quinta-feira, 1 de maio de 2008

[cap. 2 ou 12]

Nara preocupada com o que pode fazer? Não. Tem verdades, realidades, que são questionáveis. Há um grande descontentamento por trás das atitudes desconfiadas, ou mesmo um cinismo que debate com o proposto.

Preocupada como o quê? E para quê?
Obcecados perfeccionistas: sem casa, sem ninguém, sem suas roupas, abandonada numa estrada; para arranjar uma solução. Livres da consciência: nada; não importa, não adianta se preocupar.

E Nara fugindo; poderia ser a insistente perseguição da consciência ou a levada da existência que tragava para as estradas nuas. Se possível uma tremenda força faria as escolhas óbvias para ela.

Foi dito que pessoas que vivem realidades diferentes têm inclinação clicherítica para encontrar para encontrar alguma epifania. Se Nara é um clichê, isso é porque não sensibilidade na realidade dela. Talvez seja somente um caso, mais um, em que indivíduos tornam-se loucos por viverem em ambientes loucos.

Contudo, o seu orgulho a trouxe até aqui. Desamparada, voante, em perdas, ela continuava a andar sobre a encosta da estrada, com o joelho sangrante , perdida.

O constante vazio foi rompido por um bonito carro que vinha a uma velocidade relativamente pequena. Nara ouviu o motor, olhou primeiro para ter certeza de que seria alguém confiável – e era, apesar de concordar que uma olhada não diz nada – e depois acenou.

O carro parou e pela janela o dono viu para Nara – em seu interior surgiu, ainda pequeno, um interesse por ela, talvez por sua sincera expressão. Ao observar que ela precisava de ajuda saiu do carro. Nara atentou para o movimento que fazia até chegar a ela, e achou, de modo possível, que o jovem rapaz se parecia com o bem que o transportava.

- Você ta bem?
- Eu não sei – disse Nara lagrimejando seus olhos.
- Mas você precisa de ajuda, olha o seu joelho. Eu tenho um kit pronto-socorro – foi até o carro, voltou trazendo a caixa branca.
- Senta aqui no banco – disse e retirou esparadrapo, água oxigenada e algodão. Nara observava o cuidado que ele tinha com ela. – O que aconteceu com você? – passou o algodão na ferida.
- Eu fui pegar carona com um caminhoneiro, safado. Ele tentou avançar em mim, desgraçado. Empurrei ele, molestador. Aí ele me jogou do alto da caminhonete do caminhão. Ai, ai – disse tentando desviar o joelho dos cuidados do homem.
- Você foi muito corajosa indo com esses caras, você sabia da fama deles?
- Sim, mas a gente sempre tende a acreditar que as pessoas são boas e de que de alguma forma elas querem nos ajudar. Não poderia generalizar uma fama que é de poucos, mas muito divulgada.
- Foi só ingenuidade. Ocasional – disse Luiz com seus lábios vermelhos que chamava a concentração de Nara.
- Pra onde ta indo?
- Pra lá.
- Ali, na minha direção?
- Certo.
- Certo. Você gostaria de uma carona? Meio que você ta sozinha e com seu joelho recém-cuidado, ainda vai na mesma direção que eu.
- Você me faria esse favor?
- Claro, lógico.

Ele entrou no carro e Nara se ajeitou e prosseguiram a viagem. As estradas novamente comandavam o silêncio. Nara parecia ainda deprimida, para o recém motorista. A angustia que manchava o escarlate coração de negro, lutava contra o ela para se exteriorar. Ele sentiu-se incomodado, não impossibilitado de fazer perguntas a ela.

- Como se senti? – perguntou seguro, macio.
- Eu? Sei lá... Eu tento me sair...
- Bem?
- Sim. De alguma forma uma dor aqui dentro incomoda. Ela amolece minha couraça.
- Muito magoada com o que aconteceu?
- Eu acho que... – disse com a voz falhante - ...sim – começou a chorar – Não seria bom manter isso dentro de mim. Eu tento não me machucar com o que me foi feito, e se eu não conseguir? Eu ficar chorando aqui, parando a vida, como agora? – soluçava.
O silêncio da estrada foi quebrado com a freada do carro. Luis parou o carro a abraçou.
- Calma. É normal se machucar. Não prenda esses sentimentos destrutivos dentro de você. Chore, chore o máximo, até sair.
- Você pode até não entender ou se empatizar como o que eu sinto.
- Não,não. Que isso? Eu estou aqui pode chorar.

O homem jovem tinha seus vinte e poucos anos; de estatura média, brando, olhava Nara com perturbação. De alguma forma aquela situação era aproveitante. E Nara? De onde vinha para onde iria, ecoava na mente dele. Nara estava profundamente afetada por ele. Depois de ter sido confortada, Nara fitou os finos lábios vermelhos dele, assimilou seus castanhos olhos, sua branca pele. Depois admirou seu bem estruturado corpo que não era malhado, mas obedecia a proporções consideradas bonitas. E de que adiantaria o corpo se o olhar dele a fazia se expressar. È como se pedisse uma demonstração ampla do redor que o circundava.

- Luis, por acaso. – o carro voltava percorrer.
- Oh, me desculpe – disse Nara enxugando o rosto - Nara.
- Desculpa por minha preocupação, de onde veio?
- De lá.
- Pra onde ta indo, conhece alguém , algum parente?
- Não ninguém.
- Como você vai ficar? Não pode ficar por aí, e se você cair na mão desses tipos de pessoas?
- Eu não sei o que eu vou fazer.
- Seus pais sabem onde você está?
- Não.
- Como assim? Você precisa voltar pra lá.
- Não posso contar com eles.
- Você tem algum problema com eles? Ou eles com você?
- Sim. Um grande problema.
- Será que vai conseguir fazer sua vida sem eles?
Nara vasculhou a profundidade dos olhos dele pedindo algum auxílio. Luis obteve a resposta.
- Eu poderia até lhe ajudar, mas e se seus pais me processarem?
- Nunca fariam isso.
- Você não entende o cuidado de seus pais com você?
- Como poderia?
- As atitudes dizem.
- Não existem atitudes.
- Eles te abandonaram?
- Sim. Eu preciso de ajuda. Nem que seja por um dia.
- Eu poderia.

Mais silêncio.

Luis admirava Nara, por sua fragilidade ou sua força. A seu modo de ver ela precisava de ajuda, ele poderia dar. Sustentava-se, tinha um próprio apartamento, próprio carro. Nara chamava a atenção dele pela sua angelicalidade.

Luis chamava a atenção de Nara que o achou de começo admirável. O modo que a tratava carinhosamente, estava atento para o que ela falava, se interessava em ajudar. Ela desejava um abraço forte dele naquele momento. A significância seria de gratidão.


O véu negro transpassa para os olhos pontiagudos. Isso põe em cheque questões.

4 comentários:

Dilersquitch disse...

Após a greve dos roteiristas está de volta Nara
Devo confessar que melhor a cada capitulo.
Esses dois últimos capitulos,para mim,foram uma introdução pra a nova vida que Nara está a construir.
E eu estou ancioso pra saber o desenrolar dessa história.
E quanto a estilistica foi um texto bem claro e fácil de ler
APROVADO
E vamos Nara

Laércio Barbosa disse...

adoreeeiiii
nara is back!
she rocks!

pergunta: ela vai dominar o mundo?
kkkkkkk

aurelio. disse...

Post bonito.Nara é meiga, não me pergunte por que.

JacqueNerdBlue disse...

quem diriaq a guria ia achar um cara legal na vida dela??? se a gente avaliar, até mesmo ela merecia mesmo, vamos ver se o cara é "legal" mesmo, ou se ele vai ferrar ela (e/ou vice-versa)!