Eu sempre fui dividido entre ciência e a arte, duas áreas que para mim são refúgio, o descobrir da vida é tão intrínseco que nos andares perco-me com freqüência de ser achado pela vida, as idéias: formas; as ações: desinibições - que vão cercando um todo que com o tempo é lavado e sem notar já estamos num lugar em que negávamos no ontem, e o hoje é a própria negação nua e desnivelada de nossos medos. De como vou, pra onde vou, é tudo um misturado perturbado onde a crença do intuitivo com o calculismo do saber geram, retomam em volante ágil no fazer disto vivência.
Na medschool vamos no ramo da ciência, as complicações da perturbação da homeostase são nossos focos, estruturas, funções e funcionamentos vão tomando conta de nossa vida de forma que esquecemos que ao menos somos um desses os quais estudamos, nossos livros se tornam nossos amigos, nossas escolhas são repensadas pela força que é a ciência dos seres humanos, e os nomes todos que fomos criando, descobrindo detalhes, aprimorando conhecimentos; vamos indo num ramo certo de fazer desses conhecimentos científicos salvação futura aos que precisam de ajuda, de trazer de volta a vida normal de seres que vivem. Mas a ciência está ali, às vezes me perguntava se valia a pena me fechar no campo científico. Se a arte não me faltaria nos desesperos meus corriqueiros, creditaria num livro bem escrito, eles estariam ali representantes dela. Meus planos foram se anulando ao ver que os livros sim me acompanharia de todo, mas só os saberes certos dos cientistas, de todo, as letras todas sendo especificas no comunicar, objetivas no informar. Ciência.
Os livros estão ali, na medschool só precisamos ler, entender, interpretar e repetir numa prova ou num seminário solto no meio da semana. A busca pelo saber é mais constante do as palavras poucas dos professores que tentam informar algo, mas os livros estão ali, seguros, salvos das informações impressas, disponíveis para qualquer folheada digressiva ou de relembranças das informações perdidas, estão ali, concretos. Mas a prática vai se mostrando enrolada, nosso conhecimentos são tão aplicáveis que qualquer robô sairia satisfeito, completo, e curado; os nossos alvos, o bem-estar deles é muito mais do que drogas ingeridas em horas certas ou conselhos de prevenção qualquer, ali, quando estamos a ouvir um ser comunicando sua dor , seu sofrimento, passa a incomodar, a insatisfação nos assola a ponto de não deixarmos que esse estado se propague, são nossos pacientes nus, sozinhos, acompanhados e solitários, infelizes, inconstantes, humanos que erram, contudo esforçados a melhorar; outros jogados, desamparados, desacreditados de futuros, ali jogados pelo força do doer, em conseqüência biológica.
Não queremos machucar, queremos ao máximo aliviar aquele peso que é estar se sentindo tão indisposto, e mal aconchegado, os nossos pacientes são aqueles aos quais o zelo em solucionar é mais forte que nossas limitações, ou às vezes cansaço de um dia e uma noite inteira de trabalho, são seres que respiram, não simplesmente como metabolismo orgânico evolucional, eles pensam, sentem, retrucam, debatem, querem se sair bem, querem viver o que podem, querem tentar, uns são parados pelo medo de continuar, porém todos esses querendo viver. O viver que corre em mim como prioritariamente ciência, tem se revelado muito mais em arte. A arte de tratar bem, a arte de curar, de cuidar, de ser a palavra no silêncio da vida, de ser o ombro para choro quando não há, de ser a resposta quando só restam dúvidas, de ser a calam quando só há desespero. O tudo é muito extenso, e o máximo que podemos fazer para que nos encaixemos é estarmos interligados uns aos outros, ajudando, sendo ajudados. A arte parece que me acompanhará até o fim da vida, uma complicada e emocionada arte de cuidar, em que os seres humanos mais são verdadeiros do que a exata, objetiva e calculista ciência.
terça-feira, 3 de março de 2009
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3 comentários:
"A arte parece que me acompanhará até o fim da vida, uma complicada e emocionada arte de cuidar, em que os seres humanos mais são verdadeiros do que a exata, objetiva e calculista ciência."
Todo o texto pareceu-me uma nitida discussão sobre razão e emoção..e pelo pouo que conheço sobre ti,me pareceu que no final optastes pelo calor da Arte..?colocaçao certa?
olha eu fico até emocionado sério
e eu fico feliz muito feliz mesmo por ver que tu conseguiste chegar as conclusões desse texto porque mostra que tu sabes que a tua função não é só ser médico e receitar remédio mas que quando estás lhe dando com seres humanos é imprescendivel que tu também sejas humano e por isso provido de sentimentos,de compaixão,de amor e de cuidado e o mais dificil de tudo precisas sentir isso com pessoas desconhecidas
esse é um trabalho árduo
mas eu tenho certeza que tu consegues pois nesse texto vemos que tu tens maturidade pra isso
isso faz um bom médico e isso te fará uma pessoa reconhecida pela tua arte
olha eu fico até emocionado sério
[2]
é muita sabedoria pra pouca idade
*-*
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