sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

[cap. 5]

Nós observávamos a visão de uma jovem imatura, atentávamos às suas peculiares ações e descobríamos mais de suas mazelas.

Nara continuava a idealizar, sempre se predispunha a concorda com o que lhe falavam; continuava a alimentar sua vida cheia de encantos e ainda esperava que isso fosse completado pelos outros. Falando em outros, devo-lhe aqui um pequeno comentário: Marcos, acreditava ela, seria uma das colunas que sustentariam sua prévia felicidade; também acreditava que suas amizades a levantariam e a fariam dominadora de sua vidinha.

Foi quando ela se viu diante do seu amado com uma postura totalmente insensível que ela repensou. Deixe-me resumir: Nara estava na escola e se aproximou com a maior intimidade a Marcos, ele estava cercado de amigos, ela o abraçou pela cintura e ela a censurou como se fosse uma mendiga.

Não se sabe quando uma mulher pode se tornar amargurada, ou como ela vai reagi enquanto está amargurada, ou quando vai parar de ser amargurada, e para Nara, com muito prazer e rindo por dentro de mim, descrevo como essa menina reagiu a esse acontecimento: chegou em casa se prostrou em sua cama, quase chorou, levantou-se olhou-se no espelho, viu a marca da rejeição nas linhas que o estresse desenhava em seu rosto; sentiu-se como aqueles bolos de bosta de cavalo que se encontra por aí nas ruas, evitou chorar de novo; pensou como tinha sido bom ser tocada por Marcos, como tinha sido bom adormecer em seus braços, como tinha sido bem ouvir sua ofegante e quase incansável respiração, como tinha sido bom se sentir abraçada pelos seus braços por bastante tempo, como tinha sido bom ter sentido seu copulador entrando e saindo, mas - como me alegro em dizer-lhe - , ela decidiu que seria muito melhor sentir um objeto perfurante, qualquer que fosse, entrando e saindo do lindo corpo de seu ex-amado. A satisfação, aquela velha satisfação preencheu seu corpo.

Foi a cozinha pegou a faca que tinha as cerras mais pontiagudas, encheu-se coragem e se aprontou; colocou a faca em uma de suas bolsa e ficou sentada na cama esperando uma justificativa de si mesma para não fazer o que planejava. O telefone tocou. Era Marcos a convidando para uma festa particular em sua casa e acrescentou dizendo que não deveria levar ninguém.

Nara encheu de alegria e pressuponha-se que ela finalmente encontrou uma justificativa para acabar com seu maligno plano, que o veria e o perdoaria pela sua infantilidade e imaturidade, que iria encher a cara para esquecer de um minúsculo e ridículo problema, que seria aquela velha réplica de sua apática mãe.

Não, definitivamente Nara não seria a patética de sempre - repito não se sabe quando, como e até onde uma mulher amargurada vai.

Um comentário:

Laércio Barbosa disse...

adorei o quarto e quinto paragrafos!