domingo, 17 de agosto de 2008

Confuso.

Porque me desliguei de minha razão, sim eu estava na casa da amiga, não teria ido por nada, e de modo inconsciente fui adquirindo postura alienada que quem sai com amigos e não questiona o que eles te oferecem, nem tenta negação do que te presenteiam.

Eu passei o dia molestando-me com as lembranças do dia anterior, questionando-me posições, entendendo-me e no final ainda tinha feito certo, não tinha avançado, não tinha vivido, porque fim seria isso, de uma forma ou de outra, eu estaria numa sarjeta escura, sozinho, e cheiro de enxofre.

Não viria depois de tudo, não calaria minhas lembranças, não me tocaria em pele, não olharíamos de novo, ela. Era o que eu entendia e ainda fazia certo, fazia sem remorso de abandonar o barco que estava com um buraco insignificante que ora levaria esse lindo flutuador, desejado meu, aconchegante barco que riria ao fundo e ali estagnaria virando um fantasma que se perde em lembranças passadas, que se perde em habita de peixes inseguros. E eu deveria continuar navegando, procurando minha terra, já que ela não queira compartilhá-la comigo.

Ainda assim, eu tentei o dia inteiro me concentrar nos produtos, e a produtividade lutava com a lembrança, mas de luta me enchi, era hora de ir ao aniversário e tentar contatos com os terrestres meus amigos.

Fui sim,querendo deitar minha cabeça num peito, novamente, no peito de alguém para ouvir o coração bombeando, sentir fluxo contínuo que é a vida e nisso me inspirar, não conseguia me ouvir, não conseguia me sentir, supostamente o fim, mas ainda assim no certo.

E nada, o aniversário foi só comida, nem conversas proveitosas tinham, eu estava perdido em tanta comemoração e nem sei se parabenizava o amigo mais velho agora, e isso ninguém sabe, porque tive que sair e ir a casa da amiga outra, mais importada e importante, e lá encontrar arreio que vai no vento que leva o tempo. Porque ela estava com uma das amigas e as duas sabiam cozinhar, sabiam fazer de uns ingredientes uma receita que te deixa mais leve, que te faz um pouco menos ágil, e a fizeram. Comi com medo, e com dor no estômago que foi comer doces, pizza e bolo, mas nessa degustação calma e fingidamente em paz, não senti leveza nem o céu, porque precisava vê-la para isso. E fui atrás dela.

A encontrei indiferente e medonha, e eu dizendo que queria conversar, e nesse discorrer de procurar-achar passaram-se uma hora, e já estava na frente dela, com cara destemida e coragem para dizer “Quero te beijar, só vim pra isso.”, ela ao me olhar e me ver rindo e corajoso e perguntar “ O quê tu tem? O que tu fez no aniversário?”, e eu dizendo sorridente “Nada, eu não bebi nada.”, mentindo eu soprei meu hálito sem álcool para comprovar a negação. E eu ainda dizendo que queria mais, que precisava deitar abraçado de novo e sentir a pele macia dela, sentir-me seguro nos abraços jovens, merda que é se apaixonar, sorte que é amar, que precisava muito mais o que aquela meia-horazinha, que queria só um tantinho acabável com ela, e esta ainda me admirando de tanto pedido e atitude que tinha, e eu ria enquanto falava, estava corajoso e lá vai eu dizendo que ela puxa meu coração para fora e corta com uma faca e rindo se diverte de me por em testes que acabam comigo, porque ela tinha beijado minha barriga e amassando minha bunda por dentro a cueca e a tinha visto e calcinha? Porque não avancei? Porque previ, olha, eu re-pedi, que por favor, me desse um beijo, e xingando-a no meio disso, sem organização prévia, sem sistematizar palavrões, colocando os mais ofensivos no final para vê-la definhar em remorso, eu estava desconectado ainda mais para ouvi-la dizer “eu não vivo de prazeres carnais.” e eu me encher de raiva por considerá-la como importante, que merda que era pensar nela, que sorte que era tê-la por perto, e eu dizendo que tinha comido brigadeiro, e ela rindo , e eu completando, brigadeiro com maconha “Porque eu não vou dormir bem e tu vais.” E vê-la de boca aberta sem palavras, não havia sermão espiritual, e eu indo na rua gritando “Fucked asshole, fucked asshole.”, tentado transformar a raiva – que tinha dela - e o remorso – de ter usado maconha – num grito ofensivo.

E me bastou isso tudo porque depois que a leveza deu lugar ao pesado ser que tentou se livrar de si mesmo, eu fiquei no chão, agora errado, ações maduras teriam sido o melhor, e nem a quero mais, nem vê-la posso, porque merda que é usar maconha e vê-la rindo, sorte que é sentir-se leve e vê-la indo.

2 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Agora eu posso comentar d verdade.

Eu senti tudo isso,é muito náo é?