Porque os vermes bebem da secreção da minha alma, satisfazem-se dos meus restos, completam a deteriorização que os invisíveis começaram.
Roem meus ossos, sustentação oscilante, do meu corpo; fazem do cálcio o leite que nutre o ciclo óbvio natural, locomoção afetada, reprimida vitimalizada das bocas minúsculas; continuo sobre a terra.
Úmida, fria, mas tão viva quanto o processo que ocorre nela: tiram-se os restos vividos, alimentam-se. Terra cíclica, situação cíclica.
Sentida vide esvai-se sem cor, inteligente que se desfaz sem cor, histórias passadas não escritas nem recordadas vão-se sem cor.
A preta terra há de tirar de mim toda a água, que me hidratou e reciclou-se, tentaculada de esponjas secas e espículadas; vai-se a água.
Os ares calam, o céu nubla. Recomeça tudo, chuva. Molha os gramados, verdes de vida, sustentadas na aptidão dela própria.
Grande ciclo, grande dor, na natureza tudo parece ironia, aguda, invencível. Que nada, é que acredita-se no pleno, constante, perfeito. Despreza-se a dinâmica para resguardar conforto. Não adianta; não deixa de vir, irônico ou metafórico, real, sempre real.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
a vida é um ciclo cheio de ciclos.
lendo isso pensei em ir enterrar os defuntinhos que eu estudo!
Postar um comentário