sábado, 2 de agosto de 2008

Últimos da história!

Do mais-ou-menos ao...

Ô telefonezinho que toca quando quero o silêncio de uma paz que é inconstante só de existir, porque quando a anestesia queria perder o efeito tocou com toque perturbador e lá vai a adrenalina, e depois já estarei de anestesia que é ouvir tua voz, e só podia ser tu, porque outro telefonema não coloco, estava mendigando momento, dizendo que queria se encontrar que queria falar, e eu criando abuso, que precisava me encontrar em casa ,mas deixa, eu neguei, agora já, depois de tanto repensar , não queria mais vê-la, não queria estar a disposição e ela sabia da minha situação, não poderia se fazer mais de inocente que acreditava que eu não sentiria nada ao estar perto dela...

Porque o teste foi terrível, foi massacrador e para qualquer um que já passou por essa situação ou passará, sabe que risco correu ou correrá, e esse risco parecia que era a brincadeira sádica dela, que curtia com as emoções, e considerando o telefonema anterior, o que havia arrependimento e insatisfação, mas ainda cruel seria vê-la outra vez, portando os mesmos sorrisos, os mesmos de tudo o que me fez parar meu curto tempo para dá-la atenção de um coração que não deixa sentimento passar, e quanto mais eu negava, mais ela implorava por um momento a sós comigo, queria está sozinha comigo, quer fosse meu sacrifício, e eu negando, ora,isso é pergunta que se faça?

...Eu, na minha casa, com a minha cama, ela, na minha casa e também na minha cama, não, é tentação de mais para uma carne que mata vontades só em pensamentos, palavra final que dei a ela: "não", porque se fosse para ficar em casa a sós, diria não, lancei proposta de ser numa praça próxima de casa, mas não queria, só me encontraria se fosse em minha casa, mas não.

E ela disse que ficaria com raiva e o de sempre, eu nem liguei, era dela própria ficar fazendo ceninhas, eu fiquei normal, já bastava o teste, e fiquei em casa tentado fazer algo que tirasse imagem da minha cabeça, aquela imagem criada de inocência. E por intuição própria, depois de horas da ligação, desci as escadas de minha casa e fui ver a frente desta, sem intenção maior, ato inconseqüente que se faz todo o dia, e olhei, era tudo normal, era tudo sem acento, e ao lado de casa, na calçada, lá estava ela sentada no chão, com cara de insatisfação, virou o rosto para mim e me olhou por...

Cinco segundos, foram os cinco segundos mais ilógicos da minha ida, eu tinha acabado de conhecê-la, e estava na fase da coragem, em que se chega junto e sem medo começa uma conversa sem tanta enlevo, e foi ali, que lha faltou palavras, e só me olhou, pelos cincos segundo que deveriam ser aceitos como uma quebra de intimidade, eu jubilei só por ter aqueles cinco segundos só para mim, e fui á casa certo de que ela poderia ser mais que uma imagem na minha mente, um desejo solto, sem futuro. E nos olhos tinham chamas, e pela irradiação foi em cima de mim, foi, pois meu interior queimou rapidamente e calor foi tanto que minhas pernas foram obrigadas a se estabelecerem, foi num momento tão rápido, e tão desastroso, porque saí dali quase que certo, restaria para o teto o meu quarto me responder se era só loucura, ou mesmo um conselho amigo preocupado com as insanidades que crio.

... Pouco, mas agora foi pouco, ela desviou o olhar com insatisfação grande, e logo eu abri o portão e a chamei, ela não quis entrar, e eu estava sujo, tinha acordado fazia quatro horas e logo que acordo ela já vem com propostas de encontro, e mesmo negando ela estava ali, mendigando atenção, que houve? E fui ao lado dela e sentei, e pude a olhar mais um pouco, era o momento que ela falava mais do sentimentos dela.

- O que tu estais fazendo aqui?

- Eu falei que vinha.

- Mas eu desconsiderei, tu não irias fazer outra coisa lá e eu ainda disse que aqui em casa tu não virias.

- É mais eu disse que viria te ver.

- Isso não faz sentido! Porque tu estais com raiva?

- Por que eu sabia que isso ia acontecer, tu ia começar a me evitar, querer parar de conversar comigo, não querer mais me ver. Eu sabia disso, e eu vim aqui só pra dizer que pra mim não tem problema nenhum. - mas a cara dela negava, pois uma raiva corava-a e seus lábios faziam um biquinho que cólera.

- Para com isso, menina! - e passei meus braços em volta dela como...

No nosso terceiro encontro, em que, depois de tentar tirar palavra da boca dela, e não ter conseguido coisa alguma, eu me aproximava mais dela, o amigo Caio, antes, estava entre nós e fazia força para distanciá-la de mim, mas ela aproximou e passou o braço em volta de mim, e meu músculo do tamanho da minha mão fechada, ficou inquieto, muito inquieto, e ela me olhava nos olhos, com coragem e vontade de ver mais, de conhecer mais, aí não, não soube diferenciar, eu mais colocava sentimento por ela, e mal sabia que sofrimento que é fazer isso, porque quando ela tirou os braços em volta de mim, eu empurrava o meu antebraço contra o dela, e me aproximava, queria um toque inocente queria me aproveitar disso tudo, e ela passou de novo o braço em volta de mim, e de novo o músculo. Fui para casa acariciando meu próprio antebraço e relembrando constantemente os delicados toques do braço dela, eu realmente não sabia que sofrimento ocorreria mais tarde.

... Sinal de desculpa mais não adiantou, ela me olhou ainda em cólera e continuou:

- Eu odeio quem foge das situações, eu não gosto, olha que tu é maior do que eu, tem mais idade, e agora tá fugindo das situações, eu odeio quem faz isso.

- Não, tu sabes da minha situação, tu sabes que quanto mais tempo eu passo perto de ti mais eu posso gostar e mais o sentimento aumenta. - eu disse calmamente tentando fazê-la ver que não queria machucá-la com minha ação, ou inação.

- Não, sabe qual o teu problema? Tu queres fazer tudo sozinho, tu não dá o braço a torcer, não pede ajuda de ninguém, tu sabes que tu precisa de ajuda, esse sentimento não tá nos planos certos, tu queres fazer tudo sozinho. - eu calei, porque a verdade quando ouvida é aceita e não rebatida, eu calei porque precisava realmente de ajuda, e nessa humildade que me encheu respondi:

- Me desculpa, por favor, me perdoa. - pedi delicadamente e a cara dela se encheu de dúvida...

Dúvida era o que tinha na cara dela, depois de sairmos do riacho cristalino, nós estávamos no ônibus de volta, e a dúvida era o motorista da viagem, ela ria pelos cantos da boca, compreensiva demais com meus sentimentos, para não me constranger, mas confusa sobre como eles surgiram, e eu já tinha falado que tinha criado um quilo de coisa sobre ela, que tinha fantasiado mais ainda e tinha sido ufanista, mas não bastou, ela continuava na dúvida, e como aquela dúvida era charmosa, como era bonito vê-la pensando no profundo ser, e se questionado sobre a especificidade dela que fez apaixonar-me, era interessante, engraçado e bonito, mas ela olhou para mim com olhar de curiosidade e já atingido pela dúvida, aproximou a boca do meu ouvido e docemente, bem baixinho, perguntou "Porque eu?", e depois olhou-me nos olhos e com graça que fluía do momento e dela própria esperava a resposta, o clima mudou, pois eu senti o ar mais úmido, a temperatura regular, e a viagem parou, era um momento belo que me fez não pensar em resposta alguma, eu deixava de aproveitar a viagem.

...porque para ela, eu deveria ser mais infantil, pelo ao menos eu acho, desviou o olhar de novo, e repeti de novo:

- Desculpa, por favor, me desculpa, me entende - ainda docemente dizia. Ela foi mudando a expressão e passou a rir, com um riso de vergonha, talvez percebeu que a situação era demais de inusitada, - vamos à praça. - levantamos e fomos, achamos um banquinho e ficamos sentados lá.

- Aí, sabe? Depois de ontem, do teste, eu fiquei pensando, porque eu acho que eu deveria ter te beijado, sabe naquela hora faltava um pouquinho para eu alcançar tua boca, aí eu cheguei em casa e fiquei me questionado, eu deveria ter te beijado.

- Não, quando tu desviaste teu rosto de mim ontem, eu percebi o que tu queria, eu pude ver em quem teu foco tava.

- É verdade, quando tu disse naquela hora, "isso é pecado, não vamos sair espiritualmente arrebentados." aí eu recuei, e fazia um tempão que não ficava com ninguém.

- Pois é, mas tu me fez perceber de verdade o que quero, isso foi muito bom, parabéns. –eu disse triunfante, a cara dela era de espanto, mas desviou-a e logo perguntou:

- Teria algum problema se a gente dormisse abraçadinhos, seria maldade?....

Não, não seria maldade se eu fosse um boneco, porque se eu fosse menina, ainda poderia ser maldade, ou vai me dizer que lesbianismo não é tentação? Mas eu, pelos hormônios que engrossam minha voz, põem-me pêlos corpo, auxiliam na libido, e também as ereções noturnas, sim a maldade me encheria com força, e eu transaria sim com ela, pois ela, ou eu, acordaríamos um ao outro,no meio da noite, e logo estaríamos nos beijando, e não diferenciando o sonho da realidade, no quarto escuro, sim seria maldade,problema, pecado, desejado, mas pecado.

...hein?

- Acho que sim.

- O ônibus que eu pego passa por aqui. Seria maldade mesmo?

- Acho que sim, não sei, acho que te beijaria se dormíssemos juntos.

- Não, não haveria beijo nenhum.

- Acho que sim. – pausamos e ouvimos o transito.

- Bora logo, me leva na parada.

- Tá. - e fomos andando já sem tantas palavras, as perguntas eram difíceis e as respostas também, e chegamos na parada.

- Sabe? Eu tava lá em casa e eu percebi que gostava de ti, tu me fez ver além que uma simples paixão, teu coração bateu forte quando a minha boca chagava perto da tua e isso que importa...

Reação, reação? Não, nada. Eu realmente seria um babaca se acreditasse no que ela tinha falado, sim, porque no final quem estaria preso, em choros, em dores, em quero-quero-mais, seria e somente seria eu, a verdade já tinha clareado minha alma, eu estava certo disso, e nessa hora até que a dúvida quis manchá-la de novo, mas me contive, não, já bastava.

... Sabe?

- Nossos caminhos são diferentes, uma hora ou outra eu vou estar, ou tu vai estar em outro lugar, e aí não seremos mas o que seria o hoje, o amanhã continua incerto.

- Me dá um abraço?

- Hum?

- O ônibus tá vindo e não vai ter tempo de me despedir.

- Tá. - ela me abraçou com força, eu dei um abraço normal, de amigo para amigo, estava já certo mesmo. Depois do abraço, comentamos mais um pouco sobre tudo de novo, ela me perguntou se gostaria de dormir na casa dela, eu disse que seria um problema, mas ela insistia que não, que não. O ônibus apareceu e vinha devagar, dava para uma despedida. E de novo ela fez menção de abraçar-me e dei outro pobre abraço, ela foi mais tocante nesse, passou a mão pelas minhas costas, deslizou vagarosamente, apertou-me com carinho...

Esses foram nossos dois últimos abraços, e não digo só de um, porque foram concomitantes, um empurrou o outro, eu dei um abraço velho, e já no segundo ela foi mais aberta, e é só o que ela poderia ter, esses abraços foraa a última esperança que o céu pôde dá-la, só mesmo.

...carinho que teve que interromper, o ônibus se aproximara, era tempo de ir, e nem a vi entrar no ônibus, antes, toda vez que a deixava eu olhava para trás, tentando achar o rosto dela me olhando também, mas agora eu fui em direção à minha casa, não olhei para trás, e se ela finalmente me olhou, olhou na hora errada porque eu não a vi.

Sim.

Por que é tempo de deixar ir, é tempo de abandonar, deixar para trás o que tinha posto como foco. E tempo de deixar ir é um tempo de escolha madura, não é fácil para mim dizer a mim mesmo "vai" , mas aqui estou e aqui tenho que aprender a viver, ainda é tempo de escolha, tempo de olhar longe, e não se focar no chão ralo que tenho nos meus pés, e continuar acreditando, ainda posso ver o que quero , ainda quero o que desejo e isso me basta, de oportunidades somos cheios, oportunidade de vencer e perder, de ver êxito ou desprezo, de oportunidade a vida me enche e enche com bons olhos, com emoção de mãe que é ver o filho crescer sozinho, ainda lanças muito para que possa vê-te mais serenamente, e deixar ir a ansiedade e a raiva de se revoltar contra meu próprio mundo. Mas ô vida, eu te amo, no meu despreparo ainda te amo, eu encontrei em ti, e olha que não faço idéia se estava procurando, ou se era uma energia instável no universo, ou se era plano sublime, presente que é te ter, presente que é usar-te.

Eu escolhi a renuncia, que não vem em sabor agradável logo no início, mas que com o tempo vai mudando de amargo, passa para azedo, e adquiri vagarosamente o doce equilibrado, não chega a ser enjoativo, mas com dose necessária que é poder sentir-se fazendo o certo, renunciei por que vi, olha lá, eu vi, aquilo tudo que falava, planejava, era o plano para mim mesmo, era o que eu queria, e não era de solo, era de dupla, dois que pensavam de modo diferente, que viam de forma diferente, que agiam de forma diferente, e o respeito, respeito pela tradição, pelas idéias, estávamos indo em barcos que pela maresia encontravam-se juntos, mas momentos desses eles teriam que separar-se e ir a águas que sozinhos tinha que ir, e ainda nessa bacia grande que é viver, não poderia fazer e mapa, e nem calcular relevos, era a hora de ir e só. Era a obediência que tinha pelo o que acreditavam, uma solenidade pela fé, algo louco e sério, se a fé nos separou, a fé dispôs-se por nós, e como outro agente, ajudou-nos.

Porque ainda é tempo de deixar ir, e é tempo de ser grato, de senti o que alegria é, mas não reclamo, amei cada pedaço dessa história cada aperto no coração, cada olhar, cada sorriso, eu aproveitei o que era meu, e nos momentos não dei o exato valor foi porque ainda precisava de maturidade, e saí a compreender as situações, as buscas, os desejos, as derrotas, as renuncias, bem-aventurado sinto, posso olhar o algo a mais ali, naquela igreja que a encontrei e que ali esteja a paz que nos encherá enquanto passamos pelos corredores e vimo-nos, quando tivermo-nos que dá um aperto de mão irmão, quando a educação nos exigir mais, a paz eu encontrarei, porque estarei ali, e sempre, não por ela, não, por mim, que de fraco tenho que me fazer de forte, e de forte tenho que aprender, por mim mesmo que só via sentido material nisso tudo, que via nas carnes, tentação carnal, que via nas intenções satisfações de desejos, eu que tenho que estar para aprender a ser mas meta, físico seria se deitássemos juntos e calássemos as palavras e deixássemos as ações, mas não seria meta, para a frente que seguimos , lá, bem, lá no recanto próprio de ser, único caminho e solitária caminhada, cada uma lutando para o seu lugar, no após-tudo-aqui.

Porque eu renunciei, eu obedeci, eu sobrevivi, lutar não é fácil, e a dificuldade não é desculpa, porque depois da batalha o guerreiro sabe quem ele é e se satisfaz de conhecer-se mais, depois da luta, saber mais é o que se quer, e não há mais dores, nem problemas que afligem, e nada que faça calar a voz que diz "vê só o que tu és, não nascestes para a derrota, encarastes com perseverança, e olha , és vencedor que lutou bravamente!". E fico e pensar o que é vitória se lutas após virão e que venham - nisso tudo aqui, se o tempo não pára é por que as lutas também não.

2 comentários:

JacqueNerdBlue disse...

davi! na minha opinião, considerei esse texto muito bem escrito e com um alto grau de sentimentalismo por parte do eu-lirico- me lembrou um pouquinho do desespero do dom casmurro do machado de assis, mas ele ñ sentiu nada parecido com o q esse texto descreve-... tbm achei MUITO BACANA as frases "filosóficas" contidas no texto, principalmente todo o ultimo parágrafo! Parabens mesmo! foi um texto q pelo menos me tocou bastante! Espero q continue assim! Txau e fique com Deus

Anônimo disse...

Bom diante du comentário dela,eu ate me sinto pequena pra dizer algo.Mas tudo bem eu vou tentar...
Pra mim esse é um texto para ler e reler,pq realmente tm muita sabedoria nele com "as frases filosóficas"como ela disse...
E isso é que é muito bom,porque ele não se resume apenas a românticos de plantão,mas a um público bem maior,ansioso por aprendizagem...
Realmente me impressionei,porque como eu te disse eu tb tinha pensado em renuncia!E isso só serviu como um sinal pra acentuar o que eu aprendi.
o/