Um fim, sempre um desejo. O desenrolar de uma vida parece complicada, todas as lutas, as vitórias, as perdas, tudo num enorme emaranhado formando a personalidade, as ações, as escolhas. E nela encontramos um simples ser humano que tenta se reerguer quando o dizem fracassado, que nega quando a afirmação é de humilhação. Qual a facilidade ou a dificuldade em enfrentar esse mundo adversivo? Desistências sucessivas. Uma aqui, outra ali, mas todas com a cobertura de covardia com um generoso recheio de medo. Sempre uma justificativa, uma proposição, uma nova escolha, uma fuga do caminho, sempre uma desculpa. É fácil considerar um novo caminho, achar uma fuga, arranjar uma hipocrisia - é só olhar ao redor está cheio de uns montes coitados que se esquivam.
Essas considerações são tão reais na vida desse Vini, que pra ele uma dessas fugas é o álcool. Qual é o problema de reviver um passado romântico? Bebida é fuga, e daí? Obedeça a receita: medo, fracasso, desistência, problemas, álcool; Junte no liquidificador, bata numa velocidade normal, sem esforço, e tome. Chamo a receita de “dê mil voltas e não resolva seu problema".
E então foi Vini para escola, um ciclo social dele, não aprendeu nada do que se passou na aula, e continuou assim até, enquanto comprava lanche na cantina, na hora do intervalo, desatento como ultimamente estava, esbarrou numa menina e derramou todo o refrigerante dela na blusa dele e dela. Houve discurções, a menina quase gritava no meio do intervalo e todo mundo olhava, alguns riam. Passou um tempo e essa menina chegou perto e tentou um diálogo.
- Mil desculpas, eu não... não...
- Fala logo!
- Ouo! Desculpa! Eu não deveria ter falado tão alto.
- E daí? Não é isso que pessoas normais fazem quando se sentem humilhadas?
- Não, não, não deveria ter falado daquele jeito, juro... É que... uns
- Não precisa justificar, aconteceu, normal, tá colocando muita farinha em pouco caldo.
- Hum, é?
- Sim, todo mundo tem problema e às vezes nos escondemos atrás de discurções pra extravasar.
- Exato! Eu e meus problemas.
- Sabe eu tenho os meus aqui e não saiu gritando por aí.
- Separação de pais.
- Como sabe?
- Não, eu falo de mim.
- Pois eu também, disse Vini.
E uma conversa que começou desenhada pela hostilidade, se desenvolveu com o passar do tempo gostosa. Ali discutiram, falaram de milhares de coisas e se foram.
Em casa, quando chegou, Viu o pai chorando, normal, pensou. E foi pro quarto e ficou imaginando, as diversas situações constrangedoras que viveu, depois as associou com muitas risadas, e então imaginou as situações engraçadas, e logo depois relembrou aquela da escola. Riu das piadas daquela menina - como era o nome dela?, pensou - e depois de se sentir um pouco mais cheio ,mas ainda com um parte vazia, desceu. Encontrou o pai ainda chorando só que mais alto ainda. Continuou andando por baixo e em cima da mesa encontrou o papel de divórcio. Seria o fim oficial da relação que resultou em milhares de bons e maus momentos, inclusive a chegada dele mesmo, que era considerada por ele como um mau momento.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
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Um comentário:
gotei!
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