Como forma de se realizar o que antes pensava, ele veio confirmar; como uma sensação, uma forma humana; como algo que brota do nada e que enraíza; como se sentia; um sentimento, ou ademais vários; é difícil explicar o que era ou o que talvez como seria mas de fato os sentimentos alastravam-se profundamente.
Como compreender um sorriso que virou uma relaxada forma muscular? Como entender que um coração pulsante que fazia outros pulsarem se tornar parado? Como sentir uma mão que transpassava carinho e que agora estava gélida? Porque há tantas perguntas num momento desses? A realidade se torna mórbida, o mundo injusto, as pessoas leves traços ao redor, um respiro doído, as lágrimas um dos únicos escapes, uma abraço algo indiferente, um olhar evasivo. Um nada; ou talvez um tudo que não se senti.
De certo ninguém deixaria de se lamentar para chegar junto dela e lhe dizer algo que a confortasse, ninguém faria esforço algum. A fama dela naquele momento, e talvez por toda a vida , se mantinha como uma cúmplice de assassina.
O velório se mantinha naquele silêncio universal, horas havia prantos, horas havia murmúrio, horas havia o silêncio citado. Olhos sinceros batiam a pequena janela de vidro para o vislumbrar de um último olhar. O rosto era a única parte disponível para a apreciação, seu pescoço estava bem coberto para esconder a enorme marca causada pela tesoura. Os olhos fechados, a boca pálida, a aparência mortífera, o cheiro de rosas,os ruídos inconstantes, o ambiente úmido eram as limitadas formas dos sentidos.
Nara estava ali; estava porque não esquece os gritos de súplica da mãe de sua paixão, estava porque sentia a atmosfera centrada na morte; estava porque sentia o impacto da morte de um jovem. A impressão causada foi de que a vida, às vezes, fecha a cara para uma jovem existência e determina o seu fim. Pobre realidade pensava Nara, Pobre para ela, pobre para a família da vítima, pobre para os amigos de Nara. Pobre era mesmo para Nara que estava num funeral onde não e esperavam nem a desejavam.
O estranho começou a se manifestar naquele lugar. A atenção de alguns ali mudou da morte do homem amado para a hostilidade contra aquela ingênua menina. Começou com olhares repressores e depois com palavras murmuradas ao vento que mal diziam Nara e sua mãe. O velório terminou e começaram a caminhar Em direção a sepultura. O silêncio no caminho. Quando chegaram à frente da sepultura todos foram tomados por um sentimento intenso de perda. As lágrimas rolaram, os soluços não paravam e os gritos desesperados de uma mãe encheram aquele céu aberto. E descia o caixão para a terra úmida e fria. Ali jazeria Marcos. E começaram os diálogos para os crédulos ou para os céticos os monólogos cridos que eram palavras jogadas ao vento.
- Você sempre será meu rei.
- Saudades eternas.
- Acabou aqui, mas no meu coração não.
- Não o verei mais. Sempre o sentirei.
- Meu Marcos descansa em paz.
- O que foi a vida pra você? Pra mim foi um momento de conhecer a pessoa mais especial do mundo: você!
- Eu sempre te adorarei.
- Não saia da perto.
- Seu riso foi o mais lindo que já vi e sempre será. Leva contigo esse beijo e essa flor.
- As amizades são eternas; espero te encontrar lá.
- Meu filhinho, meu amorzinho, meu bebê, fica comigo, não sai daqui, o meu filhinho, eu te amei, mas que queria mais ,eu queria te abraçar pra expressar o meu maior amor. Meu filho, gritou a mãe de Marcos; meu bebê fica,fica, gritava desesperadamente; fica, fica, o desespero de uma mãe fizeram as lágrimas mais freqüentes, os soluços mais altos.
E o caixão foi coberto por terra ao som das lamentações sem palavras, das lágrimas sem amparo, das súplicas não atendidas. E iam se retirando uns aqui , outros ali, Nara foi numa dessas levas e atráz foram os amigos antes citados de Marcos. Nara sentia que estava sendo seguida , desprezou; continuou a andar e ainda sentia a mesma impressão. Virou se e encontrou a turma que a encarava com ódio.
- Sua filha da puta!, disse um.
- Filha de uma assassina, disse outro.
- Minha mãe não é nada disso, retrucou Nara, a verdade é que a mãe de nara se safaria pois era advogada criminalística e conseguiria convencer o juiz.
- Sua desgraçada a culpa foi tua!, disse mais outro e cuspiram na cara de Nara.
- Vagabunda doente - outro cuspe chegou na cara de Nara, e vários foram se acumulando e escorrendo no rosto dela. Até um ponto em que alguém deu um tapa em sua cara, depois vieram outros; tentaram jogá-la no chão, Márcia interrompeu.
- Ei parem! Marcos não gostaria de ver-nos tão possuídos de ódio a ponto de maltratar ela, repreendeu os outros amigos; mas você - apontou para Nara - não pense que que eu te salvei por misericórdia, eu te odeio, e então cuspiu no cabelo de Nara.
Nara viu os amigos irem embora se levantou e foi em direção á sua casa.
CONTINUA...
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
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3 comentários:
ah cada episódio a história fica melhor e a cada episódio são experiências diferentes
muito bom
digno de grandes escritores
fico feliz que tu consigas escrever tão bem
esperando pelo próximo episódio
Obrigado pelo comentário! Fico feliz em ser correspondido! Thanks!
gostei!!!esse foi o melhor capitulo!
tu sabes descrever situações hein davi??congratulationsss
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