segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pensamentos recorrentes de um ser

Terceiro:
Sentiu medo, mas continuou. Lembrou de todas as possibilidades negativas que poderiam sair da situação de quantos danos poderiam ser trazidos, do que seria depois que tudo se realizar-se - respirou profundo, e continuou, retomou pensamento no que queria de fato, queria esquecer o resto, e deixar de lado, tanto da vida passada; queria morrer tão bravamente, queria se enterrar e deixar que sua alma fosse tragada pela terra como fumaça brança entre a poeira compactada e que seus óssos se reconstuissem em novos e brancamente brilhantes, que seu cérebro, retomasse mais branco e que sua recente vida fosse tão transparente quanto seus desejos. Lembrava por vezes do que tinha abandonado de todas as amizades interessadas em objetivos opostos, de todos os laços que tinha verdadeiramente tinha, poderia então naquele momento, abandonar as horas e horas de trabalho, mas com alegria rememorou tudo o que via na frente da vida que construia, e se orgulhava do novo rumo, decerto seria solitário no incío como toda a caminhada na solidão da vida, mas em algum momento encontraria alguém que sabe o quer e que quer isso em similaridade, então não se preocupava, ria do passado, se alegrava de poder ter aprendido no final e de agora estar morrendo vagarosamente, para uma nova vida que de eterna não sabia de nada, não se sabe de nada dos eventos futuros, mas se preparava para qualquer mudança e eventualidade, sabia de dentro que o universo como um todo estava a seu favor, se alegrava por isso, e toda a negatividade que os modelos dos pais foram postos em medo sobre a existência eram diariamente questionados, e postos em crítica, de certa forma que conseguia ver de claramente o que acontecia, em consciência poderia decidir de fato até quando sua força de pensamento se desgastasse ao ponto de não conseguir formar mais nada, antes se maltratava por não ser perfeito e ver que os deveres lhe custavam tempo e energia, se sentia o menor por não ser mais de extradiornário, por não ser mais, muito mais, a tal ponto que a culpa o afundava, e sucumbia numa fossa, que desejava morte, ali pedia em lágrimas morte, e depressivamente se fechava na sua cova, não queria trazer ninguém para dentro, entendia o quão donosa era a situação e amava todos os que estavam que viviam ao seu redor, e queria ser melhor em vez de mesquinho e carrasco, desprezador, até o momento em que pensou que se era para morrer - que seja de forma completa - e então começou a abandonar aos poucos o que de fora e passado havia, que em começo foi tudo tão confuso, pois abandonar o que mantinha a existência atraia em si um medo de ressussitar como algo que não sabia ao certo se daria certo, de fato nada pior aconteceria, já estava no fundo poço, o chão era ali. Nada mais abaixo, e em confusão mesmo, foi indo, em sofrimento que era deixar de lado o que tinha feito, o que tinha vivido, das vezes que correu sobre a terra e sentia o ar bater-lhe na cara, dos sorrisos que era respirar o ar da terra, de quão bom era mexer as pernas, de tão desafiador que era ouvir o agonizante do coração que tinha se esforçado, de como era bom sentir, de como era bom rir, e até chorar lágrimas de alegria, arrependimento e de abandono, então foi que deixou escorrer uma dos três sentimentos juntos, podendo em seguida rir - ainda tinha muito de medos para renunciar, deixar e continuar; ainda tinha muito para morrer.

3 comentários:

Lucas Santana disse...

identificação a cada linha. Sinto o peso de minha ações agora e fico confuso sobre o futuro. Oque consigo no final: indecisão, que seja num sorriso ou em lágrimas.

"que sua recente vida fosse tão transparente quanto seus desejos."
adorei o texto.

JacqueNerdBlue disse...

ah! lindo, lindo, llindo, lindo! super tocante, como fosse o abandono de algo por alguma coisa maior né?? bem legal :D

Anônimo disse...

uma palavra: perfeito.