Começo achando-a decidida demais. Mata uma pessoa na sua própria casa era uma situação meio inusitada principalmente se tratando uma assassina amadora como ela. Mas nada a conteve. Andava pelo entardecer daquele inesquecível dia, dia que marcou com muito ódio o coração de uma menina adolescentemente vivida. O entardecer, pensou ela, significava transição o que era combinante com a sua atitude, de uma vez por todas tomaria a frente do seu coração apaixonado.
Quando chegou a casa de Marcos, Nara se viu arrebatada pela áurea boêmica e foi se confirmando à medida que ela adentrava naquela festa. Lá estavam Marcos, Célio, Junior – os boys da escola –, Márcia e Cicinha – quase não se ouvia sobre essas meninas.
A festa na antiguidade foi um símbolo de celebração, um momento para celebrar as colheitas, a vida , os deuses, e toda a gama de coisas boas que naquele período preenchia a existência daqueles seres humanos. Quando nos deparamos com o período de Nara vemos que a festa deixou de ser um momento de celebrar a vida – para a maioria – e se tornou um escape para a pobre realidade daqueles jovens. O modo que usavam substâncias alucinógenas como as alcoólicas e narcóticas demonstra a cultura fugaz daqueles humanos. Nara de cara sentiu um cheiro forte de maconha antes mesmo de chegar perto do grupo; atentou também para o excesso de bebida disponível.
Nara pensava que estaria sozinha e que a festa seria ela, mas ao ver todos ali ficou quase chorosa – ela realmente gostaria de matar aquele desgraçado. Estava começando a se retirar quando a festa se tornou interessante demais.
A música estava alta demais e enquanto aqueles jovens compartilhavam a maconha Márcia se afastou do grupo e começou a tirar a parte de cima da roupa, tirou o sutiã e Cicinha a acompanhou. Nara observava de longe, parece que ninguém percebeu a sua presença. O tira-tira de roupa continuou até todos estarem sem roupas e começarem a se beijar, a se agarrarem, a transarem.
Nara ficou pasma ao ver aquela demonstração de “perversão” como disse ela mesma, mas isso não a impediu de admirar. De certo modo ela gostava de observar, ao mesmo tempo em que repudiava a participação. Sentia um estremo calor ao ver Marcos sem roupa, assim como almejava penetrar seu corpo com a faca que trouxe.
E continuava a observar até que Célio a viu, falou para todos que tinha uma observadora; todos olharam para ela. Marcos a chamou, “nem pensar” disse para si mesma. Ao perceber que ela não saia do lugar os meninos trataram de ir busca-la a força. Nara se espantou ao ver três musculosos meninos nus e de pênis ereto se aproximarem dela com o intuito de a possuí-la, mas por dentro ela pegava fogo, queria tirar toda roupa e deixar-se ser levada pelo excitamento daquele momento. Mas correu. Correu com medo. Correu desejando nunca mais ver nenhum daqueles meninos e até as meninas. Desejou mata-los também. Desejou, até tropeçar e se arrebentar no asfalto. Tinha corrido rápido demais e sem se perceber Levou uma queda que fez o seu joelho esfolar. Aí sim. Como desejou matar aquele desgraçado do Marcos.
domingo, 13 de janeiro de 2008
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