Eu não quero falar sobre, eu quero fechar-me sobre um casulo que me desenvolvo enquanto me preparo para o que mais tarde virá, e num silêncio - deixar-me sentir o refrigério -, que reproduzo, e ela também o faz agora, fechar-me, sem palavras, sem discurso, eu quero me calar enquanto o ano não acaba, e ver se fico por ai, com uns demais. Eu tentei em ti, eu procurei-te, achei-te, e agora me questiono - teu silêncio me intriga, me aflige o coração como uma ofensa em que me ponho no chão humilhado, esperando para me levantar; se estais, se estais - o que importa - gosto, amo ,as felicidades alheias, só fico ainda num silêncio, eu quero calar todo pensamento sobre ti, toda lembrança, rarefeita que pouco interagi, quero livrar-me rapidamente, como quem se fere ao cair e rasga o joelho em sangue, eu tiro o curativo previamente, para sarar mais rápido. Caí? Fui de cara no chão e me feri? Com sangue melei-me?
Um refrigério tenta passar sobre mim, e lavar minhas agonias, umrefrigério tardio dos dias quentes, que acalmam as inquietações do amanhã, ele está aqui, em iminência, é daqueles que deixamos fluir como em solução, que leva o que queríamos longe a tempos, está aqui, enquanto falo, está quando estou pronto a dormir, um refrigérioeminente, um refrigério eminente - queria quebrar esse estado estático, em dinamismos completar a função básica da ação que em ciclo se repetem enquanto vivo - há duas opções, - ou o refrigério me atinge e com força , em vento que arrasta mancha - levarás para longe ansiedade do esperar, e escorrer como as águas dos rios que correm nos dias de chuva, numa corrente avivada, que de barulho bate nos ouvidos atentos, e de cristalina basta ao reflexo da luz, o cheiro exala forte por dentro, um início que tudo se põe, a seca foi, o rio aumentou, o volume, estará a pouco no mar percorrendo diferentes águas, aquelas que de surpresas terão mais e mais, os diversos seres, e dali encontrará tanto que se das águas passadas dependesse, nem estaria ali, uma lembrança das margens estreitas, agora há o mar.
Ou empurro o refrigério, deixo que volte a seu lugar de origem, e encontro a satisfação do realizar, mesmo sobre a ameaça do tédio, que indisponível se põe no começo, mas arrisco com coragem de fazer-te parte minha enquanto vivo, e o viver infere a idéia de tentar, tentar abandonar o refrigério por uma experiência pequena , ou outra de dimensão escolhida tua, com tua boca teu cheiro e pele. Faço-o porque acredito em ti, as iminências são minhas amigas protetoras, eu chamo-as em choro enquanto a noite não chega, e em papéis, os quais me ouvem, aparam as lágrimas enquanto amigas minhas não chegam, num tempo marcado pelos enquantos do esperar a conseqüência, tentado da causa, eu ponho-me desse jeito. Oh refrigério que atinges a melancolia que se alastra sobre meu ser, o qual se põe sobre os risco, eu quero,refrigério, que sejas a minha cura dos amores que crio, eu quero que leves as lembranças, estão aqui nessa caixinha guardada, todos os pertences, e os adjetivos, e as idéias que empreguei, guardado está para ti, se lavas que me lave meu ser dentro de um riacho que corre rápido e em vestes brancas que balançam sobre a correnteza interior seja levada agora, seja tirada, refrigério.
Mas refrigério, eu em cara de pena e dor olho-te, vale a pena deixar ir, o refrigério? Vale a pena deixar-me lavar, eu estou de pés molhados, pronto para entrar, vale a pena deixar que os cheiros esvaiam-se? Deveria continuar lutando ou deixar-me flutuando ser parte da água? E as lágrimas escorrem do meu rosto, e aproximas-te em brisa calma, e sopro sinto sobre meu rosto, digo estais aqui, vives apor aqui, o dias está claro, as águas correm geladas, e os ventos em sons avisam-me que estais aqui, e mais, buscarás-me, e eu estou na beira do rio, atendeste meu chamado, mas se ela aparecer por aqui, eu provavelmente agradecerei tua atenção, irei junto com ela, por um segundo estarei a andar pelas florestas que de vastas têm árvores que são a forma viva do teu passo, eu ainda te ouvirei e sei que estarás aqui quando precisar. Devo por esperar ela? Devo esperar por ela, refrigério? Tuas mãos correrão suaves sobre minhas vestes, e sentirei um peso sair do meu corpo, e a correnteza disputará contigo enquanto lavas-me, depois tuas mãos finas não seguraram mais meu corpo e serei, em velocidade de águas fortes, carregado para o lá.
3 comentários:
muito lindo...vc tem um dom... um dom maravilhoso... continue sempre assim...emocionante o que voc~^e escreveu
Davi eu sempre te disse que tú tens um futuro promissor na carreira literária. Seus textos são só "provas vivas" da minha tese. Parabéns seu text está lindo, atraente, envolvente e como sempre, com seu toqu pessoal de rebuscagem e joos de palavras.
Parabéns pelo seu dom e habilidade.
oooooooooooooooooohhh
aplausos =)
ps:vc inventa muito bem. ;*
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