sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pra onde?

Sinto-me longe, como nos dias em que a chuva nos afasta do mundo tão vivo e corrente, e no distanciamento vou-me em caminhada ofegante, ofegante, não sei é o que arriscar em desistir, não sei o que é continuar sem entender. Mal teu sorriso pude conhecer, ou tua voz no meu ouvido que quer ouvir atento, e tua pela foi minha lúcida vista de uma alucinação que criei sem patologia, sem substâncias. Teu cheiro até agora é hipótese que não desenvolvi, pensei no experimentalismo da situação, esperei que a resposta a realidade pudesse me dar, sem medo, sem restrição ou em curvas inexatas do conhecimento.

                O desistir remete tanto a fraqueza fracasso pedaço, submetendo-se à certeza de que o jugo não será mais suportado, de que nada mais é real, e que tudo foi uma idéia maluca  criada de fantasia platônica, sem fé, sem esperança. A caminhada se mostra justa em aceitação heróica do destino - tudo justo no seu lugar, no seu devido lugar, como numa escrita aceita das vontades indispostas humanas, indispostas dispostas interpostas cruzadas distendidas desacertadas - os humanos ganharam uma forma assim torcida envergada dentro de mim? Ou sejam, se forem, que sejam, sem lágrimas, lágrimas perdidas serão nunca, se em arrependimento, se em redenção.

                O caminho úmido, molhado na tarde quase escura, num casaco quente que me sobra agora, sonhos vedados no escuro do quarto fechado do cômodo dos fundos da casa, em desprezo vou, assim, sem reconsiderar, sem pestanejar? Reconsiderando fui, ali, onde as esperanças todas vivem por si só, em fé, believe is all that had to exists, they say, believe, believing, believed.

                Progressão depressiva é olhar daqui, será que ainda corro em braços abertos, em respirações profundas, será que me pega em volta? Tudo numa caixinha cheia de nostalgia, de imaginação, como as dos astros que de brilho nos enchem a alma, e em proposições vivas são montadas seqüências e explicações para tão belo céu. O céu é azul e o olhava, mas o céu globoso pouco tinha para mostrar simplesmente por fora, queria a profundidade, em que o escuro retinado acho o desmembrado ser, sem as couraças todas, sem as capas, sem as convenções, ali, num recanto em que nós nus mais significava intimidade que libido, em palavras nos encontrarmos, nus, sem roupas estilizadas de vantagens, não tenho medo de ver tua casa bagunçada, ou teu quarto revirado de cabeça para baixo, mas amaria estar nele e arrumá-lo-ia feliz, até que nós pudéssemos deitar na tua cama, e em silencio ver o céu que aconchega tua cama, até que o ar tivesse corrente, até que pudéssemos nos movimentar sem receio, e talvez tudo já esteja correto, no lugar, mas simplesmente não queres me deixar entrar na tua vida bem arrumada, bem disposta preparada para ser melhor que eu, ou mais interessante ou vivo que eu.

                Eu sou alguém que tenta, que atira para o céu, ainda que em medo de receio, sou alguém que ainda quer amar antes que o dia acabe e que a vida desapareça revelando velhice, os dias correm, não duvide, não desafie; meu coração é um que se acha quando quer e que se entrega quando os ventrículos se cansam deles próprios e força interior de vida desaparece, busca ele no meio dos olhos que mostram a pulsação das arteríolas que na retina aparecem vivas, vermelhas.

                Caminho seguido, caminho longe, caminho em que forças minhas fadigaram de bater na porta, e se abres e de lá sai outro com cara de sono de quem passou a noite aproveitada no meio do calor das tuas pernas, ouvindo tua respiração, sentido teu cheiro, ele dormiu bem, satisfeito, em paz, tua pele era dele e isso bastava para que fosse o homem mais feliz dos tempos em que este vive, encontrá-lo ali, na frente da tua casa a qual rondei por dias, meses, como um porre que fica a olhar para a janela em esperança do álcool, caminho longo esse de volta, caminho solitário, mais do que já era, caminho sem ti. Mas ainda indeciso, ainda perdido, não sei o que faço, por enquanto me sento aqui embaixo dessa árvore a poucos metros da tua casa, e talvez adormeça aqui mesmo, esperando saires, esperando chegares, esperando resposta.

2 comentários:

JacqueNerdBlue disse...

texto bemmmm trovador! escrita bacana, legal de ler.... conteúdo bem reflexivo, bem comum de todos -a espera do amor e etc-, mas tratado de maneira profunda! congratulations, boy! escreva bastante, all right::??

Anônimo disse...

"Mas ainda indeciso, ainda perdido, não sei o que faço, por enquanto me sento aqui embaixo dessa árvore a poucos metros da tua casa, e talvez adormeça aqui mesmo, esperando saires, esperando chegares, esperando resposta."
esse final dueu =p

pelo restu a jaque disse tudo!
parabens,parabens =*