sábado, 15 de novembro de 2008

Palavras a alguns

"Eu nem sei o que falar - porque parece que a predisposição cala-me, é como se as palavras já tivessem sido antes cantadas. Dos pressupostos tiro as minhas conclusões , e nem ao certo sei se dizem muito, mas uma parte grande já, em demonstração, alude: pessoas assim podem desaparecer, mudar de cidades, ir e não voltar avisadamente, mas fica aquela impressão que a presença delas fez tanta diferença na realidade que passamos a sentir saudade das vozes em forte som, dos riso histéricos a ponto de chegarmos ouvir na calada consciência, toda lembrança relacionada, cada som, cada imagem - tudo se converte numa saudade que aconchega por dentro num deleite fagueiro, se elas pudessem estar ali já faria toda a diferença, e que a felicidade persiga essa pessoas - que a alegria, então, te persiga."

"E tem sorriso mais sincero?É o sorriso da libedade de estar no mundo em que os limites são depostos com força do caracter e do esforço, um sorriso que transpassa,Não, era eu vendo, O sorriso pode dizer muito mais, ir até, profundamente deixar esperança de alguém que passa, corre, cai, levanta, anda ,continua, os sorrisos põe em mim essa impressão vasta do que é ir em frente e não parar, os sorriso vivos, alegremente sinceros como os teus."

"Tem tanto dentro de mim. Minhas lembrnaças estão todos os dias, meus sentidos mostram-se tão efetivamente , basta ver - um mundo se interpõe sobre minha racionalidade, e são pessoas as quais amo que vejo, e assim que o faço meus olhos enchem-se de lágrimas, são verdadeiras, são tuas. A falta bate-me, e por aqui teu sentir é outro - lembro-me das tardes calmas, das conversas boas, dos risos eternos, aquilo marcou-me em uma marca que nem o tempo tirará - amo-te com alegria de poder conhecer alguém assim na vida, amo-te como quem não sabe o que é amor mas sente um caloroso sentimento no peito, amo-te como quem tenta viver a vida e sabe que esta é feita de pessoas ímpares com tu!"

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O pedido

Na cidade os ares mudavam. Os dias estavam ficando mais frios, as noites tornando-se melhores bem dormidas em cobertores grossos, e o ano findando. Era a expectativa de pôr nesse período as expectativas daquilo que não se conseguiu durante o todo, um momento único, em que se pode deixar de perceber tanto e simplesmente receber ou dar. As cores enchem a cidade, as luzes amarelas piscam em euforia de trazer o aconchego e a excitação de se estar mais próximo, mais o vermelho, mais o dourado, mais o verde, mais os pinheiros. Os centros estão belos, os lixos se escondem no meio da multidão, ou talvez os focos que as luzes trazem as vistas façam, disfarçam, as sujeitas rotineiramente encontradas nas ruas. Músicas tocam, ainda no tom fagueiro, era hora de dar, é hora de receber, e como são bonitos os presentes que vejo daqui, queria aquele que carrinho verde que brilha quando anda, Aquela boneca da minha altura, que vou poder vestir com minhas roupas, ou até usar as roupas delas, A bicicleta está bem pintada, o vermelho, minha cor preferida, ela ta toda de vermelho, As casinhas estão cheias de coisinhas por dentro, a cozinha tem demais de panelas e comidinhas, nos quartos as camas, tem luzes, acende luzes por toda a casa.

Acendeu a luz da grande, grande árvore, todos correm para perto, é a primeira vez que se mostra a constantemente renovada arvore, esse ano ela está perfeitamente bem cheia de luzes, de vez em quando aparecem alguns enfeites que estão escondidos, apagaram a luz de tudo, só se ver o brilho esbranquiçado das luzes que piscam, os olhos estão cheios de esperança talvez, olha, o ano está terminando, nem sei ao certo se vou conseguir pagar as contas pra poder dar pro meu filho o brinquedo preferido dele, Os preços estão altos, a ceia vai ser muito cara, acho que esse ano não vou reunir na minha casa, nem quero ser mesmo palco daquela hipocrisia, queria mesmo era passar sozinho com meu filho, Minha filha quer tanto aquela boneca, acho que deixo de compra um celular novo pra dar pra ela, ela vai ficar tão feliz em recebê-la, os olhos vão brilhar, que vou ficar até emocionada. Ligaram-se as luzes, como num aviso que os acordavam para a vida, é hora de comprar, venha comprar, venha comprar.

Mas, enquanto todos dispersam, ali no meio fica uma menina, ela ainda não desgrudou os olhos da árvore, muitos vão partindo, liberando os espaços, outros ainda querem ver, e mais outros se desconcentram, as lojas estão cheia, e é hora de ir em frente a gastar o crédito que o cartão ainda pode dar. Mas ela ainda continua lá de olhos atentos, de coração puro, era bonito ver as luzes, era bonito ver a grandiosidade da árvore, talvez só no pólo norte que nasce esse tipo de arvore, porque aqui nunca vejo, não dá por aqui não. A mãe aparece ralhando, Bora menina, quase que te perco de vista, não faz mais isso, olha, Eu tava vendo a arvore, mãe. Bora pra casa, bora pra casa, Mas agente não vai comprar, Mas eu não sei o com o que, tens dinheiro, pensa que dinheiro nasce em arvore, arvore de natal, mal me dou conta das despesas de casa, a criança não disse nada, na saída do local, olhou pra trás com olhar esperançoso, como era bom estar ali e sentir o cheiro do novo, o cheiro de poder comprar, de estar mais perto de um lindo presente, e os olhos esperançosos foram relance do olhar da mãe, se gostaria de dar a filha o presente perfeito de natal ali mesmo ele se aguçou, e um corte que marcou o coração ainda que duro da mãe, parece que ela própria revivia a infância, Meus pais não deram a mínima pro que eu desejava, deixaram passar, mal conselhos eu recebei, só falavam pra não ser uma puta da vida, como se eu fosse resumida a desejos sexuais e que minha perspectiva de vida fosse casar, fui dar ouvidos a eles, to aqui, repetindo esse ciclo vergonhoso que é querer e não poder, agora tenho filha que deseja também e não posso dar nada , queria ter ,sim, filha, se pudesse te daria tudo o que pedisse , sem dor de gastar, Pede pra papai Noel, pede pra ele, talvez ele venha por aqui, mesmo que aqui cidade seja quente, e o mundo grande, talvez ele tenha tempo de passar por aqui.

Ela não sabia o que pedir, era tanto e em tanto de imaginação se pôs, e se seu pequeno quarto estivesse cheio dos brinquedos que mais sonhava? Aqueles em que poderia passar o ano inteiro , horas e horas, em brincadeiras. Eram tantos, São muitos papai Noel, aquela boneca tão fofinha, eu queria ter aquela, se pudesses me dar, e também outras mais, muitas e muitas bonecas, não , sei ainda não vou fazer meu pedido. Mas o quarto simples já dizia tudo o que queria ouvir da pequena garota, era uma cama quebrada, uma pentiadeirazinha que mal dava pra colocar coisinhas, nem um guarda roupa tinha, as roupas eram organizadas em montinhos no canto do quarto, as noites estavam frias, dormia com a mãe, era seguro, era o único quarto. Depois de pensar no que gostaria de receber olhando pro teto, foi à cozinha que era logo após a porta do quarto, servia de sala assim como servia de cozinha, encontrou a mãe sentada na mesa, a cara inchada, cheia de preocupação, estava calada, em olhar fixo e indiferente, O que foi mamãe, ela gostaria de ouvir um desapontamento da própria mão por não poder dar o que gostaria, Mamãe não tem nada pra dar hoje, filha, mamãe, não tem como te dar comida, ta, A criança não entendeu de começo, mas ao se afastar começou a ouvir soluços da mãe, e então pode sentir que algo de errado nisso, ficou com dó, foi pro quarto e na cama deitou, com o estômago reclamando deitou e adormeceu em pouco tempo.

Foi acordada pela mãe de manhã, Bora filha, a gente vai voltar lá, se encheu de esperança a menina, talvez a mãe agora poderia repensar e dar um brinquedinho que fosse, ela ficaria feliz, e cheia de expectativa começou a se arrumar, depois de banhos e preparos, roupa vestida saíram, foram andando, e enquanto chegavam perto do centro já se ouvia as musiquinhas, já se via o brilhar das luzinhas, e várias vitrines foram se aproximando, mais cheia de renovo a criança ficava, cheia de esperança ,Mamãe hoje vai me dar meu presente, ela vai comprar sim. Senhor, o senhor poderia me dar um trocado, eu estou sem emprego, tenho essa filhinha pequena, to sem comer, nem café eu ainda dei pra ela, se você puder me entender, sabe como é não ter o que dar pra minha filha comida, por favor, me ajude, viravam a cara, mas era natal, Senhor, o senhor poderia me dar um trocado, eu estou sem emprego..., os que paravam olhavam para a menina, os olhos eram esperançosos, outros de pena, uns riam pra ela, outros riam enquanto davam, outros passavam e nem olhavam, tratavam-nas como ser fossem um vazio transparente, ou um mosquito perturbador, outros cheios da verdade falavam ‘vai trabalhar sua vagabunda, fica usando a filha pra ganhar dinheiro’, e saíam andando, conseguiram um trocado, puderam entrar numa lanchonete simples e comprar um refrigerante com um pequeno salgado e matar a fome do inicio do dia, a mãe pegou o salgado partiu no meio, e foi comendo observando a filha comer com calma, parece que não reclamava e nada ,comia devagar e de vez em quando lançava um olhar e ria pra mãe, dividiram também o refrigerante, e saíram, foram andando e a mãe continuando a pedir algum trocado dos passeantes, a menina alternava em ver a cara da mãe de desgosto e desespero e a vitrine das lojas, ora a mãe atenuava a dor do desespero quando davam-na algum dinheiro, ora a vitrine parecia mais bonita.Voltaram ao local da grande arvore, a mãe deixou a filha e ficou andando pelo lugar, oferecendo-se para emprego em algum cargo, pediam um tal de ensino médio, mas mal tinha se alfabetizado, ai encrencavam, Não, não contrataremos que não tem ensino médio, mas a menina estava olhando a árvore, imaginando como trouxeram-na lá do pólo norte, talvez demoraram meses, Papai Noel, eu nem o que pedir papai Noel, Papai Noel, Papai Noel, Papai Noel, e ficou repetindo como se pudesse colocar toda a esperança, pediu, pediu.

A mãe voltou calada, estava triste e a menina percebia a melancolia da mãe, foram pra casa sem um trocado bom, não dava para comer nada de novo á noite, mal dava para o transporte, ninguém quis aceitá-la em lugar nenhum, mais tristeza enchia a mãe ao avançar em direção a casa e saber que lá não terá nada, a não ser os pequenos cômodos que mal dar pra se viver, e a menina ficou triste também em ver a mãe de mãos vazias, cadê meu presente perguntava pra si mesma. Chegou em casa, estava cansada, depois de se trocar, foi á cozinha a mãe estava de novo lá, se remoendo em choros, voltou ao quarto com fome, olhou para o teto, papai Noel, dá pra mamãe dinheiro pra que ela não chore mais, pra que ela não fique triste durante o dia, pra que ela não grite, dá dinheiro pra ela papai Noel, pra que ela possa ficar melhor, dá pra mamãe primeiro depois , ano que vem, dá um presente pra mim eu dou pra mamãe o meu presente, esquece o que eu disse, olha a mamãe como ela tá chorado lá na cozinha, toda a noite é assim ,e não quero ver mais minha mãe chorando, papai Noel. E foi adormecendo e adormecendo e adormecendo na noite fria, na cidade das luzes que piscam, das músicas que tocam.