quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

[Dois]

Família é mesmo um porto em que se não prestarmos atenção ficamos e perdemos o barco. Vamos imaginar o barco como uma viagem única, em que é mais importante conhecer novos lugares do que ficar vendo um barco passar.

A família de Vini tinha deixado o barco ir. Enquanto reclamavam da vida eles se esqueciam de aproveitá-la. O que era família para Vini naquele momento?

Não me deterei em família – é um assunto profundo do qual Vini passou a não mais se importar – mas como se vê um mundo sem a base sociedade.

É difícil se afastar do que fazíamos antes, é doloroso fazer o que não planejávamos, é desconfortante viver sobre novos olhares e ver sobre novos olhares, e o que fazer? Passar a vida toda em um vai e vem que só dá num ciclo doloroso? Não! Pensaria Vini diferente. Foi o que fez.

Chegou com uma galera conhecida por festeira se apresentou. Conquistou a simpatia deles e foi a uma festa.

De início começou estranhando, é como estava dizendo, uma situação nova que antes era desprezada é no mínimo desconfortável. ATente para a estrutura psico-social do menino, só! Viu um copo de plástico cheio de Martine olhou, admirou, pensou e tomou. Aos poucos foi sentindo-se leve, nada passava em sua cabeça, era um momento só dele, um momento a só consigo mesmo, todos ao redor desapareceram na festa. E via, ria.

Acordou viu que estava nu, ao lado uma menina nua. ”O que fiz?” perguntou para si mesmo; não saia resposta alguma, a única coisa vinda da cabeça era um latejar constante. Vestiu as roupas, saiu. Foi caminhando enquanto sua cabeça explodia.

Esse era o problema de Vini, ele sempre arranjava um modo ineficaz de resolver seus problemas. Sempre nas costas dos pais, sempre com uma desculpa esfarrapada. Chegou em casa, a viu vazia, foi ao quarto e deitou-se. Com a cabeça ainda latejando percebeu que o barco de sua família já tinha saído faz tempo, talvez um ano, todos estavam esperando um barco e nenhum se mexia para conseguir a passagem para um. Foi sempre assim – foi a conclusão de Vini.

O óbvio: perderia Vini tempo com uma família? Deixaria ele a própria família naquela situação? Continuaria sendo um bastidor nessa peça?

“Sim! O que tenho eu pra fazer?” Foi o seu penúltimo pensamento sobre a cama. Será que tem vodca aqui em casa?”

Um comentário:

Laércio Barbosa disse...

tudo o q vc disse sobre familia é verdade!