“...por que há dias com sol em que me tenho me revelado composto e porque há momentos noturnos e nesse me mostro nu. De fato a escuridão adentrou em mim, prostrou-se. Diante do meu dia vinha a bonança, foi-se. Queria mesmo fazer da escuridão dia e do dia constante.”
“Porque há sol e lua, porque há dia e há noite. Porque há afirmação, porque há negação”
“Sempre houve aqueles antigos, deles vieram às instruções, que diziam, confrontavam. Até que ponto se abstém nisso?”
“E por que há escolha e que essa vem acompanhada de sua filha – a conseqüência. Pergunto-me tenho eu a luz ou a escuridão? A escuridão ou a luz?”
“Perturbação constante! Não vê que me encontro entre o sangue e a respiração? Não vê que a vida se vive? Afasta-te de mim, inimiga constancia. Levas o que quero de mim, derrubas as bases da muralha de minha coragem, devassa minha consciência. Levas o que é teu.”
E vivia Síncero. Menino calado para o novo, eloqüente para o velho. E se o velho se faz novo a cada dia, não deveria considerar-se feliz? A felicidade – curto tempo de alegria espontânea e só. Sempre na razão: o momento. Sempre na emoção: cadê o momento?
O meio exigente; calado para pequenas vitórias; exigente e hirto de causas, profuso de idéias a serem seguidas; idealização dos valores – complicações. Um fato: um meio, nisso deveria achar-se Síncero.
- O calo tem seu dono, diziam: não mexam, terminavam – dez minutos depois estavam a cutucar a ferida do pobre alheio.
E um dia houve um diálogo.
- O violino se toca, o violinista toca. E se o violino tocasse?
- Não se deve sentir isso.
- Pois não o sentes?
- Sinto o que é certo, o que é dito.
- E se não?
- Cala-te e consente.
- Como se diálogo fosse feito de silêncios.
- Cala-te.
- O silêncio me trouxe. Diga a ele, diga ao que me propõe a dúvida.
Nada houve. De certo uns murmuravam. A questão levantou o não-descoberto não acordado. De fato houve, houve aqueles que passaram a sentir algo nov. e o velho pois se a ser questionado.
***
Os minutos cessam como as dúvidas calam; os minutos correm como as dúvidas passam; os minutos retornam como as dúvidas nascem.
Eis a dúvida – perturbação entre duas inteligências.
- Negas o que senti?
- O sentir é reflexo. Olhas para o real, questiona-o.
- O modo de propagação, dizes?
- Digo o que o forma, as sensações precedidas de idéias.
***
“O que esperas de mim?”
“Dissestes o que tinha que fazer, atentei, vivi. Encontroei-te no oposto, segui-te; encontrei-me na perturbação, na solidão.”
“Atentei para o que disse como certo, vivi, senti. Como deveria senti não o fiz. Não o fiz.”
***
Outro diálogo.
- Se a dúvida te persegue, porque não abandonas. Porque castiga-te a ti mesmo?
- Abandonar a dúvida é aceitar o sol como o dia ou à noite como o dia;é fazer do violinista tocado ou o violino ser tocado.
- Decide. Perguntas devem ter respostas. Escolhe a tua.
***
“... como serena a noite, que por ela me apaixonei. Hoje a vejo como dia. Um dia claro situado numa noite. E o que é a noite se posso criar o dia?”
“A escolha foi: faço-me dia, não escondo a noite.”
“ Se seguisse o sol onde pararia? Nos mesmos ligares no qual aqueles que antes me disseram “ orna a tua cabeça com flores e não te apegas a coroa dela vem a dor, dela vem a doença, dela vem a desgraça.”
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
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Um comentário:
oba!!!nova historia!adorei o começo !
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