domingo, 23 de março de 2008

[cap. 1 ou 11]

A manhã estava clara. Úmida. Faltava algo, vago. Apresentava-se nua, não queria mais do que estar, apreciava ser apreciada. As árvores dançavam com a manhã, o vento também acompanhava. As ruas apresentavam-s serenas. A terra escondia seu cheiro. Era manhã.

Então ela caminhava sem medo. Apressada em conhecer. Continuava a idealizar. As manhãs e suas oportunidades, ela conhecia muito bem.

Caminhava para se perguntar aonde iria. Era só ela. Não havia ninguém. O que passou tinha passado isso a confrontava. Entretanto o passado só voltaria se ela permitisse isso a confortava.

Imaginava como faria; o que faria. Desprezava as conseqüências. Saberia onde se encaixar, sempre soube. Quando não se encaixava sempre dava um jeito. Não poderia interromper o que a vida lhe tinha proposto.

Um caminhão começou se aproximar. Ela acenou. O caminhão parou, um coroa a olhou pela janela. O homem era barbudo, estava de óculos escuros. Ele abriu a porta e ela entrou. Começaram a rodar pela estrada.

Na viagem o senhor não parava de olhar para ela, precisamente no meio de suas pernas. Destemidamente o homem puxou conversa.
- Qual o seu nome?
- Realmente não importa.

O homem ficou olhando para ela que mal tinha o olhado na cara. Continuou.

- E o que importa?
- Pra você? Minha vagina. Pra mim? Nada, você não faz o meu tipo. - o homem riu.
- Cadê sua família? – perguntou a menina quebrando o silêncio.
- Moram longe. É difícil viver assim longe.

Por uns instantes ficaram calados só ouvindo o barulho do motor e do vento que batia na janela.

- Você é do tipo que fica com de menores?
- Não – respondeu sem muita fé.
- Ta, sei!
- Dizem que as delas são apertadinhas.
- Depois de vinte caminhoneiros? Não sei não – riram.
- E a sua?
- A minha foi só de um. O desgraçado me tratou mal, depois minha mãe o matou, assunto pra outras estradas. Ela continua virgem.
- Não, você foi deflorada.
- Que vocabulário chulo.
- Que vocabulário antiquado.
- De qualquer maneira, a virgindade pra mim é um valor psicológico, que come tira. E como quem comeu morreu, não há relatos, eu me considero virgem.

O homem riu.
-
Quando é que vai re-deflorar ela?
- Não tão cedo.
- Eu poderia? – e passou a mão na coxa da menina maliciosamente.
- Tira essa mão suja de graxa de mim.
Por um momento ficaram calados.
- Você pensa que pode se masturbar com a minha vagina? Vai tirando isso da cabeça idiota.
- Você não sabe como ele é grosso. Mal vai caber na sua boca.
- Não se preocupe com a métrica, eu nem tentaria.
- Porque não?
- Eu já não disse? Você não faz o meu tipo.

Então o coroa avançou em cima dela, ela começou a reagi debatendo-se. Como estava no volante, o caminhão saiu da pista por uns cinco segundos, até o homem voltar a dirigir corretamente.

- Você nunca mais faça isso de novo.
- E você pensa que é o que? A mandona aqui? – gritou.
- Hum... – riu – Eu tocaria na sua calça bem em direção ao seu pênis, veria ele ficar duro, abaixaria devagar a sua calça, seguraria seu pênis com força o cortaria fora. Eu veria o toco que restou espirrar sangue. Aí eu colocaria o seu morto pênis na minha boca pra sentir o seu sangue. Eu me sentiria a mandona, riria e cortaria seu pescoço, seu pedófilo desgraçado filho de uma put...

O caminhão feriou.

- Sai do meu caminhão.

Ela avançou em cima dele, e, ele em resposta. A empurrou com toda a força para fora. Aporta do caminhão era alta, fazendo com o que resultado da queda fossem arranhões que começaram a sangrar.

- Devolve minhas malas, devolve minhas malas filho da puta – gritava enquanto o caminhão arrancava.

O caminhoneiro tinha sobrevivido por sorte. Ela desejava o matar, não pôde. Contentava-se por não ter sido a mandona. Tinha conseguido se concentrar muito melhor do que antes. Ela sabia a linha que separava a Nara angustiada e cheia de ódio. Tinha conseguido não propagar suas mazelas – uma das preocupações mais recentes dela.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pais e Filhos

A sociedade tem passado por uma constante e sucessiva desagregação. Digamos que a relação pais-filhos tem uma relação direta com esse andamento.

Primeiro vemos uma desorientação por parte dos pais, que, ultimamente, tem se preocupado em ser mais entendidos pelos filhos do que compreendê-los. O criado reage instintivamente e o responsável se vê violado e muito desrespeitado. Não procura a raiz de tanta exasperação.

Segundo os filhos que não gostam de despender tempo com os pais. Não os entendem, nem procuram conhecer a estrutura profunda de seus educadores. Estão esperando por super pais que, com atitudes grandiosas, os façam entender um pouco da vida.

E olha que foram desconsideradas as rejeições e a super proteção, só para não deixar o texto chato e enfadonho demais.

Essas relações são bases de relacionamentos que se perpetuam por toda a vida. É necessário entendimento. Entender os que falam, entender os que ouvem. Paizinhos e Mãezinhas entendam a complexidade de seus amados, eles estão em constante dúvida. Filhinhos compreendam os erros dos "super heróis", na verdade humanos também erram.

O entendimento é uma propriedade na relação que desenha a felicidade dos indivíduos que se relacionam, vale a pena cultivá-la assim como vale a pena ser feliz.