quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desejo, vontade, inconstante, ela, insanidade...

Eu queria que ela tivesse agido mais friamente e que tivesse desconsiderado cada palavra. Eu queria que ela não tivesse feito carinho na minha cabeça, que não tivesse rido e me entendido, não tivesse me abraçado, não tivesse continuado. Mas ela fez tudo tão delicadamente importada com meu sentimento, e fez agradavelmente tentando não me deixar constrangido. Se foi o lugar, o riacho belo e cristalino, a areia clara, a floresta pouco afastada, as enormes árvores e o clima, que a inspirou a entender e se importar, não sei, mas na grama que estávamos sentados olhávamo-nos de vez em quando rindo e evitando-nos, eu contei o que sentia, com o coração na mão que escorregava ameaçando cair no chão das minhas mãos suadas e tremidas. Eu disse. Que estava apaixonado por ela. Acabadamente ali, eu me rendia a um sentimento fugas, me libertava da vergonha, com coração num aperto súbito, disse.

E agora eu pergunto por que ela não me beijou, não me levou para o meio do mato e passou a mão em todo o meu corpo, não me olhou maliciosamente nos olhos, não me beijou com força, não me tocou. Porquê vem na minha cabeça porque não compreendo de onde vem tanta gentileza e atenção, eu sei que ela não abriria mão da religiosidade dela, nem cairia em pecado outra vez, porque antes saía a beijar lábios de homens e fazia com prazer, e ainda hoje recebia declarações dos outros e ainda era assediada por estes.

Por favor, não me trata desse jeito, não me entende, diz que odeia e que a nossa amizade foi só mais um momento da vida, diz que me odeia e põe fim nisso, não faz nada de bom, me chama de pobre coitado que senti isso. Acaba-me. Vai achar teu caminho que é longe do meu, procura tua terra e vive nela, porque nunca haveremos de juntar as nossas, nunca haveremos de ser um. Eu quero que não rias mais para mim, nem me dirige uma palavra, eu quero que não me abraces, eu quero que não me ligue, que não me encontres, que não veja em mim amizade, que não aperte minha mão, que não trate bem, eu quero que não me considere, porque sou fraco, não saberei olhar para tua face sem rir serenamente, sem que meus olhos brilhem, sem que eu sue, sou fraco quando te vejo, quando sinto teu cheiro, quando imagino tu em minha mente, sou um pecador quando estou perto da tua sanidade, da tua santidade, nem sei ao certo se quero o paraíso quando vejo tua cara de curiosa, nem sei se quero de verdade a verdade que sempre falas, eu não sei o que eu quero quando te vejo.

E ainda diz que quer me ajudar a sair desse poço de tentáculos com espinhos que a qualquer movimento sou machucado, eu tentei ser amigo teu, teu companheiro, mas tu não ajudas, tu nem sequer mantém distância, pois deita tua cabeça minha perna, encostas teu antebraço no meu, faz graça, tu és inocente demais e nem percebes nada. És pura no que fazes e vê e eu sou impuro quando penso em ti. Tira-me dos teus planos e continua tua vida, continua tua estrada, na tua perseverança.

Eu pensei que seria um alívio emocional contar a verdade desnuda, pensei que ao dizer “eu estou apaixonado por ti” faria as coisas mais fáceis, eu pensei que seria até mágico. Não foi, pois no momento parte de mim dizia “beija-a”, “abraça-a”, “a deixa chegar mais perto” e outra dizia “Estais vendo? Não é melhor assim? Todo mundo no seu respectivo lugar, fazendo afazeres corretos”. E eu tentando me alinhar a uma verdade.

Não deu certo porque eu estou aqui, tentado me entender, tentado descobrir solução para um problema de nuance amizade/amor, eu estou tentando achar resposta para um sentimento que perturba até o melhor dos dias, que acaba com minhas esperanças, que me tranca num porão úmido e fétido, que me isola do resto palpável, que me interrompe quando tento produzir, eu sou o mais afetado nessa história sem alinho, eu sou o que vai para o canto chorar, eu que fico jogado no chão, eu que reflito sobre o futuro, que sofre com expectativas, sou eu o que se segura quando quer beijá-la, sou eu o que ouve as negações que ela diz, eu que escuto a voz, eu que sinto o cheiro quando a abraço, é em mim que dói quando chego em casa e não posso mais vê-la, sou eu o que tenta fazer força para tirar fora, sou eu que tenho que dar meu jeito com esse sentimento, e sei que ficar reclamando sobre não vai dar em nada, e que ninguém vai ouvir e dizer que vai tirar para mim, essa lamentação vem porque não sei lidar gentilmente com a paixão e nem inteligente com o amor.

Eu queria... Eu queria tanto, da vida, dela, dos momentos, dos beijos, dos aconchegos, eu queria tanto, e se mais pudessem me dar, mais eu receberia e mais pediria, porque são vontades que não descansam nem nos sonhos. Eu quero antes que o sol de despida e a brisa passe, antes que o universo envelheça eu a quero. Antes de tudo eu ainda a quero.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Confissões, esperanças, desesperanças, ou sei lá.

Isso porque eu não quero vê-la, nem ao menos ser vítima e sorriso mal dado, ou ainda um abraço fraco, eu não quero vê-la porque, certamente, não saberei até onde poderei ser gentil e omisso de tudo o que sinto ou gostaria de sentir com ela. É complicado encarar a realidade branda dessa situação, ela aparece, faz cara de boba, de inocente, de desconhecedora, e eu, tenho que parar no momento que quero dizer mais. Dizer mais de tudo sobre mim, sobre meus planos, sobre minha vida, sobre minha opinião, sobre ela, e ouvir, sobre a vida, planos, opiniões dela.

Simplesmente porque me deixo ir, me deixo levar pelos pensamentos bobos, que parecem não dizerem nada, não contribuírem em nada, mas, no final, acabo sendo acertado pelo sentimento massacrador, aquele aperto de mal-estar, aquela dor de não poder estar ao lado, de prosseguir, de fazer valer mais do que uma amizade, no final, tudo acaba com eu chamando palavrões, xingando-a no silêncio, fazendo confissões para o teto, admirando a imagem na minha mente. Eu me arrisco por pensamentos, me deixo sofrer, me deixo calar, me deixo levar.

Se ela pudesse levar-me não valeria a pena, ele parece interesseira, barganhadora, falsa, a amizade, que está sendo desenvolvida entre nós, não parece amizade, mas um punhado de interesses fracos, ralos, que o tempo dirá irreversível, nada de bom partido, nada de boa pessoa. Mesmo eu a julgando de primeiras vistas, eu ainda acho que a nuance da escolha que tem que ser feita é o melhor, mesmo que essa me leve a um momento de pesar grande.

Sim, eu gostaria que o sentimento fosse embora, e que meu coração fosse um, somente focado em meus planos, em minha carreira, em minha história. Nem adiantaria ficar perguntando porque fica-se assim, ou porque ainda estou assim, não adiantaria seguir um clichê para achar uma solução batida, que mal serve para os outros.

É terrível ter que sentir, é massacrante ter que viver esses passos, ter que abandonar esses sentimentos, ter que ir em frente desprezando efeitos posteriores, é terrível ter que continuar e não parar junto a ela, para ouvir histórias, rir de besteira, dormir junto, bem próximos, olhá-la por horas com devida permissão, deixá-la me abraçar, sentir-la perto, ouvir a movimento do miocárdio com meus ouvido no peito dela, é frustrante ter que assumir essa culpa de não informá-la sobre o que sinto e seguir em frente como se ela fosse um objeto que me apeguei de hora uma pra outra, sem permissão, sem justificativa, transformá-la em uma fase que mais tarde perderá o vermelho e empalidecerá para os tempos, que tornar-se-á um momento de imaturidade adolescente. É terrível fazê-la mais uma.

Por conselho amigo eu deveria fazer isso, com urgência, deixá-la, não deixar-me, substituir pensamentos sobre ela, e calar-me como se fosse tão normal sentir isso, desconsiderando minha fraqueza de idade, desconsiderado minha apagada esperança pelo amor, desconsiderando meu pequeno arco de acreditar que ser humano algum pode me fazer um pouquinho mais feliz, como se eu fosse uma máquina desentimentada, com excelente produtividade.

Mas de resto digo: eu poderia amá-la, eu poderia aturá-la pelo tempo que fosse, mesmo quando ela estivesse com problemas financeiros, ou com falta de saúde, ou com vontade de desistir da vida e de tudo, eu poderia aturá-la quando suas palavras já não tivesse a energia juvenil, e sua força estivesse indo com os anos, eu poderia aturá-la enquanto as rugas vão mapeando seu rosto, quando não estiver mais tão para mim, ou quando o silêncio bastar por um dia, eu poderia estar ao lado dela, não importasse o que é, o que foi, ou o poderia ser.

Mas olha, atenta para frente, enxerga teu futuro, haverá de ter um momento tão bom quando esse com uma pessoa melhor, com maturidade crescida, olha para frente e vê, tempos bons são feitos por nós, que colocamos esperança no amanhã sem ao menos viver bem o hoje, olha lá, estais a ver aquele ponto colorido que parece uma festa, que se ouvi grande barulho, que se pode deduzir melhores momentos, é ali que estarás, ou estarei, naquele momento em que poderei estar mais presente, que poderei estar mais feliz, menos cabeça dura, lá na frente poderei dizer mais vivamente, poderei segurar com mais força tu em meus braços, poderei ser mais atraente sentimentalmente do que sou, ali sim, é ali o lugar , é esperar, porque, ali, poderei dizer sem medo, ou sem receio, ou sem sofrimento, mas com força, graça e vida, ali poderei dizer com o brilho mais intenso dos meus olhos, com o sorriso mais sincero do meu rosto, com júbilo mais alegre desses tempos, com sensibilidade maior, ali poderei dizer eloqüentemente "eu te amo", e rir do bons tempos, mas ali, espera só!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Amor desprezivel

Talvez minhas paixões tenham sido somente pequenos sentimentos

E minhas teorias sobre estas se detiveram num plano oculto

um único olhar me bastava, me acabava.

Talvez haja um pouco de luz lá fora,

talvez haja um sorriso e talvez seja eterno,

ou tão limitado como o talvez.



É sobre ela. E todos os momentos que passei naquele lado, ao lado dela, como se o olhar que dava fosse mais importante que minha respiração, como se o sorriso fosse mais importante que as minhas sensações. Desistência eterna enche-me com fúria ao toque daquele olhar, a moralidade à segundo plano, bons costumes em evasão. È ela.

É ela ao olhar, é ela ao sorrir, é ela ao tocar. Ô abraço calmo, simples e distinto, ô aperto de mão fraco e caloroso, ô palavras que ricocheteiam alto, ô beleza efêmera.

Se houvesse o amanhã nascente seria ao lado dela, no levantar laranja do sol, rindo aos ares úmidos, falando de bobagens, mas ao lado dela.

Ô desprezo que tenho ao senti-la, desprezo ao mundo, corrido passante.

Cheguei ao encontro social e lá estava ela, nos risos cativos, com chama nos olhos, e todo mundo se apresentando, expondo planos, contando histórias, e eu, nada queria, estava a admirar beleza – aquela. E se em um momento rimos juntos foi porque o acaso nos aproximou e nos apresentou, bendito sejas tu acaso necessário.

Assim a conheci, assim continuarei a vê-la, alegre dos fatos, educada das situações, presença eterna. E continua sendo sobre ela, e continuará a ser.

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Porque meu sorriso não adiantou, cheguei em casa perturbado. Nunca haveria de sentir em toda a minha vida aquele momento, e se soubesse que era rápido teria chegado mais perto, falado mais, comunicado mais, seja pelos meus olhos, seja pelos músculos de minha boca.

Descontinuidade louca, que foi sentando, intermitência cessante, sentimento indeciso. Estais a perturbar-me como fazes aos crédulos, e se me esquecesse estaria na paz de espírito.

E o que haveria se eu a beijasse? Com beijo intenso arrancado de fúria, marcado de pressa? O que haveria se eu a abraçasse por cinco minutos? Deitaria a minha cabeça nos ombros e depois beijaria seu pescoço? Haveria lágrima de emoção? Olhá-la-ia bem próximos aos olhos? Encher-me-ia de coragem heróica?

Respostas que são dadas ao vê-la em minha mente, que de sã ai se com os devaneios sobre ela. Pobre coração caído, pobre disperção sentimental, pobre situação irreal.

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Ela, ela, ela e só. Levanta-te sentimento, mostra as tuas idéias, vive a tua proposta. Decide-te antes que eu te abafe com nojo de te ver maltratando-me.

Porque só dela falas e só dela argumenta, e teus argumentos tem sido fortes; aperta-me o coração, acelera-o sem alinho, sua-me a testa, cala meus pensamentos.

E admito, porque do orgulho me desfiz depois de tê-la visto, rendo-me enquanto esperança a razão tua irmã ainda mantém.

Esperança e irrealidade são irmãs tão próximas que quando mais ajuntadas podem transmutasse, uma que torna a outra realidade, outra que deforma a outra em incredulidade. Perto são como quem brigam pelo mesmo objetivo e que não descansam até haver vitória de uma. Decidam-se por mim, porque ainda estou nela.

E estarei nela até o dia em que esta disser, Oi, como tem ido a vida, como tem ido tu. Daí, da conversa resultante, tirará conclusão, passarás a mediar nosso relacionamento ou arranjarás dores para a consolação da razão abatida.

Escolha ela e eu, pelo amor que fazes nascer, nós dois juntos ao nada, porque iremos ao nada, escolha-nos como primeira opção de tua dívida, pagas com generosidade à ela e à mim.

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Responde-me logo, retornas a ligação, porque de medigagem já bastaram as vinte e duas tentativas. Acordas para o que tenho, disposto estarei para deitar no teu seio, ou tu deitares no meu, disponível estarei para receber teus beijos fatigados, coados pelo tempo, aqui estarei quando o mundo não tiver mais paciência com a tua intolerância. Estarei aqui. Para ti. Responde-me e não te arrependerás nem do momento em que gastastes tempo e energia, nem da dúvida se validez haverá. Responde-me.

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Eu não deveria alimentar nada por ela. Estava na igreja, tentava se realinhar, tinha deixado a vida que comecei a tentar hoje e por razão que desconheço, desistiu de viver aquela visa, em plenos jovens anos, reclusou-se para serviço da obra divina. E não deveria eu atiçar-lha a carne, perturba-lha a alma, desperta-lha o mal que tenta por fora. Não deveria sentir o que sinto, cantar quando penso nela, ou rir par teto de meu quaro quando deito na cama para descansar a alma, porque o corpo nem ligo, mas a alma é batida.

E ela está toda envolvida, faz seminário para conhecer mais da nova doutrina de vida, envolvida com os demais fervorosos, e eu, na carne latejante, como a saliva que escorre dos caninos de um bicho faminto, com o coração semelhante ao vôo da andorinha, eu a desejo.

Não deveria, não deveria, não deveria. Sim deveria livrar-me do tal pecado, do desejo vermelho e provocador, deveria apoiar-lha na luta que é estar nesse mundo e seguir passos estreitos como os dela. Deveria sim estar em concordância com as opiniões religiosas que tem.

Mas macho minha alma com o pegajoso pecado, negro e gosmento, que impregna e passa a tingir as vestes que procuram ser branqueadas por ela.

Desejo, com latejante querer, com sentimento pedinte e com súplica ao acaso, único mediador e possibilitante de tal situação torpe. Não deveria.

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Calaram meus lábios, cansados de especular, cansou-se minha mente, divagosa em pensar, cansou-me as pernas, de andar lado a lado, doem meus osso, de tando me expor ao frio de te esperar, fatigou-me os olhos, te tanto que te procuraram, cansou-me os lábios, de tanto serem pressionados um contra o outro e os dentes de tanto mordê-los, fatigou-me o momento de tanto esperar.

E te vi. Andando pelas ruas, mas acompanhada. Aquele pobre ser que anda contigo não te merece. Este ser vil não vale o quinto que estais a oferecer ao mundo só com o teu olhar, e nem a décima parte do teu sorriso, quanto mais o teu abraço, o teu cheiro, os teus lábios, teu aperto, teu sussurro, o teu afago, o teu prensamento, o teu amor e tua atenção. Cansou-me todo corpo, menos meus sentimentos, porque ainda latejam.

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Mas passou o tempo e já estais com outro ser, tão vil quanto o outro e desprezivelmente deveria trata-lo, mas não o farás, maldição de minha vida., pedra do meu caminho, discórdia minha. Talvez não valhas os que te acompanham.

E eu me torcendo em nós nunca dados, arrumando justificativa para tua indisponibilidade, droga do século.

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E mais tempo passa e nada, não haverei de tocar o corpo, nem beijar-te com calma ou intensidade, nem de sentir teu bumbum frio enquanto corre minha mão sobre teu corpo deitado e nu, nem da barriga macia e teu seio, ou da tua cama quente, teu suor melado, teu gosto diferente, tua boca única, teu hálito curador, não haverei de sentir, mas aprendi a te ver sem receio, sem dor, sem martírio auto-provocado, e a amenidão areja minha alma, quando te vejo sorrir, ou te vejo a olhar, ô arejamento fagueiro, ô ressurreição das cinzas, ô emoção que foi te conhecer, amor imprevisível e desconhecido. Amor desprezível.

Vida e Poder

E se eu pudesse calar-me?
E se eu pudesse omitir-me dos teus?
E se eu pudesse fugir do normal?


Vida cansa, vida pára, vida continua, vida propaga,
Vida fatídica, vida cama, vida intermitente, vida tua,
Vida de cãibra, vida inspira, vida na cama, vida minha,
Vida nossa, vida destina, vida daquela, vida de dores nas costas
Vida que toma remédio, vida que melhora, vida que...


...


E se eu pudesse calar, omitir, fugir?

Vestimenta

Saí de casa, nu fui á loja
Comprei tua roupa,
Depois de experimentado e gostado,
Voltai às ruas


Divertida rua.
Fui a ela com tuas roupas,
E a reconheceram, observaram,
Não pararam de olhar
Roupas tuas,
Correram atrás de mim
E tomaram, tomaram tuas vestimentas de mim
Perceberam, não deixaram


Voltei á casa nu,
Despido é o que é estar com as tuas roupas
Quando pouco coloco-me nelas
Mais percebem e mais mudam-me
Nudez é está vestindo tuas roupas.

Rala Existência

Existência pequena
Notada quando se quando para o céu
Existência Ínfima
Frágil como foi barato

Existência pequena
Que transita entre desejo e realização
Existência calada
Sem tanta inspiração

Existência nula
Que muda na morte
Existência baixa
Sem tanta esperança

Existência tua, descrença,
Nua, desprovida de mais detalhes
Lineada, desprezada existência
Existência calada
Sem grandes ganhos

Existência nua
De vergonhas de fora
Irregulável, imiscível
Nula, xula, tua

terça-feira, 8 de julho de 2008

[cap. 15 ou 5 - Um pouco mais à frente]

O pequeno momento. Pequeno, mas único, douradamente salpicado de brilho, palpitante. Olhava ao redor perguntando ao coração quando pararia de bater tão forte como se fosse levar o corpo dela para fora. Mas estava ali.

Depois de sucessivos beijos que perderam e facilitaram o mais adiante, encontrava-se deitada na cama, ainda se perguntando. Mas o que era a situação para os olhos, aqueles olhos?

Era um simples toque que percorria o pudendo quente delicadamente, como a dança da língua nos beijos que estavam antes. A pequena estrutura nervosamente exacerbada era tão bem acatada, o óstio tão bem preenchido pelos dedos que ascendiam e descendiam, calmamente desejáveis. Aí veio o que a encabulou.

Houve apertos sucessivos no glúteo dela e depois o dedo, o mesmo que dominava a área anterior, passou a circunscrever o ânus, tão calmamente quanto antes, tão expressivamente. E a massagem ora intensificava, sendo que o dedo quase internalizava nela, ora era suave para ser sentido no meio das contrações produzidas ali.

O músculo com osso foi substituído pelo o sem, tão mole quanto a desinibição do momento, tão molhado quando os suores da ansiedade; que corriam deliberadamente, corriam em círculos e por horas, como o dedo, tentava adentrar na casa pela porta dos fundos.

Cansada das terminações primariamente feitas, vai para a segunda e distribui nela todo o sabor acre, duas que compartilham sob o imprescindível prazer pelos dois. Dois que lutam contra si, mas que perdem.

- Eu não consigo mais. - Não foi questionada. Ela virou para o lado, ainda molhada, não satisfeita.