sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Electra na água[cap.1]

Nara observava atentamente, cada novo detalhe não passava do olhar daquela menina, o calculismo dela a fazia agir certo quando todos pensavam que seria ao contrário. Sua mãe costumava xingá-la aos gritos e a única ação dela era virar as costas e desprezar. Na escola, era alvo de humilhações, mas sua calma e frieza permaneciam ali, intactas e sempre preparadas para o mais adverso. Quando foi roubada a única que ela disse durante o assalto foi: "Leva.".

A única dúvida que passava na cabeça de todos era como uma pessoa que vive num mundo conduzido pelo estress se mantinha daquele jeito?Uns diziam que era porque ela passava a maior parte do tempo observando os erros alheios; outros diziam que era a hereditariedade, seus pais sem dúvida eram calmos como carneiros. É penoso dizer que nada disso fazia sentido, pois suas atitudes não eram justificáveis desse modo.

E como toda manhã que traz novos problemas e novas decisões, essa seria a mais importante e esclarecedora. Depois de voltar cedo da escola, era período de provas, ela encontrou somente seu pai alcoólatra sem perspectiva de vida em casa, sua mãe trabalhava para sustentar a família, e então cenas da infância de Nara começaram a se repetir naquela hora.

"Vem pra cá! Vem pra cá agora!" dizia o pai dela com autoritarismo. Nara se aproximou, bem devagar para evitar reflexos da parte do pai, e enquanto ela fazia isso cenas da sua infância perturbavam seus pensamentos, ela lembrava quando o seu próprio pai passava a mão com extrema malícia no seu corpo infantil, ela sentindo-se morta, sem sentimentos pois não podia chorar, seu pai a proibia dizendo:" Se tu chorar ou contar pra alguém eu vou te bater até tu morrer, tu ta ouvindo? Não chora!" e continuava com estupro.

Então não foi difícil pra ela puxar uma faca que estava a seu lado e empurrá-la na barriga do seu pai diversas vezes. Não foi difícil não sentir remorso enquanto ela tentava tirar o corpo morto de seu pai de cima dela. Não foi difícil ver seu pai sangrar muito e produzir uma grande poça de sangue. Não foi difícil limpar tudo aquilo e ainda jogar o corpo dele num rio das redondezas.

Enquanto ela via o seu pai afundando nas águas barrentas do rio ela passou pela parte mais difícil: aceitar que ela tinha reagido impulsivamente pela primeira vez em dez anos, e como foi árduo para ela decidir aquilo - ela sabia o que queria ser - , mas em relação a suas atitudes psicopatas ela não tinha remorso algum - ela sabia do que era capaz.

4 comentários:

Dilersquitch disse...

just perfect
como adoro estórias de terror,cuspense e pornografia diria que está perfeito.
e eu endossava um episodio por semana

Lucas Brasil disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Brasil disse...

sim! trágico e muito bem escrito, vocabulário ^^ "superelegante", parabéns!!! viva !!!

just perfect²

JacqueNerdBlue disse...

pÔ, bem tocante esses textos do seu blog. Parabens mesmo! Sempre é bom para o ser humano textos q fazem ele refletir e se emocionar ao mesmo tempo (razão e emoção juntos).
Em relação a este texto, é bem impressionante como as dificuldades da vida fazem uns ficarem tão insensiveis a mesma! Ou vc morre se lamentando ou se "droga", achando tudo normal e sofrendo as suas inseguranças de forma solitária, sendo um estranho na sociedade.