quinta-feira, 22 de maio de 2008

O cigarro que fumei...

Tinha gosto de orégano queimado. Na minha infância fui bombardeado por campanhas contra cigarro, para todo lugar que ia havia um cartaz ou uma lembrança do que esse podia e pode causar. De certo a ansiedade é, na maioria das vezes, uma causa justificativa para os que fumam.

Peguei o orégano na cozinha, arranjei um papel, um cartão e fiz um cigarro. Tirei a fumaça, não traguei, não tive coragem. Estava ansioso demais, eu queria algo que me acalmasse e que fizesse esquecer-me por um segundo. Isso que o cigarro é: uma forma de lidar com a ansiedade, uma forma burra, que é pautada na covardia.

Porém dizem: “Não, cara, o negócio é bom.”. É tão bom que é a principal causa de morte por câncer. Pasmem os positivos, que acreditam piamente que nunca serão atingidos pela flecha cancerígena do destino, mas os gastos públicos com o tratamento de fumantes são altíssimos, acima do normal.

O pior é que fiquei mais ansioso ainda, pensava nos dentes amarelos, na bronquite, na respiração dificultada, nos cânceres. Apaguei o cigarro, queria fugir de uma ansiedade para entrar noutra? Nem pensar. Acendi outro cigarro, depois o apaguei. Não conseguia entender, não conseguia mais fumar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Momentos Cíclicos

Porque os vermes bebem da secreção da minha alma, satisfazem-se dos meus restos, completam a deteriorização que os invisíveis começaram.

Roem meus ossos, sustentação oscilante, do meu corpo; fazem do cálcio o leite que nutre o ciclo óbvio natural, locomoção afetada, reprimida vitimalizada das bocas minúsculas; continuo sobre a terra.

Úmida, fria, mas tão viva quanto o processo que ocorre nela: tiram-se os restos vividos, alimentam-se. Terra cíclica, situação cíclica.

Sentida vide esvai-se sem cor, inteligente que se desfaz sem cor, histórias passadas não escritas nem recordadas vão-se sem cor.

A preta terra há de tirar de mim toda a água, que me hidratou e reciclou-se, tentaculada de esponjas secas e espículadas; vai-se a água.

Os ares calam, o céu nubla. Recomeça tudo, chuva. Molha os gramados, verdes de vida, sustentadas na aptidão dela própria.

Grande ciclo, grande dor, na natureza tudo parece ironia, aguda, invencível. Que nada, é que acredita-se no pleno, constante, perfeito. Despreza-se a dinâmica para resguardar conforto. Não adianta; não deixa de vir, irônico ou metafórico, real, sempre real.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Palavras

O poder sustentador da palavra, tando em termos míticos com em outros modos, gerou muito do que se vê hoje em dia. Os dias passam e cada vez menos se cria, na contra partida se copia, se copia, se copia. Há variadas explicações acerca disso, culpam a alienaçao - um estado, - a educação - questinavel - , a televisão - seletível - e tantos outros. A palavra fica. Essa modalidade, exclusiva do ser humano, tem sua vida na morte na continuação do tempo, na qual
vem esvaziando-se em seu objetivo.

Com o potencial criador a palavra formou culturas, pensamentos e tudo o que se vê ao redor ela foi a geratriz. Então vemos hoje,em que um promessa mal fica guardada na nossa memória, isso porque o homem passou a fazer desse poderoso instrumento o que sempe fez com tudo o que era dele: desprezou-a.

Os traços de tão vil atitude é essência do mundo atual. Desacreditamos em autoridades, que se entregaram a não realizarem as suas responsabilidade. Não é dito somente em relação ao Estado, mas das autoridades das casas, das familias. Muitos pais não percebem o valor de uma palavras nas relações familiares, muitos dos filhos desconsideram o que seus responsáveis dizem.

A afetada criatividade se encolhe, se esconde porque não sabe viver no vazio. As palavras que não dizem nada não são, nunca foram e nunca seram acompanhadas da criatividade, da criação. Mas pergunta-se: Para que criar? Responde-se: o homem, animal político, foi feito para isso e nisso tem continuar.

Essa situação é continuavel, pois partes não estam a favor do todo. Mas como em todo quadro crítico, o ideal é não ficar eufórico, mas aos poucos retornar a origem, aos poucos sentir cada formação que ela propõe, conscientizar do valor dela. O que vale mais é o que essa significa em mim e em você.

Opsição ao ambiente?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

[cap. 2 ou 12]

Nara preocupada com o que pode fazer? Não. Tem verdades, realidades, que são questionáveis. Há um grande descontentamento por trás das atitudes desconfiadas, ou mesmo um cinismo que debate com o proposto.

Preocupada como o quê? E para quê?
Obcecados perfeccionistas: sem casa, sem ninguém, sem suas roupas, abandonada numa estrada; para arranjar uma solução. Livres da consciência: nada; não importa, não adianta se preocupar.

E Nara fugindo; poderia ser a insistente perseguição da consciência ou a levada da existência que tragava para as estradas nuas. Se possível uma tremenda força faria as escolhas óbvias para ela.

Foi dito que pessoas que vivem realidades diferentes têm inclinação clicherítica para encontrar para encontrar alguma epifania. Se Nara é um clichê, isso é porque não sensibilidade na realidade dela. Talvez seja somente um caso, mais um, em que indivíduos tornam-se loucos por viverem em ambientes loucos.

Contudo, o seu orgulho a trouxe até aqui. Desamparada, voante, em perdas, ela continuava a andar sobre a encosta da estrada, com o joelho sangrante , perdida.

O constante vazio foi rompido por um bonito carro que vinha a uma velocidade relativamente pequena. Nara ouviu o motor, olhou primeiro para ter certeza de que seria alguém confiável – e era, apesar de concordar que uma olhada não diz nada – e depois acenou.

O carro parou e pela janela o dono viu para Nara – em seu interior surgiu, ainda pequeno, um interesse por ela, talvez por sua sincera expressão. Ao observar que ela precisava de ajuda saiu do carro. Nara atentou para o movimento que fazia até chegar a ela, e achou, de modo possível, que o jovem rapaz se parecia com o bem que o transportava.

- Você ta bem?
- Eu não sei – disse Nara lagrimejando seus olhos.
- Mas você precisa de ajuda, olha o seu joelho. Eu tenho um kit pronto-socorro – foi até o carro, voltou trazendo a caixa branca.
- Senta aqui no banco – disse e retirou esparadrapo, água oxigenada e algodão. Nara observava o cuidado que ele tinha com ela. – O que aconteceu com você? – passou o algodão na ferida.
- Eu fui pegar carona com um caminhoneiro, safado. Ele tentou avançar em mim, desgraçado. Empurrei ele, molestador. Aí ele me jogou do alto da caminhonete do caminhão. Ai, ai – disse tentando desviar o joelho dos cuidados do homem.
- Você foi muito corajosa indo com esses caras, você sabia da fama deles?
- Sim, mas a gente sempre tende a acreditar que as pessoas são boas e de que de alguma forma elas querem nos ajudar. Não poderia generalizar uma fama que é de poucos, mas muito divulgada.
- Foi só ingenuidade. Ocasional – disse Luiz com seus lábios vermelhos que chamava a concentração de Nara.
- Pra onde ta indo?
- Pra lá.
- Ali, na minha direção?
- Certo.
- Certo. Você gostaria de uma carona? Meio que você ta sozinha e com seu joelho recém-cuidado, ainda vai na mesma direção que eu.
- Você me faria esse favor?
- Claro, lógico.

Ele entrou no carro e Nara se ajeitou e prosseguiram a viagem. As estradas novamente comandavam o silêncio. Nara parecia ainda deprimida, para o recém motorista. A angustia que manchava o escarlate coração de negro, lutava contra o ela para se exteriorar. Ele sentiu-se incomodado, não impossibilitado de fazer perguntas a ela.

- Como se senti? – perguntou seguro, macio.
- Eu? Sei lá... Eu tento me sair...
- Bem?
- Sim. De alguma forma uma dor aqui dentro incomoda. Ela amolece minha couraça.
- Muito magoada com o que aconteceu?
- Eu acho que... – disse com a voz falhante - ...sim – começou a chorar – Não seria bom manter isso dentro de mim. Eu tento não me machucar com o que me foi feito, e se eu não conseguir? Eu ficar chorando aqui, parando a vida, como agora? – soluçava.
O silêncio da estrada foi quebrado com a freada do carro. Luis parou o carro a abraçou.
- Calma. É normal se machucar. Não prenda esses sentimentos destrutivos dentro de você. Chore, chore o máximo, até sair.
- Você pode até não entender ou se empatizar como o que eu sinto.
- Não,não. Que isso? Eu estou aqui pode chorar.

O homem jovem tinha seus vinte e poucos anos; de estatura média, brando, olhava Nara com perturbação. De alguma forma aquela situação era aproveitante. E Nara? De onde vinha para onde iria, ecoava na mente dele. Nara estava profundamente afetada por ele. Depois de ter sido confortada, Nara fitou os finos lábios vermelhos dele, assimilou seus castanhos olhos, sua branca pele. Depois admirou seu bem estruturado corpo que não era malhado, mas obedecia a proporções consideradas bonitas. E de que adiantaria o corpo se o olhar dele a fazia se expressar. È como se pedisse uma demonstração ampla do redor que o circundava.

- Luis, por acaso. – o carro voltava percorrer.
- Oh, me desculpe – disse Nara enxugando o rosto - Nara.
- Desculpa por minha preocupação, de onde veio?
- De lá.
- Pra onde ta indo, conhece alguém , algum parente?
- Não ninguém.
- Como você vai ficar? Não pode ficar por aí, e se você cair na mão desses tipos de pessoas?
- Eu não sei o que eu vou fazer.
- Seus pais sabem onde você está?
- Não.
- Como assim? Você precisa voltar pra lá.
- Não posso contar com eles.
- Você tem algum problema com eles? Ou eles com você?
- Sim. Um grande problema.
- Será que vai conseguir fazer sua vida sem eles?
Nara vasculhou a profundidade dos olhos dele pedindo algum auxílio. Luis obteve a resposta.
- Eu poderia até lhe ajudar, mas e se seus pais me processarem?
- Nunca fariam isso.
- Você não entende o cuidado de seus pais com você?
- Como poderia?
- As atitudes dizem.
- Não existem atitudes.
- Eles te abandonaram?
- Sim. Eu preciso de ajuda. Nem que seja por um dia.
- Eu poderia.

Mais silêncio.

Luis admirava Nara, por sua fragilidade ou sua força. A seu modo de ver ela precisava de ajuda, ele poderia dar. Sustentava-se, tinha um próprio apartamento, próprio carro. Nara chamava a atenção dele pela sua angelicalidade.

Luis chamava a atenção de Nara que o achou de começo admirável. O modo que a tratava carinhosamente, estava atento para o que ela falava, se interessava em ajudar. Ela desejava um abraço forte dele naquele momento. A significância seria de gratidão.


O véu negro transpassa para os olhos pontiagudos. Isso põe em cheque questões.

domingo, 23 de março de 2008

[cap. 1 ou 11]

A manhã estava clara. Úmida. Faltava algo, vago. Apresentava-se nua, não queria mais do que estar, apreciava ser apreciada. As árvores dançavam com a manhã, o vento também acompanhava. As ruas apresentavam-s serenas. A terra escondia seu cheiro. Era manhã.

Então ela caminhava sem medo. Apressada em conhecer. Continuava a idealizar. As manhãs e suas oportunidades, ela conhecia muito bem.

Caminhava para se perguntar aonde iria. Era só ela. Não havia ninguém. O que passou tinha passado isso a confrontava. Entretanto o passado só voltaria se ela permitisse isso a confortava.

Imaginava como faria; o que faria. Desprezava as conseqüências. Saberia onde se encaixar, sempre soube. Quando não se encaixava sempre dava um jeito. Não poderia interromper o que a vida lhe tinha proposto.

Um caminhão começou se aproximar. Ela acenou. O caminhão parou, um coroa a olhou pela janela. O homem era barbudo, estava de óculos escuros. Ele abriu a porta e ela entrou. Começaram a rodar pela estrada.

Na viagem o senhor não parava de olhar para ela, precisamente no meio de suas pernas. Destemidamente o homem puxou conversa.
- Qual o seu nome?
- Realmente não importa.

O homem ficou olhando para ela que mal tinha o olhado na cara. Continuou.

- E o que importa?
- Pra você? Minha vagina. Pra mim? Nada, você não faz o meu tipo. - o homem riu.
- Cadê sua família? – perguntou a menina quebrando o silêncio.
- Moram longe. É difícil viver assim longe.

Por uns instantes ficaram calados só ouvindo o barulho do motor e do vento que batia na janela.

- Você é do tipo que fica com de menores?
- Não – respondeu sem muita fé.
- Ta, sei!
- Dizem que as delas são apertadinhas.
- Depois de vinte caminhoneiros? Não sei não – riram.
- E a sua?
- A minha foi só de um. O desgraçado me tratou mal, depois minha mãe o matou, assunto pra outras estradas. Ela continua virgem.
- Não, você foi deflorada.
- Que vocabulário chulo.
- Que vocabulário antiquado.
- De qualquer maneira, a virgindade pra mim é um valor psicológico, que come tira. E como quem comeu morreu, não há relatos, eu me considero virgem.

O homem riu.
-
Quando é que vai re-deflorar ela?
- Não tão cedo.
- Eu poderia? – e passou a mão na coxa da menina maliciosamente.
- Tira essa mão suja de graxa de mim.
Por um momento ficaram calados.
- Você pensa que pode se masturbar com a minha vagina? Vai tirando isso da cabeça idiota.
- Você não sabe como ele é grosso. Mal vai caber na sua boca.
- Não se preocupe com a métrica, eu nem tentaria.
- Porque não?
- Eu já não disse? Você não faz o meu tipo.

Então o coroa avançou em cima dela, ela começou a reagi debatendo-se. Como estava no volante, o caminhão saiu da pista por uns cinco segundos, até o homem voltar a dirigir corretamente.

- Você nunca mais faça isso de novo.
- E você pensa que é o que? A mandona aqui? – gritou.
- Hum... – riu – Eu tocaria na sua calça bem em direção ao seu pênis, veria ele ficar duro, abaixaria devagar a sua calça, seguraria seu pênis com força o cortaria fora. Eu veria o toco que restou espirrar sangue. Aí eu colocaria o seu morto pênis na minha boca pra sentir o seu sangue. Eu me sentiria a mandona, riria e cortaria seu pescoço, seu pedófilo desgraçado filho de uma put...

O caminhão feriou.

- Sai do meu caminhão.

Ela avançou em cima dele, e, ele em resposta. A empurrou com toda a força para fora. Aporta do caminhão era alta, fazendo com o que resultado da queda fossem arranhões que começaram a sangrar.

- Devolve minhas malas, devolve minhas malas filho da puta – gritava enquanto o caminhão arrancava.

O caminhoneiro tinha sobrevivido por sorte. Ela desejava o matar, não pôde. Contentava-se por não ter sido a mandona. Tinha conseguido se concentrar muito melhor do que antes. Ela sabia a linha que separava a Nara angustiada e cheia de ódio. Tinha conseguido não propagar suas mazelas – uma das preocupações mais recentes dela.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pais e Filhos

A sociedade tem passado por uma constante e sucessiva desagregação. Digamos que a relação pais-filhos tem uma relação direta com esse andamento.

Primeiro vemos uma desorientação por parte dos pais, que, ultimamente, tem se preocupado em ser mais entendidos pelos filhos do que compreendê-los. O criado reage instintivamente e o responsável se vê violado e muito desrespeitado. Não procura a raiz de tanta exasperação.

Segundo os filhos que não gostam de despender tempo com os pais. Não os entendem, nem procuram conhecer a estrutura profunda de seus educadores. Estão esperando por super pais que, com atitudes grandiosas, os façam entender um pouco da vida.

E olha que foram desconsideradas as rejeições e a super proteção, só para não deixar o texto chato e enfadonho demais.

Essas relações são bases de relacionamentos que se perpetuam por toda a vida. É necessário entendimento. Entender os que falam, entender os que ouvem. Paizinhos e Mãezinhas entendam a complexidade de seus amados, eles estão em constante dúvida. Filhinhos compreendam os erros dos "super heróis", na verdade humanos também erram.

O entendimento é uma propriedade na relação que desenha a felicidade dos indivíduos que se relacionam, vale a pena cultivá-la assim como vale a pena ser feliz.