sábado, 23 de janeiro de 2010

Curto pensamento

Ele tinha uma imposição em si, um olhar sério e uma expressão triste de tanto vivido no que acreditava, de dois relacionamentos longos e sérios num mundo de valores efêmeros e toques ligeiros, de desejos corridos, acreditava em si da força do viver, do valor da experiência da vivência dela no acreditado. Dizia com as palavras mais rigidamente fortes “Vivi o que quis e não me arrependi”. Mas agora anunciava que tinha medido os pés pelas mãos por ter tomado de volta os negócios da família em Belém, algo que repudiava pelo trabalho maçantemente chato a ser feito com os clientes da rotina de raras exceções, de cuidados extremos. Causava uma impressão pela solidão expressa dos olhos, estava e não entendia os porquês. Antes de mais nada – estava cansado da geração que o sucedera – da juventude solta de compromissos, obstinada em viver um pequeno momento indefinido neles mesmos porque não haviam sentidos impressionáveis, e que havia se afastava como neblina aos primeiros raios quentes de sol coordenadamente – o valor das idéias aplicadas no passado já não surtiam efeito de condolências – e o atingia no peito isto, bem no centro como um soco que leva o ar. E como achava ridículo ver homens se transformando em seres espalhafatosamente afeminados, irritava-se profundamente causando um nojo tão inquietante dentro de si transformado em uma uma repulsa racional das atitudes deles, trazendo certo dentro de si que se vive o que se acredita sem precisar sair aos gritos e aos horrores pelas ruas. Aonde estávamos quando nasceu? Num passado de um fato histórico importante? Era século XX, o que mais esperar? E dos pais que o trouxeram até o agora? Nada sei, não ousou contar nada, pois passava de si uma idéia independente disto e provavelmente cito por amor aos que me trouxeram ou por simples interesse freudiano em reconhecer as influências deles.
Mas o pior já havia passado. Teve amigos que o abanadonaram, mudanças em países, Estados, cidades. Tinha morado na Espanha – Oh, como gostaria de conhecer a Espanha – morado em Portugal, Lisboa, Coimbra, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Macapá, Belém – não suportava essa última cidade pela temperatura, família, trabalho e a limitação dela própria. Mas já estava por aqui e por interesse justificava que há coisas em si que não mudam “Você anda cima-baixo e volta para o mesmo lugar!” dito do orgulho preso a tão boba afirmação, pois o morrer não é fácil quando se pensa que já se viveu tanto; e o tempo para se sentir satisfeito é grande.

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