domingo, 17 de agosto de 2008

Confuso.

Porque me desliguei de minha razão, sim eu estava na casa da amiga, não teria ido por nada, e de modo inconsciente fui adquirindo postura alienada que quem sai com amigos e não questiona o que eles te oferecem, nem tenta negação do que te presenteiam.

Eu passei o dia molestando-me com as lembranças do dia anterior, questionando-me posições, entendendo-me e no final ainda tinha feito certo, não tinha avançado, não tinha vivido, porque fim seria isso, de uma forma ou de outra, eu estaria numa sarjeta escura, sozinho, e cheiro de enxofre.

Não viria depois de tudo, não calaria minhas lembranças, não me tocaria em pele, não olharíamos de novo, ela. Era o que eu entendia e ainda fazia certo, fazia sem remorso de abandonar o barco que estava com um buraco insignificante que ora levaria esse lindo flutuador, desejado meu, aconchegante barco que riria ao fundo e ali estagnaria virando um fantasma que se perde em lembranças passadas, que se perde em habita de peixes inseguros. E eu deveria continuar navegando, procurando minha terra, já que ela não queira compartilhá-la comigo.

Ainda assim, eu tentei o dia inteiro me concentrar nos produtos, e a produtividade lutava com a lembrança, mas de luta me enchi, era hora de ir ao aniversário e tentar contatos com os terrestres meus amigos.

Fui sim,querendo deitar minha cabeça num peito, novamente, no peito de alguém para ouvir o coração bombeando, sentir fluxo contínuo que é a vida e nisso me inspirar, não conseguia me ouvir, não conseguia me sentir, supostamente o fim, mas ainda assim no certo.

E nada, o aniversário foi só comida, nem conversas proveitosas tinham, eu estava perdido em tanta comemoração e nem sei se parabenizava o amigo mais velho agora, e isso ninguém sabe, porque tive que sair e ir a casa da amiga outra, mais importada e importante, e lá encontrar arreio que vai no vento que leva o tempo. Porque ela estava com uma das amigas e as duas sabiam cozinhar, sabiam fazer de uns ingredientes uma receita que te deixa mais leve, que te faz um pouco menos ágil, e a fizeram. Comi com medo, e com dor no estômago que foi comer doces, pizza e bolo, mas nessa degustação calma e fingidamente em paz, não senti leveza nem o céu, porque precisava vê-la para isso. E fui atrás dela.

A encontrei indiferente e medonha, e eu dizendo que queria conversar, e nesse discorrer de procurar-achar passaram-se uma hora, e já estava na frente dela, com cara destemida e coragem para dizer “Quero te beijar, só vim pra isso.”, ela ao me olhar e me ver rindo e corajoso e perguntar “ O quê tu tem? O que tu fez no aniversário?”, e eu dizendo sorridente “Nada, eu não bebi nada.”, mentindo eu soprei meu hálito sem álcool para comprovar a negação. E eu ainda dizendo que queria mais, que precisava deitar abraçado de novo e sentir a pele macia dela, sentir-me seguro nos abraços jovens, merda que é se apaixonar, sorte que é amar, que precisava muito mais o que aquela meia-horazinha, que queria só um tantinho acabável com ela, e esta ainda me admirando de tanto pedido e atitude que tinha, e eu ria enquanto falava, estava corajoso e lá vai eu dizendo que ela puxa meu coração para fora e corta com uma faca e rindo se diverte de me por em testes que acabam comigo, porque ela tinha beijado minha barriga e amassando minha bunda por dentro a cueca e a tinha visto e calcinha? Porque não avancei? Porque previ, olha, eu re-pedi, que por favor, me desse um beijo, e xingando-a no meio disso, sem organização prévia, sem sistematizar palavrões, colocando os mais ofensivos no final para vê-la definhar em remorso, eu estava desconectado ainda mais para ouvi-la dizer “eu não vivo de prazeres carnais.” e eu me encher de raiva por considerá-la como importante, que merda que era pensar nela, que sorte que era tê-la por perto, e eu dizendo que tinha comido brigadeiro, e ela rindo , e eu completando, brigadeiro com maconha “Porque eu não vou dormir bem e tu vais.” E vê-la de boca aberta sem palavras, não havia sermão espiritual, e eu indo na rua gritando “Fucked asshole, fucked asshole.”, tentado transformar a raiva – que tinha dela - e o remorso – de ter usado maconha – num grito ofensivo.

E me bastou isso tudo porque depois que a leveza deu lugar ao pesado ser que tentou se livrar de si mesmo, eu fiquei no chão, agora errado, ações maduras teriam sido o melhor, e nem a quero mais, nem vê-la posso, porque merda que é usar maconha e vê-la rindo, sorte que é sentir-se leve e vê-la indo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

[cap. 16 ou 6]

Apertava-lhe por dentro. Sentimento que ia e vinha e, indescritíveis vezes, levava-a para mais longe. Longe do terreno fértil dos desejos reassimilados, no que gostaria que fosse prática, na prática adiantada. Não bastaram as perguntas sobre o peculiar estado do rapaz que tinha conhecido, nem as demais teorias desenvolvidas no tempo rápido; estava a sentir-se quente e só, sina da fase. Perguntando a si mesma quando chegaria, as sete teria sido a melhor escolha, mas pelo momento, ansiava às cinco, e, a partir dessa hora, não sabia desenvolver razão para o suposto atraso de Luis.

E imaginava os lábios soltos do rapaz, lábios rosados, tanto de tirar-lhe a curiosidade de perscrutar sobre as demais partes do garoto. Porque os lábios, estava certa disso, correria sobre a pele delam, e, na sensibilidade que tinha para finos lábios e suaves toques, contemplaria o que lhe faltava. Se quente estava faltava-lhe o frio, supostamente, mas não. Não, porque um corpo frio é sensualismo mórbido e desse tipo sensual Nara talvez não entendesse. Mas se o corpo frio não a completaria, a lei dos opostos - eles sempre se atraíam mesmo? - estaria inaplicável. A não ser, viva e exceção, que Luis chegasse calado e frio, não disposto para mais nada a não ser olhares cobiçadores que rodeavam Nara, seja nos raios-x que tentava fazer da pudendo da garota, seja possuída visão do glúteo dela. De desejos estavam cheios assim como o mundo estava.

E chegou Luis com a cara reservada aos capitalistas, com poucas palavras, pouca expressão e pouco vigor, era o cansaço. Nara o viu chegar e tentou ajudá-lo o máximo; pegou a maletas os sapatos tirados, a gravata e colocou nos lugares de hábito. Isso porque tinha passado parte da tarde descobrindo, ou vasculhando, cada parte da casa e designando as relações entre os espaços vazios e seus acampanhantes. Não encontrou muito, só camisinhas na cabeceira da cama, normal, pensou, cuecas que a despertou mais para o que seria o desenho mapeado do corpo dele, umas blusas, o perfume que ficou cheirando como se pudesse voltar ao momento que o encontrou primeiro, e pornografias dispersas e regulares, aliviando-a de teorias que assustavam-a sobre o estado do rapaz.

Depois de colocado as coisas foi à cozinha para vê-lo. Tomava água com preocupação, encostado num armário pequeno, violado pelo dia. Nara aproximou-se e, bem perto do rapaz, passou a mão pela testa dele, deslizou-a para a cabeleira e gadelhou-a para trás, com preocupação acatada ao vê-lo no estado. Rompeu barreiras?

Sim, mas ambos gostaram. Estava na hora de reaproximaram fisicamente, pois desconsideraram o selinho que deram, coisas modernas. Mas, porque não tinham ainda cãibra, sorriram um para o outro. E beijaram-se.

Porém bastaram os beijos, haveriam de ir a banho para colocar as ruínas e a sujeira do dia-a-dia.

Havia banheira, era de se esperar, Luis pois para encher, tirou a roupa, de longe Nara observava a parte nua posterior e só pode ver isso. Foi ao outro banheiro, já sem banheira, e tomou um banho gelado, necessário e no seu tempo.

Não quiseram sair, pediram pizza e assistiram tv. Rindo da alguma programação, olhavam-se por escapada. Desligaram a tv, cansados das repetições e deixaram-se inovar. Calaram pensamentos. Foram ao quarto calados, já poderiam dormir um do lado do outro, circunstâncias do momento, e na conversa divagada desenhavam-se fagueiramente, uma cama confortável, ouvindo vozes gostosas, compartilhando bobagens. Era o momento.

No divagamento passaram a dormir, primeiro Luis, por homem e ter levado o dia nas costas, e depois Nara ao perceber que falava história para as paredes, dormiram um ao lado do outro, sem abraços, sem cheiros.

Amanheceu. Na manhã mesclada de madrugada acordou Luis e foi ao banheiro, voltou de cueca com o pênis rijo, facilmente visto. Nara abriu os olhos e não o recebeu com riso, nem com grosseria, olhou-o nos olhos e da comunicação telepática pode-lhe avisar que estaria, em pouco tempo, aberta e disponível, para não dizer arreganhada. Então Luis tirou a cueca a avançou em direção a Nara, com o pênis indo à frente dele, como numa batalha espada vai um pouco mais adiante do guerreiro. Aquele era o momento em que Nara poderia relembrar todos os outros em que o desejou dentro dela, dentro e sem fôlego, todos os devaneio dele possuindo o seu seio, todos os suspiros dados tentando captar a essência fujona. Mas agora poderia cheirar o pescoço branco do rapaz, poder tocar-lhe a perna, ser prensada sob os músculos jovens e sentir presa e com falta de ar.

Nara viu o pênis rosa do garoto e aproximaram, deram-se beijos calmos e carinhosos, abraçaram-se, ela de roupa, ele desnudo, e tentou captar o máximo do momento o aproximando-o mais ainda agarrando os glúteos de Luis. E depois na calma que os sustentavam, Luis tirou a blusa, o sutiã, a bermuda, a calcinha e se reabraçaram nus, ao ponto de penetrá-la, mas Nara segurou-se.

Ele foi beijando o pescoço, mais um pouco abaixo, os ombros, o seio, os mamilos, a barriga, as coxas, os pés, e a vagina, com uma delicadeza, com um apreço, coisa que Marcos fez a corrida, sem notar a variação das texturas, e depois a levou a borda da cama, afastou as pernas e ,com objeção concentrada, pôs-lhe o pênis devagar, para vê-la mudar de expressão, e mais intensamente foi avançando, até que os gemidos foram tornados e pequenos gritinhos, daí gozaram juntos numa sincronia, num deleite afável, um sobre o outro, para eles, por eles.

E ali Nara pode calar-se para si mesma sobre as teorias a respeito de Luis, tinha vivido, tinha provas, tinha o nas mãos. Pobre ingenuidade de Nara.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Movimento, Mecanismo, Defesa.

Perturbação que é sentir o não gostaria, porque está cheio de desejos fortes que latejam na ferida exposta e que latejam em dor, assim como também em prazer, que se perdem em definições que não se pode dizer, mas sente com freqüência, senti quando pensa, nessa cadeia que é idealizar, sentir e agir, perdia-se por desejos e neles, como quem quer se livrar e entra numa prisão, como quem diz que tenta, mas repete ações. Repetidamente. Repetidamente.

Volta vai, ciclo rápido, ciclo fácil, um vazio que vai formando uma concavidade nula, que faz falta, que perturba, e na concavidade acumula-se desejos e mais deles se reproduzem, como se nesse espaço houvesse incubadora, e responde, com muita perturbação, responde incessante, indeciso, tremendo, medonho, concavidade nula que toma o dia.

A falta está dentro e conversa com a vontade, satisfaz-me, satisfaz-me, porque sanar-me é i teu nome, é o teu significado; a vontade, entretanto, espera dançante, olha com olhos pedintes de misericórdia para a decisão que impaciente incomoda a razão; a razão elabora, enquanto a intuição não pára de repetir “deixa comigo, deixa comigo”, mas a razão concentra, e a falta grita, começa a tumultuar, se rebate , convulsiona, a vontade reclama alto, pede atenção, chama, a decisão é abatida, e começa a cobrar, e lá vem a ameaça – “Me chamaram?” – a intuição olha com orgulho para a razão e repeti seguramente: “Deixa comigo.”

Formou-se o time. Atentem para a concavidade, atentem e uma cadeia que incessantemente trabalha, não para de proceder, enquanto a ameaça vai triste, nem encontrou o amigo medo, mas esperará, boas amizades nunca acabam, Bora, borá, movam, movam, gritava a vontade, movam,movam.

A falta se coloca de quatro, e suspira, suspira profundamente e sussurra baixinho, numa voz que confunde com algum gemido, a intuição já dera o comando e no comando havia a acasualidade, a intuição ainda no acaso, caso secreto que mal a razão sabe que se encontram, quando sai de casa, nessa omissão que é dar uma escapolida, a intuição se encontra com o acaso, encontro forte a apaixonado, livre e aberto.

A decisão e a vontade se chupam em beijos longos, de línguas confundidas, tardiamente tornaram doloridas, em beijos intensos, corre a mão da decisão sobre a vontade, nesse movimento que é a propagação a decisão comenta e apresenta novos modos de beijar, novos modos de amassar, a decisão agarra o peito da vontade e os aperta levemente entre as mãos quentes, passa para o glúteo e passa a apertar novamente, aperta com graça, percorre a linha que separa o par de músculos, com velocidade constante, em pressionamentos que intensificam, de cima a baixo, chegando a uma pressão forte lá em baixo, e recomeça o movimento, mas ah, a vontade aproveita e sente que em meio ás pernas algo molha-se e não deixa passar, não pára de acariciar, a decisão, em beijos enche o pescoço, molhados e salpicados, logo após lá está a vontade brincando com os mamilos da decisão, que ora aperta-os sem dor, entre os dentes, ora pincela-os com a língua, saudade que é a vontade com a decisão, e a decisão, quase numa ânsia de gozar no peito da vontade, se despede, lá para as tantas se masturbará pensando no momento, e, enquanto o melado não secar, que as lembranças venham logo.

Mas a vontade chega com a falta e a vê de quatro, aprecia, re-olha, suspira, suspira profundamente e sussurra baixinho, não confundido com um gemido, mas com uma voz que promete e a falta de quatro, por enquanto bastam as dedos que entra e saem numa concentração quase ardosa, num movimento que tenta ser satisfatória, mas que em pressa se defaz em afoitamento de meia solução, e a falta move os músculos, altera e puxa a mão da vontade para a genitália, a vontade enche a mão nisto, e aparando com concavidade necessária, agrega o material em apertos sucessivos e depois de um tempo passa a ser escorregadio e quase um desafio apertar sem deslizar bruscamente, e se aproximam, um de costa para o outro, e beijam-se, sendo que a falta desloca a cabeça para trás e a vontade tentando achar um modo correto de manipular, e já não consegue sentir a mão da falta, mas continuam, a intuição planejou bem, beijo que cansa, e lá está a falte se arrebitando, posicionando e oh, começaram o movimento, está devagar, mas acelera, e cadê o pé da falta, e mais intenso, mais intenso, forte, vindouro, não palpável, fugindo, fugacidade, ai, ai, fugacidade, está indo, os braços onde estão, ai, ai, indo, indo, pernas onde, vai, vai, vai, e vê aquele fio branco que voou no ar, não parado lá dentro, e cadê a falta. Desapareceu, mas pariu a satisfação, que já está rebocando a concavidade, hora ou outra fica plana, e faz um trabalho bem feito, a razão, vlta, encontra a intuição na cama, jogada está, Deve está cansada, pensa, e vê ao redor, bem diferente do começo, mas não sente apreço, deveria ter feito algo, nada sai tão bem quanto se quer quando se passa as tarefas, e pensa na perturbação, não, não eras tu não, eu que não percbi que eras filha da ansiedade, enviada por esta, e nem sei o que fizeram aqui, se evitaram a realidade, ou a excluíram, ou redefiniram-na, se inverteram-na, se passaram do interno para o externo, se dividiram-na, ou dela escaparam, fui inflexível, fui ineficiente.

sábado, 2 de agosto de 2008

Últimos da história!

Do mais-ou-menos ao...

Ô telefonezinho que toca quando quero o silêncio de uma paz que é inconstante só de existir, porque quando a anestesia queria perder o efeito tocou com toque perturbador e lá vai a adrenalina, e depois já estarei de anestesia que é ouvir tua voz, e só podia ser tu, porque outro telefonema não coloco, estava mendigando momento, dizendo que queria se encontrar que queria falar, e eu criando abuso, que precisava me encontrar em casa ,mas deixa, eu neguei, agora já, depois de tanto repensar , não queria mais vê-la, não queria estar a disposição e ela sabia da minha situação, não poderia se fazer mais de inocente que acreditava que eu não sentiria nada ao estar perto dela...

Porque o teste foi terrível, foi massacrador e para qualquer um que já passou por essa situação ou passará, sabe que risco correu ou correrá, e esse risco parecia que era a brincadeira sádica dela, que curtia com as emoções, e considerando o telefonema anterior, o que havia arrependimento e insatisfação, mas ainda cruel seria vê-la outra vez, portando os mesmos sorrisos, os mesmos de tudo o que me fez parar meu curto tempo para dá-la atenção de um coração que não deixa sentimento passar, e quanto mais eu negava, mais ela implorava por um momento a sós comigo, queria está sozinha comigo, quer fosse meu sacrifício, e eu negando, ora,isso é pergunta que se faça?

...Eu, na minha casa, com a minha cama, ela, na minha casa e também na minha cama, não, é tentação de mais para uma carne que mata vontades só em pensamentos, palavra final que dei a ela: "não", porque se fosse para ficar em casa a sós, diria não, lancei proposta de ser numa praça próxima de casa, mas não queria, só me encontraria se fosse em minha casa, mas não.

E ela disse que ficaria com raiva e o de sempre, eu nem liguei, era dela própria ficar fazendo ceninhas, eu fiquei normal, já bastava o teste, e fiquei em casa tentado fazer algo que tirasse imagem da minha cabeça, aquela imagem criada de inocência. E por intuição própria, depois de horas da ligação, desci as escadas de minha casa e fui ver a frente desta, sem intenção maior, ato inconseqüente que se faz todo o dia, e olhei, era tudo normal, era tudo sem acento, e ao lado de casa, na calçada, lá estava ela sentada no chão, com cara de insatisfação, virou o rosto para mim e me olhou por...

Cinco segundos, foram os cinco segundos mais ilógicos da minha ida, eu tinha acabado de conhecê-la, e estava na fase da coragem, em que se chega junto e sem medo começa uma conversa sem tanta enlevo, e foi ali, que lha faltou palavras, e só me olhou, pelos cincos segundo que deveriam ser aceitos como uma quebra de intimidade, eu jubilei só por ter aqueles cinco segundos só para mim, e fui á casa certo de que ela poderia ser mais que uma imagem na minha mente, um desejo solto, sem futuro. E nos olhos tinham chamas, e pela irradiação foi em cima de mim, foi, pois meu interior queimou rapidamente e calor foi tanto que minhas pernas foram obrigadas a se estabelecerem, foi num momento tão rápido, e tão desastroso, porque saí dali quase que certo, restaria para o teto o meu quarto me responder se era só loucura, ou mesmo um conselho amigo preocupado com as insanidades que crio.

... Pouco, mas agora foi pouco, ela desviou o olhar com insatisfação grande, e logo eu abri o portão e a chamei, ela não quis entrar, e eu estava sujo, tinha acordado fazia quatro horas e logo que acordo ela já vem com propostas de encontro, e mesmo negando ela estava ali, mendigando atenção, que houve? E fui ao lado dela e sentei, e pude a olhar mais um pouco, era o momento que ela falava mais do sentimentos dela.

- O que tu estais fazendo aqui?

- Eu falei que vinha.

- Mas eu desconsiderei, tu não irias fazer outra coisa lá e eu ainda disse que aqui em casa tu não virias.

- É mais eu disse que viria te ver.

- Isso não faz sentido! Porque tu estais com raiva?

- Por que eu sabia que isso ia acontecer, tu ia começar a me evitar, querer parar de conversar comigo, não querer mais me ver. Eu sabia disso, e eu vim aqui só pra dizer que pra mim não tem problema nenhum. - mas a cara dela negava, pois uma raiva corava-a e seus lábios faziam um biquinho que cólera.

- Para com isso, menina! - e passei meus braços em volta dela como...

No nosso terceiro encontro, em que, depois de tentar tirar palavra da boca dela, e não ter conseguido coisa alguma, eu me aproximava mais dela, o amigo Caio, antes, estava entre nós e fazia força para distanciá-la de mim, mas ela aproximou e passou o braço em volta de mim, e meu músculo do tamanho da minha mão fechada, ficou inquieto, muito inquieto, e ela me olhava nos olhos, com coragem e vontade de ver mais, de conhecer mais, aí não, não soube diferenciar, eu mais colocava sentimento por ela, e mal sabia que sofrimento que é fazer isso, porque quando ela tirou os braços em volta de mim, eu empurrava o meu antebraço contra o dela, e me aproximava, queria um toque inocente queria me aproveitar disso tudo, e ela passou de novo o braço em volta de mim, e de novo o músculo. Fui para casa acariciando meu próprio antebraço e relembrando constantemente os delicados toques do braço dela, eu realmente não sabia que sofrimento ocorreria mais tarde.

... Sinal de desculpa mais não adiantou, ela me olhou ainda em cólera e continuou:

- Eu odeio quem foge das situações, eu não gosto, olha que tu é maior do que eu, tem mais idade, e agora tá fugindo das situações, eu odeio quem faz isso.

- Não, tu sabes da minha situação, tu sabes que quanto mais tempo eu passo perto de ti mais eu posso gostar e mais o sentimento aumenta. - eu disse calmamente tentando fazê-la ver que não queria machucá-la com minha ação, ou inação.

- Não, sabe qual o teu problema? Tu queres fazer tudo sozinho, tu não dá o braço a torcer, não pede ajuda de ninguém, tu sabes que tu precisa de ajuda, esse sentimento não tá nos planos certos, tu queres fazer tudo sozinho. - eu calei, porque a verdade quando ouvida é aceita e não rebatida, eu calei porque precisava realmente de ajuda, e nessa humildade que me encheu respondi:

- Me desculpa, por favor, me perdoa. - pedi delicadamente e a cara dela se encheu de dúvida...

Dúvida era o que tinha na cara dela, depois de sairmos do riacho cristalino, nós estávamos no ônibus de volta, e a dúvida era o motorista da viagem, ela ria pelos cantos da boca, compreensiva demais com meus sentimentos, para não me constranger, mas confusa sobre como eles surgiram, e eu já tinha falado que tinha criado um quilo de coisa sobre ela, que tinha fantasiado mais ainda e tinha sido ufanista, mas não bastou, ela continuava na dúvida, e como aquela dúvida era charmosa, como era bonito vê-la pensando no profundo ser, e se questionado sobre a especificidade dela que fez apaixonar-me, era interessante, engraçado e bonito, mas ela olhou para mim com olhar de curiosidade e já atingido pela dúvida, aproximou a boca do meu ouvido e docemente, bem baixinho, perguntou "Porque eu?", e depois olhou-me nos olhos e com graça que fluía do momento e dela própria esperava a resposta, o clima mudou, pois eu senti o ar mais úmido, a temperatura regular, e a viagem parou, era um momento belo que me fez não pensar em resposta alguma, eu deixava de aproveitar a viagem.

...porque para ela, eu deveria ser mais infantil, pelo ao menos eu acho, desviou o olhar de novo, e repeti de novo:

- Desculpa, por favor, me desculpa, me entende - ainda docemente dizia. Ela foi mudando a expressão e passou a rir, com um riso de vergonha, talvez percebeu que a situação era demais de inusitada, - vamos à praça. - levantamos e fomos, achamos um banquinho e ficamos sentados lá.

- Aí, sabe? Depois de ontem, do teste, eu fiquei pensando, porque eu acho que eu deveria ter te beijado, sabe naquela hora faltava um pouquinho para eu alcançar tua boca, aí eu cheguei em casa e fiquei me questionado, eu deveria ter te beijado.

- Não, quando tu desviaste teu rosto de mim ontem, eu percebi o que tu queria, eu pude ver em quem teu foco tava.

- É verdade, quando tu disse naquela hora, "isso é pecado, não vamos sair espiritualmente arrebentados." aí eu recuei, e fazia um tempão que não ficava com ninguém.

- Pois é, mas tu me fez perceber de verdade o que quero, isso foi muito bom, parabéns. –eu disse triunfante, a cara dela era de espanto, mas desviou-a e logo perguntou:

- Teria algum problema se a gente dormisse abraçadinhos, seria maldade?....

Não, não seria maldade se eu fosse um boneco, porque se eu fosse menina, ainda poderia ser maldade, ou vai me dizer que lesbianismo não é tentação? Mas eu, pelos hormônios que engrossam minha voz, põem-me pêlos corpo, auxiliam na libido, e também as ereções noturnas, sim a maldade me encheria com força, e eu transaria sim com ela, pois ela, ou eu, acordaríamos um ao outro,no meio da noite, e logo estaríamos nos beijando, e não diferenciando o sonho da realidade, no quarto escuro, sim seria maldade,problema, pecado, desejado, mas pecado.

...hein?

- Acho que sim.

- O ônibus que eu pego passa por aqui. Seria maldade mesmo?

- Acho que sim, não sei, acho que te beijaria se dormíssemos juntos.

- Não, não haveria beijo nenhum.

- Acho que sim. – pausamos e ouvimos o transito.

- Bora logo, me leva na parada.

- Tá. - e fomos andando já sem tantas palavras, as perguntas eram difíceis e as respostas também, e chegamos na parada.

- Sabe? Eu tava lá em casa e eu percebi que gostava de ti, tu me fez ver além que uma simples paixão, teu coração bateu forte quando a minha boca chagava perto da tua e isso que importa...

Reação, reação? Não, nada. Eu realmente seria um babaca se acreditasse no que ela tinha falado, sim, porque no final quem estaria preso, em choros, em dores, em quero-quero-mais, seria e somente seria eu, a verdade já tinha clareado minha alma, eu estava certo disso, e nessa hora até que a dúvida quis manchá-la de novo, mas me contive, não, já bastava.

... Sabe?

- Nossos caminhos são diferentes, uma hora ou outra eu vou estar, ou tu vai estar em outro lugar, e aí não seremos mas o que seria o hoje, o amanhã continua incerto.

- Me dá um abraço?

- Hum?

- O ônibus tá vindo e não vai ter tempo de me despedir.

- Tá. - ela me abraçou com força, eu dei um abraço normal, de amigo para amigo, estava já certo mesmo. Depois do abraço, comentamos mais um pouco sobre tudo de novo, ela me perguntou se gostaria de dormir na casa dela, eu disse que seria um problema, mas ela insistia que não, que não. O ônibus apareceu e vinha devagar, dava para uma despedida. E de novo ela fez menção de abraçar-me e dei outro pobre abraço, ela foi mais tocante nesse, passou a mão pelas minhas costas, deslizou vagarosamente, apertou-me com carinho...

Esses foram nossos dois últimos abraços, e não digo só de um, porque foram concomitantes, um empurrou o outro, eu dei um abraço velho, e já no segundo ela foi mais aberta, e é só o que ela poderia ter, esses abraços foraa a última esperança que o céu pôde dá-la, só mesmo.

...carinho que teve que interromper, o ônibus se aproximara, era tempo de ir, e nem a vi entrar no ônibus, antes, toda vez que a deixava eu olhava para trás, tentando achar o rosto dela me olhando também, mas agora eu fui em direção à minha casa, não olhei para trás, e se ela finalmente me olhou, olhou na hora errada porque eu não a vi.

Sim.

Por que é tempo de deixar ir, é tempo de abandonar, deixar para trás o que tinha posto como foco. E tempo de deixar ir é um tempo de escolha madura, não é fácil para mim dizer a mim mesmo "vai" , mas aqui estou e aqui tenho que aprender a viver, ainda é tempo de escolha, tempo de olhar longe, e não se focar no chão ralo que tenho nos meus pés, e continuar acreditando, ainda posso ver o que quero , ainda quero o que desejo e isso me basta, de oportunidades somos cheios, oportunidade de vencer e perder, de ver êxito ou desprezo, de oportunidade a vida me enche e enche com bons olhos, com emoção de mãe que é ver o filho crescer sozinho, ainda lanças muito para que possa vê-te mais serenamente, e deixar ir a ansiedade e a raiva de se revoltar contra meu próprio mundo. Mas ô vida, eu te amo, no meu despreparo ainda te amo, eu encontrei em ti, e olha que não faço idéia se estava procurando, ou se era uma energia instável no universo, ou se era plano sublime, presente que é te ter, presente que é usar-te.

Eu escolhi a renuncia, que não vem em sabor agradável logo no início, mas que com o tempo vai mudando de amargo, passa para azedo, e adquiri vagarosamente o doce equilibrado, não chega a ser enjoativo, mas com dose necessária que é poder sentir-se fazendo o certo, renunciei por que vi, olha lá, eu vi, aquilo tudo que falava, planejava, era o plano para mim mesmo, era o que eu queria, e não era de solo, era de dupla, dois que pensavam de modo diferente, que viam de forma diferente, que agiam de forma diferente, e o respeito, respeito pela tradição, pelas idéias, estávamos indo em barcos que pela maresia encontravam-se juntos, mas momentos desses eles teriam que separar-se e ir a águas que sozinhos tinha que ir, e ainda nessa bacia grande que é viver, não poderia fazer e mapa, e nem calcular relevos, era a hora de ir e só. Era a obediência que tinha pelo o que acreditavam, uma solenidade pela fé, algo louco e sério, se a fé nos separou, a fé dispôs-se por nós, e como outro agente, ajudou-nos.

Porque ainda é tempo de deixar ir, e é tempo de ser grato, de senti o que alegria é, mas não reclamo, amei cada pedaço dessa história cada aperto no coração, cada olhar, cada sorriso, eu aproveitei o que era meu, e nos momentos não dei o exato valor foi porque ainda precisava de maturidade, e saí a compreender as situações, as buscas, os desejos, as derrotas, as renuncias, bem-aventurado sinto, posso olhar o algo a mais ali, naquela igreja que a encontrei e que ali esteja a paz que nos encherá enquanto passamos pelos corredores e vimo-nos, quando tivermo-nos que dá um aperto de mão irmão, quando a educação nos exigir mais, a paz eu encontrarei, porque estarei ali, e sempre, não por ela, não, por mim, que de fraco tenho que me fazer de forte, e de forte tenho que aprender, por mim mesmo que só via sentido material nisso tudo, que via nas carnes, tentação carnal, que via nas intenções satisfações de desejos, eu que tenho que estar para aprender a ser mas meta, físico seria se deitássemos juntos e calássemos as palavras e deixássemos as ações, mas não seria meta, para a frente que seguimos , lá, bem, lá no recanto próprio de ser, único caminho e solitária caminhada, cada uma lutando para o seu lugar, no após-tudo-aqui.

Porque eu renunciei, eu obedeci, eu sobrevivi, lutar não é fácil, e a dificuldade não é desculpa, porque depois da batalha o guerreiro sabe quem ele é e se satisfaz de conhecer-se mais, depois da luta, saber mais é o que se quer, e não há mais dores, nem problemas que afligem, e nada que faça calar a voz que diz "vê só o que tu és, não nascestes para a derrota, encarastes com perseverança, e olha , és vencedor que lutou bravamente!". E fico e pensar o que é vitória se lutas após virão e que venham - nisso tudo aqui, se o tempo não pára é por que as lutas também não.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Teste

Eu a encontrarei amanhã.

Porque fantasiei o que sentia e deixei que o tempo fosse levando, esperando que uma ventania arrastasse para longe o sentimento que deixei nascer semeado de inocência. Mas hoje foi diferente, muito diferente. Depois de ter contado que sentia verdadeiramente um turbilhão, ela foi muito calma e disse que se estivesse ainda no mundo faria diferente, me beijaria, ficaria comigo, sem ver a longo prazo relacionamento nenhum, e é por isso que não fico me instigando a amá-la mais, para ela bastaria uns beijos e uns amassos, sairia satisfeita e eu incompleto.

Depois desse episódio, a resolução entrava em minha casa, eu a queria, mas a resolução dizia que bastava o querer e, que se eu parasse de chamá-lo atenção, ela iria embora e nem se importaria. Resolução arrumava a minha casa reorganizava de forma simples, descomplicada até no dobrar e guardar em caixas os sentimentos mais difíceis, e ia devagar, com alinho, deslizando sobre minha casa com elegância finissimamente só dela. E anunciava um fim, fim da solidão, fim do sofrimento, das lembranças, devagar, anunciava boas novas e o movimento todo me enchia de gratidão, de felicidade que é estar independente sentimentalmente de alguém, aquele aconchego de poder se jogar no sofá e aproveitar o espaço grande, não apinhado e confortável.

Mas ela foi a minha casa, tínhamos combinado no dia no dia que eu falei do que sentia, e era desmotivada a conversa, para um encontro amigo e destemido, desapaixonado desligado de más intenções; isso pensávamos.

Ela ficou me olhando, talvez admirando o momento, e me perguntou:

- Posso fazer um teste?

- Que teste? – e transbordava malícia dos olhos dela, no momento eu desconfiei.

- Não posso te dizer.

- Porque não podes me dizer sobre o teste?

- Porque seria ofensivo pra ti.

- Mas por quê? Teste? Que teste?

Ela calou-se e desviamos o assunto, eu fiquei sem entender, mas martelava em minha cabeça que o teste poderia ter algum contato físico desafiador, e que fique claro que não queria afetá-la na vida que ela buscava encontrar. E não conseguíamos nos olhar, não conseguíamos disfarçar sentimentos. Ela já havia me dito que não entendia porque tinha me apaixonado por ela, uma pessoa boba, sendo que não entendia como era bom conversar e estar junto dela, numa paz sem palavras e sem adornos, num deleite fagueiro, onde só os sorriso dela bastam. E agora era a hora de nos questionarmos sobre as palavras nossas, e mentalmente sermos desafiados pelas nossas vontades.

- Queres o teste mesmo?

- Mas que teste?

- Não vou dizer. Queres? – Eu me enchi de raiva, parecia que ela não entendia que tudo que pedisse eu faria sem pensar, mas raivosamente perguntei:

- Que PORRA de teste é esse?

- Não sei.

- Tu não vai me dizer?

- Não sei.

Mais raiva entrou em mim, e ela me olhava com cara de pedinchona, que queria testar-me até o último segundo. E ela perguntou:

- Tu acha que tem alguma coisa a ver com beijo?

- Não! Acho que é algo mais leve. – respondi mentindo, a intuição já dizia que tinha algo a ver com beijo.

Calamos e ficamos sem palavras, meu coração começava a acordar de um sono leve e tentava se remexer, mas eu o acalmei e falava que nada de tão emocionante aconteceria, e o coração esperando ação para dar resposta. Eu a olhei nos olhos e perguntei:

- Esse teste vai machucar alguém?

- Não.

- E quais os possíveis resultados? Pra quê serve?

- Eu só queria saber se teu sentimento tá forte.

Mas como assim? Será que ela não tinha percebido? Eu abri-me, arranquei a idéia que causava aquela grande emoção eu a mostrei, ela viu que na idéias estava escrito “Eu estou apaixonado por ti” e será que não tinha entendido? Será que ele sabia o que aquilo significava?

- Lógico que meu sentimento ta forte!

- Tinha a ver com o beijo. Tu faria?

Pronto! Não sabia o que pensar, e se pensei foi só para dizer:

- Pra que tu queres saber se o sentimento tá forte ou fraco?

- Porque se tiver forte eu vou poder te ajudar e se tiver fraco vai ser mais fácil. E aí, queres tentar?

- Eu não sei se tentaria. Eu tenho medo, tu Sabe o que isso vai significar? O que significa pra ti?

- Pra mim? Nada. Eu só quero te ajudar.

Mas nesse momento eu questionei-me: ela vai se expor a essa situação e nada vai significar?

- E a tua vida?

- Pra mim nada vai mudar, nada mesmo, tu queres ou não?

- Como assim? Haverá correspondência?

- Sim.

- Não, me responde de novo: haverá correspondência?

- Sim.

- Tu sabes o que tu ta respondendo?

- Sim.

Aí meu coração disparava, eu tentava me nortear na situação mas tormentada, rápida e sem aviso, não deveria tirá-la da busca da verdade, nem afetá-la com questionamentos sobre a fé dela, mas o que seria um beijo, o beijo.

- Tu tens certeza do que tu ta perguntando? – Eu perguntei.

- Sim.

- Mas o que vai ser pra ti?

- Eu só quero te ajudar.

- Mas eu não vou ta te ajudando, eu vou te atrapalhar tua luta.

- Não, não vai.

- Vai haver correspondência?

- Sim.

- Depois do teste?

- Ah, não sei, acho que não!

- Como assim?

- Porque tu perguntas?

- Tu queres saber se meu sentimento ta forte? Lógico que ele está, aí tu vem com um teste pra saber e ainda diz que não vai acontecer nada depois? Presta atenção: eu disse pra ti “eu estou apaixonado por ti”, não bastou? Será que minha situação é incompreensível? Te coloca no meu lugar, eu estou suscetível, e tu vem com essa brincadeira, tu queres brincar com meu sentimento, porque isso parece uma brincadeira. Eu quero futuro e tu não pode me dar. Eu não quero ser mais um pra ti, e se tu me beijar lógico que meu sentimento vai ser forte!

Ela se aproximou de mim, eu fui em direção á parede e parei encostado nesta, ela me prensou com as mãos e perguntou:

- Será que o sentimento aumentaria?

Ela estava perto de mim, se distanciava dez centímetros. Eu senti a pulsação do meu coração, na minha orelha, na minha virilha, no meu pescoço e na minha cabeça.

- Pára com isso! – eu a repreendia com olhar sério.

- E se eu te beijasse agora?

- Pára. Pára com isso agora, tu não ta entendendo, olha meu coração, sente. – levei a mão dela no meu coração.

- Nossa ele ta batendo muito. E o que sente se eu fizer assim... – ela, ainda com a mão em direção ao meu coração, se aproximou a metade da distância anterior, e o coração disparava acelerado enquanto eu via a boca dela mais próxima da minha. – e o que tu senti se eu fizer isso aqui... – e deslocou o quadril para frente pude senti a vagina dela encostar-se ao meu pênis, tentei me afastar, não dava, a parede era o meu limite, virei a cabeça de lado e meu coração eu só sabia que existia porque havia um movimento louco dentro do meu tórax, ela foi aproximando devagar a boca dela da minha e quando estava perto de beijar, fechei os olhos, e desviou a cara e encostou a face na minha, e a ouvi perguntar:

- O que tu acha disso? – eu reabri os olhos.

- Se tu não fores ficar comigo te afasta agora, se fores brincar com o que eu sinto te afasta agora.

- Mas o que tu acha disso?

- Eu acho que vai ser danoso pra nossa vida espiritual, nós vamos sair arrebentados. – ela se aproximou mais ainda, fechei os olhos novamente, mais perto, pude sentir o hálito e o calor da pele dela.

- Esse foi o teste. – e se afastou.

Hã!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?...

Mas ô anestesia, ô alívio, senti o sentimento descer num ralo justo, escorria devagar e nós o ajudávamos, eu disse que seria danoso para ela e esta disse eu não faria, que estava certa do que queria e ainda me questionou perguntando que tipo eu era já que não encarava a verdade de ser mais puro.

Eu juro que não percebi, para mim, o momento, o que ela tinha feito era algo espiritual que me fez perceber o que queríamos no profundo. Mas que tipo de pessoa se coloca nessa situação e ainda questiona sobre minha postura? Graças á meu amigo, percebi que não, testes desse jeito eram mais carnais eu a fornicação em minha mente, que não tinha nada de transcendental, mas com uma dose, overdose, de tentação que fluía pelos poros.

Eu fiquei anestesiado. Quando uma pessoa quer desistir de um sentimento não promissor já é bom, mas quando duas querem, melhor ainda. Eu tinha negado e ela, ela tinha negado-me, seria a melhor situação do mundo, eu me livrando desse sentimento e ela me ajudando, e nós seguindo as nossas planejadas vidas, um para cada lado, vivendo um sem o outro, livre para si mesmos. Que nada!

Quando minhas certezas de acomodavam o telefone tocou.

- Oi.

- Oi.

- Como ta? – perguntei.

- Bem... – e inesperadamente – Eu deveria ter te beijado naquele momento.

- O que?

- Eu deveria ter te beijado, beijado a tua boca.

- Sério?

- Sei lá, agora me arrependo. – eu ouvia e não entendia porra nenhuma. Como ela tinha negado e agora choramingava no telefone?

- Como ta depois dessa situação?

- Sei lá. Eu to excitada. – a voz parecia incerta e receosa.

- Sério mesmo?

- Sim, eu deveria ter te beijado.

- O meu beijo é carinhoso. – disse eu. – E o teu?

- O meu beijo é quente. – e rimos juntos. – Sério, eu me arrependo. Posso aparecer amanhã na tua casa?

Eu não queria dizer não, mas tinha medo de beijá-la, e se ela quisesse fazer sexo, eu não transaria.

- Sei lá. – respondi. – Tu gostaria de ter me beijado?

- Sim, gostaria. - aí não sabia de nada mesmo.

- Seria problema se nós ficássemos abraçados na tua cama ? Haveria maldade?

- Sei lá – respondi, mas maldade havia na pergunta, que canalha!

- Posso passar aí?

- Acho que sim.

- Tu vai sair?

- Não, não, tu vens às quatro?

- Não às duas.

- Tá, então ta.

- Tá legal!

- Então tchau!

- Tchau.

Não sei o que fiz, não entendo o que falei, não procuro resposta para as razões questionadas, nada sei.

Eu a encontrarei amanhã.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desejo, vontade, inconstante, ela, insanidade...

Eu queria que ela tivesse agido mais friamente e que tivesse desconsiderado cada palavra. Eu queria que ela não tivesse feito carinho na minha cabeça, que não tivesse rido e me entendido, não tivesse me abraçado, não tivesse continuado. Mas ela fez tudo tão delicadamente importada com meu sentimento, e fez agradavelmente tentando não me deixar constrangido. Se foi o lugar, o riacho belo e cristalino, a areia clara, a floresta pouco afastada, as enormes árvores e o clima, que a inspirou a entender e se importar, não sei, mas na grama que estávamos sentados olhávamo-nos de vez em quando rindo e evitando-nos, eu contei o que sentia, com o coração na mão que escorregava ameaçando cair no chão das minhas mãos suadas e tremidas. Eu disse. Que estava apaixonado por ela. Acabadamente ali, eu me rendia a um sentimento fugas, me libertava da vergonha, com coração num aperto súbito, disse.

E agora eu pergunto por que ela não me beijou, não me levou para o meio do mato e passou a mão em todo o meu corpo, não me olhou maliciosamente nos olhos, não me beijou com força, não me tocou. Porquê vem na minha cabeça porque não compreendo de onde vem tanta gentileza e atenção, eu sei que ela não abriria mão da religiosidade dela, nem cairia em pecado outra vez, porque antes saía a beijar lábios de homens e fazia com prazer, e ainda hoje recebia declarações dos outros e ainda era assediada por estes.

Por favor, não me trata desse jeito, não me entende, diz que odeia e que a nossa amizade foi só mais um momento da vida, diz que me odeia e põe fim nisso, não faz nada de bom, me chama de pobre coitado que senti isso. Acaba-me. Vai achar teu caminho que é longe do meu, procura tua terra e vive nela, porque nunca haveremos de juntar as nossas, nunca haveremos de ser um. Eu quero que não rias mais para mim, nem me dirige uma palavra, eu quero que não me abraces, eu quero que não me ligue, que não me encontres, que não veja em mim amizade, que não aperte minha mão, que não trate bem, eu quero que não me considere, porque sou fraco, não saberei olhar para tua face sem rir serenamente, sem que meus olhos brilhem, sem que eu sue, sou fraco quando te vejo, quando sinto teu cheiro, quando imagino tu em minha mente, sou um pecador quando estou perto da tua sanidade, da tua santidade, nem sei ao certo se quero o paraíso quando vejo tua cara de curiosa, nem sei se quero de verdade a verdade que sempre falas, eu não sei o que eu quero quando te vejo.

E ainda diz que quer me ajudar a sair desse poço de tentáculos com espinhos que a qualquer movimento sou machucado, eu tentei ser amigo teu, teu companheiro, mas tu não ajudas, tu nem sequer mantém distância, pois deita tua cabeça minha perna, encostas teu antebraço no meu, faz graça, tu és inocente demais e nem percebes nada. És pura no que fazes e vê e eu sou impuro quando penso em ti. Tira-me dos teus planos e continua tua vida, continua tua estrada, na tua perseverança.

Eu pensei que seria um alívio emocional contar a verdade desnuda, pensei que ao dizer “eu estou apaixonado por ti” faria as coisas mais fáceis, eu pensei que seria até mágico. Não foi, pois no momento parte de mim dizia “beija-a”, “abraça-a”, “a deixa chegar mais perto” e outra dizia “Estais vendo? Não é melhor assim? Todo mundo no seu respectivo lugar, fazendo afazeres corretos”. E eu tentando me alinhar a uma verdade.

Não deu certo porque eu estou aqui, tentado me entender, tentado descobrir solução para um problema de nuance amizade/amor, eu estou tentando achar resposta para um sentimento que perturba até o melhor dos dias, que acaba com minhas esperanças, que me tranca num porão úmido e fétido, que me isola do resto palpável, que me interrompe quando tento produzir, eu sou o mais afetado nessa história sem alinho, eu sou o que vai para o canto chorar, eu que fico jogado no chão, eu que reflito sobre o futuro, que sofre com expectativas, sou eu o que se segura quando quer beijá-la, sou eu o que ouve as negações que ela diz, eu que escuto a voz, eu que sinto o cheiro quando a abraço, é em mim que dói quando chego em casa e não posso mais vê-la, sou eu o que tenta fazer força para tirar fora, sou eu que tenho que dar meu jeito com esse sentimento, e sei que ficar reclamando sobre não vai dar em nada, e que ninguém vai ouvir e dizer que vai tirar para mim, essa lamentação vem porque não sei lidar gentilmente com a paixão e nem inteligente com o amor.

Eu queria... Eu queria tanto, da vida, dela, dos momentos, dos beijos, dos aconchegos, eu queria tanto, e se mais pudessem me dar, mais eu receberia e mais pediria, porque são vontades que não descansam nem nos sonhos. Eu quero antes que o sol de despida e a brisa passe, antes que o universo envelheça eu a quero. Antes de tudo eu ainda a quero.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Confissões, esperanças, desesperanças, ou sei lá.

Isso porque eu não quero vê-la, nem ao menos ser vítima e sorriso mal dado, ou ainda um abraço fraco, eu não quero vê-la porque, certamente, não saberei até onde poderei ser gentil e omisso de tudo o que sinto ou gostaria de sentir com ela. É complicado encarar a realidade branda dessa situação, ela aparece, faz cara de boba, de inocente, de desconhecedora, e eu, tenho que parar no momento que quero dizer mais. Dizer mais de tudo sobre mim, sobre meus planos, sobre minha vida, sobre minha opinião, sobre ela, e ouvir, sobre a vida, planos, opiniões dela.

Simplesmente porque me deixo ir, me deixo levar pelos pensamentos bobos, que parecem não dizerem nada, não contribuírem em nada, mas, no final, acabo sendo acertado pelo sentimento massacrador, aquele aperto de mal-estar, aquela dor de não poder estar ao lado, de prosseguir, de fazer valer mais do que uma amizade, no final, tudo acaba com eu chamando palavrões, xingando-a no silêncio, fazendo confissões para o teto, admirando a imagem na minha mente. Eu me arrisco por pensamentos, me deixo sofrer, me deixo calar, me deixo levar.

Se ela pudesse levar-me não valeria a pena, ele parece interesseira, barganhadora, falsa, a amizade, que está sendo desenvolvida entre nós, não parece amizade, mas um punhado de interesses fracos, ralos, que o tempo dirá irreversível, nada de bom partido, nada de boa pessoa. Mesmo eu a julgando de primeiras vistas, eu ainda acho que a nuance da escolha que tem que ser feita é o melhor, mesmo que essa me leve a um momento de pesar grande.

Sim, eu gostaria que o sentimento fosse embora, e que meu coração fosse um, somente focado em meus planos, em minha carreira, em minha história. Nem adiantaria ficar perguntando porque fica-se assim, ou porque ainda estou assim, não adiantaria seguir um clichê para achar uma solução batida, que mal serve para os outros.

É terrível ter que sentir, é massacrante ter que viver esses passos, ter que abandonar esses sentimentos, ter que ir em frente desprezando efeitos posteriores, é terrível ter que continuar e não parar junto a ela, para ouvir histórias, rir de besteira, dormir junto, bem próximos, olhá-la por horas com devida permissão, deixá-la me abraçar, sentir-la perto, ouvir a movimento do miocárdio com meus ouvido no peito dela, é frustrante ter que assumir essa culpa de não informá-la sobre o que sinto e seguir em frente como se ela fosse um objeto que me apeguei de hora uma pra outra, sem permissão, sem justificativa, transformá-la em uma fase que mais tarde perderá o vermelho e empalidecerá para os tempos, que tornar-se-á um momento de imaturidade adolescente. É terrível fazê-la mais uma.

Por conselho amigo eu deveria fazer isso, com urgência, deixá-la, não deixar-me, substituir pensamentos sobre ela, e calar-me como se fosse tão normal sentir isso, desconsiderando minha fraqueza de idade, desconsiderado minha apagada esperança pelo amor, desconsiderando meu pequeno arco de acreditar que ser humano algum pode me fazer um pouquinho mais feliz, como se eu fosse uma máquina desentimentada, com excelente produtividade.

Mas de resto digo: eu poderia amá-la, eu poderia aturá-la pelo tempo que fosse, mesmo quando ela estivesse com problemas financeiros, ou com falta de saúde, ou com vontade de desistir da vida e de tudo, eu poderia aturá-la quando suas palavras já não tivesse a energia juvenil, e sua força estivesse indo com os anos, eu poderia aturá-la enquanto as rugas vão mapeando seu rosto, quando não estiver mais tão para mim, ou quando o silêncio bastar por um dia, eu poderia estar ao lado dela, não importasse o que é, o que foi, ou o poderia ser.

Mas olha, atenta para frente, enxerga teu futuro, haverá de ter um momento tão bom quando esse com uma pessoa melhor, com maturidade crescida, olha para frente e vê, tempos bons são feitos por nós, que colocamos esperança no amanhã sem ao menos viver bem o hoje, olha lá, estais a ver aquele ponto colorido que parece uma festa, que se ouvi grande barulho, que se pode deduzir melhores momentos, é ali que estarás, ou estarei, naquele momento em que poderei estar mais presente, que poderei estar mais feliz, menos cabeça dura, lá na frente poderei dizer mais vivamente, poderei segurar com mais força tu em meus braços, poderei ser mais atraente sentimentalmente do que sou, ali sim, é ali o lugar , é esperar, porque, ali, poderei dizer sem medo, ou sem receio, ou sem sofrimento, mas com força, graça e vida, ali poderei dizer com o brilho mais intenso dos meus olhos, com o sorriso mais sincero do meu rosto, com júbilo mais alegre desses tempos, com sensibilidade maior, ali poderei dizer eloqüentemente "eu te amo", e rir do bons tempos, mas ali, espera só!