quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Teste

Eu a encontrarei amanhã.

Porque fantasiei o que sentia e deixei que o tempo fosse levando, esperando que uma ventania arrastasse para longe o sentimento que deixei nascer semeado de inocência. Mas hoje foi diferente, muito diferente. Depois de ter contado que sentia verdadeiramente um turbilhão, ela foi muito calma e disse que se estivesse ainda no mundo faria diferente, me beijaria, ficaria comigo, sem ver a longo prazo relacionamento nenhum, e é por isso que não fico me instigando a amá-la mais, para ela bastaria uns beijos e uns amassos, sairia satisfeita e eu incompleto.

Depois desse episódio, a resolução entrava em minha casa, eu a queria, mas a resolução dizia que bastava o querer e, que se eu parasse de chamá-lo atenção, ela iria embora e nem se importaria. Resolução arrumava a minha casa reorganizava de forma simples, descomplicada até no dobrar e guardar em caixas os sentimentos mais difíceis, e ia devagar, com alinho, deslizando sobre minha casa com elegância finissimamente só dela. E anunciava um fim, fim da solidão, fim do sofrimento, das lembranças, devagar, anunciava boas novas e o movimento todo me enchia de gratidão, de felicidade que é estar independente sentimentalmente de alguém, aquele aconchego de poder se jogar no sofá e aproveitar o espaço grande, não apinhado e confortável.

Mas ela foi a minha casa, tínhamos combinado no dia no dia que eu falei do que sentia, e era desmotivada a conversa, para um encontro amigo e destemido, desapaixonado desligado de más intenções; isso pensávamos.

Ela ficou me olhando, talvez admirando o momento, e me perguntou:

- Posso fazer um teste?

- Que teste? – e transbordava malícia dos olhos dela, no momento eu desconfiei.

- Não posso te dizer.

- Porque não podes me dizer sobre o teste?

- Porque seria ofensivo pra ti.

- Mas por quê? Teste? Que teste?

Ela calou-se e desviamos o assunto, eu fiquei sem entender, mas martelava em minha cabeça que o teste poderia ter algum contato físico desafiador, e que fique claro que não queria afetá-la na vida que ela buscava encontrar. E não conseguíamos nos olhar, não conseguíamos disfarçar sentimentos. Ela já havia me dito que não entendia porque tinha me apaixonado por ela, uma pessoa boba, sendo que não entendia como era bom conversar e estar junto dela, numa paz sem palavras e sem adornos, num deleite fagueiro, onde só os sorriso dela bastam. E agora era a hora de nos questionarmos sobre as palavras nossas, e mentalmente sermos desafiados pelas nossas vontades.

- Queres o teste mesmo?

- Mas que teste?

- Não vou dizer. Queres? – Eu me enchi de raiva, parecia que ela não entendia que tudo que pedisse eu faria sem pensar, mas raivosamente perguntei:

- Que PORRA de teste é esse?

- Não sei.

- Tu não vai me dizer?

- Não sei.

Mais raiva entrou em mim, e ela me olhava com cara de pedinchona, que queria testar-me até o último segundo. E ela perguntou:

- Tu acha que tem alguma coisa a ver com beijo?

- Não! Acho que é algo mais leve. – respondi mentindo, a intuição já dizia que tinha algo a ver com beijo.

Calamos e ficamos sem palavras, meu coração começava a acordar de um sono leve e tentava se remexer, mas eu o acalmei e falava que nada de tão emocionante aconteceria, e o coração esperando ação para dar resposta. Eu a olhei nos olhos e perguntei:

- Esse teste vai machucar alguém?

- Não.

- E quais os possíveis resultados? Pra quê serve?

- Eu só queria saber se teu sentimento tá forte.

Mas como assim? Será que ela não tinha percebido? Eu abri-me, arranquei a idéia que causava aquela grande emoção eu a mostrei, ela viu que na idéias estava escrito “Eu estou apaixonado por ti” e será que não tinha entendido? Será que ele sabia o que aquilo significava?

- Lógico que meu sentimento ta forte!

- Tinha a ver com o beijo. Tu faria?

Pronto! Não sabia o que pensar, e se pensei foi só para dizer:

- Pra que tu queres saber se o sentimento tá forte ou fraco?

- Porque se tiver forte eu vou poder te ajudar e se tiver fraco vai ser mais fácil. E aí, queres tentar?

- Eu não sei se tentaria. Eu tenho medo, tu Sabe o que isso vai significar? O que significa pra ti?

- Pra mim? Nada. Eu só quero te ajudar.

Mas nesse momento eu questionei-me: ela vai se expor a essa situação e nada vai significar?

- E a tua vida?

- Pra mim nada vai mudar, nada mesmo, tu queres ou não?

- Como assim? Haverá correspondência?

- Sim.

- Não, me responde de novo: haverá correspondência?

- Sim.

- Tu sabes o que tu ta respondendo?

- Sim.

Aí meu coração disparava, eu tentava me nortear na situação mas tormentada, rápida e sem aviso, não deveria tirá-la da busca da verdade, nem afetá-la com questionamentos sobre a fé dela, mas o que seria um beijo, o beijo.

- Tu tens certeza do que tu ta perguntando? – Eu perguntei.

- Sim.

- Mas o que vai ser pra ti?

- Eu só quero te ajudar.

- Mas eu não vou ta te ajudando, eu vou te atrapalhar tua luta.

- Não, não vai.

- Vai haver correspondência?

- Sim.

- Depois do teste?

- Ah, não sei, acho que não!

- Como assim?

- Porque tu perguntas?

- Tu queres saber se meu sentimento ta forte? Lógico que ele está, aí tu vem com um teste pra saber e ainda diz que não vai acontecer nada depois? Presta atenção: eu disse pra ti “eu estou apaixonado por ti”, não bastou? Será que minha situação é incompreensível? Te coloca no meu lugar, eu estou suscetível, e tu vem com essa brincadeira, tu queres brincar com meu sentimento, porque isso parece uma brincadeira. Eu quero futuro e tu não pode me dar. Eu não quero ser mais um pra ti, e se tu me beijar lógico que meu sentimento vai ser forte!

Ela se aproximou de mim, eu fui em direção á parede e parei encostado nesta, ela me prensou com as mãos e perguntou:

- Será que o sentimento aumentaria?

Ela estava perto de mim, se distanciava dez centímetros. Eu senti a pulsação do meu coração, na minha orelha, na minha virilha, no meu pescoço e na minha cabeça.

- Pára com isso! – eu a repreendia com olhar sério.

- E se eu te beijasse agora?

- Pára. Pára com isso agora, tu não ta entendendo, olha meu coração, sente. – levei a mão dela no meu coração.

- Nossa ele ta batendo muito. E o que sente se eu fizer assim... – ela, ainda com a mão em direção ao meu coração, se aproximou a metade da distância anterior, e o coração disparava acelerado enquanto eu via a boca dela mais próxima da minha. – e o que tu senti se eu fizer isso aqui... – e deslocou o quadril para frente pude senti a vagina dela encostar-se ao meu pênis, tentei me afastar, não dava, a parede era o meu limite, virei a cabeça de lado e meu coração eu só sabia que existia porque havia um movimento louco dentro do meu tórax, ela foi aproximando devagar a boca dela da minha e quando estava perto de beijar, fechei os olhos, e desviou a cara e encostou a face na minha, e a ouvi perguntar:

- O que tu acha disso? – eu reabri os olhos.

- Se tu não fores ficar comigo te afasta agora, se fores brincar com o que eu sinto te afasta agora.

- Mas o que tu acha disso?

- Eu acho que vai ser danoso pra nossa vida espiritual, nós vamos sair arrebentados. – ela se aproximou mais ainda, fechei os olhos novamente, mais perto, pude sentir o hálito e o calor da pele dela.

- Esse foi o teste. – e se afastou.

Hã!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?...

Mas ô anestesia, ô alívio, senti o sentimento descer num ralo justo, escorria devagar e nós o ajudávamos, eu disse que seria danoso para ela e esta disse eu não faria, que estava certa do que queria e ainda me questionou perguntando que tipo eu era já que não encarava a verdade de ser mais puro.

Eu juro que não percebi, para mim, o momento, o que ela tinha feito era algo espiritual que me fez perceber o que queríamos no profundo. Mas que tipo de pessoa se coloca nessa situação e ainda questiona sobre minha postura? Graças á meu amigo, percebi que não, testes desse jeito eram mais carnais eu a fornicação em minha mente, que não tinha nada de transcendental, mas com uma dose, overdose, de tentação que fluía pelos poros.

Eu fiquei anestesiado. Quando uma pessoa quer desistir de um sentimento não promissor já é bom, mas quando duas querem, melhor ainda. Eu tinha negado e ela, ela tinha negado-me, seria a melhor situação do mundo, eu me livrando desse sentimento e ela me ajudando, e nós seguindo as nossas planejadas vidas, um para cada lado, vivendo um sem o outro, livre para si mesmos. Que nada!

Quando minhas certezas de acomodavam o telefone tocou.

- Oi.

- Oi.

- Como ta? – perguntei.

- Bem... – e inesperadamente – Eu deveria ter te beijado naquele momento.

- O que?

- Eu deveria ter te beijado, beijado a tua boca.

- Sério?

- Sei lá, agora me arrependo. – eu ouvia e não entendia porra nenhuma. Como ela tinha negado e agora choramingava no telefone?

- Como ta depois dessa situação?

- Sei lá. Eu to excitada. – a voz parecia incerta e receosa.

- Sério mesmo?

- Sim, eu deveria ter te beijado.

- O meu beijo é carinhoso. – disse eu. – E o teu?

- O meu beijo é quente. – e rimos juntos. – Sério, eu me arrependo. Posso aparecer amanhã na tua casa?

Eu não queria dizer não, mas tinha medo de beijá-la, e se ela quisesse fazer sexo, eu não transaria.

- Sei lá. – respondi. – Tu gostaria de ter me beijado?

- Sim, gostaria. - aí não sabia de nada mesmo.

- Seria problema se nós ficássemos abraçados na tua cama ? Haveria maldade?

- Sei lá – respondi, mas maldade havia na pergunta, que canalha!

- Posso passar aí?

- Acho que sim.

- Tu vai sair?

- Não, não, tu vens às quatro?

- Não às duas.

- Tá, então ta.

- Tá legal!

- Então tchau!

- Tchau.

Não sei o que fiz, não entendo o que falei, não procuro resposta para as razões questionadas, nada sei.

Eu a encontrarei amanhã.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desejo, vontade, inconstante, ela, insanidade...

Eu queria que ela tivesse agido mais friamente e que tivesse desconsiderado cada palavra. Eu queria que ela não tivesse feito carinho na minha cabeça, que não tivesse rido e me entendido, não tivesse me abraçado, não tivesse continuado. Mas ela fez tudo tão delicadamente importada com meu sentimento, e fez agradavelmente tentando não me deixar constrangido. Se foi o lugar, o riacho belo e cristalino, a areia clara, a floresta pouco afastada, as enormes árvores e o clima, que a inspirou a entender e se importar, não sei, mas na grama que estávamos sentados olhávamo-nos de vez em quando rindo e evitando-nos, eu contei o que sentia, com o coração na mão que escorregava ameaçando cair no chão das minhas mãos suadas e tremidas. Eu disse. Que estava apaixonado por ela. Acabadamente ali, eu me rendia a um sentimento fugas, me libertava da vergonha, com coração num aperto súbito, disse.

E agora eu pergunto por que ela não me beijou, não me levou para o meio do mato e passou a mão em todo o meu corpo, não me olhou maliciosamente nos olhos, não me beijou com força, não me tocou. Porquê vem na minha cabeça porque não compreendo de onde vem tanta gentileza e atenção, eu sei que ela não abriria mão da religiosidade dela, nem cairia em pecado outra vez, porque antes saía a beijar lábios de homens e fazia com prazer, e ainda hoje recebia declarações dos outros e ainda era assediada por estes.

Por favor, não me trata desse jeito, não me entende, diz que odeia e que a nossa amizade foi só mais um momento da vida, diz que me odeia e põe fim nisso, não faz nada de bom, me chama de pobre coitado que senti isso. Acaba-me. Vai achar teu caminho que é longe do meu, procura tua terra e vive nela, porque nunca haveremos de juntar as nossas, nunca haveremos de ser um. Eu quero que não rias mais para mim, nem me dirige uma palavra, eu quero que não me abraces, eu quero que não me ligue, que não me encontres, que não veja em mim amizade, que não aperte minha mão, que não trate bem, eu quero que não me considere, porque sou fraco, não saberei olhar para tua face sem rir serenamente, sem que meus olhos brilhem, sem que eu sue, sou fraco quando te vejo, quando sinto teu cheiro, quando imagino tu em minha mente, sou um pecador quando estou perto da tua sanidade, da tua santidade, nem sei ao certo se quero o paraíso quando vejo tua cara de curiosa, nem sei se quero de verdade a verdade que sempre falas, eu não sei o que eu quero quando te vejo.

E ainda diz que quer me ajudar a sair desse poço de tentáculos com espinhos que a qualquer movimento sou machucado, eu tentei ser amigo teu, teu companheiro, mas tu não ajudas, tu nem sequer mantém distância, pois deita tua cabeça minha perna, encostas teu antebraço no meu, faz graça, tu és inocente demais e nem percebes nada. És pura no que fazes e vê e eu sou impuro quando penso em ti. Tira-me dos teus planos e continua tua vida, continua tua estrada, na tua perseverança.

Eu pensei que seria um alívio emocional contar a verdade desnuda, pensei que ao dizer “eu estou apaixonado por ti” faria as coisas mais fáceis, eu pensei que seria até mágico. Não foi, pois no momento parte de mim dizia “beija-a”, “abraça-a”, “a deixa chegar mais perto” e outra dizia “Estais vendo? Não é melhor assim? Todo mundo no seu respectivo lugar, fazendo afazeres corretos”. E eu tentando me alinhar a uma verdade.

Não deu certo porque eu estou aqui, tentado me entender, tentado descobrir solução para um problema de nuance amizade/amor, eu estou tentando achar resposta para um sentimento que perturba até o melhor dos dias, que acaba com minhas esperanças, que me tranca num porão úmido e fétido, que me isola do resto palpável, que me interrompe quando tento produzir, eu sou o mais afetado nessa história sem alinho, eu sou o que vai para o canto chorar, eu que fico jogado no chão, eu que reflito sobre o futuro, que sofre com expectativas, sou eu o que se segura quando quer beijá-la, sou eu o que ouve as negações que ela diz, eu que escuto a voz, eu que sinto o cheiro quando a abraço, é em mim que dói quando chego em casa e não posso mais vê-la, sou eu o que tenta fazer força para tirar fora, sou eu que tenho que dar meu jeito com esse sentimento, e sei que ficar reclamando sobre não vai dar em nada, e que ninguém vai ouvir e dizer que vai tirar para mim, essa lamentação vem porque não sei lidar gentilmente com a paixão e nem inteligente com o amor.

Eu queria... Eu queria tanto, da vida, dela, dos momentos, dos beijos, dos aconchegos, eu queria tanto, e se mais pudessem me dar, mais eu receberia e mais pediria, porque são vontades que não descansam nem nos sonhos. Eu quero antes que o sol de despida e a brisa passe, antes que o universo envelheça eu a quero. Antes de tudo eu ainda a quero.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Confissões, esperanças, desesperanças, ou sei lá.

Isso porque eu não quero vê-la, nem ao menos ser vítima e sorriso mal dado, ou ainda um abraço fraco, eu não quero vê-la porque, certamente, não saberei até onde poderei ser gentil e omisso de tudo o que sinto ou gostaria de sentir com ela. É complicado encarar a realidade branda dessa situação, ela aparece, faz cara de boba, de inocente, de desconhecedora, e eu, tenho que parar no momento que quero dizer mais. Dizer mais de tudo sobre mim, sobre meus planos, sobre minha vida, sobre minha opinião, sobre ela, e ouvir, sobre a vida, planos, opiniões dela.

Simplesmente porque me deixo ir, me deixo levar pelos pensamentos bobos, que parecem não dizerem nada, não contribuírem em nada, mas, no final, acabo sendo acertado pelo sentimento massacrador, aquele aperto de mal-estar, aquela dor de não poder estar ao lado, de prosseguir, de fazer valer mais do que uma amizade, no final, tudo acaba com eu chamando palavrões, xingando-a no silêncio, fazendo confissões para o teto, admirando a imagem na minha mente. Eu me arrisco por pensamentos, me deixo sofrer, me deixo calar, me deixo levar.

Se ela pudesse levar-me não valeria a pena, ele parece interesseira, barganhadora, falsa, a amizade, que está sendo desenvolvida entre nós, não parece amizade, mas um punhado de interesses fracos, ralos, que o tempo dirá irreversível, nada de bom partido, nada de boa pessoa. Mesmo eu a julgando de primeiras vistas, eu ainda acho que a nuance da escolha que tem que ser feita é o melhor, mesmo que essa me leve a um momento de pesar grande.

Sim, eu gostaria que o sentimento fosse embora, e que meu coração fosse um, somente focado em meus planos, em minha carreira, em minha história. Nem adiantaria ficar perguntando porque fica-se assim, ou porque ainda estou assim, não adiantaria seguir um clichê para achar uma solução batida, que mal serve para os outros.

É terrível ter que sentir, é massacrante ter que viver esses passos, ter que abandonar esses sentimentos, ter que ir em frente desprezando efeitos posteriores, é terrível ter que continuar e não parar junto a ela, para ouvir histórias, rir de besteira, dormir junto, bem próximos, olhá-la por horas com devida permissão, deixá-la me abraçar, sentir-la perto, ouvir a movimento do miocárdio com meus ouvido no peito dela, é frustrante ter que assumir essa culpa de não informá-la sobre o que sinto e seguir em frente como se ela fosse um objeto que me apeguei de hora uma pra outra, sem permissão, sem justificativa, transformá-la em uma fase que mais tarde perderá o vermelho e empalidecerá para os tempos, que tornar-se-á um momento de imaturidade adolescente. É terrível fazê-la mais uma.

Por conselho amigo eu deveria fazer isso, com urgência, deixá-la, não deixar-me, substituir pensamentos sobre ela, e calar-me como se fosse tão normal sentir isso, desconsiderando minha fraqueza de idade, desconsiderado minha apagada esperança pelo amor, desconsiderando meu pequeno arco de acreditar que ser humano algum pode me fazer um pouquinho mais feliz, como se eu fosse uma máquina desentimentada, com excelente produtividade.

Mas de resto digo: eu poderia amá-la, eu poderia aturá-la pelo tempo que fosse, mesmo quando ela estivesse com problemas financeiros, ou com falta de saúde, ou com vontade de desistir da vida e de tudo, eu poderia aturá-la quando suas palavras já não tivesse a energia juvenil, e sua força estivesse indo com os anos, eu poderia aturá-la enquanto as rugas vão mapeando seu rosto, quando não estiver mais tão para mim, ou quando o silêncio bastar por um dia, eu poderia estar ao lado dela, não importasse o que é, o que foi, ou o poderia ser.

Mas olha, atenta para frente, enxerga teu futuro, haverá de ter um momento tão bom quando esse com uma pessoa melhor, com maturidade crescida, olha para frente e vê, tempos bons são feitos por nós, que colocamos esperança no amanhã sem ao menos viver bem o hoje, olha lá, estais a ver aquele ponto colorido que parece uma festa, que se ouvi grande barulho, que se pode deduzir melhores momentos, é ali que estarás, ou estarei, naquele momento em que poderei estar mais presente, que poderei estar mais feliz, menos cabeça dura, lá na frente poderei dizer mais vivamente, poderei segurar com mais força tu em meus braços, poderei ser mais atraente sentimentalmente do que sou, ali sim, é ali o lugar , é esperar, porque, ali, poderei dizer sem medo, ou sem receio, ou sem sofrimento, mas com força, graça e vida, ali poderei dizer com o brilho mais intenso dos meus olhos, com o sorriso mais sincero do meu rosto, com júbilo mais alegre desses tempos, com sensibilidade maior, ali poderei dizer eloqüentemente "eu te amo", e rir do bons tempos, mas ali, espera só!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Amor desprezivel

Talvez minhas paixões tenham sido somente pequenos sentimentos

E minhas teorias sobre estas se detiveram num plano oculto

um único olhar me bastava, me acabava.

Talvez haja um pouco de luz lá fora,

talvez haja um sorriso e talvez seja eterno,

ou tão limitado como o talvez.



É sobre ela. E todos os momentos que passei naquele lado, ao lado dela, como se o olhar que dava fosse mais importante que minha respiração, como se o sorriso fosse mais importante que as minhas sensações. Desistência eterna enche-me com fúria ao toque daquele olhar, a moralidade à segundo plano, bons costumes em evasão. È ela.

É ela ao olhar, é ela ao sorrir, é ela ao tocar. Ô abraço calmo, simples e distinto, ô aperto de mão fraco e caloroso, ô palavras que ricocheteiam alto, ô beleza efêmera.

Se houvesse o amanhã nascente seria ao lado dela, no levantar laranja do sol, rindo aos ares úmidos, falando de bobagens, mas ao lado dela.

Ô desprezo que tenho ao senti-la, desprezo ao mundo, corrido passante.

Cheguei ao encontro social e lá estava ela, nos risos cativos, com chama nos olhos, e todo mundo se apresentando, expondo planos, contando histórias, e eu, nada queria, estava a admirar beleza – aquela. E se em um momento rimos juntos foi porque o acaso nos aproximou e nos apresentou, bendito sejas tu acaso necessário.

Assim a conheci, assim continuarei a vê-la, alegre dos fatos, educada das situações, presença eterna. E continua sendo sobre ela, e continuará a ser.

-

Porque meu sorriso não adiantou, cheguei em casa perturbado. Nunca haveria de sentir em toda a minha vida aquele momento, e se soubesse que era rápido teria chegado mais perto, falado mais, comunicado mais, seja pelos meus olhos, seja pelos músculos de minha boca.

Descontinuidade louca, que foi sentando, intermitência cessante, sentimento indeciso. Estais a perturbar-me como fazes aos crédulos, e se me esquecesse estaria na paz de espírito.

E o que haveria se eu a beijasse? Com beijo intenso arrancado de fúria, marcado de pressa? O que haveria se eu a abraçasse por cinco minutos? Deitaria a minha cabeça nos ombros e depois beijaria seu pescoço? Haveria lágrima de emoção? Olhá-la-ia bem próximos aos olhos? Encher-me-ia de coragem heróica?

Respostas que são dadas ao vê-la em minha mente, que de sã ai se com os devaneios sobre ela. Pobre coração caído, pobre disperção sentimental, pobre situação irreal.

-

Ela, ela, ela e só. Levanta-te sentimento, mostra as tuas idéias, vive a tua proposta. Decide-te antes que eu te abafe com nojo de te ver maltratando-me.

Porque só dela falas e só dela argumenta, e teus argumentos tem sido fortes; aperta-me o coração, acelera-o sem alinho, sua-me a testa, cala meus pensamentos.

E admito, porque do orgulho me desfiz depois de tê-la visto, rendo-me enquanto esperança a razão tua irmã ainda mantém.

Esperança e irrealidade são irmãs tão próximas que quando mais ajuntadas podem transmutasse, uma que torna a outra realidade, outra que deforma a outra em incredulidade. Perto são como quem brigam pelo mesmo objetivo e que não descansam até haver vitória de uma. Decidam-se por mim, porque ainda estou nela.

E estarei nela até o dia em que esta disser, Oi, como tem ido a vida, como tem ido tu. Daí, da conversa resultante, tirará conclusão, passarás a mediar nosso relacionamento ou arranjarás dores para a consolação da razão abatida.

Escolha ela e eu, pelo amor que fazes nascer, nós dois juntos ao nada, porque iremos ao nada, escolha-nos como primeira opção de tua dívida, pagas com generosidade à ela e à mim.

-

Responde-me logo, retornas a ligação, porque de medigagem já bastaram as vinte e duas tentativas. Acordas para o que tenho, disposto estarei para deitar no teu seio, ou tu deitares no meu, disponível estarei para receber teus beijos fatigados, coados pelo tempo, aqui estarei quando o mundo não tiver mais paciência com a tua intolerância. Estarei aqui. Para ti. Responde-me e não te arrependerás nem do momento em que gastastes tempo e energia, nem da dúvida se validez haverá. Responde-me.

-

Eu não deveria alimentar nada por ela. Estava na igreja, tentava se realinhar, tinha deixado a vida que comecei a tentar hoje e por razão que desconheço, desistiu de viver aquela visa, em plenos jovens anos, reclusou-se para serviço da obra divina. E não deveria eu atiçar-lha a carne, perturba-lha a alma, desperta-lha o mal que tenta por fora. Não deveria sentir o que sinto, cantar quando penso nela, ou rir par teto de meu quaro quando deito na cama para descansar a alma, porque o corpo nem ligo, mas a alma é batida.

E ela está toda envolvida, faz seminário para conhecer mais da nova doutrina de vida, envolvida com os demais fervorosos, e eu, na carne latejante, como a saliva que escorre dos caninos de um bicho faminto, com o coração semelhante ao vôo da andorinha, eu a desejo.

Não deveria, não deveria, não deveria. Sim deveria livrar-me do tal pecado, do desejo vermelho e provocador, deveria apoiar-lha na luta que é estar nesse mundo e seguir passos estreitos como os dela. Deveria sim estar em concordância com as opiniões religiosas que tem.

Mas macho minha alma com o pegajoso pecado, negro e gosmento, que impregna e passa a tingir as vestes que procuram ser branqueadas por ela.

Desejo, com latejante querer, com sentimento pedinte e com súplica ao acaso, único mediador e possibilitante de tal situação torpe. Não deveria.

-

Calaram meus lábios, cansados de especular, cansou-se minha mente, divagosa em pensar, cansou-me as pernas, de andar lado a lado, doem meus osso, de tando me expor ao frio de te esperar, fatigou-me os olhos, te tanto que te procuraram, cansou-me os lábios, de tanto serem pressionados um contra o outro e os dentes de tanto mordê-los, fatigou-me o momento de tanto esperar.

E te vi. Andando pelas ruas, mas acompanhada. Aquele pobre ser que anda contigo não te merece. Este ser vil não vale o quinto que estais a oferecer ao mundo só com o teu olhar, e nem a décima parte do teu sorriso, quanto mais o teu abraço, o teu cheiro, os teus lábios, teu aperto, teu sussurro, o teu afago, o teu prensamento, o teu amor e tua atenção. Cansou-me todo corpo, menos meus sentimentos, porque ainda latejam.

-

Mas passou o tempo e já estais com outro ser, tão vil quanto o outro e desprezivelmente deveria trata-lo, mas não o farás, maldição de minha vida., pedra do meu caminho, discórdia minha. Talvez não valhas os que te acompanham.

E eu me torcendo em nós nunca dados, arrumando justificativa para tua indisponibilidade, droga do século.

-

E mais tempo passa e nada, não haverei de tocar o corpo, nem beijar-te com calma ou intensidade, nem de sentir teu bumbum frio enquanto corre minha mão sobre teu corpo deitado e nu, nem da barriga macia e teu seio, ou da tua cama quente, teu suor melado, teu gosto diferente, tua boca única, teu hálito curador, não haverei de sentir, mas aprendi a te ver sem receio, sem dor, sem martírio auto-provocado, e a amenidão areja minha alma, quando te vejo sorrir, ou te vejo a olhar, ô arejamento fagueiro, ô ressurreição das cinzas, ô emoção que foi te conhecer, amor imprevisível e desconhecido. Amor desprezível.

Vida e Poder

E se eu pudesse calar-me?
E se eu pudesse omitir-me dos teus?
E se eu pudesse fugir do normal?


Vida cansa, vida pára, vida continua, vida propaga,
Vida fatídica, vida cama, vida intermitente, vida tua,
Vida de cãibra, vida inspira, vida na cama, vida minha,
Vida nossa, vida destina, vida daquela, vida de dores nas costas
Vida que toma remédio, vida que melhora, vida que...


...


E se eu pudesse calar, omitir, fugir?

Vestimenta

Saí de casa, nu fui á loja
Comprei tua roupa,
Depois de experimentado e gostado,
Voltai às ruas


Divertida rua.
Fui a ela com tuas roupas,
E a reconheceram, observaram,
Não pararam de olhar
Roupas tuas,
Correram atrás de mim
E tomaram, tomaram tuas vestimentas de mim
Perceberam, não deixaram


Voltei á casa nu,
Despido é o que é estar com as tuas roupas
Quando pouco coloco-me nelas
Mais percebem e mais mudam-me
Nudez é está vestindo tuas roupas.

Rala Existência

Existência pequena
Notada quando se quando para o céu
Existência Ínfima
Frágil como foi barato

Existência pequena
Que transita entre desejo e realização
Existência calada
Sem tanta inspiração

Existência nula
Que muda na morte
Existência baixa
Sem tanta esperança

Existência tua, descrença,
Nua, desprovida de mais detalhes
Lineada, desprezada existência
Existência calada
Sem grandes ganhos

Existência nua
De vergonhas de fora
Irregulável, imiscível
Nula, xula, tua

terça-feira, 8 de julho de 2008

[cap. 15 ou 5 - Um pouco mais à frente]

O pequeno momento. Pequeno, mas único, douradamente salpicado de brilho, palpitante. Olhava ao redor perguntando ao coração quando pararia de bater tão forte como se fosse levar o corpo dela para fora. Mas estava ali.

Depois de sucessivos beijos que perderam e facilitaram o mais adiante, encontrava-se deitada na cama, ainda se perguntando. Mas o que era a situação para os olhos, aqueles olhos?

Era um simples toque que percorria o pudendo quente delicadamente, como a dança da língua nos beijos que estavam antes. A pequena estrutura nervosamente exacerbada era tão bem acatada, o óstio tão bem preenchido pelos dedos que ascendiam e descendiam, calmamente desejáveis. Aí veio o que a encabulou.

Houve apertos sucessivos no glúteo dela e depois o dedo, o mesmo que dominava a área anterior, passou a circunscrever o ânus, tão calmamente quanto antes, tão expressivamente. E a massagem ora intensificava, sendo que o dedo quase internalizava nela, ora era suave para ser sentido no meio das contrações produzidas ali.

O músculo com osso foi substituído pelo o sem, tão mole quanto a desinibição do momento, tão molhado quando os suores da ansiedade; que corriam deliberadamente, corriam em círculos e por horas, como o dedo, tentava adentrar na casa pela porta dos fundos.

Cansada das terminações primariamente feitas, vai para a segunda e distribui nela todo o sabor acre, duas que compartilham sob o imprescindível prazer pelos dois. Dois que lutam contra si, mas que perdem.

- Eu não consigo mais. - Não foi questionada. Ela virou para o lado, ainda molhada, não satisfeita.

[cap. 14 ou 4]

[cap. 4 ou 14]

Se correu, foi em velocidade mais lenta que a dos pensamentos escorrentos sobre si. Nas roupas masculinas, no constrangimento que poderia ter ao ser avistada por alguém que estivesse rodeando as proximidades, mas, considerando o espaço e o tempo, não passou por problemas tão humilhantes. Mas dali saiu, e, se aos passos, lentamente foi tentando organizar cada pedaço disperso na cabeça, devagar para classificá-los, devagar para separá-los, esforçosa para ajeitá-los.

Decerto haveria incertezas sobre o que poderia ser ao voltar a encontrar Luis, se o olharia nos olhos, ou ainda, se existiriam sorrisos intimidadores. E organizando cada pensamento. Seria Marcos uma lembrança constante? Ou calá-lo-ia aos sons dos beijos com Luis? Continuariam os pensamentos a perderem-se na digressividade e encontrarem, na vasculhação eterna, os sorrisos que eram ser mais dos um simples enrijecer de lábios? Estaria a relembrar a estaticidade do primeiro dentro da caixa envernizada?

Se continuasse a prender-se nesses momentos, que de passados já estavam se indo, não estaria aproveitando o que tinha se dado como solução: uma fuga inconseqüente. E isso a reavivou, calaram-se os murmúrios e os devaneios foram mais repensados, considerados uma experiência amenizada. Não tão magicamente, mas nos passos calmos que marcavam a noite, nos carros tímidos que atravessavam vez ou outra as ruas cálidas, na visualização da paisagem apagada, nos risos que dava ao observar os trajes que vestia, nas respirações que realizava, no silêncio que chegou pouco depois, e foi colhido pelo ar que concordou com tudo, e, no mais tardar, com mais experiências que viriam.

Apareceu no apartamento no com cara de quem poderia ter regido melhor. Foi bem acolhida pelo rapaz sincero nos beijos, esperava-lhe um jantar, numa mesa simples, preparada para almoços solitários, para jantares inexistentes, para desjejuns a dois, e só. Mas a comida cheirava bem, preparada por ele mesmo, desprezante das comidas a telefone, era caseira e de sabor, não duvidada fosse pelo cheiro. Luis a viu na soleira da porta com quem não queria nada demais, a não ser um simples olhar de afago, ou um riso, tão sóbrio.

- Vem. - disse. Nara levantou a cabeça vagarosamente, e havia, com a certeza que me disse no momento, uma simplicidade que já estava falando que o que tinha acontecido tinha sido, e só, um eventual descompasso. Aproximou-se da mesa e sentou-se, olhou no rosto e o encheu-se de riso puro, corou-lhe as maças, abaixou a cabeça, visualizou o prato e disse:
- Parece muito bom.- levou o garfo a boca e mudou a expressão enquanto saliva dolorosa enchia-lhe a boca, e completou: - Realmente está.

Queriam evitar qualquer conversa a respeito do acontecido, já tinha bastado as expressões, as telepatias, e tudo mais que puderam fazer sem o auxílio da palavra, mas Luis não evitou citar os trajes, estes que foram figurino de exposição urbana de Nara pouco tempo atrás.

- A gente vai na loja amanhã. As roupas devem estar confortáveis, mas não tão bonitas.
- Ah, eu gostei.- e riram da ironia.
- Não te preocupa com nada, a gente dá um jeito.
- Uhum - concordou, olhando um pouco abaixo dos olhos que antes descobria.

Terminaram de jantar, lavaram a louça juntos, falando um pouco acerca deles, um pouco de histórias recorrentes engraçadas, e mais um pouco. Preparam-se para dormir, desconcertados com o dia, porém mais aproximados, a conversa falada continuava sendo um jeito inocente de colocarem-se mais a conhecer. Nara foi ao cochonete fino com um travesseiro confortável, e Luis, talvez mais esperançoso por uma reconciliação vivaz, na sua cama, que era de casal, mas não queria constranger a menina obrigando-a a dormir ao seu lado logo numa primeira noite. Tentando dormir pensavam mais ainda; Nara gostava dele, porque Luis seria um solitário sustentável, tinha havido muita ofensa pelo dia turvo, seria mais normal o amanhã depois de acordado, conseguiriam esquecer e pôr para frente planos aos desejos, esqueceria Marcos hoje, abandonaria passado por uma, acreditaria em mais, estariam no mesmo barco, seria esse barco furado, e tantas outras questões que nunca ninguém se pôs a contar, pois qualquer desses cai na incerteza ao numerar um pensamento enquanto este se mescla com o sono vindouro que mais parece um pequeno cansaço do que um sono que duraria horas, e inesperadamente somem os pensamentos do consciente, calando-se para ouvirem os que foram ouvintes atentos durante o dia.

Acordaram. Não queriam levantar se da cama ou do cochonete, no caso de Nara. Mas ficaram parados. Olhando para o teto sem dizer palavra alguma. Nara fechou os olhos novamente e por alguns minutos ficou a pensar no dia que viria, o que seria desse dia. Ao abrir os olhos, viu que Luis a olhava, com cara serena, despeço na beleza que a garota possuía e riu-se mais uma vez com riso sereno, sincero e matinal. Nara não deixou retribui-lhe tal expressão e gostaria, por um momento calmo, estar ao seu lado, disposta ser abraçada por ele, acatada pelo calor que era estar próximo do rapaz. Mas calou-se para si mesma e o viu levantar da cama ir ao banheiro.

Ao sair do banheiro, foi à cozinha, preparar algum café, já era hábito cafés a dois naquela cozinha, porém só cafés , como foi dito antes. Durante a habilidade de Luis ao preparar o alimento que os satisfariam pela rápida manhã, Nara apareceu com cara lavada, sentou-se na mesa e o observou fazendo o trabalho. Ele estava sem blusa, e isso era o que enchia os olhos, detalhar mentalmente cada pedaço da barriga nivelada, mapear o braço ágil do garoto, o leve bronze que ameaçava a branca pele e o peito, acompanhado do peitoral, e "hum" gostaria de deitar naqueles peitos, afagado pela misericórdia de um garoto simples, sem tantas complicações, não tão aventurado em descobertas como o outro.

Serviu-lhe o café, na simpatia que não o deixava, e serenamente, pois esse adjetivo incessante não me para de martelar quando é falado no sereno rapaz, disse "Bom dia",

- Bom dia. - completou Nara ainda dispersa nos antigos pensamentos.
- Como foi a noite? - perguntou a pergunta de todos aqueles que são anfitriões, preocupados, ou não, com o bem estar dos hóspedes.
- Foi muito boa. Obrigada pelo acolhimento. Você não faz idéia do que é estar assim... - Luis nesse momento fez cara de quem gostaria de detalhes esclarecedores e que gostaria de poder ser mais presente na nova vida de Nara, porém ela o interrompeu das palavras não ditas: -... Meio solta pelo mundo.
- Ah eu sei sim.- E Nara não quis ser hipócrita e perguntar-lhe o que era estar solto pelo mundo.Mas ficou com isso na cabeça.

Deixou o pensamento preso enquanto colocavam a louça na pia, enquanto Nara se aprontava pra ir a loja com roupa de chegada, pois não deveria, poderia se possível, mas não, ir com as roupas largas, frouxas e desdenhosas do garoto; enquanto escovam os dentes, sendo que Nara, não havendo problema algum por Luis, usava a mesma escova do hospitaleiro; enquanto iam ao carro, enquanto entrava num enorme prédio lotado por lojas bem arrumadas e chamativas, aí sim, Nara deixou que os pensamentos voassem para que pousassem as variedades existentes.

Encantamento é o que enche mulheres quando se vêem dentro do lugar, e se , e não só se, tiverem dinheiro disponível para colocarem nelas a alegria de estar mais equipadas para as manhãs, as tardes, as noites, quando querem ser mais do que um belo corpo, mas um belo corpo numa bela vestimenta. Ali, o gosto de Nara foi desafiado pela variedade já citada.

Mas foram numa loja e de lá trouxeram umas calças bonitas e um riso de satisfação de Nara, e numa outra em blusas estavam boas e baratas, e em mais uma, pois coube-lhe bem o vestido amarelo, e mais noutra, pois precisa de acessórios, e noutra, que só Nara entrou, Luis, ficou a espreita desdenhosa, não era bem vistas mulheres comprando suas roupas íntimas ao lado de um rapaz; o confundiriam com um casal maníaco por fetiches, embora nem casal fossem. E mais numa loja em liquidação, valeria a pena entrar mesmo que somente para ver as ofertas. E saíram desta, Nara ao porte do sorriso que de tanto já dizer satisfação, disse agradecimento. Com o riso e os olhares cheios de gratidão puderam-se ver mais um pouco; aproximaram mais um pouco, detalharem-se mais um bocado, abraçarem mais um tanto, mas não beijaram-se. Não se tratava de uma garota que foi conquistada pelo poder de compra de um jovem rapaz ou pelo valor que ele possuía na sociedade, mesmo que este fosse um engenheiro bem pago e solteiro.


-Muito obrigado mesmo – disse Nara com júbilo disfarçado no tom de voz que gostaria de ser mais jubiloso. Andavam paralelo ás lojas, ainda, de vez em quando olhando para umas vitrines.
- De nada, não se preocupe com nada disso, tá? Esqueça qualquer problema. - disse Luis, na bondade que acreditava inexistente nas pessoas do mundo quando encontrou Nara na estrada. Olhou para o machucado que já tinha se aquietado mais na pele. Estava prestes a puxar um novo assunto discutivelmente produtivo quando, de um pulo rápido e habilidoso, entrou numa loja e tentou se esconder de alguém. Luis estranhado com a situação a seguiu e a encontrou desconfiada.
- Mais o que foi?
- Nada é só uma velha história?
- Velha... e viva?
- É um garoto lindo, mas só as garotas entendem o porquê. - dizia toda estranha.

Mas depois de o perigo passar, foram ao supermercado comprar escova para Nara e comida para dois. E deixaram passar o episódio estranho. Voltaram de carro para a casa, com várias palavras comentadas da manhã rápida, e outras como as de Luis dizendo que precisava ir ao trabalho naquele momento, perguntou se haveria problema para Nara de se virar sozinha, respondeu que não, e completou dizendo que tinha se atrasado a manhã inteira, mas que arranjaria jeito de justificar.

Parou na frente da casa e não puderam evitar um beijo rápido e inconsciente como se conhecessem fazia semanas. Nara entrou em casa com as compras, e os pensamentos sobre o rapaz, que tinham nascido no início da manhã voltaram a questioná-la. Porque haveria um homem desses, a solta pelas ruas, bem por se próprio e solteiro?

Pensou ainda no outro menino que viu, lembrou-se dos traços, mas não era nada para a dúvida que a perturbava sobre a procedência indigna e similar de Luis, ficou a pensar.

[cap. 13 ou 3]

Se não bastam as lineares paisagens que cercou-os durante toda a viagem, bastava então o silêncio típico do chão negro. Porque Nara estava sendo conduzida sem uma informação a respeito do moço, e o que adiantava pergunta-lhe se era ou não bom? De qualquer forma a ajuda ingênua do garoto foi uma solução fugas das decisões despreocupadas de Nara.

Vez ou outra ela o olhava, e evitavam olhares. Olhares de canto de vez em quando os intimidavam, sabiam que estavam se conhecendo pelo silêncio movimentoso dos olhos. Mas não se perdiam, sabiam separar cada sentimento ou ação que viria posteriormente, para evitar constrangimentos. Assim como também Nara sabia plantar sentimentos acerca do jovem rapaz, mesmo incerta do que poderia surge entre eles, ou ainda não sabendo se reciprocidade haveria, semeava. E, em relação ao garoto, estava somente pelos cantos dos olhos, e, por preocupação eminente, arriscava uns sorrisos amarelados tornados rosas.

De uma forma ou de outra, o que era a atração entre corpos de Newton? Subsídio da mecânica? Parte dela? Inquestionável lei macroscóspica? Ou simplesmente resultantes sentimentos de tais interações? Boa explicação para o que era aquela situação. Não no sentido atômico, mas no nível sentimental, se é que leis naturais podem ser usadas no instável ser sentimental.

Uns sentimentos de lá e outros de cá, era o que poderia se dizer no momento em que Nara estava na frente do pequeno prédio, submetida á experiência dela própria, esperando que esta seja uma de semanas, e quase preparada para o que poderia virar verdade a partir de hipóteses. Avançando em direção próxima do prédio, a pouco da entrada sem porteiro algum, estancou paralisada pelo medo. Mas se a expressão desenha esses momentos, a dela era contemplada pelo chão.

- O que foi?
- Eu não sei aonde eu tô indo. - disse ao revelar a expressão indefinível
- Você nunca saberá se não for.
- Tenho medo do que poderá vir.
- Você não precisa desse medo.
- O que garante que a segurança estará lá ou mesmo que coragem eu vou ter?
- Você confiando, basta somente.
- Você poderia me abraçar?

Abraçaram-se por dois minutos. Se a significância do desejo similar a esse tivesse mantida, diríamos que era o agradecimento com o medo, que é o mesmo que a incerteza que se arrisca. Mas por obra da homeostase, ou do próprio ser, não, mudou.

- Mais forte - Nara sussurrou e sentiu mais intensidade do abraço. - Mais forte - repetiu. Passou a mão nas costas de Luis, era bom o sentir junto, perto, não-sozinha, sentia o cheiro que esvaía em cada suspirada. Gostaria mesmo de entrar naquele corpo, e passou o tempo necessário até se sentir segura o bastante para voltar para o mundo, para a realidade, para a vida latejante. Não o largaria, aproveitaria a eternidade do tempo para se sentir segura, viva, nele, para ele.
- Não precisa ter medo - e desabraçou quando não teve mais força.

Prosseguiu até a porta, adentrou no pequeno hall, subiu as escadas, já que elevadores eram desnecessários para um de três andares, e foi ao apartamento acompanhada de Luis e só, sem roupas, malas, ou lembranças vivas do dia em que a pólvora amassada vez barulho bastante para acordar a morte, ou ainda, o barulho do metal ao ser retirado de cima da penteadeira e, depois, já sem barulho, atingindo a garganta de uma velha esperança, e mais um pouco, o senhor que se despediu em uns poucos gemidos e encontrou o céu nas águas não claras das redondezas.

Entrou no apartamento. Era necessário, nem demais para um garoto que se virava sem as custas dos pais, quase um enclave, nem pouco para um solteiro desinibido. Branco, com dois quartos, duas salas, cozinhas, dois banheiros. Já que não tinha malas, Nara só ficou olhando o lugar; nem ouviu frases como "deixa tudo aí depois arruma", " olha coloca tuas coisas aqui", mas isso não foi problema para a gentil garota que quando viu-se pressionada pela situação riu-se e,com a gentileza sua, não o fez ficar desconcertado.

Mas eram os constrangimentos que deveriam reger o momento, e deixá-los sem palavras. Luis ofereceu toalha e um short e blusa para que Nara pudesse se sentir mais confortável. Depois dos atos de higiene Nara ficou observando o céu, enquanto Luis ajeitava coisa e outra, perguntando-se se solução haveria sair, mudar de rumo, para que pudesse esquecer um pouco do leve sorriso do passado, mas ainda crente que poderia ser uma oportunidade em que haveria de botar fora o velho fantasma M. E interrompeu tal pensamento para ouvir os passos calmos de Luis, para imaginar os pés que, pressionados contra o chão, levantavam barulho sereno, e o seu pé, digna obra grega, de idealização, que latejou sobre a cabeça dela. Passou por ela e deu um sorrisinho que a encantou, mesmo atentada pelas velhas lembranças, um sorriso era o que precisa ou mais.

Ele exercia nela uma perda com o mundo exterior, quase que rapidamente ela mergulhava na realidade criada, na imaginação inventivamente perdida. Continuava a imaginar cada detalhe como se fossem pertinentemente doces, queridos, únicos. Permanecia, ás vezes sem entender aonde aquilo a levaria, mais continuava.

Então, ele vinha e se sentava á frente dela, concentrado. Perturbada, tentava unir o segmento que ligava os olhos dela aos olhos dele. Avançava sobre ele e sentavam-se frente a frente, ela em cima de suas coxas. Novamente se olhavam, admiravam não-receosamente os detalhes corridos dos rostos. Aproximavam-se as faces e beijavam-se, no mais calmo ritmo, no mais profundo compasso. Continuavam por minutos.

Então ela poderia avançar com sua mão sobre o corpo dele, essa mão atravessa a calça e depois toca delicadamente o copulador. O ritmo do toque avança, o do beijo também. Logo ele tira a blusa e ela coloca delicadamente seus quentes lábios sobre os mamilos dele, ainda com o ritmo de antes. Um pouco depois tira a calça, não dava para vê-lo nu, está escuro.

E vasculha cada centímetro do corpo dele e encontra seu pênis, o manipula delicadamente, depois pressiona a glande contra a sua mão sucessivas vezes, o ouvi fungar, pressiona com mais força, e com outra mão faz movimentos opostos, ascendente e descendente, começando devagar e acelerando uniformemente. Continua assim até sentir um líquido quente obre sua mão e sobre seu rosto.

Voltaram a se beijar, mais rapidamente. E logo ele se volta para ela e começa a explorá-la.

- O que foi?
- Hum?
- Ah. nada eu só tava pensando aqui.
- Você tava com uma cara meio...
- Ah não, não é nada.
- Me ajuda aqui.
- Sim, claro.
- A cama está numa posição que não dá pra colocar cochonete pra ti.
- Aqui?
- Olha puxa pra aquele lado que eu puxo pra cá. Preparada? Já?
- Pronto.

Os dois caíram na cama e ficaram admirando o teto branco, repentinamente viraram um de cara para o outro. Ele riu o riso sereno, Nara não conteve o dela.

- Eu te olharia por um século. - disse Nara. Ele olhou para ela , riram-se aproximaram-se e beijaram-se. Nara o abraçou, desceu a mão pelas costas e parou no quadril dele. Mas ele prosseguiu o movimento direcionando a mão dela para o rijo pênis, isso a levou para o seu quarto momentos antes de ter a surpresa materna. Recuou.

- Não eu não posso. Saiu do quarto correndo.
- Ei, não, desculpa, se eu passei dos limites.

Nara saiu do apartamento e ficou desaparecida por horas.