadamente, olhou-a nos olhos por bastante tempo, debatiam a insegurança e a certeza, tempo longo, até a certeza ir penetrando nos olhos da garota, que a cada insurreição do sentimento que a continha ia indo, deixando-a mais serena, na lentidão necessária, Não tem nada para ser temido, tranqüilizava-a mais, Não tem nada pra complicar, disse mais serenamente ainda.

E Cecília deixou-se, abandonava enquanto ele retomava o movimento lento de retirada da blusa dela, mais ainda quando desabotoava a calça, que ela mesmo retirara, enquanto, após ter tirado a blusa do namorado, passava a mão nos musculosos seios e sentia elevações do abdômen, os pêlos que vinham do botão da calça até o umbigo, enquanto o via retirar o jeans e, mesmo com dificuldade, e depois de abraçá-lo, sentir a protuberância sobre a cueca dele, deixava-se mais ao sentir a mão dele deslizar sobre a cintura dela e ao acariciar o glúteo delicadamente, ao passar as mãos sobre a costa do namorado, sobre a protuberância; enquanto, no desabotoar do sutiã, tentava visualizar melhor a expressão do rosto dele ao ter em mãos os seus seios, e ao cheirar os seus cabelos, enquanto ele beijava-os.

Deslizaram para a cama e , subjugados pela escuridão do quarto, sentiam um do outro as intensas batidas da ansiedade, e que, ás vezes confundidas numa só, os faziam serem um; desceu a mão de Teseu sobre a barriga de Cecília e pôs dentro da calcinha, deixando-a parada sobre a vulva dela e cheirava os cabelos, beijava-lhe o pescoço, mordia-lhe o queixo; Cecília colocou a mão no glúteo bonito do namorado, liso e quente e, esporadicamente, o apertava devagar. Ela própria tirou a calcinha e deixou as pernas fechadas e ele tirou a cueca sozinho, sendo que seu pênis conduziu-se a botar em ângulo as coxas da namorada e a retirar o hímen, sem dor; assim ficaram unidos, por tempo indeterminado, sem movimento algum, dentro um do outro; passaram se abraçar fortemente, tão, que a estaticidade foi quebrada, e pusseram-se em atrito, no suor, nos suspiros, nos desejos.

Desatarefados

Tudo começa na grande esfera, onde há movimentos, deslocamentos que constroem, quase auto-suficiente, alimentada por uma força maior, para uns, sustentada pela própria natureza, para outros.Na maturação as mentes mudam, os desejos reprimidos voltam mais fortes, o querido é extremamente pensado, planejado, torna-se necessidade de quem passa a alimentar como única opção. Isso é o que chamam de ação, a mão única que conduz a resultados, é exclusiva, filha única, inquestionável. Não poderia ser dito que eles, com suas atitudes, não estavam fazendo, pois essas, e novamente, únicas, dizem, falam, dissertam o bastante inferido. O que foi antes dado, pela seqüência pequena e diferenciada, agora estava dentro deles. O incontrolável desejo, aquela ansiedade desgraçada, viria a se formar próximo a esse instante da fase.

Os dois garotos encontravam-se planejadores, que passam a questionar a realidade peculiarmente, eram as interações que os atraíam, as trocas, os beijos, os toques. Terreno esse fértil no momento. Da casa, diziam e eles que o destino do possuinte da estrutura incisiva era as mil e uma noites de diversão, ou, quem sabe, mais que isso, e de outros lugares , quando viam nos seres diferenciados por seus pêlos, suas vozes e seu corpo, o cobravam ações que dissessem mais do que uma simples e idiota piada, seja uma demonstração de força, coragem, ousadia, conquista. Nesse momento seria posto em prova tudo o que foi construído desde que eles foram colocados aqui, e os instigariam mais.

Iremos á festa, lá encontraremos as meninas, prepare-se, vá logo equipado, não esqueça de nenhum detalhe, disse o mais informado, Camisinhas, tomado banho, escovado os dentes, cueca nova, pra dá sorte, mentas, disse o outro mais detalhista e continuou, Não é estranho que essa preparação toda seja perda de tempo? Só porque dependeremos de drogas pra convencer elas não quer dizer que não conseguiremos, disse o informado e, agora, otimista, André, Pois eu prefiro confiar na minha inteligência e lábia e no que elas podem fazer, argumentou o outro, Vítor, Tão eficaz que até hoje não transou com a namorada, ironizou André, Eficaz ou não eu espero que o lugar receba nossos desejos, terminou Victor.

As circunstâncias, cerca de jardim para quem é perturbado e obediente a seus desejos, não eram boas. A festa era longe da casa dos dois, não tinham amigos para os locomoverem, permissão dos pais, nesse sentido, não seria consentida. Quando olho para esses lindos jardins, enfeitando a linda casa que o cuida, lembro dos meninos.

Na casa os Coelhos, sobrenome de André, mais velho que o amigo Victor, encontravam-se os pensamentos mais lógicos e condizentes do universo para justificar a saída de casa e para a madrugada passada fora desta. Mãe, eu vou dormir na casa do Victor, disse André, Ah, é?, desconfiou a mãe, Sim, estudaremos lá, e depois veremos um filme, Mas como meu filho está em sincronia com a mãe dele,não é? Eu já ia perguntar e ele já responde, pois é meu filho, mamãe sabe o quanto vocês apreciam estudar no sábado, no badalante e dançante sábado, não é mesmo?, por isso eu vou deixá-lo estudar aqui mesmo, por que eu acredito no seu potencial, tá meu filho? respondeu, Mas...? tentou André e bastou para ele o olhar da mãe. Logo após dizer, por telefone, que não iria mais a festa, no mais singelo e revoltoso ódio, Victor não o questionou, e nem o instigou muito.

O que seria da festa no apartamento de um conhecido sem Victor e André? A mesma; a mesma bebida, a mesma comida, as mesma drogas, as mesma pessoas, exceto eles, as mesmas músicas, os mesmos porre, os mesmos amassos, tudo o mesmo, mas parece que os jovenzinhos não entendem o valor da falta deles nessas festinhas, havendo semelhança do anfitrião, tão relevantes, e eles, desejados, movimentadores do sistema.

E na tarde calma, na rua residencial, ouviu-se cantar os pneus de algum carro, no pôr-do-sol, no silêncio das árvores, na calma da hora, e no quarto de André, ouviu-se um toque de celular, Acho bom que já esteja pronto, disse Victor, To saindo, respondeu André que depois de pronto saiu da casa sem ser percebido por humanos, agradou o cachorro, pulou o muro e entrou no carro que estava a poucos metros da casa.

Pasmem os corretos pela moral, condizentes com a lei, mas o motorista era de menor, não possuindo carteira de motorista, mas tinha um pai com dinheiro, importante na sociedade, e já tinha treinado bastante até aprender a cantar pneus.

Saíram o condomínio no carro peliculado, quase despercebidos, passaram a percorrer ruas e avenidas e alamedas, e nisso foram a conveniências, compraram cervejas que iam sendo bebidas enquanto procuravam o lugar.

Encontraram. Encontravam-se diante da porta do apartamento. Será que devo mesmo?, questionou Victor e a si mesmo, Cara tu precisa relaxar e esquecer aquela safada da Regina, bora, nós queríamos lembra? Ao tocarem a campainha esperavam tudo, ao abrirem a porta ficaram perturbados, e naquilo gostavam de estar,queriam mais que um pensamento, vários, múltiplos de quatro, pois não é de um pensamento que se move um sentir, mas uma gama, tão ramificada, tão intrínseca, tão insistente, que forma um sentimento. Ali seria a festa, e como toda é precedida ou iniciada por desinibições, note que a festa é o que eles fazem com eles mesmos,foram atrás de dos neuroestimulantes e outros mais, por isso que bebiam e fumavam, usavam bala e baseado e outros.

Pasmem, agora, os retos, os controladores de si mesmos, pois naquele lugar não havia inibição. Faz parte do cotidiano se aceitar como ser transante , que gosta de se esfregar, que ver no ato sexual normalidades similar a plantar árvores no aquecido planeta, trata-se de ajudar a humanidade, um ser humano que ajuda o outro a encontrar o que deseja e vice-versa

Na dança encontra-se parceiras e parceiros ideais, a expressão corporal, que é decifrada pelos dançantes como cores para os não daltônicos, junta as mentes que tentam telepatia pelo balançar do corpo. André e Victor entraram na bagunça e passaram a dançar como se pudessem manifestar os planos da noite pelo passos. E não demorou muito para haver reciprocidade de meninas, com os olhos marcados com riscos negros e lábios vermelhos, que os achavam bonitos o bastante para se conhecerem, e de meninos, que queriam transar não importando passividade ou atividade. Pasmem retos, é o mundo.

As garotas se aproximaram e beijaram uma o Victor e outra o André e a linguagem não-verbal passava a usar o mesmo instrumento possibilitante da verbal, pois comunicavam a intensidade, o momento, as posições, a rapidez, a delicadeza do que viria mais tarde, e as meninas permutaram os parceiros. Os beijos o conduziram, por esses músculos foram parar na dispensa do apartamento, lugar calmo, separado, mas que ainda dava para ouvir a música.

A garota de preto e cabelo longo beijava André sem pausa e começou tirando o casaco dele, a outra garota de preto, cabelo curto e preso, beijando Victor não parava de apertar os glúteos grandes e malhados deste, André tomava com a mão o seio da garota que o beijava no momento, Victor insinuava toque na vagina da menina que beijava. Antes dos zípers terem sido abertos, André colocou a garota de costas para ele e passou a acariciá-la nas partes íntimas por dentro da calça, mesmo que sem experiência sabia, de alguma forma, que onde tocava a fazia suspirar mais forte, ainda não tinha colocado o dedo no óstio, mas explorava, profunda e eficazmente, o clitóris dela. Desceu o dedo um pouco mais, conhecendo o diâmetro do óstio, sentiu molhar os dedos e, enquanto ia e vinha com ele, manipulava o rijo pênis dentro da cala contra o glúteo da menina, a ponto de gozar. Victor não parava com as mãos nem um segundo sobre o corpo da menina, e, consecutivas vezes, corria a mão esquerda sobre a espinha da menina, atingia o glúteo, e pelo meio das pernas, centralizava o dedo na direção do canal vaginal, pressionando ritmamente.

Abriram-se os zíperes enquanto um provava a secreção que estava em seus dedos, enquanto o outro mordia delicadamente o lóbulo da orelha da menina com quem estava. A que acompanhava André, olhou para a amiga e sinalizou que tiraria a roupa dele, a amiga consentiu e a acompanhou. E tiraram como se tivessem ensaiado, ou feito tantas vezes, abaixavam as calças, olhavam para a cara de excitação dos meninos, lentamente; abandonaram os meninos e se abraçaram e tiraram, uma da outra, as roupas, desabotoavam os sutiães, preto de uma, roxo de outra, e a calcinha despiam com os dentes, Beijem-se, disse a de cabelo curto, as cabeças dos meninos sinalizaram negação, Eu posso sentir o vapor quente que sai de vocês, gostaria de continuar sentindo, os garotos inseguros tentaram se aproximar, elas, uma atrás do corpo nu de André, outra atrás do corpo nu de Victor, os aproximaram e direcionaramas bocas, e passaram a tocar neles enquanto se beijavam timidamente, desceram as mãos, e , ao segurarem a base peniana, limpava a secreção lubrificadora na glande deles,com sias línguas, parecia que tinham ensaiado, estavam em sincronia, direcionaram o pênis deles um contra o outro, friccionando e lambendo-os alternadamente. Separam os garotos, a música parou.

A de cabelo curto deitou-se no chão, angulou as pernas brancas, André deitou-se em cima dela e beijou seus seios, a barriga, as coxas, a virilha, o clitóris, beijava delicadamente, a vagina, pincelava as grande e pequenos lábios, voltou a beijar sua boca e a penetrou. Victor pressionou a de cabelo longo contra a parede tentando penetrá-la, mas foi impedido, pelo ao menos na vagina, pois ela virou-se empinou a bunda, Lubrifica, disse ela enquanto ouvia-se de fundo os gemidos do casal que já transava, Cospe na mão, passa no pênis e no meu cu. Passou no pênis e no anús da menina, em movimentos circulares, sentindo a contração muscular, beijou-a mais uma vez e penetrou, tirava e colocava o copulador, devagar no começo, e ao avançar do ato, aumentava a velocidade aos gemidos delas. André estava quase chegando ao clímax, Victor intensificava mais os movimentos, André mais próximo, Victor gozou, com gonorréia ou herpes, André gozou, com aids ou sífilis.

Uma sirene tocou,o apartamento ficou mais agitado, André e Victor lutavam para colocar as roupas, e, enquanto isso, fora da dispensa, corria-se para fora do lugar, e eles fizeram o mesmo ao conseguirem se vestir, saíram pelas escadas, ainda correndo, com medo de ser a polícia, corriam rápido, desciam os degraus de dois em dois, ás vezes caindo, de quatro em quatro, quando escorregavam. Era uma ambulância, alguém tinha exagerado nas drogas, tendo overdose, se debatia até o momento em que os meninos saíam do prédio e, depois, de terem entrado do carro.

Realizados ou não passaram a percorrer as ruas novamente, com baixa velocidade, Aquilo que aconteceu..., disse Victor acelerando o carro,... vai ficar..., os olhos estavam vermelhos, a expressão e preocupado, o carro ficou mais rápido, Victor diminui a velocidade do carro, ... vai ficar... , ... Victor... , ...entre nó..., ...VICTOOOOR... Um som abafado encheu a noite daquele dia, um carro ficou amassado e o outro capotou – os garotos não chegaram aí por serem promíscuos, livre-se das inferências do passado, mas por serem idiotas em excesso colocando-se na situação – a ambulância vinha no mesmo sentido, a partir daí não sei dizer se sobreviveram, se um morreu e o outro continuou vivo, se morreram, mas ouvi-se a ambulância vindo no mesmo sentido.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O cigarro que fumei...

Tinha gosto de orégano queimado. Na minha infância fui bombardeado por campanhas contra cigarro, para todo lugar que ia havia um cartaz ou uma lembrança do que esse podia e pode causar. De certo a ansiedade é, na maioria das vezes, uma causa justificativa para os que fumam.

Peguei o orégano na cozinha, arranjei um papel, um cartão e fiz um cigarro. Tirei a fumaça, não traguei, não tive coragem. Estava ansioso demais, eu queria algo que me acalmasse e que fizesse esquecer-me por um segundo. Isso que o cigarro é: uma forma de lidar com a ansiedade, uma forma burra, que é pautada na covardia.

Porém dizem: “Não, cara, o negócio é bom.”. É tão bom que é a principal causa de morte por câncer. Pasmem os positivos, que acreditam piamente que nunca serão atingidos pela flecha cancerígena do destino, mas os gastos públicos com o tratamento de fumantes são altíssimos, acima do normal.

O pior é que fiquei mais ansioso ainda, pensava nos dentes amarelos, na bronquite, na respiração dificultada, nos cânceres. Apaguei o cigarro, queria fugir de uma ansiedade para entrar noutra? Nem pensar. Acendi outro cigarro, depois o apaguei. Não conseguia entender, não conseguia mais fumar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Momentos Cíclicos

Porque os vermes bebem da secreção da minha alma, satisfazem-se dos meus restos, completam a deteriorização que os invisíveis começaram.

Roem meus ossos, sustentação oscilante, do meu corpo; fazem do cálcio o leite que nutre o ciclo óbvio natural, locomoção afetada, reprimida vitimalizada das bocas minúsculas; continuo sobre a terra.

Úmida, fria, mas tão viva quanto o processo que ocorre nela: tiram-se os restos vividos, alimentam-se. Terra cíclica, situação cíclica.

Sentida vide esvai-se sem cor, inteligente que se desfaz sem cor, histórias passadas não escritas nem recordadas vão-se sem cor.

A preta terra há de tirar de mim toda a água, que me hidratou e reciclou-se, tentaculada de esponjas secas e espículadas; vai-se a água.

Os ares calam, o céu nubla. Recomeça tudo, chuva. Molha os gramados, verdes de vida, sustentadas na aptidão dela própria.

Grande ciclo, grande dor, na natureza tudo parece ironia, aguda, invencível. Que nada, é que acredita-se no pleno, constante, perfeito. Despreza-se a dinâmica para resguardar conforto. Não adianta; não deixa de vir, irônico ou metafórico, real, sempre real.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Palavras

O poder sustentador da palavra, tando em termos míticos com em outros modos, gerou muito do que se vê hoje em dia. Os dias passam e cada vez menos se cria, na contra partida se copia, se copia, se copia. Há variadas explicações acerca disso, culpam a alienaçao - um estado, - a educação - questinavel - , a televisão - seletível - e tantos outros. A palavra fica. Essa modalidade, exclusiva do ser humano, tem sua vida na morte na continuação do tempo, na qual
vem esvaziando-se em seu objetivo.

Com o potencial criador a palavra formou culturas, pensamentos e tudo o que se vê ao redor ela foi a geratriz. Então vemos hoje,em que um promessa mal fica guardada na nossa memória, isso porque o homem passou a fazer desse poderoso instrumento o que sempe fez com tudo o que era dele: desprezou-a.

Os traços de tão vil atitude é essência do mundo atual. Desacreditamos em autoridades, que se entregaram a não realizarem as suas responsabilidade. Não é dito somente em relação ao Estado, mas das autoridades das casas, das familias. Muitos pais não percebem o valor de uma palavras nas relações familiares, muitos dos filhos desconsideram o que seus responsáveis dizem.

A afetada criatividade se encolhe, se esconde porque não sabe viver no vazio. As palavras que não dizem nada não são, nunca foram e nunca seram acompanhadas da criatividade, da criação. Mas pergunta-se: Para que criar? Responde-se: o homem, animal político, foi feito para isso e nisso tem continuar.

Essa situação é continuavel, pois partes não estam a favor do todo. Mas como em todo quadro crítico, o ideal é não ficar eufórico, mas aos poucos retornar a origem, aos poucos sentir cada formação que ela propõe, conscientizar do valor dela. O que vale mais é o que essa significa em mim e em você.

Opsição ao ambiente?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

[cap. 2 ou 12]

Nara preocupada com o que pode fazer? Não. Tem verdades, realidades, que são questionáveis. Há um grande descontentamento por trás das atitudes desconfiadas, ou mesmo um cinismo que debate com o proposto.

Preocupada como o quê? E para quê?
Obcecados perfeccionistas: sem casa, sem ninguém, sem suas roupas, abandonada numa estrada; para arranjar uma solução. Livres da consciência: nada; não importa, não adianta se preocupar.

E Nara fugindo; poderia ser a insistente perseguição da consciência ou a levada da existência que tragava para as estradas nuas. Se possível uma tremenda força faria as escolhas óbvias para ela.

Foi dito que pessoas que vivem realidades diferentes têm inclinação clicherítica para encontrar para encontrar alguma epifania. Se Nara é um clichê, isso é porque não sensibilidade na realidade dela. Talvez seja somente um caso, mais um, em que indivíduos tornam-se loucos por viverem em ambientes loucos.

Contudo, o seu orgulho a trouxe até aqui. Desamparada, voante, em perdas, ela continuava a andar sobre a encosta da estrada, com o joelho sangrante , perdida.

O constante vazio foi rompido por um bonito carro que vinha a uma velocidade relativamente pequena. Nara ouviu o motor, olhou primeiro para ter certeza de que seria alguém confiável – e era, apesar de concordar que uma olhada não diz nada – e depois acenou.

O carro parou e pela janela o dono viu para Nara – em seu interior surgiu, ainda pequeno, um interesse por ela, talvez por sua sincera expressão. Ao observar que ela precisava de ajuda saiu do carro. Nara atentou para o movimento que fazia até chegar a ela, e achou, de modo possível, que o jovem rapaz se parecia com o bem que o transportava.

- Você ta bem?
- Eu não sei – disse Nara lagrimejando seus olhos.
- Mas você precisa de ajuda, olha o seu joelho. Eu tenho um kit pronto-socorro – foi até o carro, voltou trazendo a caixa branca.
- Senta aqui no banco – disse e retirou esparadrapo, água oxigenada e algodão. Nara observava o cuidado que ele tinha com ela. – O que aconteceu com você? – passou o algodão na ferida.
- Eu fui pegar carona com um caminhoneiro, safado. Ele tentou avançar em mim, desgraçado. Empurrei ele, molestador. Aí ele me jogou do alto da caminhonete do caminhão. Ai, ai – disse tentando desviar o joelho dos cuidados do homem.
- Você foi muito corajosa indo com esses caras, você sabia da fama deles?
- Sim, mas a gente sempre tende a acreditar que as pessoas são boas e de que de alguma forma elas querem nos ajudar. Não poderia generalizar uma fama que é de poucos, mas muito divulgada.
- Foi só ingenuidade. Ocasional – disse Luiz com seus lábios vermelhos que chamava a concentração de Nara.
- Pra onde ta indo?
- Pra lá.
- Ali, na minha direção?
- Certo.
- Certo. Você gostaria de uma carona? Meio que você ta sozinha e com seu joelho recém-cuidado, ainda vai na mesma direção que eu.
- Você me faria esse favor?
- Claro, lógico.

Ele entrou no carro e Nara se ajeitou e prosseguiram a viagem. As estradas novamente comandavam o silêncio. Nara parecia ainda deprimida, para o recém motorista. A angustia que manchava o escarlate coração de negro, lutava contra o ela para se exteriorar. Ele sentiu-se incomodado, não impossibilitado de fazer perguntas a ela.

- Como se senti? – perguntou seguro, macio.
- Eu? Sei lá... Eu tento me sair...
- Bem?
- Sim. De alguma forma uma dor aqui dentro incomoda. Ela amolece minha couraça.
- Muito magoada com o que aconteceu?
- Eu acho que... – disse com a voz falhante - ...sim – começou a chorar – Não seria bom manter isso dentro de mim. Eu tento não me machucar com o que me foi feito, e se eu não conseguir? Eu ficar chorando aqui, parando a vida, como agora? – soluçava.
O silêncio da estrada foi quebrado com a freada do carro. Luis parou o carro a abraçou.
- Calma. É normal se machucar. Não prenda esses sentimentos destrutivos dentro de você. Chore, chore o máximo, até sair.
- Você pode até não entender ou se empatizar como o que eu sinto.
- Não,não. Que isso? Eu estou aqui pode chorar.

O homem jovem tinha seus vinte e poucos anos; de estatura média, brando, olhava Nara com perturbação. De alguma forma aquela situação era aproveitante. E Nara? De onde vinha para onde iria, ecoava na mente dele. Nara estava profundamente afetada por ele. Depois de ter sido confortada, Nara fitou os finos lábios vermelhos dele, assimilou seus castanhos olhos, sua branca pele. Depois admirou seu bem estruturado corpo que não era malhado, mas obedecia a proporções consideradas bonitas. E de que adiantaria o corpo se o olhar dele a fazia se expressar. È como se pedisse uma demonstração ampla do redor que o circundava.

- Luis, por acaso. – o carro voltava percorrer.
- Oh, me desculpe – disse Nara enxugando o rosto - Nara.
- Desculpa por minha preocupação, de onde veio?
- De lá.
- Pra onde ta indo, conhece alguém , algum parente?
- Não ninguém.
- Como você vai ficar? Não pode ficar por aí, e se você cair na mão desses tipos de pessoas?
- Eu não sei o que eu vou fazer.
- Seus pais sabem onde você está?
- Não.
- Como assim? Você precisa voltar pra lá.
- Não posso contar com eles.
- Você tem algum problema com eles? Ou eles com você?
- Sim. Um grande problema.
- Será que vai conseguir fazer sua vida sem eles?
Nara vasculhou a profundidade dos olhos dele pedindo algum auxílio. Luis obteve a resposta.
- Eu poderia até lhe ajudar, mas e se seus pais me processarem?
- Nunca fariam isso.
- Você não entende o cuidado de seus pais com você?
- Como poderia?
- As atitudes dizem.
- Não existem atitudes.
- Eles te abandonaram?
- Sim. Eu preciso de ajuda. Nem que seja por um dia.
- Eu poderia.

Mais silêncio.

Luis admirava Nara, por sua fragilidade ou sua força. A seu modo de ver ela precisava de ajuda, ele poderia dar. Sustentava-se, tinha um próprio apartamento, próprio carro. Nara chamava a atenção dele pela sua angelicalidade.

Luis chamava a atenção de Nara que o achou de começo admirável. O modo que a tratava carinhosamente, estava atento para o que ela falava, se interessava em ajudar. Ela desejava um abraço forte dele naquele momento. A significância seria de gratidão.


O véu negro transpassa para os olhos pontiagudos. Isso põe em cheque questões.