sexta-feira, 18 de julho de 2008

Amor desprezivel

Talvez minhas paixões tenham sido somente pequenos sentimentos

E minhas teorias sobre estas se detiveram num plano oculto

um único olhar me bastava, me acabava.

Talvez haja um pouco de luz lá fora,

talvez haja um sorriso e talvez seja eterno,

ou tão limitado como o talvez.



É sobre ela. E todos os momentos que passei naquele lado, ao lado dela, como se o olhar que dava fosse mais importante que minha respiração, como se o sorriso fosse mais importante que as minhas sensações. Desistência eterna enche-me com fúria ao toque daquele olhar, a moralidade à segundo plano, bons costumes em evasão. È ela.

É ela ao olhar, é ela ao sorrir, é ela ao tocar. Ô abraço calmo, simples e distinto, ô aperto de mão fraco e caloroso, ô palavras que ricocheteiam alto, ô beleza efêmera.

Se houvesse o amanhã nascente seria ao lado dela, no levantar laranja do sol, rindo aos ares úmidos, falando de bobagens, mas ao lado dela.

Ô desprezo que tenho ao senti-la, desprezo ao mundo, corrido passante.

Cheguei ao encontro social e lá estava ela, nos risos cativos, com chama nos olhos, e todo mundo se apresentando, expondo planos, contando histórias, e eu, nada queria, estava a admirar beleza – aquela. E se em um momento rimos juntos foi porque o acaso nos aproximou e nos apresentou, bendito sejas tu acaso necessário.

Assim a conheci, assim continuarei a vê-la, alegre dos fatos, educada das situações, presença eterna. E continua sendo sobre ela, e continuará a ser.

-

Porque meu sorriso não adiantou, cheguei em casa perturbado. Nunca haveria de sentir em toda a minha vida aquele momento, e se soubesse que era rápido teria chegado mais perto, falado mais, comunicado mais, seja pelos meus olhos, seja pelos músculos de minha boca.

Descontinuidade louca, que foi sentando, intermitência cessante, sentimento indeciso. Estais a perturbar-me como fazes aos crédulos, e se me esquecesse estaria na paz de espírito.

E o que haveria se eu a beijasse? Com beijo intenso arrancado de fúria, marcado de pressa? O que haveria se eu a abraçasse por cinco minutos? Deitaria a minha cabeça nos ombros e depois beijaria seu pescoço? Haveria lágrima de emoção? Olhá-la-ia bem próximos aos olhos? Encher-me-ia de coragem heróica?

Respostas que são dadas ao vê-la em minha mente, que de sã ai se com os devaneios sobre ela. Pobre coração caído, pobre disperção sentimental, pobre situação irreal.

-

Ela, ela, ela e só. Levanta-te sentimento, mostra as tuas idéias, vive a tua proposta. Decide-te antes que eu te abafe com nojo de te ver maltratando-me.

Porque só dela falas e só dela argumenta, e teus argumentos tem sido fortes; aperta-me o coração, acelera-o sem alinho, sua-me a testa, cala meus pensamentos.

E admito, porque do orgulho me desfiz depois de tê-la visto, rendo-me enquanto esperança a razão tua irmã ainda mantém.

Esperança e irrealidade são irmãs tão próximas que quando mais ajuntadas podem transmutasse, uma que torna a outra realidade, outra que deforma a outra em incredulidade. Perto são como quem brigam pelo mesmo objetivo e que não descansam até haver vitória de uma. Decidam-se por mim, porque ainda estou nela.

E estarei nela até o dia em que esta disser, Oi, como tem ido a vida, como tem ido tu. Daí, da conversa resultante, tirará conclusão, passarás a mediar nosso relacionamento ou arranjarás dores para a consolação da razão abatida.

Escolha ela e eu, pelo amor que fazes nascer, nós dois juntos ao nada, porque iremos ao nada, escolha-nos como primeira opção de tua dívida, pagas com generosidade à ela e à mim.

-

Responde-me logo, retornas a ligação, porque de medigagem já bastaram as vinte e duas tentativas. Acordas para o que tenho, disposto estarei para deitar no teu seio, ou tu deitares no meu, disponível estarei para receber teus beijos fatigados, coados pelo tempo, aqui estarei quando o mundo não tiver mais paciência com a tua intolerância. Estarei aqui. Para ti. Responde-me e não te arrependerás nem do momento em que gastastes tempo e energia, nem da dúvida se validez haverá. Responde-me.

-

Eu não deveria alimentar nada por ela. Estava na igreja, tentava se realinhar, tinha deixado a vida que comecei a tentar hoje e por razão que desconheço, desistiu de viver aquela visa, em plenos jovens anos, reclusou-se para serviço da obra divina. E não deveria eu atiçar-lha a carne, perturba-lha a alma, desperta-lha o mal que tenta por fora. Não deveria sentir o que sinto, cantar quando penso nela, ou rir par teto de meu quaro quando deito na cama para descansar a alma, porque o corpo nem ligo, mas a alma é batida.

E ela está toda envolvida, faz seminário para conhecer mais da nova doutrina de vida, envolvida com os demais fervorosos, e eu, na carne latejante, como a saliva que escorre dos caninos de um bicho faminto, com o coração semelhante ao vôo da andorinha, eu a desejo.

Não deveria, não deveria, não deveria. Sim deveria livrar-me do tal pecado, do desejo vermelho e provocador, deveria apoiar-lha na luta que é estar nesse mundo e seguir passos estreitos como os dela. Deveria sim estar em concordância com as opiniões religiosas que tem.

Mas macho minha alma com o pegajoso pecado, negro e gosmento, que impregna e passa a tingir as vestes que procuram ser branqueadas por ela.

Desejo, com latejante querer, com sentimento pedinte e com súplica ao acaso, único mediador e possibilitante de tal situação torpe. Não deveria.

-

Calaram meus lábios, cansados de especular, cansou-se minha mente, divagosa em pensar, cansou-me as pernas, de andar lado a lado, doem meus osso, de tando me expor ao frio de te esperar, fatigou-me os olhos, te tanto que te procuraram, cansou-me os lábios, de tanto serem pressionados um contra o outro e os dentes de tanto mordê-los, fatigou-me o momento de tanto esperar.

E te vi. Andando pelas ruas, mas acompanhada. Aquele pobre ser que anda contigo não te merece. Este ser vil não vale o quinto que estais a oferecer ao mundo só com o teu olhar, e nem a décima parte do teu sorriso, quanto mais o teu abraço, o teu cheiro, os teus lábios, teu aperto, teu sussurro, o teu afago, o teu prensamento, o teu amor e tua atenção. Cansou-me todo corpo, menos meus sentimentos, porque ainda latejam.

-

Mas passou o tempo e já estais com outro ser, tão vil quanto o outro e desprezivelmente deveria trata-lo, mas não o farás, maldição de minha vida., pedra do meu caminho, discórdia minha. Talvez não valhas os que te acompanham.

E eu me torcendo em nós nunca dados, arrumando justificativa para tua indisponibilidade, droga do século.

-

E mais tempo passa e nada, não haverei de tocar o corpo, nem beijar-te com calma ou intensidade, nem de sentir teu bumbum frio enquanto corre minha mão sobre teu corpo deitado e nu, nem da barriga macia e teu seio, ou da tua cama quente, teu suor melado, teu gosto diferente, tua boca única, teu hálito curador, não haverei de sentir, mas aprendi a te ver sem receio, sem dor, sem martírio auto-provocado, e a amenidão areja minha alma, quando te vejo sorrir, ou te vejo a olhar, ô arejamento fagueiro, ô ressurreição das cinzas, ô emoção que foi te conhecer, amor imprevisível e desconhecido. Amor desprezível.

Vida e Poder

E se eu pudesse calar-me?
E se eu pudesse omitir-me dos teus?
E se eu pudesse fugir do normal?


Vida cansa, vida pára, vida continua, vida propaga,
Vida fatídica, vida cama, vida intermitente, vida tua,
Vida de cãibra, vida inspira, vida na cama, vida minha,
Vida nossa, vida destina, vida daquela, vida de dores nas costas
Vida que toma remédio, vida que melhora, vida que...


...


E se eu pudesse calar, omitir, fugir?

Vestimenta

Saí de casa, nu fui á loja
Comprei tua roupa,
Depois de experimentado e gostado,
Voltai às ruas


Divertida rua.
Fui a ela com tuas roupas,
E a reconheceram, observaram,
Não pararam de olhar
Roupas tuas,
Correram atrás de mim
E tomaram, tomaram tuas vestimentas de mim
Perceberam, não deixaram


Voltei á casa nu,
Despido é o que é estar com as tuas roupas
Quando pouco coloco-me nelas
Mais percebem e mais mudam-me
Nudez é está vestindo tuas roupas.

Rala Existência

Existência pequena
Notada quando se quando para o céu
Existência Ínfima
Frágil como foi barato

Existência pequena
Que transita entre desejo e realização
Existência calada
Sem tanta inspiração

Existência nula
Que muda na morte
Existência baixa
Sem tanta esperança

Existência tua, descrença,
Nua, desprovida de mais detalhes
Lineada, desprezada existência
Existência calada
Sem grandes ganhos

Existência nua
De vergonhas de fora
Irregulável, imiscível
Nula, xula, tua

terça-feira, 8 de julho de 2008

[cap. 15 ou 5 - Um pouco mais à frente]

O pequeno momento. Pequeno, mas único, douradamente salpicado de brilho, palpitante. Olhava ao redor perguntando ao coração quando pararia de bater tão forte como se fosse levar o corpo dela para fora. Mas estava ali.

Depois de sucessivos beijos que perderam e facilitaram o mais adiante, encontrava-se deitada na cama, ainda se perguntando. Mas o que era a situação para os olhos, aqueles olhos?

Era um simples toque que percorria o pudendo quente delicadamente, como a dança da língua nos beijos que estavam antes. A pequena estrutura nervosamente exacerbada era tão bem acatada, o óstio tão bem preenchido pelos dedos que ascendiam e descendiam, calmamente desejáveis. Aí veio o que a encabulou.

Houve apertos sucessivos no glúteo dela e depois o dedo, o mesmo que dominava a área anterior, passou a circunscrever o ânus, tão calmamente quanto antes, tão expressivamente. E a massagem ora intensificava, sendo que o dedo quase internalizava nela, ora era suave para ser sentido no meio das contrações produzidas ali.

O músculo com osso foi substituído pelo o sem, tão mole quanto a desinibição do momento, tão molhado quando os suores da ansiedade; que corriam deliberadamente, corriam em círculos e por horas, como o dedo, tentava adentrar na casa pela porta dos fundos.

Cansada das terminações primariamente feitas, vai para a segunda e distribui nela todo o sabor acre, duas que compartilham sob o imprescindível prazer pelos dois. Dois que lutam contra si, mas que perdem.

- Eu não consigo mais. - Não foi questionada. Ela virou para o lado, ainda molhada, não satisfeita.

[cap. 14 ou 4]

[cap. 4 ou 14]

Se correu, foi em velocidade mais lenta que a dos pensamentos escorrentos sobre si. Nas roupas masculinas, no constrangimento que poderia ter ao ser avistada por alguém que estivesse rodeando as proximidades, mas, considerando o espaço e o tempo, não passou por problemas tão humilhantes. Mas dali saiu, e, se aos passos, lentamente foi tentando organizar cada pedaço disperso na cabeça, devagar para classificá-los, devagar para separá-los, esforçosa para ajeitá-los.

Decerto haveria incertezas sobre o que poderia ser ao voltar a encontrar Luis, se o olharia nos olhos, ou ainda, se existiriam sorrisos intimidadores. E organizando cada pensamento. Seria Marcos uma lembrança constante? Ou calá-lo-ia aos sons dos beijos com Luis? Continuariam os pensamentos a perderem-se na digressividade e encontrarem, na vasculhação eterna, os sorrisos que eram ser mais dos um simples enrijecer de lábios? Estaria a relembrar a estaticidade do primeiro dentro da caixa envernizada?

Se continuasse a prender-se nesses momentos, que de passados já estavam se indo, não estaria aproveitando o que tinha se dado como solução: uma fuga inconseqüente. E isso a reavivou, calaram-se os murmúrios e os devaneios foram mais repensados, considerados uma experiência amenizada. Não tão magicamente, mas nos passos calmos que marcavam a noite, nos carros tímidos que atravessavam vez ou outra as ruas cálidas, na visualização da paisagem apagada, nos risos que dava ao observar os trajes que vestia, nas respirações que realizava, no silêncio que chegou pouco depois, e foi colhido pelo ar que concordou com tudo, e, no mais tardar, com mais experiências que viriam.

Apareceu no apartamento no com cara de quem poderia ter regido melhor. Foi bem acolhida pelo rapaz sincero nos beijos, esperava-lhe um jantar, numa mesa simples, preparada para almoços solitários, para jantares inexistentes, para desjejuns a dois, e só. Mas a comida cheirava bem, preparada por ele mesmo, desprezante das comidas a telefone, era caseira e de sabor, não duvidada fosse pelo cheiro. Luis a viu na soleira da porta com quem não queria nada demais, a não ser um simples olhar de afago, ou um riso, tão sóbrio.

- Vem. - disse. Nara levantou a cabeça vagarosamente, e havia, com a certeza que me disse no momento, uma simplicidade que já estava falando que o que tinha acontecido tinha sido, e só, um eventual descompasso. Aproximou-se da mesa e sentou-se, olhou no rosto e o encheu-se de riso puro, corou-lhe as maças, abaixou a cabeça, visualizou o prato e disse:
- Parece muito bom.- levou o garfo a boca e mudou a expressão enquanto saliva dolorosa enchia-lhe a boca, e completou: - Realmente está.

Queriam evitar qualquer conversa a respeito do acontecido, já tinha bastado as expressões, as telepatias, e tudo mais que puderam fazer sem o auxílio da palavra, mas Luis não evitou citar os trajes, estes que foram figurino de exposição urbana de Nara pouco tempo atrás.

- A gente vai na loja amanhã. As roupas devem estar confortáveis, mas não tão bonitas.
- Ah, eu gostei.- e riram da ironia.
- Não te preocupa com nada, a gente dá um jeito.
- Uhum - concordou, olhando um pouco abaixo dos olhos que antes descobria.

Terminaram de jantar, lavaram a louça juntos, falando um pouco acerca deles, um pouco de histórias recorrentes engraçadas, e mais um pouco. Preparam-se para dormir, desconcertados com o dia, porém mais aproximados, a conversa falada continuava sendo um jeito inocente de colocarem-se mais a conhecer. Nara foi ao cochonete fino com um travesseiro confortável, e Luis, talvez mais esperançoso por uma reconciliação vivaz, na sua cama, que era de casal, mas não queria constranger a menina obrigando-a a dormir ao seu lado logo numa primeira noite. Tentando dormir pensavam mais ainda; Nara gostava dele, porque Luis seria um solitário sustentável, tinha havido muita ofensa pelo dia turvo, seria mais normal o amanhã depois de acordado, conseguiriam esquecer e pôr para frente planos aos desejos, esqueceria Marcos hoje, abandonaria passado por uma, acreditaria em mais, estariam no mesmo barco, seria esse barco furado, e tantas outras questões que nunca ninguém se pôs a contar, pois qualquer desses cai na incerteza ao numerar um pensamento enquanto este se mescla com o sono vindouro que mais parece um pequeno cansaço do que um sono que duraria horas, e inesperadamente somem os pensamentos do consciente, calando-se para ouvirem os que foram ouvintes atentos durante o dia.

Acordaram. Não queriam levantar se da cama ou do cochonete, no caso de Nara. Mas ficaram parados. Olhando para o teto sem dizer palavra alguma. Nara fechou os olhos novamente e por alguns minutos ficou a pensar no dia que viria, o que seria desse dia. Ao abrir os olhos, viu que Luis a olhava, com cara serena, despeço na beleza que a garota possuía e riu-se mais uma vez com riso sereno, sincero e matinal. Nara não deixou retribui-lhe tal expressão e gostaria, por um momento calmo, estar ao seu lado, disposta ser abraçada por ele, acatada pelo calor que era estar próximo do rapaz. Mas calou-se para si mesma e o viu levantar da cama ir ao banheiro.

Ao sair do banheiro, foi à cozinha, preparar algum café, já era hábito cafés a dois naquela cozinha, porém só cafés , como foi dito antes. Durante a habilidade de Luis ao preparar o alimento que os satisfariam pela rápida manhã, Nara apareceu com cara lavada, sentou-se na mesa e o observou fazendo o trabalho. Ele estava sem blusa, e isso era o que enchia os olhos, detalhar mentalmente cada pedaço da barriga nivelada, mapear o braço ágil do garoto, o leve bronze que ameaçava a branca pele e o peito, acompanhado do peitoral, e "hum" gostaria de deitar naqueles peitos, afagado pela misericórdia de um garoto simples, sem tantas complicações, não tão aventurado em descobertas como o outro.

Serviu-lhe o café, na simpatia que não o deixava, e serenamente, pois esse adjetivo incessante não me para de martelar quando é falado no sereno rapaz, disse "Bom dia",

- Bom dia. - completou Nara ainda dispersa nos antigos pensamentos.
- Como foi a noite? - perguntou a pergunta de todos aqueles que são anfitriões, preocupados, ou não, com o bem estar dos hóspedes.
- Foi muito boa. Obrigada pelo acolhimento. Você não faz idéia do que é estar assim... - Luis nesse momento fez cara de quem gostaria de detalhes esclarecedores e que gostaria de poder ser mais presente na nova vida de Nara, porém ela o interrompeu das palavras não ditas: -... Meio solta pelo mundo.
- Ah eu sei sim.- E Nara não quis ser hipócrita e perguntar-lhe o que era estar solto pelo mundo.Mas ficou com isso na cabeça.

Deixou o pensamento preso enquanto colocavam a louça na pia, enquanto Nara se aprontava pra ir a loja com roupa de chegada, pois não deveria, poderia se possível, mas não, ir com as roupas largas, frouxas e desdenhosas do garoto; enquanto escovam os dentes, sendo que Nara, não havendo problema algum por Luis, usava a mesma escova do hospitaleiro; enquanto iam ao carro, enquanto entrava num enorme prédio lotado por lojas bem arrumadas e chamativas, aí sim, Nara deixou que os pensamentos voassem para que pousassem as variedades existentes.

Encantamento é o que enche mulheres quando se vêem dentro do lugar, e se , e não só se, tiverem dinheiro disponível para colocarem nelas a alegria de estar mais equipadas para as manhãs, as tardes, as noites, quando querem ser mais do que um belo corpo, mas um belo corpo numa bela vestimenta. Ali, o gosto de Nara foi desafiado pela variedade já citada.

Mas foram numa loja e de lá trouxeram umas calças bonitas e um riso de satisfação de Nara, e numa outra em blusas estavam boas e baratas, e em mais uma, pois coube-lhe bem o vestido amarelo, e mais noutra, pois precisa de acessórios, e noutra, que só Nara entrou, Luis, ficou a espreita desdenhosa, não era bem vistas mulheres comprando suas roupas íntimas ao lado de um rapaz; o confundiriam com um casal maníaco por fetiches, embora nem casal fossem. E mais numa loja em liquidação, valeria a pena entrar mesmo que somente para ver as ofertas. E saíram desta, Nara ao porte do sorriso que de tanto já dizer satisfação, disse agradecimento. Com o riso e os olhares cheios de gratidão puderam-se ver mais um pouco; aproximaram mais um pouco, detalharem-se mais um bocado, abraçarem mais um tanto, mas não beijaram-se. Não se tratava de uma garota que foi conquistada pelo poder de compra de um jovem rapaz ou pelo valor que ele possuía na sociedade, mesmo que este fosse um engenheiro bem pago e solteiro.


-Muito obrigado mesmo – disse Nara com júbilo disfarçado no tom de voz que gostaria de ser mais jubiloso. Andavam paralelo ás lojas, ainda, de vez em quando olhando para umas vitrines.
- De nada, não se preocupe com nada disso, tá? Esqueça qualquer problema. - disse Luis, na bondade que acreditava inexistente nas pessoas do mundo quando encontrou Nara na estrada. Olhou para o machucado que já tinha se aquietado mais na pele. Estava prestes a puxar um novo assunto discutivelmente produtivo quando, de um pulo rápido e habilidoso, entrou numa loja e tentou se esconder de alguém. Luis estranhado com a situação a seguiu e a encontrou desconfiada.
- Mais o que foi?
- Nada é só uma velha história?
- Velha... e viva?
- É um garoto lindo, mas só as garotas entendem o porquê. - dizia toda estranha.

Mas depois de o perigo passar, foram ao supermercado comprar escova para Nara e comida para dois. E deixaram passar o episódio estranho. Voltaram de carro para a casa, com várias palavras comentadas da manhã rápida, e outras como as de Luis dizendo que precisava ir ao trabalho naquele momento, perguntou se haveria problema para Nara de se virar sozinha, respondeu que não, e completou dizendo que tinha se atrasado a manhã inteira, mas que arranjaria jeito de justificar.

Parou na frente da casa e não puderam evitar um beijo rápido e inconsciente como se conhecessem fazia semanas. Nara entrou em casa com as compras, e os pensamentos sobre o rapaz, que tinham nascido no início da manhã voltaram a questioná-la. Porque haveria um homem desses, a solta pelas ruas, bem por se próprio e solteiro?

Pensou ainda no outro menino que viu, lembrou-se dos traços, mas não era nada para a dúvida que a perturbava sobre a procedência indigna e similar de Luis, ficou a pensar.

[cap. 13 ou 3]

Se não bastam as lineares paisagens que cercou-os durante toda a viagem, bastava então o silêncio típico do chão negro. Porque Nara estava sendo conduzida sem uma informação a respeito do moço, e o que adiantava pergunta-lhe se era ou não bom? De qualquer forma a ajuda ingênua do garoto foi uma solução fugas das decisões despreocupadas de Nara.

Vez ou outra ela o olhava, e evitavam olhares. Olhares de canto de vez em quando os intimidavam, sabiam que estavam se conhecendo pelo silêncio movimentoso dos olhos. Mas não se perdiam, sabiam separar cada sentimento ou ação que viria posteriormente, para evitar constrangimentos. Assim como também Nara sabia plantar sentimentos acerca do jovem rapaz, mesmo incerta do que poderia surge entre eles, ou ainda não sabendo se reciprocidade haveria, semeava. E, em relação ao garoto, estava somente pelos cantos dos olhos, e, por preocupação eminente, arriscava uns sorrisos amarelados tornados rosas.

De uma forma ou de outra, o que era a atração entre corpos de Newton? Subsídio da mecânica? Parte dela? Inquestionável lei macroscóspica? Ou simplesmente resultantes sentimentos de tais interações? Boa explicação para o que era aquela situação. Não no sentido atômico, mas no nível sentimental, se é que leis naturais podem ser usadas no instável ser sentimental.

Uns sentimentos de lá e outros de cá, era o que poderia se dizer no momento em que Nara estava na frente do pequeno prédio, submetida á experiência dela própria, esperando que esta seja uma de semanas, e quase preparada para o que poderia virar verdade a partir de hipóteses. Avançando em direção próxima do prédio, a pouco da entrada sem porteiro algum, estancou paralisada pelo medo. Mas se a expressão desenha esses momentos, a dela era contemplada pelo chão.

- O que foi?
- Eu não sei aonde eu tô indo. - disse ao revelar a expressão indefinível
- Você nunca saberá se não for.
- Tenho medo do que poderá vir.
- Você não precisa desse medo.
- O que garante que a segurança estará lá ou mesmo que coragem eu vou ter?
- Você confiando, basta somente.
- Você poderia me abraçar?

Abraçaram-se por dois minutos. Se a significância do desejo similar a esse tivesse mantida, diríamos que era o agradecimento com o medo, que é o mesmo que a incerteza que se arrisca. Mas por obra da homeostase, ou do próprio ser, não, mudou.

- Mais forte - Nara sussurrou e sentiu mais intensidade do abraço. - Mais forte - repetiu. Passou a mão nas costas de Luis, era bom o sentir junto, perto, não-sozinha, sentia o cheiro que esvaía em cada suspirada. Gostaria mesmo de entrar naquele corpo, e passou o tempo necessário até se sentir segura o bastante para voltar para o mundo, para a realidade, para a vida latejante. Não o largaria, aproveitaria a eternidade do tempo para se sentir segura, viva, nele, para ele.
- Não precisa ter medo - e desabraçou quando não teve mais força.

Prosseguiu até a porta, adentrou no pequeno hall, subiu as escadas, já que elevadores eram desnecessários para um de três andares, e foi ao apartamento acompanhada de Luis e só, sem roupas, malas, ou lembranças vivas do dia em que a pólvora amassada vez barulho bastante para acordar a morte, ou ainda, o barulho do metal ao ser retirado de cima da penteadeira e, depois, já sem barulho, atingindo a garganta de uma velha esperança, e mais um pouco, o senhor que se despediu em uns poucos gemidos e encontrou o céu nas águas não claras das redondezas.

Entrou no apartamento. Era necessário, nem demais para um garoto que se virava sem as custas dos pais, quase um enclave, nem pouco para um solteiro desinibido. Branco, com dois quartos, duas salas, cozinhas, dois banheiros. Já que não tinha malas, Nara só ficou olhando o lugar; nem ouviu frases como "deixa tudo aí depois arruma", " olha coloca tuas coisas aqui", mas isso não foi problema para a gentil garota que quando viu-se pressionada pela situação riu-se e,com a gentileza sua, não o fez ficar desconcertado.

Mas eram os constrangimentos que deveriam reger o momento, e deixá-los sem palavras. Luis ofereceu toalha e um short e blusa para que Nara pudesse se sentir mais confortável. Depois dos atos de higiene Nara ficou observando o céu, enquanto Luis ajeitava coisa e outra, perguntando-se se solução haveria sair, mudar de rumo, para que pudesse esquecer um pouco do leve sorriso do passado, mas ainda crente que poderia ser uma oportunidade em que haveria de botar fora o velho fantasma M. E interrompeu tal pensamento para ouvir os passos calmos de Luis, para imaginar os pés que, pressionados contra o chão, levantavam barulho sereno, e o seu pé, digna obra grega, de idealização, que latejou sobre a cabeça dela. Passou por ela e deu um sorrisinho que a encantou, mesmo atentada pelas velhas lembranças, um sorriso era o que precisa ou mais.

Ele exercia nela uma perda com o mundo exterior, quase que rapidamente ela mergulhava na realidade criada, na imaginação inventivamente perdida. Continuava a imaginar cada detalhe como se fossem pertinentemente doces, queridos, únicos. Permanecia, ás vezes sem entender aonde aquilo a levaria, mais continuava.

Então, ele vinha e se sentava á frente dela, concentrado. Perturbada, tentava unir o segmento que ligava os olhos dela aos olhos dele. Avançava sobre ele e sentavam-se frente a frente, ela em cima de suas coxas. Novamente se olhavam, admiravam não-receosamente os detalhes corridos dos rostos. Aproximavam-se as faces e beijavam-se, no mais calmo ritmo, no mais profundo compasso. Continuavam por minutos.

Então ela poderia avançar com sua mão sobre o corpo dele, essa mão atravessa a calça e depois toca delicadamente o copulador. O ritmo do toque avança, o do beijo também. Logo ele tira a blusa e ela coloca delicadamente seus quentes lábios sobre os mamilos dele, ainda com o ritmo de antes. Um pouco depois tira a calça, não dava para vê-lo nu, está escuro.

E vasculha cada centímetro do corpo dele e encontra seu pênis, o manipula delicadamente, depois pressiona a glande contra a sua mão sucessivas vezes, o ouvi fungar, pressiona com mais força, e com outra mão faz movimentos opostos, ascendente e descendente, começando devagar e acelerando uniformemente. Continua assim até sentir um líquido quente obre sua mão e sobre seu rosto.

Voltaram a se beijar, mais rapidamente. E logo ele se volta para ela e começa a explorá-la.

- O que foi?
- Hum?
- Ah. nada eu só tava pensando aqui.
- Você tava com uma cara meio...
- Ah não, não é nada.
- Me ajuda aqui.
- Sim, claro.
- A cama está numa posição que não dá pra colocar cochonete pra ti.
- Aqui?
- Olha puxa pra aquele lado que eu puxo pra cá. Preparada? Já?
- Pronto.

Os dois caíram na cama e ficaram admirando o teto branco, repentinamente viraram um de cara para o outro. Ele riu o riso sereno, Nara não conteve o dela.

- Eu te olharia por um século. - disse Nara. Ele olhou para ela , riram-se aproximaram-se e beijaram-se. Nara o abraçou, desceu a mão pelas costas e parou no quadril dele. Mas ele prosseguiu o movimento direcionando a mão dela para o rijo pênis, isso a levou para o seu quarto momentos antes de ter a surpresa materna. Recuou.

- Não eu não posso. Saiu do quarto correndo.
- Ei, não, desculpa, se eu passei dos limites.

Nara saiu do apartamento e ficou desaparecida por horas.