quinta-feira, 14 de agosto de 2008

[cap. 16 ou 6]

Apertava-lhe por dentro. Sentimento que ia e vinha e, indescritíveis vezes, levava-a para mais longe. Longe do terreno fértil dos desejos reassimilados, no que gostaria que fosse prática, na prática adiantada. Não bastaram as perguntas sobre o peculiar estado do rapaz que tinha conhecido, nem as demais teorias desenvolvidas no tempo rápido; estava a sentir-se quente e só, sina da fase. Perguntando a si mesma quando chegaria, as sete teria sido a melhor escolha, mas pelo momento, ansiava às cinco, e, a partir dessa hora, não sabia desenvolver razão para o suposto atraso de Luis.

E imaginava os lábios soltos do rapaz, lábios rosados, tanto de tirar-lhe a curiosidade de perscrutar sobre as demais partes do garoto. Porque os lábios, estava certa disso, correria sobre a pele delam, e, na sensibilidade que tinha para finos lábios e suaves toques, contemplaria o que lhe faltava. Se quente estava faltava-lhe o frio, supostamente, mas não. Não, porque um corpo frio é sensualismo mórbido e desse tipo sensual Nara talvez não entendesse. Mas se o corpo frio não a completaria, a lei dos opostos - eles sempre se atraíam mesmo? - estaria inaplicável. A não ser, viva e exceção, que Luis chegasse calado e frio, não disposto para mais nada a não ser olhares cobiçadores que rodeavam Nara, seja nos raios-x que tentava fazer da pudendo da garota, seja possuída visão do glúteo dela. De desejos estavam cheios assim como o mundo estava.

E chegou Luis com a cara reservada aos capitalistas, com poucas palavras, pouca expressão e pouco vigor, era o cansaço. Nara o viu chegar e tentou ajudá-lo o máximo; pegou a maletas os sapatos tirados, a gravata e colocou nos lugares de hábito. Isso porque tinha passado parte da tarde descobrindo, ou vasculhando, cada parte da casa e designando as relações entre os espaços vazios e seus acampanhantes. Não encontrou muito, só camisinhas na cabeceira da cama, normal, pensou, cuecas que a despertou mais para o que seria o desenho mapeado do corpo dele, umas blusas, o perfume que ficou cheirando como se pudesse voltar ao momento que o encontrou primeiro, e pornografias dispersas e regulares, aliviando-a de teorias que assustavam-a sobre o estado do rapaz.

Depois de colocado as coisas foi à cozinha para vê-lo. Tomava água com preocupação, encostado num armário pequeno, violado pelo dia. Nara aproximou-se e, bem perto do rapaz, passou a mão pela testa dele, deslizou-a para a cabeleira e gadelhou-a para trás, com preocupação acatada ao vê-lo no estado. Rompeu barreiras?

Sim, mas ambos gostaram. Estava na hora de reaproximaram fisicamente, pois desconsideraram o selinho que deram, coisas modernas. Mas, porque não tinham ainda cãibra, sorriram um para o outro. E beijaram-se.

Porém bastaram os beijos, haveriam de ir a banho para colocar as ruínas e a sujeira do dia-a-dia.

Havia banheira, era de se esperar, Luis pois para encher, tirou a roupa, de longe Nara observava a parte nua posterior e só pode ver isso. Foi ao outro banheiro, já sem banheira, e tomou um banho gelado, necessário e no seu tempo.

Não quiseram sair, pediram pizza e assistiram tv. Rindo da alguma programação, olhavam-se por escapada. Desligaram a tv, cansados das repetições e deixaram-se inovar. Calaram pensamentos. Foram ao quarto calados, já poderiam dormir um do lado do outro, circunstâncias do momento, e na conversa divagada desenhavam-se fagueiramente, uma cama confortável, ouvindo vozes gostosas, compartilhando bobagens. Era o momento.

No divagamento passaram a dormir, primeiro Luis, por homem e ter levado o dia nas costas, e depois Nara ao perceber que falava história para as paredes, dormiram um ao lado do outro, sem abraços, sem cheiros.

Amanheceu. Na manhã mesclada de madrugada acordou Luis e foi ao banheiro, voltou de cueca com o pênis rijo, facilmente visto. Nara abriu os olhos e não o recebeu com riso, nem com grosseria, olhou-o nos olhos e da comunicação telepática pode-lhe avisar que estaria, em pouco tempo, aberta e disponível, para não dizer arreganhada. Então Luis tirou a cueca a avançou em direção a Nara, com o pênis indo à frente dele, como numa batalha espada vai um pouco mais adiante do guerreiro. Aquele era o momento em que Nara poderia relembrar todos os outros em que o desejou dentro dela, dentro e sem fôlego, todos os devaneio dele possuindo o seu seio, todos os suspiros dados tentando captar a essência fujona. Mas agora poderia cheirar o pescoço branco do rapaz, poder tocar-lhe a perna, ser prensada sob os músculos jovens e sentir presa e com falta de ar.

Nara viu o pênis rosa do garoto e aproximaram, deram-se beijos calmos e carinhosos, abraçaram-se, ela de roupa, ele desnudo, e tentou captar o máximo do momento o aproximando-o mais ainda agarrando os glúteos de Luis. E depois na calma que os sustentavam, Luis tirou a blusa, o sutiã, a bermuda, a calcinha e se reabraçaram nus, ao ponto de penetrá-la, mas Nara segurou-se.

Ele foi beijando o pescoço, mais um pouco abaixo, os ombros, o seio, os mamilos, a barriga, as coxas, os pés, e a vagina, com uma delicadeza, com um apreço, coisa que Marcos fez a corrida, sem notar a variação das texturas, e depois a levou a borda da cama, afastou as pernas e ,com objeção concentrada, pôs-lhe o pênis devagar, para vê-la mudar de expressão, e mais intensamente foi avançando, até que os gemidos foram tornados e pequenos gritinhos, daí gozaram juntos numa sincronia, num deleite afável, um sobre o outro, para eles, por eles.

E ali Nara pode calar-se para si mesma sobre as teorias a respeito de Luis, tinha vivido, tinha provas, tinha o nas mãos. Pobre ingenuidade de Nara.

Um comentário:

Anônimo disse...

Tão cativante como nunca.
Tão excitante como nunca.
Tão detalhista como nunca.
Eu até me sinto a Nara ^^,nunca vo parar de entrar nu teu blog e saborear dessa riqueza.


Renata