domingo, 31 de janeiro de 2010

A questão do acaso

(Este texto é continuação de “Dos Infláveis”)

Estava ficando velho e ai esquecendo-se do que gostava, dos sorrisos que dava ao fazer o que de coração sincero antes fazia, da satisfação de voltar pra casa cansado por ter trabalhado quase incansavelmente no que o inspirava, da seriedade que tomava ao começar, e da forma afável que tudo isso vinha a si, como um encontro perfeito de idéias similares que em progressão vão continuando segundo após segundo, minuto após minuto, hora após hora, até que os dias se encham e seja ele mesmo o que sempre quis. Mas o bloqueio de fluxo. O bloqueio de fluxo. Bloqueio. Porque de fluxo são feitas as coisas, de uma forma tão genérica como a criação, de uma forma simples como a transito de energia que sai de um lugar, guardada pelas propriedades de onde estava armazenada, até um outro, com propriedades tão diferenças e tão semelhantes, e mais outras e outras, e outras. Mas o bloqueio. O bloqueio de fluxo. O que naturalmente explode como uma represa insustentável pelo peso acumulado da água. Porque nada pára. Nada. A estaticidade é um momento efêmero que cabe na razão em vê-la ali porser visível demais e só.

Pois, agora, no sol morno, olhava o acontecer do dia. Suspirava vazio. Suspirava por era a última lembrança do necessário. Queria arrumar as malas, com as poucas roupas que tinha, e sair dali, porque estava tão farto, numa viagem como presente dele para a sanidade que ia esgotando. Esgotando. E esgotando. Das vezes que esteve à beira de um ataque de gritos e loucuras, sorriu. Sorriu para mostrar a identidade do que queriam ver. Sabia da forma exata o que as pessoas queriam ver. Sabia exatamente como deixá-las confortáveis, como tratá-las da forma que mereciam, pois via através do que a direcionava, os olhos eram bem claros em mostrar isso, e de como se expressavam era quase que confirmador, mas sabia isso intuitivamente, não tinha um domínio de trazer a uma classificação exata das poucas horas que passava perto das pessoas, até porque cria em si que eram todas cheias das surpresas agradáveis e desagradáveis dos humanos, e não classificava a esse ponto por que não necessitava, se com aquilo pouco conseguia tirar e recolocar de volta o que via nas pessoas com quem estava, não haveria razão de classificá-las num papel e marcar características importantes, das histórias importantes, das expressões importantes como um terapeuta.

Esgotava-se com as responsabilidades que sabia que tinha para a importância que dava a esses seres os quais amava solicitamente, solenemente, diria. E por entender e por estar tão claramente essas intenções e respondê-las quase instantaneamente estava como numa pedra a esmagar-lhe a alma - ao envelhecer essas associações vão se tornando tão enraizadas que uma hora não se sabe mais aonde cortar o que do lado veio e misturou-se por associação. Sim, por essa vulnerabilidade estava como a deixar várias e várias e várias partes de todos os que amava a entrar dentro de si próprio - Mas isso não é amar a si, diriam. Estava numa sobrevivência. Numa sobrevivência onde o acaso é uma partícula fértil de disseminação de idéias, valores, tradições para lidar com. Lidar com o acaso seria a razão de tudo. Tudo mesmo. E dessa forma genérica vai-se partindo para o particular até que quase esqueçamos de onde realmente veio a vontade e a força em lidar com o que envolve sentimentalmente o agora.

Lidar com o acaso. Ponto. Achamos nossas respostas. Ou parte delas, porque a entendia também da forma que a humanidade lidava com isto. E das criações absurdas que possuíam. Não queria entrar no mérito da religião porque tinha já tentado, foi a cultos, orava, lia o que deveria ser lido, fazia promessas, mas isso não deletou de dentro de si a inquietação de ter que lidar com diversas questões filhas daquela. Não sabia que tinha lidar com o acasom, na verdade. Não sabia. Achava que estava nos sentimentos. Lidar com os sentimentos que o abatiam, e com os pensamentos que pesavam tanto. E assim, estava atônito!

Deveria, como ouvia sempre, render-se logo, largar o orgulho e tomar de volta as religiões. Sim. Não, não queria. Observa a armadilha que se tornava deixar tão exposto e vulnerável a essa idéias, se permitiam tanto que hora ou outra estariam escondidos por tantas regras, regras e mais regras. Até que esqueceriam de si para finalmente estarem a par com o acaso. E pasme, não era que estava assim, mesmo sendo solto das religiões, desacreditado desses métodos. Estava envolvido nos outros! Tinha lançado-se a eles e agora preso. Preso nos formalismo, nas opiniões alheias, nas opiniões de uma sociedade supeficial.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dos infláveis

Porque havia dúvida de tudo - do que deveria ser feito, e o que deve ser feito era um tormento na forma exagerada que respondia, acima de tudo, uma alma acesa, mas morta, de cores florescentes e o florescente era a única sobra expressiva de vida. Mas um florescente cinza, que brilha bem ao preto e ao branco, que atrai em si o preto e branco, porque cada sentimento atrai em si certa iluminação do interior vivaz nosso.

Agressividade era sentida de fora, porque de dentro de si havia uma aceitação triste do que era, mas não de forma não consciente, sabia do que passava, mas entendem o que é um paralisante estado estático em si, mas corrido em pensamentos, todos sabem, diziam todos, porque se todos falam deve ser algo bem corriqueiro tirado da beleza, que deveria, ter pela rotina em transforma as coisas desprezíveis.

Dai andava pela cidade nos cantos que achava calmo, nos lugares de um silêncio eventual por que naquele tempo era o que fazia sentir-se bem. Metais e concretos, ai, estava fadado, sufocando-o como quando o questionavam sobre posições mal pensadas, por que de reflexão sabia, montava raciocínios bem simples, que enchiam a barriga por um período em que o vazio assustava mais que o risoriamente básico, porque a sobrevivência é um caso a parte, a parte do que disseram ser humano e próprio.

E um peso tão desconfortável, não sabia até que ponto um ser humano vivia com preocupação, tão cheio que um dia espocaria dentro de si e seria como uma alma murcha dentro de uma caixa que um dia deterioraria, porque os sentidos faltavam, as ações tinham perdido a intenção, assim como o de si de estava perdido no nada.

Pois desejou morrer, sim, desejou morrer, mas se matar era um grande passo, espera mesmo era que algo como um desastre natural o acertasse numa hora tão inesperada na mesma sorte que um dia acertou vários na loteria, porque, estava certo que eram situações igualmente aleatórias; da mesma forma que às vezes desejava viver tão bravamente quando finalmente sentia algo e isso o perturbava - porque não tinha o controle de se deixar permitir ser levado em existência pelo que gostava, pela paixão, acreditava que era na verdade questão de se cansar de tudo bem rapidamente, e isso era verdade - gostava de novas associações da mesma forma que estabilizava demais quando se cansava de uma, associações as quais não sabia desenvolver num sentindo longo, talvez por entendê-las tão rapidamente perdia o interesse no novo. Ah, o novo, a ressurreição, a vida e morte; assim mesmo, amado numa equação em que o primeiro é a soma, ou a multiplicação, ou a fatoração, ou alguma operação mais complexa que for das três últimas. Pois suspirou - amava de fato a existência das coisas novas, mas o tempo não lhe deixava pegá-las assim, tão rapidamente quando a percepção do que mais tarde fatigá-lo-ia. É uma questão de grande descompasso e de tanta verdade que um medo de expor possa ser a morte de um mistério que talvez acabe e daí o medo de encontrar um novo, se desgastar-se é importante para que o trio resulte em novo porque não, por um hoje, simplesmente deixar de preocupação e como algo inflado de ar preso a ao chão finalmente se solte até que chegue bem alto e exploda para que volte a terra e em pequenos pedaços e renasça depois novamente e fique nesse clico de onde um ou mais seres humanos entendam da brevidade e da vivência das coisas, hum?

sábado, 23 de janeiro de 2010

Curto pensamento

Ele tinha uma imposição em si, um olhar sério e uma expressão triste de tanto vivido no que acreditava, de dois relacionamentos longos e sérios num mundo de valores efêmeros e toques ligeiros, de desejos corridos, acreditava em si da força do viver, do valor da experiência da vivência dela no acreditado. Dizia com as palavras mais rigidamente fortes “Vivi o que quis e não me arrependi”. Mas agora anunciava que tinha medido os pés pelas mãos por ter tomado de volta os negócios da família em Belém, algo que repudiava pelo trabalho maçantemente chato a ser feito com os clientes da rotina de raras exceções, de cuidados extremos. Causava uma impressão pela solidão expressa dos olhos, estava e não entendia os porquês. Antes de mais nada – estava cansado da geração que o sucedera – da juventude solta de compromissos, obstinada em viver um pequeno momento indefinido neles mesmos porque não haviam sentidos impressionáveis, e que havia se afastava como neblina aos primeiros raios quentes de sol coordenadamente – o valor das idéias aplicadas no passado já não surtiam efeito de condolências – e o atingia no peito isto, bem no centro como um soco que leva o ar. E como achava ridículo ver homens se transformando em seres espalhafatosamente afeminados, irritava-se profundamente causando um nojo tão inquietante dentro de si transformado em uma uma repulsa racional das atitudes deles, trazendo certo dentro de si que se vive o que se acredita sem precisar sair aos gritos e aos horrores pelas ruas. Aonde estávamos quando nasceu? Num passado de um fato histórico importante? Era século XX, o que mais esperar? E dos pais que o trouxeram até o agora? Nada sei, não ousou contar nada, pois passava de si uma idéia independente disto e provavelmente cito por amor aos que me trouxeram ou por simples interesse freudiano em reconhecer as influências deles.
Mas o pior já havia passado. Teve amigos que o abanadonaram, mudanças em países, Estados, cidades. Tinha morado na Espanha – Oh, como gostaria de conhecer a Espanha – morado em Portugal, Lisboa, Coimbra, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Macapá, Belém – não suportava essa última cidade pela temperatura, família, trabalho e a limitação dela própria. Mas já estava por aqui e por interesse justificava que há coisas em si que não mudam “Você anda cima-baixo e volta para o mesmo lugar!” dito do orgulho preso a tão boba afirmação, pois o morrer não é fácil quando se pensa que já se viveu tanto; e o tempo para se sentir satisfeito é grande.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Por solidão de um silêncio que chama

Sentia-se só, e como consolo de si mesmo ficava parado em estaticidade silenciosa esperando que de algum modo aquele sentimento sumisse da mesma forma que tinha chegado, da forma efêmera que tinha em comunicar-se com os demais, mas não se trata de solidão, e esse assunto já me cansa por si próprio e já se fala tanto, como pressuposto de nossa existência desses dias em que o tempo é nosso inimigo e nossas relações tão rápidas quanto as mudanças que ocorrem diariamente todos fazendo parte de todo, unidos por informações que não correspondem necessariamente a todos, e da forma como somos mergulhados em uma perspectiva de outros, de umz empresa, de uma comunicação de massa, sem ao menos por si próprio julgar o que ocorre, - necessariamente ocorre? -, não gosto da forma passiva como são vistas as pessoas como se fossem vitimas de um mundo imutável e coadjuvantes de nós mesmos, deveria levantar, a rotina me cansa aqui no meio porque ainda não consegui encontrar nela beleza, tratando-a nesse meio tempo como uma bela arte que por minha experiência não a reconheça, e como nada se pára do nada porque não há beleza, como certos casamentos empurrados com o tempo e com a indisposição das vontades e do esquecimento do amor, me bate um desespero de não saber ao certo por onde se vai em humanos tão inertes desconhecidos da natureza bela e trágica que a qual mal conheço de mim mesmo porque a palidez me tomou conta enquanto eu tentava idealizar uma existência perfeita, sabendo lá dentro que nunca existiu e nunca existirá, por isso me recolho sobre mim mesmo e tento rir na hora em que a vida e os seres estão abertos para isso, até que a preocupação de fazer isto perfeitamente me toma a vida como direito dela em retirar o que é dos outros nem sendo dela, e não há pílula que diminua, e de treino estou farto porque estou parado em preocupações e arrasto minha vida sobre obrigações. Talvez ele seja eu, e eu seja alguém que entenda por empatia a complicação de nossa própria mente, não consigo pensar em ação alguma, então fico a ouvir o que os outros falam para que me inspire das histórias da personalidade deles, até que essa empatia se torne superidentificação e eu passe acreditar que eu seja quem fala.

Essa palavras me enchem a vida, a qual ainda não descobri por minhas pernas, assim ouço músicas de seres que nada mais sabem da vida a não ser vivê-las de seu próprio modo. Viver de meu próprio modo. Alguém me ensina? Medo de errar: alguém retira? Chega-se a um ponto em que a dúvida suplanta a ação, e tudo o que dela poderia por influencia em outros resultar. Essas preocupações tiram de mim a beleza existencial, e quase impossível é não remeter-me a minha infância - com o que haveria de me preocupar senão viver exatamente o que queria sobre repreensões de outros por vezes, nada mais há aqui, aqui jaz um morto que não pensa, que não vive, que definha trancado num quarto - odeio tanto tudo isso e a sociedade em que me encontro. Não adiantaria racionalizar tudo e por entendimento calar dentro o ódio que tenho de não viver meu verdadeiro eu, e tentar livrar-me da ferida que diz que sempre há alguém me observando ser perfeito, ser exato, ser constante, tenho medo de chegar mais tarde e ver que fui um projeção inexata de mim mesmo, e ver que vida nunca ouve eu, mas projeções e projeções por cima de projeções, sou um ser medroso em essência que tenta descobrir a vida por intuição e experimentalismo quando saio daqui - tudo por querer fazer outros satisfeitos.

- Eles nunca vão estar, não adianta o quanto se faz - nunca estarão - devotarás a tua alma pra esse objetivo e morrerás de estresse por nada mais ver de cor em tua própria vida, as pessoas querem a mesma complicações delas próprias e desculpa avisar-te - é foda.

- Não entendes o que eles significam pra mim, eu os amo a ponto de sacrificar-me por eles, e vejo tudo o que fazem e tento deixá-los confortáveis.

- Então eles são seres humanos excepcionais pra receberam tal tratamento.

- Não, não, eu queria que fossem, eles são tão desentendidos de si mesmo, tão desesperados pelos silêncios das emoções que nunca foram trabalhas pela consciência deles.

- E porque, então, te dispõe a tratá-los como se fossem merecedores de tanto belo tratamento?

- Porque vejo humanidade neles.

- Quando verás a tua?

- Talvez no dia em que eles morrem, Eu não sei ver o que sou, não consigo, entendo comigo mesmo que faço tudo isso pra ganhar um tanto de atenção deles, e disso sinto uma insatisfação enorme - será que vai a questão da minha existência - querer algo por mim mesmo - conversar durante anos em cima de algo que é tão cíclico?

- Um dia eu ouvi uma música que dizia que a vida te coloca em ciclos até que te rendas e largue do teu orgulho.

- Mas disso não entendo - eu calo meu orgulho pra vê-los bem. Eu calo-me pra vê-los orgulhosos.

- Não calas por ti mesmo, na verdade nem vês eles - vês tu - vês que estais sozinho e isso te desespera - passa, então, a chamar-lhes atenção pra que nunca ficas só de ti mesmo - e mesmo no silêncio do teu quarto não estais contigo - tás com eles dentro de ti, estais imaginando o que eles querem de ti para que possas dar. Lamento em te dizer - estais só, e a tua vida corre por entre tua existência, não a percebes passar por que nunca prestas atenção nela, isso está a ir rapidamente e quando finalmente - ainda estarás sozinho no teu último segundo, tu e tua estrutura neurológica, e nem tua sinapses vão poder captar algo que elimine ao todo essa sensação de quem estás só até que percebas que és pra ti o necessário de ti mesmo e que nada mais importa do que viveres o que podes pra ti mesmo, pra que sinta bem consigo mesmo pra ti mesmo, não para os outros - qualquer falsificação disso vai cansar a vida, e isto será pra ti um fardo. Não esperas por eles na tua existência - nunca haverá cura ali.