Num ato inconseqüente que fazia, numa imediatilidade que tinha, foi a quarto. Quartos obscuros de silêncios tontos, quarto de quatro, por dois, para dois. Eram cômodos calados, numa neblina própria que nascia nele, num vulto mecânico que era o momento. Nos quartos soltos sempre há, nos quartos calados sempre se ouve, e não como complementação de antonímia, não, sim, mas sim, nos de iguais medos, nos de iguais desejos.
E nos progressivos movimentos foram avançando, naquela inconseqüência, naquele imediatismo, mal tinham se conhecido, mal tinham se olhado, e do mundo corriam porque medos se afastavam, numa aceitação que serenava com os tempos, como as pessoas, como os pares, no quarto seguro, de lençóis seguros, de aconchegos calmos, de silêncios seguros.
Num vulto grande que era correr para fora, na minuciosidade deles, no momento deles, que só tinham para eles, porque o mundo fora tinha sido uma escolha, uma idéia, uma vaga impressão da realidade que buscavam, mas tinham deixado de lado – no momento que é dar, que é receber, no momento que é fazer.
No reflexo distorcido, como quem bebe álcool e vai desapercebendo, tentavam visualizarem-se, em toques rápidos, de vez em quando desacelerados. Foram na busca única que é procurar o orifício, numa luta que é estarem se descobrindo, mas como era jovem – juventude que não espera o tempo e que se põe na situação tão ocasionalmente, perdendo-se em poucos planos, em pequenas idéias, e essas voam, e se alguma tentou pousar, foi levada pelo vento do meio, mas aqui já estamos na situação, e de lamentações já bastam, de reflexões é o que sobra.
Deitaram-se juntos, mas antes, nos beijos, estavam em pé, tirando roupas dos corpos, preparando-se em calma dispersa, e olhavam se deitados, no escuro falado, no escuro sincero, eram olhos negros que cintilavam em reflexo da luz desconhecida, mas as esferas negras viam-se e beijos novamente se deram, porque momentos passam, desejos levam, lembranças ficam, e ainda sim podiam tocar as pontas dos dedos as orelhas, a face, a boca, e sem muita divagação achou-se o buraco - cozy, quente, despreparado -, e o do pouco que ficaram em um, pouco mesmo estavam, relaxaram depois, caíram depois.
E inocência da jovem, na inocência do olhar que pedia arrego, logo de início, agora pedia a paz de, depois de ter feito tudo, não sentir culpa, mas passa, o escuro passa, e logo estarão deitados lado a lado, abraçados, seguros em si mesmos, no conforto de ter pele sobre pele, sem roupas, sem medo, e nessa tranqüilidade aproveitarão até a hora que o mundo os chamar, mas por enquanto podem olhar um para o outro e falarem, Me promete que não me deixarás por nada, mesmo que eu esteja para baixo, me promete que eu ainda verei sol e isso vai ser contigo, me promete que teu abraço continuará forte e quente e teu beijo bom, me promete que não vai me deixar sozinha. Mas a pessoa olha com cara de arrogância para a menor e não retruca, fala para consigo mesmo como quem fala em triunfo no final de tudo, Acalma-te, mal sabes da efemeridade disso tudo e já vai criando muros, construindo alicerces, lançando expectativas, mas saberás o que é o tempo e o que é amor, e o que é isso que fizemos, no tempo distinguirás maturamente teu plano, ou a ausência dele, nesse romantismo que passa desapercebido tem lugar tomado pelo resto, saberás mais tarde, mesmo que o hoje seja o sofrimento de aceitação; e o dia levanta, a luz dança e sobe pelas frestas da janela, da cortina, pois já é hora de levantar.
sábado, 4 de outubro de 2008
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4 comentários:
lindu,lindu,lindu,linduuu...............
sem palavras....
ah,issu aconteceu mesmo?
ah eu gostei da realidade do texto
realmente é isso que acontece
principalmente quenado se é imaturo ainda
muito bom
e sempre o tom pornográfico que pra mim faz tudo mais especial
great
adoro erotismo poético, principalmente quando bem feito
adoro erotismo poético, principalmente quando bem escrito
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