quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Lá fora

Um rumor.Surge exagerada do lado de fora, uma forte impressão mata as idéias organizadas. Queria sair ou talvez paz serena distendida entre os dedos de uma mão segura. Querendo, até a vontade se pôs em vozes altas nos corações sensíveis. Vêm ao fogo as idéias projetadas e mostre-as à realidade nua que é o fora e os rumores. Mostre-me as mãos sujas até porque , talvez, estejam sujas de vergonhas.

 As decepções. Nuas como corpo desnudo e peludo de um ser humano qualquer, e que detalhes sejam vistos por todos, há pêlos, pelos os orifícios circundam, e numa mancha que quer cada vez mais ficar preta, vejam as partes.

 Levanta-se o homem, que no meio do improvável prove que faz sua própria história e mostre, junto com a experiência, a vergonha lançada da covardia. E que levante no dia claro para que se veja e os olhos produzam em si reflexo inspiratório e  faça nos seres humanos reflexão do que querem e como querem.

Os colos são muitos e a qualquer hora lágrima corre dos globos que são inseguros, que seja longe a indagação da dúvida derrubadora feita nos corações errantes.

 Cobram-se, as expectativas que em vozes agudas falam do futuro e, em vozes graves, colocam o presente contra o tempo. Teu momento é outro, onde te pegas solto, não vejas o que passa no agora o qual estar a passar, o ver é belo, o trabalhar é gratificoso, tomas o que teu é e tomas-te como próprio ser que foste ontem e faz no hoje para o amanhã.

 

Os ventos sopram forte do lado de fora, alma canta em olhos vermelhos, minha calma foi porque os tempos agora mudaram? Cadê eu depois de tudo sonhado? Cadê eu depois do tudo vivido?

 Rebenta os tempos e a casa voa como folha no meio de uma tempestade. Desfazer-me em prantos de choros profundos? O interior dói na desesperança do desacredita-se. A quem correrei se o feito é construído por quem chora em vez de viver?

 O Tudo é difícil e nunca ninguém falou que seria pré-visto por um guru adivinhoso do amanhã disposto. M um star sempre haverá o que se passa em degraus que desacreditamos nosso, mas por proporção natural nos acerta como quem quer ensinar que o hoje deve ser levado a sério e evoluído no agora.

Alguns diriam como fatores que selecionam, mas mais serve os dias que são, por si só, resquício do ontem que não nos pode ensinar tudo, ou talvez a certeza que de indiferente e indisposto espera por alguém que a tenha como posse dos que apesar dos rumores e decepções ainda acreditam que viver é lutar no incerto e inseguro. 

sábado, 13 de dezembro de 2008

O medo de errar

O sucesso, como conquista que é conseguida com esforço necessário, particular de cada um, é um advento que enche-nos de alegria. Queremos tanto aquilo que desejamos, nos vemos outros em posse daquilo que sonhamos, chegamos a querer tanto que até sonhamos com o futuro. E, no decorrer de todo o processo, nos deparamos com o passado que parece não estar tão longe, e dos fracassos que dão a impressão de circundante presença. Estamos em um novo desafio, mas nos questionamos se novo este é. E, a partir daí, perdemos certezas, calamos as vitórias - ficamos com medo de errar.

O medo é uma sombra que persegue as ações iminentes, uma sombra escura que tenta confundir-nos do que realmente é a luz, a realidade que se apresenta serenamente. Algo que nos tira a razão desemocionada das coisas. Errar é algo humano e normal, com erros se aprende tanto, sabemos quais são nossas fraquezas e assim podemos mudá-las e fazer de nós mesmo seres maiores, mas superiores de que o de antes, o de ontem. Quando unimos essas duas componentes que nem ao menos tem semelhança ou natureza derivada, acabamos por fechar o que poderia ser a nossa vitória triunfante.

Mas o ano foi árduo, foram horas e horas destinadas a assimilação de conteúdos que são fáceis e facilmente cobrados - estamos diante da hora exata de fazer dos planos realidade viva da expectativa. Acreditamos. Sim. Nossos talentos e esforços, cada qual com seu, serão revelados num teste o qual nem ao menos mostra nosso total potencial. Estamos no momento crucial - naquele no qual questionamos quem somos, e o que conseguiremos ter.

Mas peço que o medo não seja o acompanhante nosso no dia da prova, que não deixemos que as incertezas sejam nossas verdades. Nossa mente cria tudo o que nos cerca, nossa mente certamente é a nossa maior auxiliadora, e é ela mesma que mostrará memória fora, que fará que cada detalhe necessário brote com fluente. Não podemos nos tolher e deixar que o medo de errar cerque-nos como se não tivéssemos escolha de colocar sentimentos negativos para longe.

Os dias continuam desafiosos, a vida continua um todo indefinível que nos predispomos diariamente. Viver é correr riscos, corremos o risco de amar e não sermos amados, de dar e não recebermos, de sorrir e não receber sorriso. Os desafios são nossos riscos, que fazem com que nos sintamos vivos, pulsantes para nossos objetivos. O sucesso é um prêmio que buscamos tão arduamente, riscos. É por isso que não é hora para deixar que o medo de errar tome conta de nós e sabote os nossos resultados. Deixemos os medos nas ilusões tortas e sem sentidos deles, que todos vão para o lugar longe das desmedidas escolhas e das desequilibradas atitudes, que, então, respiremos profundamente o ar limpo das idéias claras, e que flua como numa torrente exarcebada de um riacho cristalino na úmida manhã, barulhando contra as pedras, ressoando sobre a floresta silenciosa. Não é tempo para ter medo de errar nem se preocupar, mas deixar correr, fluir, levar.

sábado, 15 de novembro de 2008

Palavras a alguns

"Eu nem sei o que falar - porque parece que a predisposição cala-me, é como se as palavras já tivessem sido antes cantadas. Dos pressupostos tiro as minhas conclusões , e nem ao certo sei se dizem muito, mas uma parte grande já, em demonstração, alude: pessoas assim podem desaparecer, mudar de cidades, ir e não voltar avisadamente, mas fica aquela impressão que a presença delas fez tanta diferença na realidade que passamos a sentir saudade das vozes em forte som, dos riso histéricos a ponto de chegarmos ouvir na calada consciência, toda lembrança relacionada, cada som, cada imagem - tudo se converte numa saudade que aconchega por dentro num deleite fagueiro, se elas pudessem estar ali já faria toda a diferença, e que a felicidade persiga essa pessoas - que a alegria, então, te persiga."

"E tem sorriso mais sincero?É o sorriso da libedade de estar no mundo em que os limites são depostos com força do caracter e do esforço, um sorriso que transpassa,Não, era eu vendo, O sorriso pode dizer muito mais, ir até, profundamente deixar esperança de alguém que passa, corre, cai, levanta, anda ,continua, os sorrisos põe em mim essa impressão vasta do que é ir em frente e não parar, os sorriso vivos, alegremente sinceros como os teus."

"Tem tanto dentro de mim. Minhas lembrnaças estão todos os dias, meus sentidos mostram-se tão efetivamente , basta ver - um mundo se interpõe sobre minha racionalidade, e são pessoas as quais amo que vejo, e assim que o faço meus olhos enchem-se de lágrimas, são verdadeiras, são tuas. A falta bate-me, e por aqui teu sentir é outro - lembro-me das tardes calmas, das conversas boas, dos risos eternos, aquilo marcou-me em uma marca que nem o tempo tirará - amo-te com alegria de poder conhecer alguém assim na vida, amo-te como quem não sabe o que é amor mas sente um caloroso sentimento no peito, amo-te como quem tenta viver a vida e sabe que esta é feita de pessoas ímpares com tu!"

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O pedido

Na cidade os ares mudavam. Os dias estavam ficando mais frios, as noites tornando-se melhores bem dormidas em cobertores grossos, e o ano findando. Era a expectativa de pôr nesse período as expectativas daquilo que não se conseguiu durante o todo, um momento único, em que se pode deixar de perceber tanto e simplesmente receber ou dar. As cores enchem a cidade, as luzes amarelas piscam em euforia de trazer o aconchego e a excitação de se estar mais próximo, mais o vermelho, mais o dourado, mais o verde, mais os pinheiros. Os centros estão belos, os lixos se escondem no meio da multidão, ou talvez os focos que as luzes trazem as vistas façam, disfarçam, as sujeitas rotineiramente encontradas nas ruas. Músicas tocam, ainda no tom fagueiro, era hora de dar, é hora de receber, e como são bonitos os presentes que vejo daqui, queria aquele que carrinho verde que brilha quando anda, Aquela boneca da minha altura, que vou poder vestir com minhas roupas, ou até usar as roupas delas, A bicicleta está bem pintada, o vermelho, minha cor preferida, ela ta toda de vermelho, As casinhas estão cheias de coisinhas por dentro, a cozinha tem demais de panelas e comidinhas, nos quartos as camas, tem luzes, acende luzes por toda a casa.

Acendeu a luz da grande, grande árvore, todos correm para perto, é a primeira vez que se mostra a constantemente renovada arvore, esse ano ela está perfeitamente bem cheia de luzes, de vez em quando aparecem alguns enfeites que estão escondidos, apagaram a luz de tudo, só se ver o brilho esbranquiçado das luzes que piscam, os olhos estão cheios de esperança talvez, olha, o ano está terminando, nem sei ao certo se vou conseguir pagar as contas pra poder dar pro meu filho o brinquedo preferido dele, Os preços estão altos, a ceia vai ser muito cara, acho que esse ano não vou reunir na minha casa, nem quero ser mesmo palco daquela hipocrisia, queria mesmo era passar sozinho com meu filho, Minha filha quer tanto aquela boneca, acho que deixo de compra um celular novo pra dar pra ela, ela vai ficar tão feliz em recebê-la, os olhos vão brilhar, que vou ficar até emocionada. Ligaram-se as luzes, como num aviso que os acordavam para a vida, é hora de comprar, venha comprar, venha comprar.

Mas, enquanto todos dispersam, ali no meio fica uma menina, ela ainda não desgrudou os olhos da árvore, muitos vão partindo, liberando os espaços, outros ainda querem ver, e mais outros se desconcentram, as lojas estão cheia, e é hora de ir em frente a gastar o crédito que o cartão ainda pode dar. Mas ela ainda continua lá de olhos atentos, de coração puro, era bonito ver as luzes, era bonito ver a grandiosidade da árvore, talvez só no pólo norte que nasce esse tipo de arvore, porque aqui nunca vejo, não dá por aqui não. A mãe aparece ralhando, Bora menina, quase que te perco de vista, não faz mais isso, olha, Eu tava vendo a arvore, mãe. Bora pra casa, bora pra casa, Mas agente não vai comprar, Mas eu não sei o com o que, tens dinheiro, pensa que dinheiro nasce em arvore, arvore de natal, mal me dou conta das despesas de casa, a criança não disse nada, na saída do local, olhou pra trás com olhar esperançoso, como era bom estar ali e sentir o cheiro do novo, o cheiro de poder comprar, de estar mais perto de um lindo presente, e os olhos esperançosos foram relance do olhar da mãe, se gostaria de dar a filha o presente perfeito de natal ali mesmo ele se aguçou, e um corte que marcou o coração ainda que duro da mãe, parece que ela própria revivia a infância, Meus pais não deram a mínima pro que eu desejava, deixaram passar, mal conselhos eu recebei, só falavam pra não ser uma puta da vida, como se eu fosse resumida a desejos sexuais e que minha perspectiva de vida fosse casar, fui dar ouvidos a eles, to aqui, repetindo esse ciclo vergonhoso que é querer e não poder, agora tenho filha que deseja também e não posso dar nada , queria ter ,sim, filha, se pudesse te daria tudo o que pedisse , sem dor de gastar, Pede pra papai Noel, pede pra ele, talvez ele venha por aqui, mesmo que aqui cidade seja quente, e o mundo grande, talvez ele tenha tempo de passar por aqui.

Ela não sabia o que pedir, era tanto e em tanto de imaginação se pôs, e se seu pequeno quarto estivesse cheio dos brinquedos que mais sonhava? Aqueles em que poderia passar o ano inteiro , horas e horas, em brincadeiras. Eram tantos, São muitos papai Noel, aquela boneca tão fofinha, eu queria ter aquela, se pudesses me dar, e também outras mais, muitas e muitas bonecas, não , sei ainda não vou fazer meu pedido. Mas o quarto simples já dizia tudo o que queria ouvir da pequena garota, era uma cama quebrada, uma pentiadeirazinha que mal dava pra colocar coisinhas, nem um guarda roupa tinha, as roupas eram organizadas em montinhos no canto do quarto, as noites estavam frias, dormia com a mãe, era seguro, era o único quarto. Depois de pensar no que gostaria de receber olhando pro teto, foi à cozinha que era logo após a porta do quarto, servia de sala assim como servia de cozinha, encontrou a mãe sentada na mesa, a cara inchada, cheia de preocupação, estava calada, em olhar fixo e indiferente, O que foi mamãe, ela gostaria de ouvir um desapontamento da própria mão por não poder dar o que gostaria, Mamãe não tem nada pra dar hoje, filha, mamãe, não tem como te dar comida, ta, A criança não entendeu de começo, mas ao se afastar começou a ouvir soluços da mãe, e então pode sentir que algo de errado nisso, ficou com dó, foi pro quarto e na cama deitou, com o estômago reclamando deitou e adormeceu em pouco tempo.

Foi acordada pela mãe de manhã, Bora filha, a gente vai voltar lá, se encheu de esperança a menina, talvez a mãe agora poderia repensar e dar um brinquedinho que fosse, ela ficaria feliz, e cheia de expectativa começou a se arrumar, depois de banhos e preparos, roupa vestida saíram, foram andando, e enquanto chegavam perto do centro já se ouvia as musiquinhas, já se via o brilhar das luzinhas, e várias vitrines foram se aproximando, mais cheia de renovo a criança ficava, cheia de esperança ,Mamãe hoje vai me dar meu presente, ela vai comprar sim. Senhor, o senhor poderia me dar um trocado, eu estou sem emprego, tenho essa filhinha pequena, to sem comer, nem café eu ainda dei pra ela, se você puder me entender, sabe como é não ter o que dar pra minha filha comida, por favor, me ajude, viravam a cara, mas era natal, Senhor, o senhor poderia me dar um trocado, eu estou sem emprego..., os que paravam olhavam para a menina, os olhos eram esperançosos, outros de pena, uns riam pra ela, outros riam enquanto davam, outros passavam e nem olhavam, tratavam-nas como ser fossem um vazio transparente, ou um mosquito perturbador, outros cheios da verdade falavam ‘vai trabalhar sua vagabunda, fica usando a filha pra ganhar dinheiro’, e saíam andando, conseguiram um trocado, puderam entrar numa lanchonete simples e comprar um refrigerante com um pequeno salgado e matar a fome do inicio do dia, a mãe pegou o salgado partiu no meio, e foi comendo observando a filha comer com calma, parece que não reclamava e nada ,comia devagar e de vez em quando lançava um olhar e ria pra mãe, dividiram também o refrigerante, e saíram, foram andando e a mãe continuando a pedir algum trocado dos passeantes, a menina alternava em ver a cara da mãe de desgosto e desespero e a vitrine das lojas, ora a mãe atenuava a dor do desespero quando davam-na algum dinheiro, ora a vitrine parecia mais bonita.Voltaram ao local da grande arvore, a mãe deixou a filha e ficou andando pelo lugar, oferecendo-se para emprego em algum cargo, pediam um tal de ensino médio, mas mal tinha se alfabetizado, ai encrencavam, Não, não contrataremos que não tem ensino médio, mas a menina estava olhando a árvore, imaginando como trouxeram-na lá do pólo norte, talvez demoraram meses, Papai Noel, eu nem o que pedir papai Noel, Papai Noel, Papai Noel, Papai Noel, e ficou repetindo como se pudesse colocar toda a esperança, pediu, pediu.

A mãe voltou calada, estava triste e a menina percebia a melancolia da mãe, foram pra casa sem um trocado bom, não dava para comer nada de novo á noite, mal dava para o transporte, ninguém quis aceitá-la em lugar nenhum, mais tristeza enchia a mãe ao avançar em direção a casa e saber que lá não terá nada, a não ser os pequenos cômodos que mal dar pra se viver, e a menina ficou triste também em ver a mãe de mãos vazias, cadê meu presente perguntava pra si mesma. Chegou em casa, estava cansada, depois de se trocar, foi á cozinha a mãe estava de novo lá, se remoendo em choros, voltou ao quarto com fome, olhou para o teto, papai Noel, dá pra mamãe dinheiro pra que ela não chore mais, pra que ela não fique triste durante o dia, pra que ela não grite, dá dinheiro pra ela papai Noel, pra que ela possa ficar melhor, dá pra mamãe primeiro depois , ano que vem, dá um presente pra mim eu dou pra mamãe o meu presente, esquece o que eu disse, olha a mamãe como ela tá chorado lá na cozinha, toda a noite é assim ,e não quero ver mais minha mãe chorando, papai Noel. E foi adormecendo e adormecendo e adormecendo na noite fria, na cidade das luzes que piscam, das músicas que tocam.

domingo, 19 de outubro de 2008

Voando em tempo

Voei. Achado foi o tempo. Era hora de ver o que estava ao meu lado, as coisas na vida passam inconseqüentemente, parece que os dias correm e levam a consciência daqueles que se pões sobre o cargo pesado do destino, mas nesse vôo era já momento de enxergar - vê tua, vê logo como estas , novamente não te pões em tanto desafazer, levanta tua ordem no meio dessa guerra infindável, és mais um, e o provavelmente é maior naqueles que se deixam levar. Antes que as luzes sejam terminantemente apagadas e brilho algum não se veja mais, levanta e faz, do que refletes, uma luz que dói aos olhos negros, que expulsa a escuridão rodeante - as luzes ainda se esgotam, e se esgotaram aqui nesse meio de seres que vivem para completar ciclos de substâncias e átomos que vão e voltam.

Deitou-me de costas, depois de um tempo avistava o céu - eloqüência bem que te mostras num céu mesmo que escuro, as estrelas parecem que são nulas, queria mesmo é que fosses meu, assim como quero que os meus sejam teus e que de nossos esforços sejam formados na magnitude do que é viver e fazer do vazio um quadro negro de pontos brilhantes - levanto-me, teus planos foram anos e anos nesse estar.

Mais um nasce, e choro logo ouço enquanto converso contigo, porque não pára nada, mesmo que pudesse dar fim ao corrido, ali logo se formaria outro mostrar, não se pára , e parece que o tempo me pressiona, não há espaço para momentos pequenos, não há hora para enrolação - o próprio tempo me ensina que o ir é uma impressão que só pode ser lembrada e que o viver uma memória do que se pode fazer no ir passageiro. Às vezes me ponho numa cilada que eu mesmo invento, e choro pelos medos que cercam nessa armadilha brusca- -fecho os olhos, não consigo pensar - vem-me a consciência - medo e cilada que invento, criação torta que me faz desviver o ir.

Já era tempo de ver, ou seria atropelado pelas correntes da vida que transpassam sem dizer licença - meus dias, meu tempo acompanha a lembrança do ir, minha vida é mais uma impressão, meus momentos são mais uns que precisam ser vividos. Meu voar é mais uma luta que desfaço e faço no decorrer do ferir e ser ferido, no estar em ação e no viver em inação. Mais parece que a vida é uma impressão, num molde que crio para fazer da vivência uma forma provada de que não sou somente matéria que vai e volta.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Porque não sai comigo?

Tu pegas o que tu tens vivido no teu pensamento. 
Às vezes os humanos se enganam , 
inventam histórias, 
mascaram-se para não parecerem diferentes demais - 
mas no teu caso não há nada de diferente, 
há outras e mais outras libertas de si mesmas. 

Enconde-te por detrás do teu riso, 
tentas disfarçar a vestimenta por detrás do uniforme, 
mas um pedaço eu consigo enxergar daqui, 
e todos vêem. 
Renegam. 
Dói aos olhos e as mentes pensar que estais num mundo tão obscuro, 
tão solitário e perdido. 

Entraste no mundo cedo, 
eu bem sei, 
e  lá colocas tuas experiências passadas, 
podes viver aquilo o que não podes aqui. 

A sociedade é outra, 
estás presa aqui fora, 
estás perdida aqui. 

Não tiveste medo de ir lá, 
mas tens medo de sair com todas as tuas vivencias e nem te culpo - 
tu sabes viver sobre os pedidos de outros, 
sabes colher inferências das vozes, dos olhos, das ações, 
não te culpo porque tua responsabilidade com a sociedade é grande, 
não vives tua vida em parte, 
tentas fazê-la como querem e fazes bem, 
assim como tens entrado lá. 

Mas saiba de começo: 
caso queira fugir dali, sair de lá, 
talvez encontre-me como guardião de alguém que é novo. 
Aqui fora, nada soa tão bom, tão satisfatório, 
aqui querem tanto, 
chegam a te cobrar e te reprimir. 

Cuidado, 
não sai da lá só, 
aproveita enquanto estou aqui, 
na saída olhando, 
esperando que cada sombra seja tua,  
e os sons  já estão me perturbando, 
não espera a universidade, 
talvez nem ali possas viver o que queres. 

Tens medo, 
entendo, 
mas entendes também - 
o medo é um hábito, 
ele te impede de riscos,
 e quanto maiores forem as conquistas, 
maiores os são - 
não te priva, 
não te pára, 
assume teu risco, 
se não para toda a sociedade, 
mas para mim. 
Comigo não haverá problema.

sábado, 4 de outubro de 2008

A primeira

Num ato inconseqüente que fazia, numa imediatilidade que tinha, foi a quarto. Quartos obscuros de silêncios tontos, quarto de quatro, por dois, para dois. Eram cômodos calados, numa neblina própria que nascia nele, num vulto mecânico que era o momento. Nos quartos soltos sempre há, nos quartos calados sempre se ouve, e não como complementação de antonímia, não, sim, mas sim, nos de iguais medos, nos de iguais desejos.

E nos progressivos movimentos foram avançando, naquela inconseqüência, naquele imediatismo, mal tinham se conhecido, mal tinham se olhado, e do mundo corriam porque medos se afastavam, numa aceitação que serenava com os tempos, como as pessoas, como os pares, no quarto seguro, de lençóis seguros, de aconchegos calmos, de silêncios seguros.

Num vulto grande que era correr para fora, na minuciosidade deles, no momento deles, que só tinham para eles, porque o mundo fora tinha sido uma escolha, uma idéia, uma vaga impressão da realidade que buscavam, mas tinham deixado de lado – no momento que é dar, que é receber, no momento que é fazer.

No reflexo distorcido, como quem bebe álcool e vai desapercebendo, tentavam visualizarem-se, em toques rápidos, de vez em quando desacelerados. Foram na busca única que é procurar o orifício, numa luta que é estarem se descobrindo, mas como era jovem – juventude que não espera o tempo e que se põe na situação tão ocasionalmente, perdendo-se em poucos planos, em pequenas idéias, e essas voam, e se alguma tentou pousar, foi levada pelo vento do meio, mas aqui já estamos na situação, e de lamentações já bastam, de reflexões é o que sobra.

Deitaram-se juntos, mas antes, nos beijos, estavam em pé, tirando roupas dos corpos, preparando-se em calma dispersa, e olhavam se deitados, no escuro falado, no escuro sincero, eram olhos negros que cintilavam em reflexo da luz desconhecida, mas as esferas negras viam-se e beijos novamente se deram, porque momentos passam, desejos levam, lembranças ficam, e ainda sim podiam tocar as pontas dos dedos as orelhas, a face, a boca, e sem muita divagação achou-se o buraco - cozy, quente, despreparado -, e o do pouco que ficaram em um, pouco mesmo estavam, relaxaram depois, caíram depois.

E inocência da jovem, na inocência do olhar que pedia arrego, logo de início, agora pedia a paz de, depois de ter feito tudo, não sentir culpa, mas passa, o escuro passa, e logo estarão deitados lado a lado, abraçados, seguros em si mesmos, no conforto de ter pele sobre pele, sem roupas, sem medo, e nessa tranqüilidade aproveitarão até a hora que o mundo os chamar, mas por enquanto podem olhar um para o outro e falarem, Me promete que não me deixarás por nada, mesmo que eu esteja para baixo, me promete que eu ainda verei sol e isso vai ser contigo, me promete que teu abraço continuará forte e quente e teu beijo bom, me promete que não vai me deixar sozinha. Mas a pessoa olha com cara de arrogância para a menor e não retruca, fala para consigo mesmo como quem fala em triunfo no final de tudo, Acalma-te, mal sabes da efemeridade disso tudo e já vai criando muros, construindo alicerces, lançando expectativas, mas saberás o que é o tempo e o que é amor, e o que é isso que fizemos, no tempo distinguirás maturamente teu plano, ou a ausência dele, nesse romantismo que passa desapercebido tem lugar tomado pelo resto, saberás mais tarde, mesmo que o hoje seja o sofrimento de aceitação; e o dia levanta, a luz dança e sobe pelas frestas da janela, da cortina, pois já é hora de levantar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

No ir

Aos altos céus eu olho com força de quem pode ver acima razão elevada dos momentos os quais doem aos corações terrenos, mas num olhar que vê que a natureza simplesmente se pôs assim, e assim devo aprender com ela, numa intensidade que ora faz cair lágrima de meus olhos. Eu paro para compreender, não dá, os tempos correm e levam o que meus pensamentos montam - meus quebra-cabeças são humildes para o que me cerca. Num enlevo de praxe, num enlevo que se propaga em tantas situações, que vão e vem, e oh, nem sei dizer se são, nem sei ao certo dizer para que estão.

Eu corro às vezes de mãos atadas, tento achar desenlace nos simples dias, tento ver formas sobrepostas, tento sempre - uma visão obscura, bem escondida, agora me foge aos olhos, mas hei de ver assim como o sol brilha aos olhos sensíveis. Nos altos céus me projeto, coloco ali, por vezes, todas as minhas expectativas, e as minhas frustrações jogo no chão, que elas sofram a ação do vento, e numa erosão progressiva que se transformem para num futuro servir.

Ando de mãos abertas, não quero me dispor a sofrimento de não aceitar o que pode ser aproveitado, várias vezes fugi como quem foge do medo, e espera a sombra dele passar, tenho preferido riscos e tenho ido, ora a dor me acerta cheio, ora a dor me mostra que me auxilia a crescer.

Ponho-me de costas - vezes eu não consigo enxergar, e nesse não ver me perco e sinto que minha certeza é um vento, mas aí me prostro, ainda de costas, num orgulho de não aceitar a cegueira e de não poder fazer nada - numa dor que corrói interiormente. É a perda no ir, e vai como a neblina, que acorda densa e, pela temperatura que eleva, sai quase despercebidamente - e, nessa sinergia, lágrimas escorrem do meu rosto.

Vais deixando brecha, vais deixando a lacuna que preenchimento não terá, era tu que estavas, era tu que ficarias. Foste como quem não se importa com as faltas, foste como quem escolhe ir deixando sofrimento, foste por ir, e no teu ir viverás tu só. Rebentaram-me as forças, não sei lutar sem ver teu rosto, não sei continuar sem agarrar teu braço, não sei preencher sem te ter por perto, por isso deixo que a lacuna se encha de sangue, e em dor seja cicatrizada vagarosamente, escorrendo em sangue, escorrendo em plasma, decerto as lágrimas fluirão - é o perder - olha, se ao ganhar-se um perde-se outro, ao perder isso ganho isto - minha vida que quero viver ao lado de quem sabe escolher e desta escolha manter-se em decisão.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Indecisão

Parece mais que o tempo passou e levou-te,
Indecisão lesa,
Que mata o dia que crédulo caiu em desuso por ti mesma.
Se o parecer mais é uma impressão que seja esta:
Vai-te com o vento e que sejas feliz nos teus furacões perturbados,
Tua consciência sempre será limpa,
Eu tenho a minha numa homeostase que luta com o equilíbrio
Assim como eu luto com a tua lembrança.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Se são...

Até que ponto o ponto vai,
Até que momento o tempo vai,
Até que dia o sol nascerá?
É dificil explicar
Porque colocamos expectativa nas definições initerruptas
E nem ao certo sabemos se são.

sábado, 13 de setembro de 2008

E se pudesse

Porque num dia desses,
Que me ponho de luas no céu,
Fiquei a ver os ares e de trasparência se despiam,
Mas nada encontrei,
Para falar a verdade,
o ar me fez mais triste ainda,
Mesmo que dele tirassse, a cada momento, o que minha respiração precisa;
Vi nele o que não gostaria - a transparência, aquela sem pena, sem dó de rasgar a ilusão na verdade sangrenta
Não que eu não goste da verdade,
até corro atrás dela,
mas esta, tão bruscamnte apresentada, mais dói do que consola.
Talvez eu precise me despir,
tanto que me vesti,
de tanta veste que coloquei,
muitas das quais belíssimas,
que de brilhantes, douradas, púrpuras tem muito,
de tantos aderessos me perdi,
e achar-me não me importa,
queria mesmo é despir-me,
e trasparência não acharás,
nem folhas brancas a serem escritas,
nem negro não-imprimível.
Eu saí me vestindo por ti,
será que agora posso me despir?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Missing

Eu sinto falta.
Como quem senti falta de um ninho,
Como quem sente falta de um abraço,
Como quem sente falta de cuidado,
Como quem sente que algo falta,
Mas é uma falta pura, não carnalizada em efemeridades,
Uma ausência calma, sem precipitação, sem medo, sem lugar, hora,
Eu me ponho longe, talvez tentando achar o que completa,
Mas lá vem ela, vem quando te vejo,
E bem sei que nada que tens irá me preencher completamente,
Mas estar próximo de ti ajuda, alivia,
E se isso quero, nisso estarei, não gosto da falta, não curto nada de ausência,
Sempre procuro o que quero e acho, satisfaço-me, e isso me basta - basta-me tu.

domingo, 17 de agosto de 2008

Confuso.

Porque me desliguei de minha razão, sim eu estava na casa da amiga, não teria ido por nada, e de modo inconsciente fui adquirindo postura alienada que quem sai com amigos e não questiona o que eles te oferecem, nem tenta negação do que te presenteiam.

Eu passei o dia molestando-me com as lembranças do dia anterior, questionando-me posições, entendendo-me e no final ainda tinha feito certo, não tinha avançado, não tinha vivido, porque fim seria isso, de uma forma ou de outra, eu estaria numa sarjeta escura, sozinho, e cheiro de enxofre.

Não viria depois de tudo, não calaria minhas lembranças, não me tocaria em pele, não olharíamos de novo, ela. Era o que eu entendia e ainda fazia certo, fazia sem remorso de abandonar o barco que estava com um buraco insignificante que ora levaria esse lindo flutuador, desejado meu, aconchegante barco que riria ao fundo e ali estagnaria virando um fantasma que se perde em lembranças passadas, que se perde em habita de peixes inseguros. E eu deveria continuar navegando, procurando minha terra, já que ela não queira compartilhá-la comigo.

Ainda assim, eu tentei o dia inteiro me concentrar nos produtos, e a produtividade lutava com a lembrança, mas de luta me enchi, era hora de ir ao aniversário e tentar contatos com os terrestres meus amigos.

Fui sim,querendo deitar minha cabeça num peito, novamente, no peito de alguém para ouvir o coração bombeando, sentir fluxo contínuo que é a vida e nisso me inspirar, não conseguia me ouvir, não conseguia me sentir, supostamente o fim, mas ainda assim no certo.

E nada, o aniversário foi só comida, nem conversas proveitosas tinham, eu estava perdido em tanta comemoração e nem sei se parabenizava o amigo mais velho agora, e isso ninguém sabe, porque tive que sair e ir a casa da amiga outra, mais importada e importante, e lá encontrar arreio que vai no vento que leva o tempo. Porque ela estava com uma das amigas e as duas sabiam cozinhar, sabiam fazer de uns ingredientes uma receita que te deixa mais leve, que te faz um pouco menos ágil, e a fizeram. Comi com medo, e com dor no estômago que foi comer doces, pizza e bolo, mas nessa degustação calma e fingidamente em paz, não senti leveza nem o céu, porque precisava vê-la para isso. E fui atrás dela.

A encontrei indiferente e medonha, e eu dizendo que queria conversar, e nesse discorrer de procurar-achar passaram-se uma hora, e já estava na frente dela, com cara destemida e coragem para dizer “Quero te beijar, só vim pra isso.”, ela ao me olhar e me ver rindo e corajoso e perguntar “ O quê tu tem? O que tu fez no aniversário?”, e eu dizendo sorridente “Nada, eu não bebi nada.”, mentindo eu soprei meu hálito sem álcool para comprovar a negação. E eu ainda dizendo que queria mais, que precisava deitar abraçado de novo e sentir a pele macia dela, sentir-me seguro nos abraços jovens, merda que é se apaixonar, sorte que é amar, que precisava muito mais o que aquela meia-horazinha, que queria só um tantinho acabável com ela, e esta ainda me admirando de tanto pedido e atitude que tinha, e eu ria enquanto falava, estava corajoso e lá vai eu dizendo que ela puxa meu coração para fora e corta com uma faca e rindo se diverte de me por em testes que acabam comigo, porque ela tinha beijado minha barriga e amassando minha bunda por dentro a cueca e a tinha visto e calcinha? Porque não avancei? Porque previ, olha, eu re-pedi, que por favor, me desse um beijo, e xingando-a no meio disso, sem organização prévia, sem sistematizar palavrões, colocando os mais ofensivos no final para vê-la definhar em remorso, eu estava desconectado ainda mais para ouvi-la dizer “eu não vivo de prazeres carnais.” e eu me encher de raiva por considerá-la como importante, que merda que era pensar nela, que sorte que era tê-la por perto, e eu dizendo que tinha comido brigadeiro, e ela rindo , e eu completando, brigadeiro com maconha “Porque eu não vou dormir bem e tu vais.” E vê-la de boca aberta sem palavras, não havia sermão espiritual, e eu indo na rua gritando “Fucked asshole, fucked asshole.”, tentado transformar a raiva – que tinha dela - e o remorso – de ter usado maconha – num grito ofensivo.

E me bastou isso tudo porque depois que a leveza deu lugar ao pesado ser que tentou se livrar de si mesmo, eu fiquei no chão, agora errado, ações maduras teriam sido o melhor, e nem a quero mais, nem vê-la posso, porque merda que é usar maconha e vê-la rindo, sorte que é sentir-se leve e vê-la indo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

[cap. 16 ou 6]

Apertava-lhe por dentro. Sentimento que ia e vinha e, indescritíveis vezes, levava-a para mais longe. Longe do terreno fértil dos desejos reassimilados, no que gostaria que fosse prática, na prática adiantada. Não bastaram as perguntas sobre o peculiar estado do rapaz que tinha conhecido, nem as demais teorias desenvolvidas no tempo rápido; estava a sentir-se quente e só, sina da fase. Perguntando a si mesma quando chegaria, as sete teria sido a melhor escolha, mas pelo momento, ansiava às cinco, e, a partir dessa hora, não sabia desenvolver razão para o suposto atraso de Luis.

E imaginava os lábios soltos do rapaz, lábios rosados, tanto de tirar-lhe a curiosidade de perscrutar sobre as demais partes do garoto. Porque os lábios, estava certa disso, correria sobre a pele delam, e, na sensibilidade que tinha para finos lábios e suaves toques, contemplaria o que lhe faltava. Se quente estava faltava-lhe o frio, supostamente, mas não. Não, porque um corpo frio é sensualismo mórbido e desse tipo sensual Nara talvez não entendesse. Mas se o corpo frio não a completaria, a lei dos opostos - eles sempre se atraíam mesmo? - estaria inaplicável. A não ser, viva e exceção, que Luis chegasse calado e frio, não disposto para mais nada a não ser olhares cobiçadores que rodeavam Nara, seja nos raios-x que tentava fazer da pudendo da garota, seja possuída visão do glúteo dela. De desejos estavam cheios assim como o mundo estava.

E chegou Luis com a cara reservada aos capitalistas, com poucas palavras, pouca expressão e pouco vigor, era o cansaço. Nara o viu chegar e tentou ajudá-lo o máximo; pegou a maletas os sapatos tirados, a gravata e colocou nos lugares de hábito. Isso porque tinha passado parte da tarde descobrindo, ou vasculhando, cada parte da casa e designando as relações entre os espaços vazios e seus acampanhantes. Não encontrou muito, só camisinhas na cabeceira da cama, normal, pensou, cuecas que a despertou mais para o que seria o desenho mapeado do corpo dele, umas blusas, o perfume que ficou cheirando como se pudesse voltar ao momento que o encontrou primeiro, e pornografias dispersas e regulares, aliviando-a de teorias que assustavam-a sobre o estado do rapaz.

Depois de colocado as coisas foi à cozinha para vê-lo. Tomava água com preocupação, encostado num armário pequeno, violado pelo dia. Nara aproximou-se e, bem perto do rapaz, passou a mão pela testa dele, deslizou-a para a cabeleira e gadelhou-a para trás, com preocupação acatada ao vê-lo no estado. Rompeu barreiras?

Sim, mas ambos gostaram. Estava na hora de reaproximaram fisicamente, pois desconsideraram o selinho que deram, coisas modernas. Mas, porque não tinham ainda cãibra, sorriram um para o outro. E beijaram-se.

Porém bastaram os beijos, haveriam de ir a banho para colocar as ruínas e a sujeira do dia-a-dia.

Havia banheira, era de se esperar, Luis pois para encher, tirou a roupa, de longe Nara observava a parte nua posterior e só pode ver isso. Foi ao outro banheiro, já sem banheira, e tomou um banho gelado, necessário e no seu tempo.

Não quiseram sair, pediram pizza e assistiram tv. Rindo da alguma programação, olhavam-se por escapada. Desligaram a tv, cansados das repetições e deixaram-se inovar. Calaram pensamentos. Foram ao quarto calados, já poderiam dormir um do lado do outro, circunstâncias do momento, e na conversa divagada desenhavam-se fagueiramente, uma cama confortável, ouvindo vozes gostosas, compartilhando bobagens. Era o momento.

No divagamento passaram a dormir, primeiro Luis, por homem e ter levado o dia nas costas, e depois Nara ao perceber que falava história para as paredes, dormiram um ao lado do outro, sem abraços, sem cheiros.

Amanheceu. Na manhã mesclada de madrugada acordou Luis e foi ao banheiro, voltou de cueca com o pênis rijo, facilmente visto. Nara abriu os olhos e não o recebeu com riso, nem com grosseria, olhou-o nos olhos e da comunicação telepática pode-lhe avisar que estaria, em pouco tempo, aberta e disponível, para não dizer arreganhada. Então Luis tirou a cueca a avançou em direção a Nara, com o pênis indo à frente dele, como numa batalha espada vai um pouco mais adiante do guerreiro. Aquele era o momento em que Nara poderia relembrar todos os outros em que o desejou dentro dela, dentro e sem fôlego, todos os devaneio dele possuindo o seu seio, todos os suspiros dados tentando captar a essência fujona. Mas agora poderia cheirar o pescoço branco do rapaz, poder tocar-lhe a perna, ser prensada sob os músculos jovens e sentir presa e com falta de ar.

Nara viu o pênis rosa do garoto e aproximaram, deram-se beijos calmos e carinhosos, abraçaram-se, ela de roupa, ele desnudo, e tentou captar o máximo do momento o aproximando-o mais ainda agarrando os glúteos de Luis. E depois na calma que os sustentavam, Luis tirou a blusa, o sutiã, a bermuda, a calcinha e se reabraçaram nus, ao ponto de penetrá-la, mas Nara segurou-se.

Ele foi beijando o pescoço, mais um pouco abaixo, os ombros, o seio, os mamilos, a barriga, as coxas, os pés, e a vagina, com uma delicadeza, com um apreço, coisa que Marcos fez a corrida, sem notar a variação das texturas, e depois a levou a borda da cama, afastou as pernas e ,com objeção concentrada, pôs-lhe o pênis devagar, para vê-la mudar de expressão, e mais intensamente foi avançando, até que os gemidos foram tornados e pequenos gritinhos, daí gozaram juntos numa sincronia, num deleite afável, um sobre o outro, para eles, por eles.

E ali Nara pode calar-se para si mesma sobre as teorias a respeito de Luis, tinha vivido, tinha provas, tinha o nas mãos. Pobre ingenuidade de Nara.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Movimento, Mecanismo, Defesa.

Perturbação que é sentir o não gostaria, porque está cheio de desejos fortes que latejam na ferida exposta e que latejam em dor, assim como também em prazer, que se perdem em definições que não se pode dizer, mas sente com freqüência, senti quando pensa, nessa cadeia que é idealizar, sentir e agir, perdia-se por desejos e neles, como quem quer se livrar e entra numa prisão, como quem diz que tenta, mas repete ações. Repetidamente. Repetidamente.

Volta vai, ciclo rápido, ciclo fácil, um vazio que vai formando uma concavidade nula, que faz falta, que perturba, e na concavidade acumula-se desejos e mais deles se reproduzem, como se nesse espaço houvesse incubadora, e responde, com muita perturbação, responde incessante, indeciso, tremendo, medonho, concavidade nula que toma o dia.

A falta está dentro e conversa com a vontade, satisfaz-me, satisfaz-me, porque sanar-me é i teu nome, é o teu significado; a vontade, entretanto, espera dançante, olha com olhos pedintes de misericórdia para a decisão que impaciente incomoda a razão; a razão elabora, enquanto a intuição não pára de repetir “deixa comigo, deixa comigo”, mas a razão concentra, e a falta grita, começa a tumultuar, se rebate , convulsiona, a vontade reclama alto, pede atenção, chama, a decisão é abatida, e começa a cobrar, e lá vem a ameaça – “Me chamaram?” – a intuição olha com orgulho para a razão e repeti seguramente: “Deixa comigo.”

Formou-se o time. Atentem para a concavidade, atentem e uma cadeia que incessantemente trabalha, não para de proceder, enquanto a ameaça vai triste, nem encontrou o amigo medo, mas esperará, boas amizades nunca acabam, Bora, borá, movam, movam, gritava a vontade, movam,movam.

A falta se coloca de quatro, e suspira, suspira profundamente e sussurra baixinho, numa voz que confunde com algum gemido, a intuição já dera o comando e no comando havia a acasualidade, a intuição ainda no acaso, caso secreto que mal a razão sabe que se encontram, quando sai de casa, nessa omissão que é dar uma escapolida, a intuição se encontra com o acaso, encontro forte a apaixonado, livre e aberto.

A decisão e a vontade se chupam em beijos longos, de línguas confundidas, tardiamente tornaram doloridas, em beijos intensos, corre a mão da decisão sobre a vontade, nesse movimento que é a propagação a decisão comenta e apresenta novos modos de beijar, novos modos de amassar, a decisão agarra o peito da vontade e os aperta levemente entre as mãos quentes, passa para o glúteo e passa a apertar novamente, aperta com graça, percorre a linha que separa o par de músculos, com velocidade constante, em pressionamentos que intensificam, de cima a baixo, chegando a uma pressão forte lá em baixo, e recomeça o movimento, mas ah, a vontade aproveita e sente que em meio ás pernas algo molha-se e não deixa passar, não pára de acariciar, a decisão, em beijos enche o pescoço, molhados e salpicados, logo após lá está a vontade brincando com os mamilos da decisão, que ora aperta-os sem dor, entre os dentes, ora pincela-os com a língua, saudade que é a vontade com a decisão, e a decisão, quase numa ânsia de gozar no peito da vontade, se despede, lá para as tantas se masturbará pensando no momento, e, enquanto o melado não secar, que as lembranças venham logo.

Mas a vontade chega com a falta e a vê de quatro, aprecia, re-olha, suspira, suspira profundamente e sussurra baixinho, não confundido com um gemido, mas com uma voz que promete e a falta de quatro, por enquanto bastam as dedos que entra e saem numa concentração quase ardosa, num movimento que tenta ser satisfatória, mas que em pressa se defaz em afoitamento de meia solução, e a falta move os músculos, altera e puxa a mão da vontade para a genitália, a vontade enche a mão nisto, e aparando com concavidade necessária, agrega o material em apertos sucessivos e depois de um tempo passa a ser escorregadio e quase um desafio apertar sem deslizar bruscamente, e se aproximam, um de costa para o outro, e beijam-se, sendo que a falta desloca a cabeça para trás e a vontade tentando achar um modo correto de manipular, e já não consegue sentir a mão da falta, mas continuam, a intuição planejou bem, beijo que cansa, e lá está a falte se arrebitando, posicionando e oh, começaram o movimento, está devagar, mas acelera, e cadê o pé da falta, e mais intenso, mais intenso, forte, vindouro, não palpável, fugindo, fugacidade, ai, ai, fugacidade, está indo, os braços onde estão, ai, ai, indo, indo, pernas onde, vai, vai, vai, e vê aquele fio branco que voou no ar, não parado lá dentro, e cadê a falta. Desapareceu, mas pariu a satisfação, que já está rebocando a concavidade, hora ou outra fica plana, e faz um trabalho bem feito, a razão, vlta, encontra a intuição na cama, jogada está, Deve está cansada, pensa, e vê ao redor, bem diferente do começo, mas não sente apreço, deveria ter feito algo, nada sai tão bem quanto se quer quando se passa as tarefas, e pensa na perturbação, não, não eras tu não, eu que não percbi que eras filha da ansiedade, enviada por esta, e nem sei o que fizeram aqui, se evitaram a realidade, ou a excluíram, ou redefiniram-na, se inverteram-na, se passaram do interno para o externo, se dividiram-na, ou dela escaparam, fui inflexível, fui ineficiente.

sábado, 2 de agosto de 2008

Últimos da história!

Do mais-ou-menos ao...

Ô telefonezinho que toca quando quero o silêncio de uma paz que é inconstante só de existir, porque quando a anestesia queria perder o efeito tocou com toque perturbador e lá vai a adrenalina, e depois já estarei de anestesia que é ouvir tua voz, e só podia ser tu, porque outro telefonema não coloco, estava mendigando momento, dizendo que queria se encontrar que queria falar, e eu criando abuso, que precisava me encontrar em casa ,mas deixa, eu neguei, agora já, depois de tanto repensar , não queria mais vê-la, não queria estar a disposição e ela sabia da minha situação, não poderia se fazer mais de inocente que acreditava que eu não sentiria nada ao estar perto dela...

Porque o teste foi terrível, foi massacrador e para qualquer um que já passou por essa situação ou passará, sabe que risco correu ou correrá, e esse risco parecia que era a brincadeira sádica dela, que curtia com as emoções, e considerando o telefonema anterior, o que havia arrependimento e insatisfação, mas ainda cruel seria vê-la outra vez, portando os mesmos sorrisos, os mesmos de tudo o que me fez parar meu curto tempo para dá-la atenção de um coração que não deixa sentimento passar, e quanto mais eu negava, mais ela implorava por um momento a sós comigo, queria está sozinha comigo, quer fosse meu sacrifício, e eu negando, ora,isso é pergunta que se faça?

...Eu, na minha casa, com a minha cama, ela, na minha casa e também na minha cama, não, é tentação de mais para uma carne que mata vontades só em pensamentos, palavra final que dei a ela: "não", porque se fosse para ficar em casa a sós, diria não, lancei proposta de ser numa praça próxima de casa, mas não queria, só me encontraria se fosse em minha casa, mas não.

E ela disse que ficaria com raiva e o de sempre, eu nem liguei, era dela própria ficar fazendo ceninhas, eu fiquei normal, já bastava o teste, e fiquei em casa tentado fazer algo que tirasse imagem da minha cabeça, aquela imagem criada de inocência. E por intuição própria, depois de horas da ligação, desci as escadas de minha casa e fui ver a frente desta, sem intenção maior, ato inconseqüente que se faz todo o dia, e olhei, era tudo normal, era tudo sem acento, e ao lado de casa, na calçada, lá estava ela sentada no chão, com cara de insatisfação, virou o rosto para mim e me olhou por...

Cinco segundos, foram os cinco segundos mais ilógicos da minha ida, eu tinha acabado de conhecê-la, e estava na fase da coragem, em que se chega junto e sem medo começa uma conversa sem tanta enlevo, e foi ali, que lha faltou palavras, e só me olhou, pelos cincos segundo que deveriam ser aceitos como uma quebra de intimidade, eu jubilei só por ter aqueles cinco segundos só para mim, e fui á casa certo de que ela poderia ser mais que uma imagem na minha mente, um desejo solto, sem futuro. E nos olhos tinham chamas, e pela irradiação foi em cima de mim, foi, pois meu interior queimou rapidamente e calor foi tanto que minhas pernas foram obrigadas a se estabelecerem, foi num momento tão rápido, e tão desastroso, porque saí dali quase que certo, restaria para o teto o meu quarto me responder se era só loucura, ou mesmo um conselho amigo preocupado com as insanidades que crio.

... Pouco, mas agora foi pouco, ela desviou o olhar com insatisfação grande, e logo eu abri o portão e a chamei, ela não quis entrar, e eu estava sujo, tinha acordado fazia quatro horas e logo que acordo ela já vem com propostas de encontro, e mesmo negando ela estava ali, mendigando atenção, que houve? E fui ao lado dela e sentei, e pude a olhar mais um pouco, era o momento que ela falava mais do sentimentos dela.

- O que tu estais fazendo aqui?

- Eu falei que vinha.

- Mas eu desconsiderei, tu não irias fazer outra coisa lá e eu ainda disse que aqui em casa tu não virias.

- É mais eu disse que viria te ver.

- Isso não faz sentido! Porque tu estais com raiva?

- Por que eu sabia que isso ia acontecer, tu ia começar a me evitar, querer parar de conversar comigo, não querer mais me ver. Eu sabia disso, e eu vim aqui só pra dizer que pra mim não tem problema nenhum. - mas a cara dela negava, pois uma raiva corava-a e seus lábios faziam um biquinho que cólera.

- Para com isso, menina! - e passei meus braços em volta dela como...

No nosso terceiro encontro, em que, depois de tentar tirar palavra da boca dela, e não ter conseguido coisa alguma, eu me aproximava mais dela, o amigo Caio, antes, estava entre nós e fazia força para distanciá-la de mim, mas ela aproximou e passou o braço em volta de mim, e meu músculo do tamanho da minha mão fechada, ficou inquieto, muito inquieto, e ela me olhava nos olhos, com coragem e vontade de ver mais, de conhecer mais, aí não, não soube diferenciar, eu mais colocava sentimento por ela, e mal sabia que sofrimento que é fazer isso, porque quando ela tirou os braços em volta de mim, eu empurrava o meu antebraço contra o dela, e me aproximava, queria um toque inocente queria me aproveitar disso tudo, e ela passou de novo o braço em volta de mim, e de novo o músculo. Fui para casa acariciando meu próprio antebraço e relembrando constantemente os delicados toques do braço dela, eu realmente não sabia que sofrimento ocorreria mais tarde.

... Sinal de desculpa mais não adiantou, ela me olhou ainda em cólera e continuou:

- Eu odeio quem foge das situações, eu não gosto, olha que tu é maior do que eu, tem mais idade, e agora tá fugindo das situações, eu odeio quem faz isso.

- Não, tu sabes da minha situação, tu sabes que quanto mais tempo eu passo perto de ti mais eu posso gostar e mais o sentimento aumenta. - eu disse calmamente tentando fazê-la ver que não queria machucá-la com minha ação, ou inação.

- Não, sabe qual o teu problema? Tu queres fazer tudo sozinho, tu não dá o braço a torcer, não pede ajuda de ninguém, tu sabes que tu precisa de ajuda, esse sentimento não tá nos planos certos, tu queres fazer tudo sozinho. - eu calei, porque a verdade quando ouvida é aceita e não rebatida, eu calei porque precisava realmente de ajuda, e nessa humildade que me encheu respondi:

- Me desculpa, por favor, me perdoa. - pedi delicadamente e a cara dela se encheu de dúvida...

Dúvida era o que tinha na cara dela, depois de sairmos do riacho cristalino, nós estávamos no ônibus de volta, e a dúvida era o motorista da viagem, ela ria pelos cantos da boca, compreensiva demais com meus sentimentos, para não me constranger, mas confusa sobre como eles surgiram, e eu já tinha falado que tinha criado um quilo de coisa sobre ela, que tinha fantasiado mais ainda e tinha sido ufanista, mas não bastou, ela continuava na dúvida, e como aquela dúvida era charmosa, como era bonito vê-la pensando no profundo ser, e se questionado sobre a especificidade dela que fez apaixonar-me, era interessante, engraçado e bonito, mas ela olhou para mim com olhar de curiosidade e já atingido pela dúvida, aproximou a boca do meu ouvido e docemente, bem baixinho, perguntou "Porque eu?", e depois olhou-me nos olhos e com graça que fluía do momento e dela própria esperava a resposta, o clima mudou, pois eu senti o ar mais úmido, a temperatura regular, e a viagem parou, era um momento belo que me fez não pensar em resposta alguma, eu deixava de aproveitar a viagem.

...porque para ela, eu deveria ser mais infantil, pelo ao menos eu acho, desviou o olhar de novo, e repeti de novo:

- Desculpa, por favor, me desculpa, me entende - ainda docemente dizia. Ela foi mudando a expressão e passou a rir, com um riso de vergonha, talvez percebeu que a situação era demais de inusitada, - vamos à praça. - levantamos e fomos, achamos um banquinho e ficamos sentados lá.

- Aí, sabe? Depois de ontem, do teste, eu fiquei pensando, porque eu acho que eu deveria ter te beijado, sabe naquela hora faltava um pouquinho para eu alcançar tua boca, aí eu cheguei em casa e fiquei me questionado, eu deveria ter te beijado.

- Não, quando tu desviaste teu rosto de mim ontem, eu percebi o que tu queria, eu pude ver em quem teu foco tava.

- É verdade, quando tu disse naquela hora, "isso é pecado, não vamos sair espiritualmente arrebentados." aí eu recuei, e fazia um tempão que não ficava com ninguém.

- Pois é, mas tu me fez perceber de verdade o que quero, isso foi muito bom, parabéns. –eu disse triunfante, a cara dela era de espanto, mas desviou-a e logo perguntou:

- Teria algum problema se a gente dormisse abraçadinhos, seria maldade?....

Não, não seria maldade se eu fosse um boneco, porque se eu fosse menina, ainda poderia ser maldade, ou vai me dizer que lesbianismo não é tentação? Mas eu, pelos hormônios que engrossam minha voz, põem-me pêlos corpo, auxiliam na libido, e também as ereções noturnas, sim a maldade me encheria com força, e eu transaria sim com ela, pois ela, ou eu, acordaríamos um ao outro,no meio da noite, e logo estaríamos nos beijando, e não diferenciando o sonho da realidade, no quarto escuro, sim seria maldade,problema, pecado, desejado, mas pecado.

...hein?

- Acho que sim.

- O ônibus que eu pego passa por aqui. Seria maldade mesmo?

- Acho que sim, não sei, acho que te beijaria se dormíssemos juntos.

- Não, não haveria beijo nenhum.

- Acho que sim. – pausamos e ouvimos o transito.

- Bora logo, me leva na parada.

- Tá. - e fomos andando já sem tantas palavras, as perguntas eram difíceis e as respostas também, e chegamos na parada.

- Sabe? Eu tava lá em casa e eu percebi que gostava de ti, tu me fez ver além que uma simples paixão, teu coração bateu forte quando a minha boca chagava perto da tua e isso que importa...

Reação, reação? Não, nada. Eu realmente seria um babaca se acreditasse no que ela tinha falado, sim, porque no final quem estaria preso, em choros, em dores, em quero-quero-mais, seria e somente seria eu, a verdade já tinha clareado minha alma, eu estava certo disso, e nessa hora até que a dúvida quis manchá-la de novo, mas me contive, não, já bastava.

... Sabe?

- Nossos caminhos são diferentes, uma hora ou outra eu vou estar, ou tu vai estar em outro lugar, e aí não seremos mas o que seria o hoje, o amanhã continua incerto.

- Me dá um abraço?

- Hum?

- O ônibus tá vindo e não vai ter tempo de me despedir.

- Tá. - ela me abraçou com força, eu dei um abraço normal, de amigo para amigo, estava já certo mesmo. Depois do abraço, comentamos mais um pouco sobre tudo de novo, ela me perguntou se gostaria de dormir na casa dela, eu disse que seria um problema, mas ela insistia que não, que não. O ônibus apareceu e vinha devagar, dava para uma despedida. E de novo ela fez menção de abraçar-me e dei outro pobre abraço, ela foi mais tocante nesse, passou a mão pelas minhas costas, deslizou vagarosamente, apertou-me com carinho...

Esses foram nossos dois últimos abraços, e não digo só de um, porque foram concomitantes, um empurrou o outro, eu dei um abraço velho, e já no segundo ela foi mais aberta, e é só o que ela poderia ter, esses abraços foraa a última esperança que o céu pôde dá-la, só mesmo.

...carinho que teve que interromper, o ônibus se aproximara, era tempo de ir, e nem a vi entrar no ônibus, antes, toda vez que a deixava eu olhava para trás, tentando achar o rosto dela me olhando também, mas agora eu fui em direção à minha casa, não olhei para trás, e se ela finalmente me olhou, olhou na hora errada porque eu não a vi.

Sim.

Por que é tempo de deixar ir, é tempo de abandonar, deixar para trás o que tinha posto como foco. E tempo de deixar ir é um tempo de escolha madura, não é fácil para mim dizer a mim mesmo "vai" , mas aqui estou e aqui tenho que aprender a viver, ainda é tempo de escolha, tempo de olhar longe, e não se focar no chão ralo que tenho nos meus pés, e continuar acreditando, ainda posso ver o que quero , ainda quero o que desejo e isso me basta, de oportunidades somos cheios, oportunidade de vencer e perder, de ver êxito ou desprezo, de oportunidade a vida me enche e enche com bons olhos, com emoção de mãe que é ver o filho crescer sozinho, ainda lanças muito para que possa vê-te mais serenamente, e deixar ir a ansiedade e a raiva de se revoltar contra meu próprio mundo. Mas ô vida, eu te amo, no meu despreparo ainda te amo, eu encontrei em ti, e olha que não faço idéia se estava procurando, ou se era uma energia instável no universo, ou se era plano sublime, presente que é te ter, presente que é usar-te.

Eu escolhi a renuncia, que não vem em sabor agradável logo no início, mas que com o tempo vai mudando de amargo, passa para azedo, e adquiri vagarosamente o doce equilibrado, não chega a ser enjoativo, mas com dose necessária que é poder sentir-se fazendo o certo, renunciei por que vi, olha lá, eu vi, aquilo tudo que falava, planejava, era o plano para mim mesmo, era o que eu queria, e não era de solo, era de dupla, dois que pensavam de modo diferente, que viam de forma diferente, que agiam de forma diferente, e o respeito, respeito pela tradição, pelas idéias, estávamos indo em barcos que pela maresia encontravam-se juntos, mas momentos desses eles teriam que separar-se e ir a águas que sozinhos tinha que ir, e ainda nessa bacia grande que é viver, não poderia fazer e mapa, e nem calcular relevos, era a hora de ir e só. Era a obediência que tinha pelo o que acreditavam, uma solenidade pela fé, algo louco e sério, se a fé nos separou, a fé dispôs-se por nós, e como outro agente, ajudou-nos.

Porque ainda é tempo de deixar ir, e é tempo de ser grato, de senti o que alegria é, mas não reclamo, amei cada pedaço dessa história cada aperto no coração, cada olhar, cada sorriso, eu aproveitei o que era meu, e nos momentos não dei o exato valor foi porque ainda precisava de maturidade, e saí a compreender as situações, as buscas, os desejos, as derrotas, as renuncias, bem-aventurado sinto, posso olhar o algo a mais ali, naquela igreja que a encontrei e que ali esteja a paz que nos encherá enquanto passamos pelos corredores e vimo-nos, quando tivermo-nos que dá um aperto de mão irmão, quando a educação nos exigir mais, a paz eu encontrarei, porque estarei ali, e sempre, não por ela, não, por mim, que de fraco tenho que me fazer de forte, e de forte tenho que aprender, por mim mesmo que só via sentido material nisso tudo, que via nas carnes, tentação carnal, que via nas intenções satisfações de desejos, eu que tenho que estar para aprender a ser mas meta, físico seria se deitássemos juntos e calássemos as palavras e deixássemos as ações, mas não seria meta, para a frente que seguimos , lá, bem, lá no recanto próprio de ser, único caminho e solitária caminhada, cada uma lutando para o seu lugar, no após-tudo-aqui.

Porque eu renunciei, eu obedeci, eu sobrevivi, lutar não é fácil, e a dificuldade não é desculpa, porque depois da batalha o guerreiro sabe quem ele é e se satisfaz de conhecer-se mais, depois da luta, saber mais é o que se quer, e não há mais dores, nem problemas que afligem, e nada que faça calar a voz que diz "vê só o que tu és, não nascestes para a derrota, encarastes com perseverança, e olha , és vencedor que lutou bravamente!". E fico e pensar o que é vitória se lutas após virão e que venham - nisso tudo aqui, se o tempo não pára é por que as lutas também não.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Teste

Eu a encontrarei amanhã.

Porque fantasiei o que sentia e deixei que o tempo fosse levando, esperando que uma ventania arrastasse para longe o sentimento que deixei nascer semeado de inocência. Mas hoje foi diferente, muito diferente. Depois de ter contado que sentia verdadeiramente um turbilhão, ela foi muito calma e disse que se estivesse ainda no mundo faria diferente, me beijaria, ficaria comigo, sem ver a longo prazo relacionamento nenhum, e é por isso que não fico me instigando a amá-la mais, para ela bastaria uns beijos e uns amassos, sairia satisfeita e eu incompleto.

Depois desse episódio, a resolução entrava em minha casa, eu a queria, mas a resolução dizia que bastava o querer e, que se eu parasse de chamá-lo atenção, ela iria embora e nem se importaria. Resolução arrumava a minha casa reorganizava de forma simples, descomplicada até no dobrar e guardar em caixas os sentimentos mais difíceis, e ia devagar, com alinho, deslizando sobre minha casa com elegância finissimamente só dela. E anunciava um fim, fim da solidão, fim do sofrimento, das lembranças, devagar, anunciava boas novas e o movimento todo me enchia de gratidão, de felicidade que é estar independente sentimentalmente de alguém, aquele aconchego de poder se jogar no sofá e aproveitar o espaço grande, não apinhado e confortável.

Mas ela foi a minha casa, tínhamos combinado no dia no dia que eu falei do que sentia, e era desmotivada a conversa, para um encontro amigo e destemido, desapaixonado desligado de más intenções; isso pensávamos.

Ela ficou me olhando, talvez admirando o momento, e me perguntou:

- Posso fazer um teste?

- Que teste? – e transbordava malícia dos olhos dela, no momento eu desconfiei.

- Não posso te dizer.

- Porque não podes me dizer sobre o teste?

- Porque seria ofensivo pra ti.

- Mas por quê? Teste? Que teste?

Ela calou-se e desviamos o assunto, eu fiquei sem entender, mas martelava em minha cabeça que o teste poderia ter algum contato físico desafiador, e que fique claro que não queria afetá-la na vida que ela buscava encontrar. E não conseguíamos nos olhar, não conseguíamos disfarçar sentimentos. Ela já havia me dito que não entendia porque tinha me apaixonado por ela, uma pessoa boba, sendo que não entendia como era bom conversar e estar junto dela, numa paz sem palavras e sem adornos, num deleite fagueiro, onde só os sorriso dela bastam. E agora era a hora de nos questionarmos sobre as palavras nossas, e mentalmente sermos desafiados pelas nossas vontades.

- Queres o teste mesmo?

- Mas que teste?

- Não vou dizer. Queres? – Eu me enchi de raiva, parecia que ela não entendia que tudo que pedisse eu faria sem pensar, mas raivosamente perguntei:

- Que PORRA de teste é esse?

- Não sei.

- Tu não vai me dizer?

- Não sei.

Mais raiva entrou em mim, e ela me olhava com cara de pedinchona, que queria testar-me até o último segundo. E ela perguntou:

- Tu acha que tem alguma coisa a ver com beijo?

- Não! Acho que é algo mais leve. – respondi mentindo, a intuição já dizia que tinha algo a ver com beijo.

Calamos e ficamos sem palavras, meu coração começava a acordar de um sono leve e tentava se remexer, mas eu o acalmei e falava que nada de tão emocionante aconteceria, e o coração esperando ação para dar resposta. Eu a olhei nos olhos e perguntei:

- Esse teste vai machucar alguém?

- Não.

- E quais os possíveis resultados? Pra quê serve?

- Eu só queria saber se teu sentimento tá forte.

Mas como assim? Será que ela não tinha percebido? Eu abri-me, arranquei a idéia que causava aquela grande emoção eu a mostrei, ela viu que na idéias estava escrito “Eu estou apaixonado por ti” e será que não tinha entendido? Será que ele sabia o que aquilo significava?

- Lógico que meu sentimento ta forte!

- Tinha a ver com o beijo. Tu faria?

Pronto! Não sabia o que pensar, e se pensei foi só para dizer:

- Pra que tu queres saber se o sentimento tá forte ou fraco?

- Porque se tiver forte eu vou poder te ajudar e se tiver fraco vai ser mais fácil. E aí, queres tentar?

- Eu não sei se tentaria. Eu tenho medo, tu Sabe o que isso vai significar? O que significa pra ti?

- Pra mim? Nada. Eu só quero te ajudar.

Mas nesse momento eu questionei-me: ela vai se expor a essa situação e nada vai significar?

- E a tua vida?

- Pra mim nada vai mudar, nada mesmo, tu queres ou não?

- Como assim? Haverá correspondência?

- Sim.

- Não, me responde de novo: haverá correspondência?

- Sim.

- Tu sabes o que tu ta respondendo?

- Sim.

Aí meu coração disparava, eu tentava me nortear na situação mas tormentada, rápida e sem aviso, não deveria tirá-la da busca da verdade, nem afetá-la com questionamentos sobre a fé dela, mas o que seria um beijo, o beijo.

- Tu tens certeza do que tu ta perguntando? – Eu perguntei.

- Sim.

- Mas o que vai ser pra ti?

- Eu só quero te ajudar.

- Mas eu não vou ta te ajudando, eu vou te atrapalhar tua luta.

- Não, não vai.

- Vai haver correspondência?

- Sim.

- Depois do teste?

- Ah, não sei, acho que não!

- Como assim?

- Porque tu perguntas?

- Tu queres saber se meu sentimento ta forte? Lógico que ele está, aí tu vem com um teste pra saber e ainda diz que não vai acontecer nada depois? Presta atenção: eu disse pra ti “eu estou apaixonado por ti”, não bastou? Será que minha situação é incompreensível? Te coloca no meu lugar, eu estou suscetível, e tu vem com essa brincadeira, tu queres brincar com meu sentimento, porque isso parece uma brincadeira. Eu quero futuro e tu não pode me dar. Eu não quero ser mais um pra ti, e se tu me beijar lógico que meu sentimento vai ser forte!

Ela se aproximou de mim, eu fui em direção á parede e parei encostado nesta, ela me prensou com as mãos e perguntou:

- Será que o sentimento aumentaria?

Ela estava perto de mim, se distanciava dez centímetros. Eu senti a pulsação do meu coração, na minha orelha, na minha virilha, no meu pescoço e na minha cabeça.

- Pára com isso! – eu a repreendia com olhar sério.

- E se eu te beijasse agora?

- Pára. Pára com isso agora, tu não ta entendendo, olha meu coração, sente. – levei a mão dela no meu coração.

- Nossa ele ta batendo muito. E o que sente se eu fizer assim... – ela, ainda com a mão em direção ao meu coração, se aproximou a metade da distância anterior, e o coração disparava acelerado enquanto eu via a boca dela mais próxima da minha. – e o que tu senti se eu fizer isso aqui... – e deslocou o quadril para frente pude senti a vagina dela encostar-se ao meu pênis, tentei me afastar, não dava, a parede era o meu limite, virei a cabeça de lado e meu coração eu só sabia que existia porque havia um movimento louco dentro do meu tórax, ela foi aproximando devagar a boca dela da minha e quando estava perto de beijar, fechei os olhos, e desviou a cara e encostou a face na minha, e a ouvi perguntar:

- O que tu acha disso? – eu reabri os olhos.

- Se tu não fores ficar comigo te afasta agora, se fores brincar com o que eu sinto te afasta agora.

- Mas o que tu acha disso?

- Eu acho que vai ser danoso pra nossa vida espiritual, nós vamos sair arrebentados. – ela se aproximou mais ainda, fechei os olhos novamente, mais perto, pude sentir o hálito e o calor da pele dela.

- Esse foi o teste. – e se afastou.

Hã!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?...

Mas ô anestesia, ô alívio, senti o sentimento descer num ralo justo, escorria devagar e nós o ajudávamos, eu disse que seria danoso para ela e esta disse eu não faria, que estava certa do que queria e ainda me questionou perguntando que tipo eu era já que não encarava a verdade de ser mais puro.

Eu juro que não percebi, para mim, o momento, o que ela tinha feito era algo espiritual que me fez perceber o que queríamos no profundo. Mas que tipo de pessoa se coloca nessa situação e ainda questiona sobre minha postura? Graças á meu amigo, percebi que não, testes desse jeito eram mais carnais eu a fornicação em minha mente, que não tinha nada de transcendental, mas com uma dose, overdose, de tentação que fluía pelos poros.

Eu fiquei anestesiado. Quando uma pessoa quer desistir de um sentimento não promissor já é bom, mas quando duas querem, melhor ainda. Eu tinha negado e ela, ela tinha negado-me, seria a melhor situação do mundo, eu me livrando desse sentimento e ela me ajudando, e nós seguindo as nossas planejadas vidas, um para cada lado, vivendo um sem o outro, livre para si mesmos. Que nada!

Quando minhas certezas de acomodavam o telefone tocou.

- Oi.

- Oi.

- Como ta? – perguntei.

- Bem... – e inesperadamente – Eu deveria ter te beijado naquele momento.

- O que?

- Eu deveria ter te beijado, beijado a tua boca.

- Sério?

- Sei lá, agora me arrependo. – eu ouvia e não entendia porra nenhuma. Como ela tinha negado e agora choramingava no telefone?

- Como ta depois dessa situação?

- Sei lá. Eu to excitada. – a voz parecia incerta e receosa.

- Sério mesmo?

- Sim, eu deveria ter te beijado.

- O meu beijo é carinhoso. – disse eu. – E o teu?

- O meu beijo é quente. – e rimos juntos. – Sério, eu me arrependo. Posso aparecer amanhã na tua casa?

Eu não queria dizer não, mas tinha medo de beijá-la, e se ela quisesse fazer sexo, eu não transaria.

- Sei lá. – respondi. – Tu gostaria de ter me beijado?

- Sim, gostaria. - aí não sabia de nada mesmo.

- Seria problema se nós ficássemos abraçados na tua cama ? Haveria maldade?

- Sei lá – respondi, mas maldade havia na pergunta, que canalha!

- Posso passar aí?

- Acho que sim.

- Tu vai sair?

- Não, não, tu vens às quatro?

- Não às duas.

- Tá, então ta.

- Tá legal!

- Então tchau!

- Tchau.

Não sei o que fiz, não entendo o que falei, não procuro resposta para as razões questionadas, nada sei.

Eu a encontrarei amanhã.