A faísca não decidida ameaçava a longa mata que rodeava, um movimento brusco, às vezes involuntário, faria descer a destruição que correria sobre toda extensão circundante. Mas voltava, sempre insistente, faíscas que de algum lugar vinham, perturbadoras, marteladoras da paciência e sanidade, isso adentrava no profundo ser, desbaratava escudos, calava contra-argumentações, brigava com a vitória, estabelecendo-se no muro, não decidas, mas ameaçadoras.
E na janela via-se, ali, do outro lado da rua, e expressão de preocupação, as dúvidas que aniquilavam a calma da tarde, durante o pôr-do-sol, porque haviam desejos, quebrados pedidos, acumulando-se, empurrando-se para fora, se iria ou não entregar-se; o rogo vinha, de tempos em tempos, as negações em contra partida, de contra-argumentação em contra-argumentação, e a cada lembrança, doía-lhe.Poderia, a partir daí, estar ás custas da preocupação; se erros aconteceriam no decorrer, se desacerto era o decorrer, se problema seria o depois, sempre às custas da dúvida preocupante, estabelecida pelo tempo, pelas conversas, pelos conselhos, pelo visto.
Cecília ainda olhava o quadro natural desregulado da janela, não via, pois o fundo era desprezível para a peça dramática que se passava internamente, o sol que descia no fundo, era regida pelo o que de mais longa origem vinha, os atores eram, praticamente, vítimas, que falavam sobre o que os perturbavam, mas que não tinham coragem para jogar fora, era doloroso, mas necessário, pelo ao menos nos séculos passados; continuava pulsante, retornando para as bases o relacionamento entre eles.
Me diz o que eu vou fazer, me dá um idéia mais lógica para justificar, algo que o faça recuar e entender, Parece que tu não quer, porque despreza os desejos que tem dentro de ti, manera nos preceitos!, Porque não me responde com solução?, Porque te faço-as a muito tempo, desde que te encontravas, naquele dia, no banheiro, na água que percorria o teu corpo, escorregando sobre teu seio, obedecendo as linhas curvas do teu corpo, atravessando teu abdômen, chegando e acumulando no teu umbigo, descendo de novo, no meio das tuas pernas, lá te perguntei e lá recusou, Porque ainda volta? Ele continua perturbando, não ficarias aí se fosse tu, se tivesse o poder que tens, Tenho e o quero usar adequadamente, e só, não quero ser galhofa, papo de moleque que tem vento na cabeça, Mas não fostes tu que escolheste ele? Não vou responder essa pergunta suja, Justa, Desnecessária, Mas tua, e calou se para si mesma, não era bom quando discutiam se aconteceria ou não, porque, na verdade, era perda de tempo, cíclico, os mesmos argumentos repassados com algum detalhe cotidiano a mais acrescentado, mas, essencialmente, o mesmo.
Foi tomar banho, no úmido banheiro, ao som da água que caía e corria, acumulavam-se os pensamentos do momento atrás, retraíam ao entrar debaixo do chuveiro e concorriam com a sobriedade que a água fria trazia quando escorria pelo corpo, duas temperaturas que, por intermédio da natureza, natural ou humana, disputavam o mesmo corpo, ou ambiente; quente, pulsava dentro, na mesma ritmia do miocárdio, subia pelo pescoço, descia pela barriga, por entre as pernas, recuava para dentro, e, como tentáculo, saíam de novo, lutando contra o frio, lutando para sair, como se debatia, e seu dono, que poderia ajudar, ainda estava em indecisão. Mas as vozes perturbavam e diziam promessas, as melhores, que a colocariam no patamar do mundo real, vivido, e o ela ia com a mão que rodeara o seio, descia sem presa sobre a pele macia, colocou a mão sobre, tentou tirar, tentou sanar, lutou para colocar longe, e ritmamente, mas olhou pela pequena janela que tinha um pouco acima a cabeça, o sol se indo, mais longe do que antes, respirou e determinou que deveria ficar no escuro latente, mas latente e ainda escuro; bastava o sabonete esfregado contra o corpo ,que retirava os restos da pele, e a toalha, para os respingos de água.
Foi ao quarto a casa que estava vazia, pais estavam fora a trabalho, confiavam na filha, o seu quarto, onde escolheu a roupa, mais adequada para o início da noite, e foi ás ruas.
Perto da casa havia uma praça e numa das ladeiras, a de pouca declividade, descia ainda de cabelos molhados, recém-lavados, ainda querendo que, na água que o tinha lavado, tivessem sido expelidos todos aqueles pensamentos; ao som as das crianças que corriam na pequena rua, brincado de bola, pulando coras, desafiando elásticos, instigando adivinhações mais prováveis para esconderijos, e distava dois quarteirões da casa; fazia diferença ir lá, por um momento curto ou longo, na fresca praça. Caminhando tentava tirar paz da brisa que deslizava sobre sua face.
E chegou à praça arborizada, bem cuidada, calma, sem muita gente, sentou num banco, olhou para o horizonte possível para ver os últimos suspiros do dia e a voracidade seca da noite que ia se coroando sobre o céu. A noite se suas complicações, pensou Cecília atentando para a dança calma e não regulável das cores, não conseguia nomear-las no céu,se misturavam, a definição ia se desapercebendo, Espero que um dia a minha noite seja estabelecida assim, pensou mais um pouco e finalmente não podia ver mais sinal de claridade; focou os que estavam na praça e só observou casais que, ali e cá, aproveitavam-se, viu nitidamente quando, no mais longe, um sentiu o perfume da acompanhante da qual sorriso fluía e brilho enchia os olhos, e, um pouco mais próximo, o casal que analisava as texturas das peles da mãos que estavam dadas, que apreciavam um simples movimentos dos dedos sobre a mão do parceiro e da parceira, e, mais próximo ainda, a garota que colocara a cabeça nas coxas do acompanhante, olhando para o céu, perguntando sobre a infinidade do universo e da que via nos olhos dele, e Cecília riu-se daquelas situações, com um riso singelo, essencialmente jubiloso, que fez ver em seus olhos brilho.
Olhou a árvore, uma solitária, que balançava tranquilamente com a brisa, iluminada por um poste perto dela, de luzes alaranjadas que não revelava o todo, mas que também não a ofuscava; imaginou-se como esta, alimentada pela terra, vivendo somente do que vinha dela, e um poste que um dia foi colocado perto, quase que ocasionalmente, mas com um objetivo. Continuaria no balanço da brisa?, pensou, A tranqüilidade é bela, mas monótona , que a mantém ali, naquele mesmo lugar, percebida por uma luz que não mostra tudo o que ela é.
Sabia que te encontraria aqui, disse Teseu quebrando a cadeia de pensamento, Porque desligou o telefone? Liguei a tarde toda; a resposta quase foi entendida quando Cecília o olhou alegre e ao mesmo tempo confusa, não por ele estar lá ou por aparecer de surpresa, já se conheciam faziam seis meses e tentavam se ajustar num relacionamento, Nada, eu só queria um momento silencioso, respondeu, E que momento silencioso, foram o quê? Umas cinco horas?, perguntou Teseu, Por aí, vem cá, disse Cecília sinalizando para o namorado sentar-se perto dela, e depois de ter feito, ela o abraçou pela cintura e ficou ouvindo o barulho que saia da caixa torácica dele, suspirando o delicioso masculino perfume que o envolvia,É engraçado lá no colégio, a perturbação que é naquela sala, o professor se mata pra tentar acalmar a sala e no final nem tem aula, disse Teseu, Cecília ouvia, mas estava longe, discutindo planos que nem tinha idéia se aconteceriam, E lá em casa o papai vive falando o curso que eu tenho que fazer e repete, repete, repete, “Direito, Medicina, não vai fazer outro curso, quer passar fome?”,fica nessa, Cecília largou do abraço, olhou-os nos olhos, e, com o dedo indicador, parou o movimento dos lábios finos do namorado e o beijou delicadamente, depois deu pequenos e carinhosos ósculos nos lábios dele, tão calma e tranqüilamente quanto a brisa que tinha sentido, reolhou-o nos olhos tão profundamente , se reapaixonando pela ingenuidade e vontade de descobri a vida do namorado, apressiou o momento, observou os lindos olhos que tinha, ainda sentindo o cheiro dele, passou a mão no cabelo e na nuca de Teseu, o abraçou e o beijou novamente, ainda calmamente, ainda em preocupação - foi aí que ele pensou que fora jogado a corda, crédulo que era a resposta do labirinto - então Teseu encheu-se de si e abraçou-a fortemente, e no beijo que aprofundava, segurava a cintura dela como se fosse o possuinte.
Pararam de se beijar, levantaram e conduzidos por ela, começaram a fazer o percurso de volta para a casa , Me deixa lá em casa, tá?, disse Cecília, Mas agora, já vamos embora?, perguntou Teseu – e é para isso que serve o rolo de lã – , Sim, eu preciso ir, e voltaram, não mais aos gritos dos pequeninos, mas no baixo movimento da rua, subiram a declividade que Cecília tinha antes decido, parecia que tinha ido buscar lá embaixo, e agora as tinha, forças para ir a um lugar mais alto, e não havia mais brisa, só a umidade que preenchia a noite.
Ao chegarem à frente da casa de Cecília, deram mais um longo beijo, porém diferenciado pela maior intimidade muscular das bocas , deixaram de se beijar, Teseu virou de costas e foi andando, Cecília olhava com a expressão alegre mesclada com preocupação, e o viu indo triste, se perguntado o que tinha feito algo de errado, ou se tinha feito ou vindo na hora errada, ou se a namorada passava por problemas, e, nesse momento, ele retornou, agora mais seguro, mais questionador, e viu a namorada com aquela expressão que o fez ainda mais ousado, tão, a ponto de vir andando com mais força, abraçando-a com vigor de guerreiro estando frente a luta que irá dar a vitória , beijando-a tão intensamente até perder o fôlego e só poder restaurá-lo deitado sobre o seio dela.
Cecília deixava-se ser conduzida por esse momento, para ela, ainda incerto, e deslocava-se para dentro da casa, que deslizava contra a escada, que percorria o corredor, e, no final, estancava sobre o quarto dela, e, ali, ser vivido.
A única luz que pouco iluminava o quarto, neste momento, era de um poste longe dali, mal dava para ver os músculos do namorado, ou a cueca que ele vestia, as suas pernas, seu pênis, e bastava isso ,pois dava para sentir a ansiedade deles, a insegurança, e começaram a ser tiradas as roupas, primeiro ela, Teseu, com a mão por dentro da blusa, foi levantando-a lentamente, Não, eu não posso, interrompeu Cecília, Mas já não falamos sobre isso? calmamente disse Teseu, observando malmente a preocupação que brotava dos olhos da menina, Eu só tenho me..., Não, shiiiii..., disse abraçando-a delicadamente, olhou-a nos olhos por bastante tempo, debatiam a insegurança e a certeza, tempo longo, até a certeza ir penetrando nos olhos da garota, que a cada insurreição do sentimento que a continha ia indo, deixando-a mais serena, na lentidão necessária, Não tem nada para ser temido, tranqüilizava-a mais, Não tem nada pra complicar, disse mais serenamente ainda.
E Cecília deixou-se, abandonava enquanto ele retomava o movimento lento de retirada da blusa dela, mais ainda quando desabotoava a calça, que ela mesmo retirara, enquanto, após ter tirado a blusa do namorado, passava a mão nos musculosos seios e sentia elevações do abdômen, os pêlos que vinham do botão da calça até o umbigo, enquanto o via retirar o jeans e, mesmo com dificuldade, e depois de abraçá-lo, sentir a protuberância sobre a cueca dele, deixava-se mais ao sentir a mão dele deslizar sobre a cintura dela e ao acariciar o glúteo delicadamente, ao passar as mãos sobre a costa do namorado, sobre a protuberância; enquanto, no desabotoar do sutiã, tentava visualizar melhor a expressão do rosto dele ao ter em mãos os seus seios, e ao cheirar os seus cabelos, enquanto ele beijava-os.
Deslizaram para a cama e , subjugados pela escuridão do quarto, sentiam um do outro as intensas batidas da ansiedade, e que, ás vezes confundidas numa só, os faziam serem um; desceu a mão de Teseu sobre a barriga de Cecília e pôs dentro da calcinha, deixando-a parada sobre a vulva dela e cheirava os cabelos, beijava-lhe o pescoço, mordia-lhe o queixo; Cecília colocou a mão no glúteo bonito do namorado, liso e quente e, esporadicamente, o apertava devagar. Ela própria tirou a calcinha e deixou as pernas fechadas e ele tirou a cueca sozinho, sendo que seu pênis conduziu-se a botar em ângulo as coxas da namorada e a retirar o hímen, sem dor; assim ficaram unidos, por tempo indeterminado, sem movimento algum, dentro um do outro; passaram se abraçar fortemente, tão, que a estaticidade foi quebrada, e pusseram-se em atrito, no suor, nos suspiros, nos desejos.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
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4 comentários:
Tão idealizador, tão bonito, esperansonso, convencional.
Não descontro, foi o destino que encontrou eles. Gostei!
just perfect
adorei o ar meio sonhador
e o modo como as coisas são descritas
muito bom
I'd like to say that you should continue to do this, as much as possible, 'cause this helps you to develop in knowledgement and in wisdom, in fact this is a way to broad your mind for things. I must say, congratulations.
From someone who loves you always.
Your Dad
Teseu descobriu o enigma do labirinto
"e bastava isso ,pois dava para sentir a ansiedade deles"
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