Nara preocupada com o que pode fazer? Não. Tem verdades, realidades, que são questionáveis. Há um grande descontentamento por trás das atitudes desconfiadas, ou mesmo um cinismo que debate com o proposto.
Preocupada como o quê? E para quê?
Obcecados perfeccionistas: sem casa, sem ninguém, sem suas roupas, abandonada numa estrada; para arranjar uma solução. Livres da consciência: nada; não importa, não adianta se preocupar.
E Nara fugindo; poderia ser a insistente perseguição da consciência ou a levada da existência que tragava para as estradas nuas. Se possível uma tremenda força faria as escolhas óbvias para ela.
Foi dito que pessoas que vivem realidades diferentes têm inclinação clicherítica para encontrar para encontrar alguma epifania. Se Nara é um clichê, isso é porque não sensibilidade na realidade dela. Talvez seja somente um caso, mais um, em que indivíduos tornam-se loucos por viverem em ambientes loucos.
Contudo, o seu orgulho a trouxe até aqui. Desamparada, voante, em perdas, ela continuava a andar sobre a encosta da estrada, com o joelho sangrante , perdida.
O constante vazio foi rompido por um bonito carro que vinha a uma velocidade relativamente pequena. Nara ouviu o motor, olhou primeiro para ter certeza de que seria alguém confiável – e era, apesar de concordar que uma olhada não diz nada – e depois acenou.
O carro parou e pela janela o dono viu para Nara – em seu interior surgiu, ainda pequeno, um interesse por ela, talvez por sua sincera expressão. Ao observar que ela precisava de ajuda saiu do carro. Nara atentou para o movimento que fazia até chegar a ela, e achou, de modo possível, que o jovem rapaz se parecia com o bem que o transportava.
- Você ta bem?
- Eu não sei – disse Nara lagrimejando seus olhos.
- Mas você precisa de ajuda, olha o seu joelho. Eu tenho um kit pronto-socorro – foi até o carro, voltou trazendo a caixa branca.
- Senta aqui no banco – disse e retirou esparadrapo, água oxigenada e algodão. Nara observava o cuidado que ele tinha com ela. – O que aconteceu com você? – passou o algodão na ferida.
- Eu fui pegar carona com um caminhoneiro, safado. Ele tentou avançar em mim, desgraçado. Empurrei ele, molestador. Aí ele me jogou do alto da caminhonete do caminhão. Ai, ai – disse tentando desviar o joelho dos cuidados do homem.
- Você foi muito corajosa indo com esses caras, você sabia da fama deles?
- Sim, mas a gente sempre tende a acreditar que as pessoas são boas e de que de alguma forma elas querem nos ajudar. Não poderia generalizar uma fama que é de poucos, mas muito divulgada.
- Foi só ingenuidade. Ocasional – disse Luiz com seus lábios vermelhos que chamava a concentração de Nara.
- Pra onde ta indo?
- Pra lá.
- Ali, na minha direção?
- Certo.
- Certo. Você gostaria de uma carona? Meio que você ta sozinha e com seu joelho recém-cuidado, ainda vai na mesma direção que eu.
- Você me faria esse favor?
- Claro, lógico.
Ele entrou no carro e Nara se ajeitou e prosseguiram a viagem. As estradas novamente comandavam o silêncio. Nara parecia ainda deprimida, para o recém motorista. A angustia que manchava o escarlate coração de negro, lutava contra o ela para se exteriorar. Ele sentiu-se incomodado, não impossibilitado de fazer perguntas a ela.
- Como se senti? – perguntou seguro, macio.
- Eu? Sei lá... Eu tento me sair...
- Bem?
- Sim. De alguma forma uma dor aqui dentro incomoda. Ela amolece minha couraça.
- Muito magoada com o que aconteceu?
- Eu acho que... – disse com a voz falhante - ...sim – começou a chorar – Não seria bom manter isso dentro de mim. Eu tento não me machucar com o que me foi feito, e se eu não conseguir? Eu ficar chorando aqui, parando a vida, como agora? – soluçava.
O silêncio da estrada foi quebrado com a freada do carro. Luis parou o carro a abraçou.
- Calma. É normal se machucar. Não prenda esses sentimentos destrutivos dentro de você. Chore, chore o máximo, até sair.
- Você pode até não entender ou se empatizar como o que eu sinto.
- Não,não. Que isso? Eu estou aqui pode chorar.
O homem jovem tinha seus vinte e poucos anos; de estatura média, brando, olhava Nara com perturbação. De alguma forma aquela situação era aproveitante. E Nara? De onde vinha para onde iria, ecoava na mente dele. Nara estava profundamente afetada por ele. Depois de ter sido confortada, Nara fitou os finos lábios vermelhos dele, assimilou seus castanhos olhos, sua branca pele. Depois admirou seu bem estruturado corpo que não era malhado, mas obedecia a proporções consideradas bonitas. E de que adiantaria o corpo se o olhar dele a fazia se expressar. È como se pedisse uma demonstração ampla do redor que o circundava.
- Luis, por acaso. – o carro voltava percorrer.
- Oh, me desculpe – disse Nara enxugando o rosto - Nara.
- Desculpa por minha preocupação, de onde veio?
- De lá.
- Pra onde ta indo, conhece alguém , algum parente?
- Não ninguém.
- Como você vai ficar? Não pode ficar por aí, e se você cair na mão desses tipos de pessoas?
- Eu não sei o que eu vou fazer.
- Seus pais sabem onde você está?
- Não.
- Como assim? Você precisa voltar pra lá.
- Não posso contar com eles.
- Você tem algum problema com eles? Ou eles com você?
- Sim. Um grande problema.
- Será que vai conseguir fazer sua vida sem eles?
Nara vasculhou a profundidade dos olhos dele pedindo algum auxílio. Luis obteve a resposta.
- Eu poderia até lhe ajudar, mas e se seus pais me processarem?
- Nunca fariam isso.
- Você não entende o cuidado de seus pais com você?
- Como poderia?
- As atitudes dizem.
- Não existem atitudes.
- Eles te abandonaram?
- Sim. Eu preciso de ajuda. Nem que seja por um dia.
- Eu poderia.
Mais silêncio.
Luis admirava Nara, por sua fragilidade ou sua força. A seu modo de ver ela precisava de ajuda, ele poderia dar. Sustentava-se, tinha um próprio apartamento, próprio carro. Nara chamava a atenção dele pela sua angelicalidade.
Luis chamava a atenção de Nara que o achou de começo admirável. O modo que a tratava carinhosamente, estava atento para o que ela falava, se interessava em ajudar. Ela desejava um abraço forte dele naquele momento. A significância seria de gratidão.
O véu negro transpassa para os olhos pontiagudos. Isso põe em cheque questões.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
domingo, 23 de março de 2008
[cap. 1 ou 11]
A manhã estava clara. Úmida. Faltava algo, vago. Apresentava-se nua, não queria mais do que estar, apreciava ser apreciada. As árvores dançavam com a manhã, o vento também acompanhava. As ruas apresentavam-s serenas. A terra escondia seu cheiro. Era manhã.
Então ela caminhava sem medo. Apressada em conhecer. Continuava a idealizar. As manhãs e suas oportunidades, ela conhecia muito bem.
Caminhava para se perguntar aonde iria. Era só ela. Não havia ninguém. O que passou tinha passado isso a confrontava. Entretanto o passado só voltaria se ela permitisse isso a confortava.
Imaginava como faria; o que faria. Desprezava as conseqüências. Saberia onde se encaixar, sempre soube. Quando não se encaixava sempre dava um jeito. Não poderia interromper o que a vida lhe tinha proposto.
Um caminhão começou se aproximar. Ela acenou. O caminhão parou, um coroa a olhou pela janela. O homem era barbudo, estava de óculos escuros. Ele abriu a porta e ela entrou. Começaram a rodar pela estrada.
Na viagem o senhor não parava de olhar para ela, precisamente no meio de suas pernas. Destemidamente o homem puxou conversa.
- Qual o seu nome?
- Realmente não importa.
O homem ficou olhando para ela que mal tinha o olhado na cara. Continuou.
- E o que importa?
- Pra você? Minha vagina. Pra mim? Nada, você não faz o meu tipo. - o homem riu.
- Cadê sua família? – perguntou a menina quebrando o silêncio.
- Moram longe. É difícil viver assim longe.
Por uns instantes ficaram calados só ouvindo o barulho do motor e do vento que batia na janela.
- Você é do tipo que fica com de menores?
- Não – respondeu sem muita fé.
- Ta, sei!
- Dizem que as delas são apertadinhas.
- Depois de vinte caminhoneiros? Não sei não – riram.
- E a sua?
- A minha foi só de um. O desgraçado me tratou mal, depois minha mãe o matou, assunto pra outras estradas. Ela continua virgem.
- Não, você foi deflorada.
- Que vocabulário chulo.
- Que vocabulário antiquado.
- De qualquer maneira, a virgindade pra mim é um valor psicológico, que come tira. E como quem comeu morreu, não há relatos, eu me considero virgem.
O homem riu.
-
Quando é que vai re-deflorar ela?
- Não tão cedo.
- Eu poderia? – e passou a mão na coxa da menina maliciosamente.
- Tira essa mão suja de graxa de mim.
Por um momento ficaram calados.
- Você pensa que pode se masturbar com a minha vagina? Vai tirando isso da cabeça idiota.
- Você não sabe como ele é grosso. Mal vai caber na sua boca.
- Não se preocupe com a métrica, eu nem tentaria.
- Porque não?
- Eu já não disse? Você não faz o meu tipo.
Então o coroa avançou em cima dela, ela começou a reagi debatendo-se. Como estava no volante, o caminhão saiu da pista por uns cinco segundos, até o homem voltar a dirigir corretamente.
- Você nunca mais faça isso de novo.
- E você pensa que é o que? A mandona aqui? – gritou.
- Hum... – riu – Eu tocaria na sua calça bem em direção ao seu pênis, veria ele ficar duro, abaixaria devagar a sua calça, seguraria seu pênis com força o cortaria fora. Eu veria o toco que restou espirrar sangue. Aí eu colocaria o seu morto pênis na minha boca pra sentir o seu sangue. Eu me sentiria a mandona, riria e cortaria seu pescoço, seu pedófilo desgraçado filho de uma put...
O caminhão feriou.
- Sai do meu caminhão.
Ela avançou em cima dele, e, ele em resposta. A empurrou com toda a força para fora. Aporta do caminhão era alta, fazendo com o que resultado da queda fossem arranhões que começaram a sangrar.
- Devolve minhas malas, devolve minhas malas filho da puta – gritava enquanto o caminhão arrancava.
O caminhoneiro tinha sobrevivido por sorte. Ela desejava o matar, não pôde. Contentava-se por não ter sido a mandona. Tinha conseguido se concentrar muito melhor do que antes. Ela sabia a linha que separava a Nara angustiada e cheia de ódio. Tinha conseguido não propagar suas mazelas – uma das preocupações mais recentes dela.
Então ela caminhava sem medo. Apressada em conhecer. Continuava a idealizar. As manhãs e suas oportunidades, ela conhecia muito bem.
Caminhava para se perguntar aonde iria. Era só ela. Não havia ninguém. O que passou tinha passado isso a confrontava. Entretanto o passado só voltaria se ela permitisse isso a confortava.
Imaginava como faria; o que faria. Desprezava as conseqüências. Saberia onde se encaixar, sempre soube. Quando não se encaixava sempre dava um jeito. Não poderia interromper o que a vida lhe tinha proposto.
Um caminhão começou se aproximar. Ela acenou. O caminhão parou, um coroa a olhou pela janela. O homem era barbudo, estava de óculos escuros. Ele abriu a porta e ela entrou. Começaram a rodar pela estrada.
Na viagem o senhor não parava de olhar para ela, precisamente no meio de suas pernas. Destemidamente o homem puxou conversa.
- Qual o seu nome?
- Realmente não importa.
O homem ficou olhando para ela que mal tinha o olhado na cara. Continuou.
- E o que importa?
- Pra você? Minha vagina. Pra mim? Nada, você não faz o meu tipo. - o homem riu.
- Cadê sua família? – perguntou a menina quebrando o silêncio.
- Moram longe. É difícil viver assim longe.
Por uns instantes ficaram calados só ouvindo o barulho do motor e do vento que batia na janela.
- Você é do tipo que fica com de menores?
- Não – respondeu sem muita fé.
- Ta, sei!
- Dizem que as delas são apertadinhas.
- Depois de vinte caminhoneiros? Não sei não – riram.
- E a sua?
- A minha foi só de um. O desgraçado me tratou mal, depois minha mãe o matou, assunto pra outras estradas. Ela continua virgem.
- Não, você foi deflorada.
- Que vocabulário chulo.
- Que vocabulário antiquado.
- De qualquer maneira, a virgindade pra mim é um valor psicológico, que come tira. E como quem comeu morreu, não há relatos, eu me considero virgem.
O homem riu.
-
Quando é que vai re-deflorar ela?
- Não tão cedo.
- Eu poderia? – e passou a mão na coxa da menina maliciosamente.
- Tira essa mão suja de graxa de mim.
Por um momento ficaram calados.
- Você pensa que pode se masturbar com a minha vagina? Vai tirando isso da cabeça idiota.
- Você não sabe como ele é grosso. Mal vai caber na sua boca.
- Não se preocupe com a métrica, eu nem tentaria.
- Porque não?
- Eu já não disse? Você não faz o meu tipo.
Então o coroa avançou em cima dela, ela começou a reagi debatendo-se. Como estava no volante, o caminhão saiu da pista por uns cinco segundos, até o homem voltar a dirigir corretamente.
- Você nunca mais faça isso de novo.
- E você pensa que é o que? A mandona aqui? – gritou.
- Hum... – riu – Eu tocaria na sua calça bem em direção ao seu pênis, veria ele ficar duro, abaixaria devagar a sua calça, seguraria seu pênis com força o cortaria fora. Eu veria o toco que restou espirrar sangue. Aí eu colocaria o seu morto pênis na minha boca pra sentir o seu sangue. Eu me sentiria a mandona, riria e cortaria seu pescoço, seu pedófilo desgraçado filho de uma put...
O caminhão feriou.
- Sai do meu caminhão.
Ela avançou em cima dele, e, ele em resposta. A empurrou com toda a força para fora. Aporta do caminhão era alta, fazendo com o que resultado da queda fossem arranhões que começaram a sangrar.
- Devolve minhas malas, devolve minhas malas filho da puta – gritava enquanto o caminhão arrancava.
O caminhoneiro tinha sobrevivido por sorte. Ela desejava o matar, não pôde. Contentava-se por não ter sido a mandona. Tinha conseguido se concentrar muito melhor do que antes. Ela sabia a linha que separava a Nara angustiada e cheia de ódio. Tinha conseguido não propagar suas mazelas – uma das preocupações mais recentes dela.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Pais e Filhos
A sociedade tem passado por uma constante e sucessiva desagregação. Digamos que a relação pais-filhos tem uma relação direta com esse andamento.
Primeiro vemos uma desorientação por parte dos pais, que, ultimamente, tem se preocupado em ser mais entendidos pelos filhos do que compreendê-los. O criado reage instintivamente e o responsável se vê violado e muito desrespeitado. Não procura a raiz de tanta exasperação.
Segundo os filhos que não gostam de despender tempo com os pais. Não os entendem, nem procuram conhecer a estrutura profunda de seus educadores. Estão esperando por super pais que, com atitudes grandiosas, os façam entender um pouco da vida.
E olha que foram desconsideradas as rejeições e a super proteção, só para não deixar o texto chato e enfadonho demais.
Essas relações são bases de relacionamentos que se perpetuam por toda a vida. É necessário entendimento. Entender os que falam, entender os que ouvem. Paizinhos e Mãezinhas entendam a complexidade de seus amados, eles estão em constante dúvida. Filhinhos compreendam os erros dos "super heróis", na verdade humanos também erram.
O entendimento é uma propriedade na relação que desenha a felicidade dos indivíduos que se relacionam, vale a pena cultivá-la assim como vale a pena ser feliz.
Primeiro vemos uma desorientação por parte dos pais, que, ultimamente, tem se preocupado em ser mais entendidos pelos filhos do que compreendê-los. O criado reage instintivamente e o responsável se vê violado e muito desrespeitado. Não procura a raiz de tanta exasperação.
Segundo os filhos que não gostam de despender tempo com os pais. Não os entendem, nem procuram conhecer a estrutura profunda de seus educadores. Estão esperando por super pais que, com atitudes grandiosas, os façam entender um pouco da vida.
E olha que foram desconsideradas as rejeições e a super proteção, só para não deixar o texto chato e enfadonho demais.
Essas relações são bases de relacionamentos que se perpetuam por toda a vida. É necessário entendimento. Entender os que falam, entender os que ouvem. Paizinhos e Mãezinhas entendam a complexidade de seus amados, eles estão em constante dúvida. Filhinhos compreendam os erros dos "super heróis", na verdade humanos também erram.
O entendimento é uma propriedade na relação que desenha a felicidade dos indivíduos que se relacionam, vale a pena cultivá-la assim como vale a pena ser feliz.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
A Expresividade e a Aceitação
O ser humano, com suas diversas formas de interagir com o meio, expressa o que senti pelo que vê , ouve e faz. A isso chamo de expressividade. Ela vem ditando a essência que um insubstituível ser humano tem. E como para toda dúvida é dito que há uma resposta, assim a expressividade é completada e assistida pela aceitação.
O quadro é o seguinte: seres humanos que se expressão e não são aceitos, procuram alguém que os aceitem, ou vivem solitariamente.
Encarar as duas ações – expressividade e a aceitação – de forma equilibrada, é montar um ambiente confortável, de paz. E se tratando de paz o mundo não é um exemplo: a criminalidade aumenta, suicídio também, famílias acabadas, indivíduos de auto-estima arrasada, solidão que se generaliza. O que se colhe de indivíduos não aceitos são mazelas que estes desenvolvem por se sentirem fora, não participantes.
Conviver com os que nos cercam aceitando-os, apesar de seus erros, é descobrir humano que contribuem para a nossa felicidade, e claro, os quais também são feitos felizes por nós. Não se trata de não alertar as pessoas quando essas estão errando, mas ajudá-las com todas as suas limitações.www.letras
Trata-se de rir junto com alguém que se sente triste e solitário; de abraçar quando não esse não se sentir aceitado; de discernir a dificuldade alheia e estar disposto a ajuda-los.
Trata-se de mim, trata-se de você. Um que expressa outro que aceita, um que aceita outro que expressa.
O quadro é o seguinte: seres humanos que se expressão e não são aceitos, procuram alguém que os aceitem, ou vivem solitariamente.
Encarar as duas ações – expressividade e a aceitação – de forma equilibrada, é montar um ambiente confortável, de paz. E se tratando de paz o mundo não é um exemplo: a criminalidade aumenta, suicídio também, famílias acabadas, indivíduos de auto-estima arrasada, solidão que se generaliza. O que se colhe de indivíduos não aceitos são mazelas que estes desenvolvem por se sentirem fora, não participantes.
Conviver com os que nos cercam aceitando-os, apesar de seus erros, é descobrir humano que contribuem para a nossa felicidade, e claro, os quais também são feitos felizes por nós. Não se trata de não alertar as pessoas quando essas estão errando, mas ajudá-las com todas as suas limitações.www.letras
Trata-se de rir junto com alguém que se sente triste e solitário; de abraçar quando não esse não se sentir aceitado; de discernir a dificuldade alheia e estar disposto a ajuda-los.
Trata-se de mim, trata-se de você. Um que expressa outro que aceita, um que aceita outro que expressa.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
A questão do preconceito
As pesquisas científicas demonstram: o preconceito é pai do medo. Tratar com pessoas de outras raças, com base no medo, é indiscutivelmente detestável. Medo de outra raça é irracional, e sentimentos não medidos como esses resultam no quadro histórico, social, geopolítico e humano atual.
Falar do preconceito é lembrar dos conflitos existentes durante a história da mundial, e até da desse país, que tem buscado políticas racistas para a educação brasileira. Os episódios são abundantes: a ridícula escravidão; o holocausto desenvolvido na segunda guerra; os conflitos antigos e atuais dos judeus e palestinos; o Apartheid na África do Sul; as formas de colonização. O que sobra dessa experiência são sentimentos negativos que ultrapassam gerações e montam um presente preconceituoso. Amargura, humilhação, rancor são sentimentos que brotam entre indivíduos inter-raciais, e devem ser combatidos.
O preconceito é propagado diariamente, é vivido constantemente, através de palavras, pequenas ações como rejeição. As relações que se baseiam nesse formato são insalubres, nojentas.
Atentar para o preconceito, o que é fato hoje em dia, já é saudável, pois apresenta o questionamento de tal negativa ação. Questionar, conscientizar é o primeiro passo para qualquer mudança.
Considerar que sentimentos negativos apresentados entre indivíduos inter-raciais devem ser questionados e contidos, já é um passo significativo na luta contra esse mal, e , a construção de sociedades baseadas na ética, no respeito, na cidadania e na solidariedade.
Falar do preconceito é lembrar dos conflitos existentes durante a história da mundial, e até da desse país, que tem buscado políticas racistas para a educação brasileira. Os episódios são abundantes: a ridícula escravidão; o holocausto desenvolvido na segunda guerra; os conflitos antigos e atuais dos judeus e palestinos; o Apartheid na África do Sul; as formas de colonização. O que sobra dessa experiência são sentimentos negativos que ultrapassam gerações e montam um presente preconceituoso. Amargura, humilhação, rancor são sentimentos que brotam entre indivíduos inter-raciais, e devem ser combatidos.
O preconceito é propagado diariamente, é vivido constantemente, através de palavras, pequenas ações como rejeição. As relações que se baseiam nesse formato são insalubres, nojentas.
Atentar para o preconceito, o que é fato hoje em dia, já é saudável, pois apresenta o questionamento de tal negativa ação. Questionar, conscientizar é o primeiro passo para qualquer mudança.
Considerar que sentimentos negativos apresentados entre indivíduos inter-raciais devem ser questionados e contidos, já é um passo significativo na luta contra esse mal, e , a construção de sociedades baseadas na ética, no respeito, na cidadania e na solidariedade.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Sentimentos São Substituíveis
A verdade é que quando se fala de sentimentos, para Marcos, eles não deveriam ser expostos. Por quê? "Porque sentimentos expressados são para pessoas fracas", dizia. E mais verdade ainda: ele não sentia falta do que a expressividade proporcionava.
Menino que fazia de tudo para se afirmar, fosse pela notória sobriedade ou pela sua inteligência. Os acontecimentos discorriam com facilidade para ele, tudo e todos pareciam estar a seu dispor. Tudo contribuía para a sua inexpressão.
"Tudo é substituível.", era a sua frase de vida. Não demorou em se manifestar. Amigos, conhecidos, contatos, todos começaram a se esquivar, até sua família não agüentava alguém que gloriava a substituidade de pessoas. É o pior de quem se acha auto-suficiente: esses colhem o fruto do desprezo e continuam cultivando, afinal tudo não é substituível?
Quando a reciprocidade mostra a cara, todo mundo põe corpo fora. Ninguém está tão interessado em receber o que faz, e para os orgulhosos da vida, esse é um momento raro. Marcos percebeu que a substituidade é recíproca, e enquanto pensava nos ideais desprezantes e acreditava neles, o menino manifestava a estúpida idéia, e, todos o tratavam como ele mesmo se considerava. Ele se tornou substituível, para a infelicidade dele e de outros.
"Executar a permutação de pessoas importantes na vida não é aproveitá-la, e se esquivar dos erros dos que alguns apresentam é não apreciar a essência dos próximos.", começou a pensar. Reconsiderou. E passou a sorrir, sentindo.
Menino que fazia de tudo para se afirmar, fosse pela notória sobriedade ou pela sua inteligência. Os acontecimentos discorriam com facilidade para ele, tudo e todos pareciam estar a seu dispor. Tudo contribuía para a sua inexpressão.
"Tudo é substituível.", era a sua frase de vida. Não demorou em se manifestar. Amigos, conhecidos, contatos, todos começaram a se esquivar, até sua família não agüentava alguém que gloriava a substituidade de pessoas. É o pior de quem se acha auto-suficiente: esses colhem o fruto do desprezo e continuam cultivando, afinal tudo não é substituível?
Quando a reciprocidade mostra a cara, todo mundo põe corpo fora. Ninguém está tão interessado em receber o que faz, e para os orgulhosos da vida, esse é um momento raro. Marcos percebeu que a substituidade é recíproca, e enquanto pensava nos ideais desprezantes e acreditava neles, o menino manifestava a estúpida idéia, e, todos o tratavam como ele mesmo se considerava. Ele se tornou substituível, para a infelicidade dele e de outros.
"Executar a permutação de pessoas importantes na vida não é aproveitá-la, e se esquivar dos erros dos que alguns apresentam é não apreciar a essência dos próximos.", começou a pensar. Reconsiderou. E passou a sorrir, sentindo.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
[Três]
Um fim, sempre um desejo. O desenrolar de uma vida parece complicada, todas as lutas, as vitórias, as perdas, tudo num enorme emaranhado formando a personalidade, as ações, as escolhas. E nela encontramos um simples ser humano que tenta se reerguer quando o dizem fracassado, que nega quando a afirmação é de humilhação. Qual a facilidade ou a dificuldade em enfrentar esse mundo adversivo? Desistências sucessivas. Uma aqui, outra ali, mas todas com a cobertura de covardia com um generoso recheio de medo. Sempre uma justificativa, uma proposição, uma nova escolha, uma fuga do caminho, sempre uma desculpa. É fácil considerar um novo caminho, achar uma fuga, arranjar uma hipocrisia - é só olhar ao redor está cheio de uns montes coitados que se esquivam.
Essas considerações são tão reais na vida desse Vini, que pra ele uma dessas fugas é o álcool. Qual é o problema de reviver um passado romântico? Bebida é fuga, e daí? Obedeça a receita: medo, fracasso, desistência, problemas, álcool; Junte no liquidificador, bata numa velocidade normal, sem esforço, e tome. Chamo a receita de “dê mil voltas e não resolva seu problema".
E então foi Vini para escola, um ciclo social dele, não aprendeu nada do que se passou na aula, e continuou assim até, enquanto comprava lanche na cantina, na hora do intervalo, desatento como ultimamente estava, esbarrou numa menina e derramou todo o refrigerante dela na blusa dele e dela. Houve discurções, a menina quase gritava no meio do intervalo e todo mundo olhava, alguns riam. Passou um tempo e essa menina chegou perto e tentou um diálogo.
- Mil desculpas, eu não... não...
- Fala logo!
- Ouo! Desculpa! Eu não deveria ter falado tão alto.
- E daí? Não é isso que pessoas normais fazem quando se sentem humilhadas?
- Não, não, não deveria ter falado daquele jeito, juro... É que... uns
- Não precisa justificar, aconteceu, normal, tá colocando muita farinha em pouco caldo.
- Hum, é?
- Sim, todo mundo tem problema e às vezes nos escondemos atrás de discurções pra extravasar.
- Exato! Eu e meus problemas.
- Sabe eu tenho os meus aqui e não saiu gritando por aí.
- Separação de pais.
- Como sabe?
- Não, eu falo de mim.
- Pois eu também, disse Vini.
E uma conversa que começou desenhada pela hostilidade, se desenvolveu com o passar do tempo gostosa. Ali discutiram, falaram de milhares de coisas e se foram.
Em casa, quando chegou, Viu o pai chorando, normal, pensou. E foi pro quarto e ficou imaginando, as diversas situações constrangedoras que viveu, depois as associou com muitas risadas, e então imaginou as situações engraçadas, e logo depois relembrou aquela da escola. Riu das piadas daquela menina - como era o nome dela?, pensou - e depois de se sentir um pouco mais cheio ,mas ainda com um parte vazia, desceu. Encontrou o pai ainda chorando só que mais alto ainda. Continuou andando por baixo e em cima da mesa encontrou o papel de divórcio. Seria o fim oficial da relação que resultou em milhares de bons e maus momentos, inclusive a chegada dele mesmo, que era considerada por ele como um mau momento.
Essas considerações são tão reais na vida desse Vini, que pra ele uma dessas fugas é o álcool. Qual é o problema de reviver um passado romântico? Bebida é fuga, e daí? Obedeça a receita: medo, fracasso, desistência, problemas, álcool; Junte no liquidificador, bata numa velocidade normal, sem esforço, e tome. Chamo a receita de “dê mil voltas e não resolva seu problema".
E então foi Vini para escola, um ciclo social dele, não aprendeu nada do que se passou na aula, e continuou assim até, enquanto comprava lanche na cantina, na hora do intervalo, desatento como ultimamente estava, esbarrou numa menina e derramou todo o refrigerante dela na blusa dele e dela. Houve discurções, a menina quase gritava no meio do intervalo e todo mundo olhava, alguns riam. Passou um tempo e essa menina chegou perto e tentou um diálogo.
- Mil desculpas, eu não... não...
- Fala logo!
- Ouo! Desculpa! Eu não deveria ter falado tão alto.
- E daí? Não é isso que pessoas normais fazem quando se sentem humilhadas?
- Não, não, não deveria ter falado daquele jeito, juro... É que... uns
- Não precisa justificar, aconteceu, normal, tá colocando muita farinha em pouco caldo.
- Hum, é?
- Sim, todo mundo tem problema e às vezes nos escondemos atrás de discurções pra extravasar.
- Exato! Eu e meus problemas.
- Sabe eu tenho os meus aqui e não saiu gritando por aí.
- Separação de pais.
- Como sabe?
- Não, eu falo de mim.
- Pois eu também, disse Vini.
E uma conversa que começou desenhada pela hostilidade, se desenvolveu com o passar do tempo gostosa. Ali discutiram, falaram de milhares de coisas e se foram.
Em casa, quando chegou, Viu o pai chorando, normal, pensou. E foi pro quarto e ficou imaginando, as diversas situações constrangedoras que viveu, depois as associou com muitas risadas, e então imaginou as situações engraçadas, e logo depois relembrou aquela da escola. Riu das piadas daquela menina - como era o nome dela?, pensou - e depois de se sentir um pouco mais cheio ,mas ainda com um parte vazia, desceu. Encontrou o pai ainda chorando só que mais alto ainda. Continuou andando por baixo e em cima da mesa encontrou o papel de divórcio. Seria o fim oficial da relação que resultou em milhares de bons e maus momentos, inclusive a chegada dele mesmo, que era considerada por ele como um mau momento.
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